Translate this Page

Rating: 3.0/5 (905 votos)



ONLINE
1




Partilhe este Site...

 

 

<

Flag Counter


Apologética ética cristã
Apologética ética cristã

 

                           APOLOGETICA E ÉTICA CRISTà                      

 

Entender o que é certo e o que é errado, num mundo em que estão invertidos os valores moraisgravados por Deus na consciência do ser humano e ao mesmo tempo exarados no Livro do Senhor, não é tarefa fácil. Graças a Deus, temos o maior e melhor referencial ético que o mundo já conheceu: a Palavra de Deus. Ela é lâmpada e luz divinas, tanto para nosso ser interior como para nosso viver exterior. Neste trimestre, apresentaremos uma visão panorâmica da Ética partindo do ponto de vistabíblico sobre o qual o cristianismo fundamenta seus valores. Esperamos contribuir para o entendimento do assunto, tecendo considerações sobre alguns casos éticos típicos, considerando o limitado espaço dos comentários que não permite uma abordagem mais ampla.

 

                         CONCEITUAÇÃO E DEFINIÇÕES

 

 Ética como ciência secular. A Ética é um aspecto da filosofia. A Filosofia está segmentada em seis sistemas tradicionais: Política, Lógica, Gnosiologia, Estética, Metafísica e Ética que é o objeto de estudo de Lições Bíblicas neste trimestre.Para compreendermos melhor o sentido de Ética, vejamos, de forma sintética, em que se constituem os outros aspectos aos quais ela está agregada no contexto filosófico.Dentre suas muitas acepções, filosofia é o saber a respeito das coisas, a direção ou orientação para o mundo e para a vida e, finalmente, consiste em especulações acerca da forma ideal de vida. Em suma, é a história das ideias. Tudo isto sob a ética humana. Precisamos aferir o pensamento humano com os ditames da Palavra de Deus que são terminantes, peremptórias, finais. O homem, seja ele quem for, é criatura, mas Deus é o Criador (Os 11.9; Nm 23.19; Rm 1.25; Jó 38.4).

Todos os campos de pensamento e de atividades têm suas respectivas filosofias. Há uma filosofia da biologia, da educação, da religião, da sociologia, da medicina, da história, da ciência etc. Consideremos entretanto, os seis sistemas acima mencionados que foram sistematizados por três antigos pensadores: Sócrates, Platão e Aristóteles.

  1. a) Política — Este vocábulo vem do grego polis e significa “cidade”. A política procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social. Ela procura definir quais são o caráter, a natureza e os alvos do governo. Trata-se do estudo do governo ideal.
  2. b) Lógica — É um sistema que aborda os princípios do raciocínio, suas capacidades, seus erros e suas maneiras exatas de expressão. Trata-se de uma ciência normativa, que investiga os princípios do raciocínio válido e das inferências corretas quer seja partindo da lógica dedutiva quer seja da indutiva.
  3. c) Gnosiologia — É a disciplina que estuda o conhecimento em sua natureza, origem, limites, possibilidades, métodos, objetos e objetivos.
  4. d) Estética — É empregada para designar a filosofia das belas-artes: a música, a escultura e a pintura. Esse sistema procura definir qual seja o propósito ou ideal orientador das artes, apresentando descrições da atividade que apontam para certos alvos.
  5. e) Metafísica — Refere-se a considerações e especulações concernentes a entidades, agências e causas não materiais. Aborda assuntos como Deus, a alma, o livre arbítrio, o destino, a liberdade, a imortalidade, o problema do mal etc.
  6. f) Ética — É a investigação no campo da conduta ideal, bem como sobre as regras e teorias que a governam. A ética, o homem distanciado de Deus por sua incredulidade e seus pecados, a estuda, entende e até se propõe a observá-la, mas não consegue, por estar subjugado pelo seu eu, pelos vícios, pelo mundo, pelo pecado (Rm 2.15-19). Já os servos de Deus, pelo Espírito Santo que neles habita, triunfam sobre o pecado (Rm 8.2).

Existem inúmeros argumentos e considerações acerca deste tema, que será tratado aqui do ponto de vista da ética bíblica a qual expõe Deus como fundamento e alvo da conduta ideal. 

 

                                        Origem da palavra 

. Ética vem do grego, ethos, que significa “costume”, “disposição”, “hábito”. No latim, vem de mos(mores), com o sentido de vontade, costume, uso, regra.

 Definição. Ética é, na prática, a conduta ideal e reta esperada de cada indivíduo. Na teoria, é o estudo dos deveres do indivíduo, isolado ou em grupo, visando a exata conceituação do que é certo e do que é errado. Reiterando, Ética Cristã é o conjunto de regras de conduta, para o cristão, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Para nós, crentes em Jesus, o certo e o errado devem ter como base a Bíblia Sagrada, a nossa “regra de fé e prática”.

O termo ética, ethos, aparece várias vezes no Novo Testamento, significando conduta, comportamento, porte e compostura (habituais).

A ética cristã deve ser fundamentada no conhecimento de Deus como revelado na Bíblia, principalmente nos ensinos de Cristo, de modo que “...ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15; Ef 2.10).

 

         VISÃO GERAL DA ÉTICA SECULAR E DA ÉTICA CRISTà

                                          Antinomismo

 

 Esse ensino errôneo é humanista e secular. Tudo depende das pessoas, e das circunstâncias. O filósofo incrédulo e existencialista Jean Paul Sartre, um dos seus promotores, afirma que o homem é plenamente livre. Num dos seus textos, ele escreve: “Eu sou minha liberdade; eu sou minha própria lei”.

  1. a) Posicionamento cristão. Esta teoria não serve para o cristão. Nela, o homem se faz seu próprio deus. A Bíblia diz: “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14.12). “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Ec 12.13). O antinomismo é relativista, isto é, cada um age como quiser. É o que ocorria com o povo de Israel quando estava desviado, sem líder e sem pastor (Jz 17.6 e 21.25). 

 

                                             Generalismo

 

 Essa falsa doutrina prega que devem haver normas gerais de conduta, mas não universais. A conduta de alguém para ser chamada de certa ou errada depende de seus resultados. É o que ensinava, no século XV, o descrente, político e filósofo italiano Nicolau Maquiavel: “Os fins justificam os meios”.

  1. a) Posicionamento cristão. O generalismo não se coaduna com a ética cristã, pois, para o crente em Jesus, não são os fins, nem os meios, que indicam se uma conduta ou ação é certa ou errada. A Palavra de Deus é que é a regra absoluta que define se um ato é certo ou errado. Ela tem aplicação universal. O dever de todo homem é temer a Deus e guardar seus mandamentos (Ec 12.13). A Palavra de Deus não muda de acordo com as circunstâncias, os meios ou os resultados. Deus vela para a cumprir (Jr 1.12b; Mc 13.31).

Há outras modalidades, formas e expressões da ética secularista, como o situacionismo, o absolutismo e o hierarquismo, mas nada disso se coaduna ou se enquadra na ética bíblica, tanto a declarativa, como a tipológica e a ilustrativa. Estamos mencionando estas formas aqui porque o mundo fala muito nelas, mas não as cumpre.

O cristão ortodoxo na sua fé, e fiel ao seu Senhor, terá sempre no manancial da Palavra de Deus tudo o que carece sobre a ética, na sua expressão prática em forma de conduta, compostura, costumes, usos, hábitos e práticas diuturnas da nossa vida para agradar a Deus e dar bom testemunho dEle diante dos homens.As abordagens éticas humanas são todas contraditórias. Como seus autores, humanos e falhos. Uma, como vimos, procura suprir as deficiências das outras. As abordagens éticas conflitam entre si, deixando um rastro de dúvida e confusão em sua aplicação. Por isso, devemos ficar com a Palavra de Deus, que não confunde o crente, nem pode ser deixada de lado ao sabor dos meios, dos fins ou das situações. A Palavra de Deus satisfaz plenamente.

Princípios morais, que são os mais abrangentes e importantes conceitos éticos, não se aplicam a algumas atividades, mas a todas.São, portanto, princípios sem exceção, que não cedem a qualquer tipo de conveniência. ‘Que é o que o Senhor pede de ti... senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?’ (Mq 6.8). Nunca estamos dispensados de agir em justiça e amor.

Observe esses dois princípios neste contexto. Ambos se referem a pessoas, à maneira justa de tratá-las, e interesse em seu bem (bem mais elevado, e não apenas alegria ou sucesso na vida). ‘O Senhor faz... justiça a todos os oprimidos’ (Sl 103.6) e devemos fazê-lo também. Leis justas, governo justo, economia justa, preços justos, salários justos, relações equânimes entre marido e mulher fiéis um ao outro, relação pacífica equânime também entre as nações deste mundo. Devem ser esses os nossos conceitos, pois procedem de Deus (Is 9.2-7; 11.1-5). A justiça é um princípio distributivo que trata igualmente as pessoas” (Ética:As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD, pág.60). 

“A relevância do sal e da luz pode ser notada pelos efeitos que exercem. Se o sal for insípido, perderá totalmente o seu valor. Se a luz estiver apagada ou escondida, nenhum benefício trará ao ambiente. Partindo desse pressuposto, há três aspectos em que se espera a valorização da relevância cristã.

O primeiro é pelo exemplo. Atitudes falam mais alto do que mil palavras. Quando o nosso comportamento não condiz com o que falamos, de nada adianta eloquência e verbosidade, porque o que fica é a marca do que fazemos. As palavras vão ao vento, mas os traços do nosso exemplo, bom ou ruim, permanecem. A falta de lisura e nitidez em nossas ações leva-nos à perda da credibilidade naquilo que propomos e à consequente ausência de relevância do ponto de vista da fé. Foi o testemunho de Eliseu que permitiu à sunamita identificá-lo como homem de Deus.

Nossos atos podem ser positivos ou negativos e sempre terão influência para o bem ou para o mal. Quanto mais a nossa vida é exposta ao público, os rastros de nossas ações terão número cada vez mais considerável de seguidores, que, em muitos casos, não questionarão o que fazemos, mas simplesmente copiarão o nosso modelo tal é a força.

 

 

                    JESUS VALORIZOU OS DEZ MANDAMENTOS 

 Uma questão fundamental. Um jovem judeu aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para conseguir a vida eterna?” (Mt 19.16). A pergunta do rapaz reflete o desejo consciente ou inconsciente de todas as pessoas. O jovem pensava que podia fazer por si mesmo alguma coisa, alguma boa obra, para assim, ser salvo. E entendia que a salvação dependia de seu esforço pessoal.

 A resposta inquietadora de Jesus. Deixando de lado o lisonjeiro tratamento do jovem, Jesus lhe respondeu: “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19.17). Jesus sabia que estava diante de um moço educado sob as regras éticas do judaísmo, em que a prática de atos exteriores era mais importante do que o ser e o sentir espiritual; o formal era mais valioso do que o real; o exterior era mais valioso do que o interior.

 A guarda dos mandamentos. Indagado pelo jovem sobre quais mandamentos para se entrar na vida, Jesus disse: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 19.18,19). O moço disse que cumpria tudo desde a sua mocidade. Jesus, conhecendo seu coração, lhe ordenou que vendesse o que tinha para dar aos pobres. Diante desse mandato, o jovem saiu triste e decepcionado. O moço não era um tão terrível pecador, mas não estava disposto a abrir mão da sua fortuna para cumprir o “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Jesus começou por Êxodo 20.13 e terminou com Levítico 19.18. À luz da ética cristã, o que importa não é só o não fazer, mas o praticar o que é justo e reto, movido pelo amor e de acordo com a vontade de Deus.

O cumprimento da lei. No Sermão da Montanha, Jesus foi categórico, ao afirmar que não veio para revogar a lei, mas para cumpri-la (Mt 5.17-19). Com tal expressão, Jesus quis mostrar que, não obstante ter Ele instaurado uma nova aliança, o essencial do decálogo não estava ab-rogado. Tão somente, Ele trouxe uma nova maneira de cumprir a Lei, valorizando o interior, muito mais do que o exterior. Tal entendimento é fundamental para a consistência e solidez da ética cristã.

 

                         UM NOVO SENTIDO PARA O DECÁLOGO

 

 “Não matarás” (Êx 20.13).

  1. a) No Antigo Testamento. O sexto mandamento da Lei de Moisés proibia tirar a vida de uma pessoa. Em Mateus 5.21, Jesus disse: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo”. O matar em Êxodo 20.13 refere-se, no original, a matar de modo premeditado, deliberado e doloso.
  2. b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio! e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno” (Mt 5.21,22). Na ética de Cristo, a prevenção é mais importante que a correção. Ele condena, não apenas o ato de matar, mas as causas que levaram ao crime: a ira, a cólera e a agressão verbal, entre outras. No Antigo Testamento, só era condenado quem matasse. No Novo, é condenado quem se encoleriza ou maltrata seu irmão. Veremos outras implicações éticas em lições posteriores. A reconciliação é o remédio para a ira (vv.22-26).

“Não adulterarás” (Êx 20.14; Dt 5.18). O sétimo mandamento visava valorizar e proteger a família e o casamento, livrando-o dos males funestos e destruidores da infidelidade conjugal, bem como defender a pureza sexual.

  1. a) No Antigo Testamento. “Ouviste o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério” (Mt 5.27). O adultério só era realmente condenado se ocorresse a conjunção carnal.
  2. b) Na ética de Cristo. “Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28). A exigência agora é muito maior, porque parte dos motivos, e não apenas do ato. Cristo não apenas condena o ato, mas os pensamentos impuros, as fantasias sexuais, envolvendo uma pessoa que não é o cônjuge do transgressor. É condenado o “adultério mental”. O décimo mandamento abrange esse pecado (Êx 20.17 e Dt 5.21).

O divórcio (Dt 24.1). O homem podia desquitar-se ou divorciar-se de sua esposa por motivos os mais diversos, mesmo que não houvesse infidelidade.

  1. a) No Antigo Testamento. “Também foi dito: qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite” (Mt 5.31). O marido podia repudiar sua mulher, caso não achasse “graça em seus olhos”, ou por “achar nela coisa feia”, e a mandava embora de casa.
  2. b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério” (Mt 5.32). Na vigência da Lei, o homem podia deixar sua mulher “por qualquer motivo” (Mt 19.3); a partir de Cristo, só a infidelidade (em suas diversas formas) justifica a separação, caso não haja perdão do cônjuge ofendido. Em nossos tempos, tal caso piora em relação à mulher como transgressora, como se o homem não fosse igualmente transgressor.

Não tomar o nome do Senhor em vão (Êx 20.7 e Lv 19.12). Era o terceiro mandamento, que proibia o homem jurar falsamente em nome do Senhor.

  1. a) No Antigo Testamento. “Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor” (Mt 5.33).
  2. b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei, nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt 5.34-37). Com Cristo, a integridade no falar é mais importante do que fazer juramentos formais.

Olho por olho, e dente por dente (Êx 21.24). A “pena de Talião” funcionava no Antigo Testamento.

  1. a) No Antigo Testamento. “Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente” (Mt 5.38).
  2. b) Ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mt 5.39-41). A conduta cristã é, no Novo Testamento, mais exigente do que era no Antigo. Dar a outra face a quem lhe bater, mesmo no sentido figurado, não é comportamento comum ou fácil de praticar, mesmo pelo mais santo dos crentes. Só com a graça de Deus e o poder do Espírito Santo é possível cumprir esse preceito ético. Isso ocorre com frequência em tempos de perseguição à Igreja. Numa época como a atual em que há um endeusamento dos direitos humanos, um crente precisa ter um acurado discernimento espiritual se vier a perseguição.

O amor ao próximo. A Lei mandava amar o próximo (Lv 19.18b). Mas os religiosos acrescentavam à Lei: “Aborrecerás o teu inimigo”; algo que Deus nunca ordenou.

  1. a) No Antigo Testamento. “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo” (Mt 5.43). O “próximo” eram só os judeus, suas famílias e suas autoridades; o “inimigo”, os gentios.
  2. b) Na ética de Cristo. “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5.44,45). Esta visão engrandece o conceito do amor, sendo também um verdadeiro teste para o cristão em todos os tempos. O Mestre não admite o sentimento do ódio, nem mesmo a um inimigo. Deus ama a todos (Jo 3.16); devemos fazê-lo também para sermos seus filhos. Ver 1 Pe 2.23.

Vemos que os princípios espirituais e morais do Decálogo integram-se às leis do reino de Cristo, expostas no Sermão do Monte. Os antigos cumpriam os mandamentos e estatutos, em Israel, de modo formal e frio; se, para os homicidas havia condenação, os que odiavam ficavam impunes. Contudo, Jesus deu aos mandamentos um sentido muito mais elevado, aprofundando e ampliando o seu entendimento, tornando-os instrumentos da justiça, bondade e amor de Deus.

servilmente, adulador, bajulador.

 Assim, todas as normas cerimoniais, morais ou cívicas da lei mosaica, apesar do seu caráter local e transitório, não cabendo à igreja observá-las na realidade cultural contemporânea, foram embasadas nos princípios de caráter explicitamente moral e espiritual que aparecem na mesma lei, cuja universalidade está clara nas Escrituras. São válidas para ‘todas as pessoas, em todas as épocas e em todos os lugares’. São esses princípios que o Senhor reitera no Sermão do Monte e declara de maneira contundente a sua importância como marco distintivo do Reino de Deus. São referenciais permanentes e imutáveis que se aplicam em qualquer cultura e expressam não só o padrão de santidade exigido por Deus, mas também o tipo de reação que se espera do crente diante das diferentes circunstâncias da vida” (A Transparência da Vida Cristã. CPad) 

 

                                   O  CRISTÃO E GERRA 

Hoje, na Dispensação da Graça, Cristo nos ordena a amar os próprios inimigos (Mt 5.44). O cristão na condição de autoridade (inclusive como militar) e, nessa condição, seus deveres e missões legais, inclusive na guerra, suscitam da parte dos que não conhecem a Palavra de Deus, discussões e opiniões divergentes, pró e contra. No campo secular, humano e temporal, a mídia e a literatura comuns e irmanadas não devem ser o guia do cristão, e sim a Palavra de Deus quando corretamente interpretada. Uma simples lição de Escola Dominical não cobre o assunto, mas sua abordagem mesmo sucinta, será proveitosa. As dúvidas em relação a esse ponto passam pela seguinte questão: A participação na guerra, levará o cristão a contrariar o sexto mandamento que diz “Não matarás”? (Êx 20.13).

 

                                      A GUERRA NA BÍBLIA

 

 A causa das guerras. A multiplicação do pecado, da iniquidade, da rebeldia e da desobediência afrontosas para com Deus e suas santas leis propiciam o desentendimento e o confronto bélico entre os homens. Esse desentendimento se processa de tal forma que evolui de simples hostilidades a grandes e dolorosos confrontos, de longa duração e repletos de todo tipo de sofrimento (Tg 4.1; Mc 7.21,22; Gl 5.19,20; Lv 26.25,33; Dt 28.25; Is 48.22 e Sl 120.7). Em Gênesis 6, vemos os passos que conduzem ao conflito entre nações. Os homens, corrompidos, multiplicaram-se na face da Terra (Gn 6.1); a maldade se multiplicou grandemente (Gn 6.5); a Terra encheu-se de violência (Gn 6.11), a ponto de o Senhor promover o juízo, enviando o Dilúvio. No tempo de Abraão, quatro reis fizeram guerra contra cinco; e Ló, seu sobrinho, foi levado cativo, o que obrigou o patriarca a armar-se com seus criados e promover uma expedição militar contra os agressores (ver Gn 14.1,2; 12-17).

 Deus é o Senhor dos Exércitos. Jeová Shallom (“O Senhor é Paz”) é o mesmo Jeová Sabaote, “O Senhor dos Exércitos” (Êx 12.41 e Sl 46.10); Jeová é “Homem de Guerra” (Êx 15.3; Is 42.13). É óbvio que não se trata de guerra no sentido popular, humano, terreno; esta, Deus aborrece (Sl 68.30 e Ap 13.10).

 Guerras ordenadas por Deus. Uma infinidade de conflitos bélicos resultaram da determinação do Todo-Poderoso, de abater os inimigos do seu povo, Israel. Dentre essas campanhas, destacamos as seguintes: contra os amalequitas (Êx 17.8-16); contra Jericó (Js 6.2ss); contra Ai (Js 8.1ss); contra os filisteus (1 Sm 7.1-14); contra os amonitas (1 Sm 11.1-11) e contra os cananeus (Js 11.19,20). Eram as chamadas “guerras do Senhor”, de cujo registro se ocupa o “livro das Guerras do Senhor” (cf. Nm 21.14; Js 10.40,42; Dt 20.16,17). Examinando-se com cuidado a Bíblia no seu todo, vê-se claramente que aqueles povos e nações eram manipulados e mobilizados pelo Inimigo no sentido de impedir que o Messias Redentor da humanidade viesse ao mundo. O mundo contemporâneo, no século passado em particular, conheceu diversos conflitos armados, como o provocado pelo ditador alemão, Adolf Hitler, que queria subjugar o mundo (de 1939 a 1945), impondo sua paranóica ideia de conseguir uma “raça pura”, leia-se: a supremacia germânica sobre todo o planeta, o que levou à morte milhões de pessoas (destas, mais de 6 milhões foram judeus). Dos seus inflamados e odientos discursos, destacamos este: “Hoje a Alemanha é nossa; amanhã, o mundo inteiro”. Nesse caso, a guerra promovida contra o tirano assassino foi justa. Foi Deus que separou as nações (Dt 32.8), inclusive através dos oceanos, e só Ele pode reuni-las outra vez.

 

           O POSICIONAMENTO DO CRISTÃO PERANTE A GUERRA

 

 O cristão e a guerra. Não podemos aceitar os argumentos filosóficos de certos ativistas pelos seguintes motivos:

  1. a) Violência. Mesmo ordenadas por governos legitimamente constituídos, na guerra, devido à maldade inerente à natureza humana, há injustiça, traições, atrocidades, vingança, ganância e perversidade (Rm 12.18,20).
  2. b) Estado absoluto. Há o perigo de se ver o Estado, ou o Governo como ente absoluto ou até de idolatrá-lo. A Bíblia diz que devemos examinar tudo, mas ficar com o bem (1 Ts 5.21); devemos fazer tudo “de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens” (Cl 3.23).

 O Seletivismo. Diferente de outras abordagens, o argumento seletivista afirma que é necessário fazer uma distinção entre “guerras justas” e “guerras injustas”, e que o cristão deve engajar-se nelas, quando justas, visto que agir de forma diferente, seria recusar-se a fazer o bem maior, ordenado pelo Senhor dos Exércitos. Segundo essa linha de pensamento, uma campanha militar, ou seja, a “guerra justa”, constituir-se-á num esforço válido para evitar que uma nação, ou mesmo o mundo, fique à mercê de tiranos, como Adolf Hitler.

O posicionamento cristão. Mesmo que o governo legalmente constituído promova uma “guerra injusta”, dela não podemos participar, por motivo de consciência. Na Bíblia, encontramos exemplos de desobediência ao poder constituído quando este age contra os princípios divinos:

  1. a) Os jovens hebreus na Babilônia. Hananias, Misael e Azarias desobedeceram a ordem de se curvarem diante da estátua de Nabucodonosor (Dn 3).
  2. b) Daniel e o decreto real. O filho de Judá, exilado na corrupta Babilônia, negou-se a cumprir uma lei arbitrária que feria os princípios religiosos e morais estabelecidos pelo Eterno ao seu povo: o decreto determinava expressamente que toda e qualquer oração e petição deveriam ser endereçadas ao rei de Babilônia. Daniel, embora cumpridor de suas obrigações no reino, recusou-se a obedecer o decreto, e continuou dirigindo suas oração ao Senhor de Israel.
  3. c) Os apóstolos e as leis proibitivas. Os apóstolos continuaram a pregar o Evangelho embora as autoridades da época o proibissem e castigassem a primeira geração da igreja cristã com açoites e prisão (At 4 e 5).
  4. d) As parteiras e a lei homicida. Faraó, embora governasse sob a permissão divina, decretou o extermínio de criancinhas hebraicas (sexo masculino). As parteiras, porém, não lhe obedeceram e foram abençoadas como está escrito: “As parteiras temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera; antes, conservavam os meninos com vida. Então, o rei do Egito chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebreias são vivas e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo aumentou e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas” (Êx 1.17-21).

O que fazer. Nesse caso, mesmo podendo sofrer as consequências, o cristão não está moralmente obrigado a participar de uma guerra injusta, conforme defendem os ativistas (que são irmãos dos terroristas). Por outro lado, há guerras que podem ser consideradas justas. No Antigo Testamento o Senhor deu ordens aos israelitas para guerrear e destruir todos os seus inimigos (Js 10.40). Hoje, podemos entender que é legítima a participação do cristão em guerras; por exemplo, contra o narcotráfico, contra o crime organizado, ou, ainda, contra uma potência agressora, dirigida por um governo tirano, fratricida e genocida.

Em nosso país, por vezes, atendendo compromissos com organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), veem-se contingentes militares brasileiros embarcarem para o exterior, em missão de paz, podendo até empreender campanhas contra milícias estrangeiras e rivais. Na guerra contra o tráfico de drogas, ou contra o “crime organizado”, que se alastra e grassa em nossa pátria, os militares crentes e autoridades civis são convocados e devem participar. Assim, em termos bíblicos, não há argumento que proíba a participação numa guerra, considerada justa e regular.

 “Matar na guerra justa para se defender do agressor (Gn 14.14-15) e o caso de homicídio acidental (Dt 19.4-5) podem até não ser considerados como assassinato, e como tal não se enquadram no sexto mandamento do Decálogo. Do contrário, Deus estaria proibindo e permitindo uma mesma coisa na lei (Êx 17.8-16). Já vimos que o verbo hebraico usado para ‘não matarás’ nunca é usado na guerra. Um dos nomes de Deus é ‘Senhor’ ou ‘Jeová dos Exércitos’ (1 Sm 17.5) e ‘Varão de Guerra’ (Êx 15.3 e Is 42.13). O Senhor liderava essas guerras e dava vitória a seu povo (2 Cr 13.12; 20.17,22).

É verdade que estamos na Dispensação da Graça e o cristianismo é pacifista. Jesus disse: ‘Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus’, Mt 5.9. Mas, como cristãos, somos cidadãos do céu (Fp 3.20) e também da Terra (Mt 22.21). Temos compromisso com o governo (Rm 13.1-7; 1 Tm 2.2; Tt 3.1 e 1 Pe 2.13-14). Os direitos de César terminam onde começam os de Deus. Quando as normas bancadas pelo Estado se confrontarem com os princípios cristãos, nesse caso, a Palavra de Deus prevalece. Ela está acima de qualquer constituição (Dt 17.18-20 e At 4.19-20). Há guerras justas e injustas, e todo o mundo tem o direito de defender o que é seu. Nesse caso, o cristão não está pecando. Da mesma forma, também não peca se recusar ir a uma guerra injusta”.

 

 

                          O ABORTO E VISÃO BIBLICA 

O índice de abortos no século passado foi revoltante e virulento. Só no Brasil, a Organização Mundial de Saúde calcula que houve 5 milhões de abortos. O Instituto Gallup concluiu que 58% dos brasileiros são favoráveis a ele. Em Tiago 2.13, a Bíblia diz que “o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia”. O movimento feminista, antibíblico e anticristão, alardeia o direito de a mulher usar seu corpo como ela quiser, sem levar em conta a vida do feto indefeso. E o cristão? Como deve se posicionar? Ora, nós não somos donos de nada; Deus é que é. É o que procuraremos demonstrar nesta lição.

 

                       O TERMO ABORTO E A VISÃO BÍBLICA

 

 Significado. A palavra aborto vem do latim, abortum, do verbo abortare, com o significado de “pôr-se o sol, desaparecer no horizonte e, daí, morrer, perecer”. Na Bíblia, o referido termo e seus cognatos aparecem em Jó 3.16; Sl 58.8; Ec 6.3 etc. Segundo o Grande Dicionário de Medicina, aborto “é a expulsão espontânea ou provocada do feto antes do sexto mês de gestação, isto é, antes que o feto possa sobreviver fora do organismo materno...”.

 O aborto na Bíblia. Não são muitas as referências sobre o tema. No Pentateuco, vemos uma referência sucinta sobre o caso de aborto acidental, em que uma mãe fosse ferida por alguém e viesse a morrer (Êx 21.22). Nesse caso, não haveria pena de morte, mas o causador teria que pagar uma indenização. Jó, lamentando o dia de seu nascimento, diz que preferia que não houvesse acontecido, pois seria como as crianças abortadas, que nunca viram a luz (Jó 3.16). Não há qualquer referência bíblica que dê margem ao ato do aborto provocado pois trata-se de um ato em que a vida de um ser indefeso é ceifada.

 

                     O FETO EM SEU COMEÇO É UMA PESSOA

 

 A infusão da alma no ser gerado. Entendemos que a alma e o espírito são colocados por Deus no embrião, com a concepção. É oportuno dizer aqui que a vida humana, do seu início ao fim, está em grande parte encoberta por um véu de mistério que só o próprio Criador e Sustentador conhece. “Peso da Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele” (Zacarias 12.1); e mais, “Porque para sempre não contenderei, nem continuamente me indignarei; porque o espírito perante mim se enfraqueceria, e as almas que eu fiz” (Isaías 57.16).

 O exemplo de João Batista e de Jesus. Ao que tudo indica, Maria, a mãe de Jesus, já o tinha no ventre há um mês (quatro semanas), quando foi visitar Isabel, sua prima. Esta já estava com seis meses de grávida de João Batista (Lc 1.36), tendo, nela, um feto de vinte e quatro semanas. A Bíblia nos mostra que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, “a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc 1.41). No ventre de Maria, não estava “uma coisa”, mas o Salvador do Mundo; no ventre de Isabel não estava um ser desprovido de alma, mas uma “criancinha” que pulou de alegria ao ouvir a bendita saudação. O Espírito Santo agiu ali através de uma “criancinha” ainda em formação (v.41).

 O embrião é uma pessoa. Mesmo sem ser uma pessoa completa, não é subumano. É uma pessoa em formação, em potencial. Da primeira à oitava semana (2 meses), completam-se todos os órgãos, apresentando inclusive as impressões digitais. Aos três meses, no útero, o bebê já está formado esperando crescer para vir à luz. Mesmo como ovo, ou feto, desde a concepção, cremos que o bebê não só tem vida, mas possui alma e espírito dentro dele (ver Zc 12.1b).

 

                    TIPOS DE ABORTO E SUAS IMPLICAÇÕES

                                 ÉTICAS PARA O CRISTÃO 

 Aborto natural. Ocorre por motivos ou circunstâncias naturais, implicando na morte do feto. Segundo a Medicina, pode haver aborto por várias causas. Dentre elas, destacam-se as seguintes: “Insuficiente vitalidade do espermatozóide; afecções da placenta; infecções sanguíneas; inflamações uterinas; grave exaustão, diabetes e algumas desconhecidas” (Reifler, p.131). Não há incriminação bíblica quanto a esse caso, pois, não havendo pecado, não há condenação. Em Deuteronômio 24.16b, diz-se que “cada qual morrerá pelo seu pecado”.

 Aborto acidental. É resultado de um problema alheio à vontade da gestante. Uma queda, ou um susto acidental, inesperado e intenso podem provocar abortamento. Não há implicação ética quanto a isso. A referência de Deuteronômio 24.16b aplica-se a esse caso.

 Aborto por razões eugênicas. É o aborto por eugenia, isto é, para evitar o nascimento de crianças deformadas ou retardadas. Nós cristãos, segundo os princípios bíblicos, não acatamos tal conceituação, puramente humanista. Pessoas retardadas ou deformadas, ao nascerem, têm personalidade e características verdadeiramente humanas. E, por conseguinte, têm direito à vida. Abortá-las é assassinato. A Bíblia diz: “...e não matarás o inocente...” (Êx 23.7).

 “Mataram” Beethoven! Já é conhecido um texto em que um professor, desejando mostrar aos alunos como é falha a lógica humana, propõe o seguinte caso: “Baseados nas circunstâncias que mencionarei a seguir, que conselho dariam a uma certa senhora, grávida do quinto filho? O marido sofre de sífilis; ela, de tuberculose. Seu primeiro filho nasceu cego. O segundo, morreu. O terceiro nasceu surdo, e o quarto é tuberculoso. Ela está pensando seriamente em abortar a quinta gravidez. Que caminho vocês lhe aconselhariam?”. Os alunos pensaram e, diante das circunstâncias, sugeriram que o aborto seria aconselhável para que não nascesse mais um filho defeituoso. O professor, então, lhe respondeu: “Se vocês disseram sim à ideia do aborto, acabaram de matar o grande compositor Ludwig van Beethoven”.

Há ainda outros casos em que a sociedade alega razões para a prática do aborto, mas sem qualquer respaldo bíblico. O cristão tem a ver com Cristo e a Bíblia, e não com o mundo e o seu modo de viver e agir. Com exceção do caso em que a vida não totalmente desenvolvida do bebê constituísse uma ameaça de morte para a vida plenamente desenvolvida da mãe, não há motivo justificável à luz da Bíblia para a realização do abortamento. Todavia, lembremo-nos de uma coisa: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Coríntios 5.10). Por isto, devemos agir de acordo com a ética cristã, levando-se em consideração, sempre, a santidade da vida.

 “A guerra à vida no ventre materno provoca aproximadamente 40 milhões de abortos a cada ano, número deveras impressionante, comparável mesmo ao total dos que tombaram durante toda a Segunda Guerra. Mas há, contudo, diferenças fundamentais: enquanto nos campos de batalha os soldados abrigam-se e lutam por ideal, no aborto as vítimas inocentes não têm a mínima chance de se defenderem e são assassinadas por quem deveria dedicar-lhes o mais perfeito amor conhecido entre os humanos — o amor de mãe!(...)

Em 1977, de cada 100 nascimentos na Alemanha Ocidental, ocorria 10 abortos. No Uruguai, em 1978, verificaram-se 150 mil abortos, reforçando a luta pró-legalização dessa prática naquele país, por sinal o primeiro da América do Sul a legalizar o divórcio.

Na Finlândia, país com menos de cinco milhões de habitantes, o número de abortos já chegava, em 1971, a perto de 20 mil por ano. Em protesto realizado em fins daquele ano, 150 evangélicos desfilaram pelas ruas de Helsinque carregando nos braços pequenos caixões brancos, ao som de uma marcha fúnebre. Em frente ao Parlamento, onde terminou a manifestação, um dos caixões foi colocado na escadaria de acesso ao mesmo, com uma coroa de flores e os seguintes dizeres: ‘A esperança da Finlândia. Cidadão de luto!’.

Na Itália, sede do Papado, o Parlamento aprovou, em 19 de maio de 1978, um texto legislativo que facultava a qualquer mulher maior de dezoito anos o direito de submeter-se ao aborto intencionalmente provocado, até o final dos primeiros noventa dias de gravidez. A mesma lei instituiu consultórios mantidos pelo Estado, onde também as menores de dezoito anos podem, sem prévia autorização paterna, requerer o direito de abortar, passando a decisão sobre o assunto a foro judicial.

De acordo com essa lei, o aborto é feito gratuitamente nos hospitais do governo ou por clínicas privadas que mantenham convênios com órgãos assistenciais do Estado (...).Na França, segundo o Instituto Nacional de Estudos Demográficos, ocorrem anualmente de 250 a 300 mil abortos, dos quais apenas 140 mil são recenseados pelo Ministério da Saúde. A diferença entre as duas cifras corresponde às intervenções ‘ilegais’. O arcebispo de Strasburgo, Monsenhor Eichinger, afirmou que somente na Alsácia o aborto fazia um número anual de vítimas equivalente as cidadezinhas que os alemães destruíram em 1870 e nas duas últimas guerras mundiais” (Desafios da Nossa Época. CPAD, pp.186,187). 

 

                                  CONTROLE DE NATALIDADE

 

Há opiniões radicais dos que se opõem tenazmente a qualquer método ou tipo de limitação de filhos por um casal crente. De outro lado, há os liberalistas temerários, que não veem qualquer restrição ética concernente ao dito assunto. Os moderados procuram com humildade e temor de Deus aprender a discernir o certo e o errado sobre o assunto pela Bíblia e a busca da vontade específica do Senhor. Com muito respeito, santo temor e sinceridade, desejamos abordar o tema, esperando contribuir para o alargamento da visão sobre esse tão necessário e pouco estudado tema da ética cristã.

 

                                CONCEITOS FUNDAMENTAIS

 

Controle da natalidade. “É o conjunto de medidas limitadoras, de emergência, incluindo legislações específicas, que o governo de um determinado país adota para atingir metas demográficas restritivas, (isto é, populacionais) consideradas indispensáveis ao desenvolvimento socioeconômico. Isso ocorre por exemplo, na China e na Índia, onde a população é excessiva em relação aos recursos econômicos”.

 Planejamento familiar. É o exercício da paternidade responsável, e a utilização voluntária e consciente por parte do casal, do instrumento necessário ao planejamento do número de filhos e espaçamento entre uma gestação e outra.

 

                           VISÃO GERAL À LUZ DA BÍBLIA

 

 Determinação divina (Gn 1.28). Deus criou o homem de modo especial dizendo: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn 1.26,27). “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a” (Gn 1.27,28). Este foi o primeiro mandamento dado ao homem pelo Criador após criar o ser humano, masculino e feminino. Entretanto, Deus não deu um multiplicador. Logo, ter um filho ou dois já é multiplicação. No Antigo Testamento, não ter filhos era constrangedor (1 Sm 20).

 A natalidade no Antigo Testamento.

  1. a) Filhos, uma bênção de Deus. No Antigo Testamento, ter filhos era algo sagrado, uma bênção de Deus. Sara, esposa do patriarca Abraão, sendo estéril, sentiu-se frustrada, recorreu a um ato desesperado oferecendo sua serva ao marido para que este tivesse um filho com ela, como sendo esse filho do casal. Isso resultou em sérias e perpétuas complicações, quando se considera que em Abraão e Sara estava implícita a linhagem do futuro Messias (Mt 1.1). Abraão, sentindo-se infrutífero quanto à sua descendência, disse ao Senhor: “Senhor Jeová, o que me hás de dar, pois ando sem filhos...” (Gn 15.2). Em resposta, o Senhor mandou que ele olhasse para as estrelas e lhe disse: “Assim será a tua semente...” (Gn 15.5; Ler Gn 17.15,16).
  2. b) Não ter filhos era sinal de infelicidade. Sendo Raquel estéril, disse a seu marido: “Dá-me filhos, senão morro” (Gn 30.1). Quando Deus abriu sua madre, ela exclamou: “Tirou-me Deus a minha vergonha” (Gn 30.23). Ana, mulher de Elcana, também é exemplo do sofrimento e amargura de uma mulher estéril (Ler 1 Sm 1.7,10,11,20).
  3. c) Ter família numerosa era sinal de bênção. Ana teve Samuel e mais cinco filhos (1 Sm 2.21). Os filhos eram considerados presentes ou prêmios da parte do Senhor, como diz o salmista: “Eis que os filhos são herança do Senhor e o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127.3).

 A natalidade no Novo Testamento.

  1. a) A natalidade enaltecida. “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher...”. Maria ouviu do anjo: “Salve, agraciada! O Senhor é contigo! Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1.28); “Eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filha, e por-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1.31). Que mistério tão grande! “O plano da salvação, previsto antes da fundação do mundo, incluía uma mulher, uma mãe, um ventre, um seio materno” (Lima, p.158).
  2. b) Ter filhos, uma bênção de Deus. Zacarias, esposo de Isabel, não tinha filhos, pois sua mulher era estéril. Deus enviou o anjo Gabriel para informar a este sacerdote de avançada idade que ele seria pai: “Terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento” (Lc 1.14). As crianças foram abençoadas por Jesus. Ele colocou um menino no meio das atenções (Mt 18.2,4); recebeu crianças trazidas pelos pais, toucou-lhes brandamente, abençoando-as (Lc 18.15-17).

 

.            UMA ABORDAGEM ÉTICA DA LIMITAÇÃO DE FILHOS

 

 O cristão e o controle da natalidade. Há países que punem os pais, se nascer mais de um filho. Faraó, após a morte de José, decretou um controle da natalidade para que não nascessem filhos homens entre o povo de Israel no Egito: “E o rei do Egito falou às parteiras hebreias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando ajudardes no parto as hebreias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então viva” (Êxodo 1.15,16). E Deus invalidou aquela medida cruel.

 O cristão e o planejamento familiar. No Novo Testamento, não há referência expressa a ter ou não muitos filhos. Mas os filhos são galardão do Senhor. “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão. Como flechas nas mãos do valente, assim são os filhos da mocidade” (Salmo 127.3). Para ter filhos, cremos que o casal deve orar muito, para que nasçam debaixo da bênção de Deus. E, para não tê-los, deve orar muito mais, para não contrariar a vontade de Deus. Devem ser considerados os fatores de saúde, alimentação e educação (espiritual e secular), pois não é justo que se tragam filhos ao mundo para vê-los subnutridos, mal-educados e malcuidados. Isso não é amor.

Orientação quanto à natalidade. Aspectos a serem considerados:

  1. a) A vontade de Deus. De uma maneira geral, o casal, pela união sexual, poderá gerar filhos. É a vontade permissiva do Senhor. Como filhos de Deus, no entanto, devemos estar, acima de tudo, sujeitos à vontade diretiva do Senhor. Ele nos guia pelo seu Espírito (cf. Rm 8.14). “Para ter filhos, o cristão deve buscar, por fé, a direção de Deus e não apenas depender do instinto sexual”.
  2. b) Alimentação, saúde e educação digna. Da concepção ao parto, o novo ser precisa ser bem alimentado, de modo a não desenvolver-se com deficiências orgânicas que ocasionam danos por toda a vida. Se um casal gera um filho doente, por subnutrição, ou doença da mãe, vai fazê-lo sofrer. Filhos mal educados tendem a se converter em pessoas prejudiciais à sociedade e, em escândalo para a igreja do Senhor. Isso não glorifica a Deus. Em 1 Timóteo 5.8, lemos: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1 Tm 5.8). Esse cuidado tem seu começo na gestação.
  3. c) A abstenção permitida. A Bíblia admite a abstenção sexual do casal, “por mútuo consentimento”, para que ambos se dediquem melhor à oração, num período de tempo (1 Co 7.4,5).

 O posicionamento cristão.

  1. a) A limitação de filhos. A decisão de não ter filhos precisa ser submetida à soberana vontade de Deus. Não gerar filhos só porque a mãe não quer perder a esbelteza do corpo (por vaidade), porque a vida está difícil ou porque o casal não quer ter muito trabalho... Quem pensa em casar, deve antes preparar-se para isso, em todo o sentido.
  2. b) O planejamento possível. Isto pressupõe uma paternidade responsável diante da lei de Deus, cujos preceitos, ética e moral devem ser conhecidos e observados. Tudo isso, pela fé, pois o que não é de fé é pecado (ver Rm 14.23). Ter filho, um após o outro, seguidamente, sem levar em conta suas implicações, pode não ser amor; e, sim, carnalidade desenfreada aliada à ignorância. O Livro Sagrado afirma que “tudo tem seu tempo determinado” (Ec 3.1). Além disso, nos é oportuna a seguinte ordem: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5.21). Para ter, ou não, filhos, o casal deve, acima de tudo, orar ao Senhor.

Os filhos são bênçãos do Senhor (Sl 127.3-5; 128.3,4) e não devem ser evitados por razões egoísticas e utilitaristas. A limitação de filhos por vaidade é pecado, mas por necessidade, como no caso de doença da mãe, e que lhe cause risco de vida, cremos ser moralmente justificável; mas isso depende da consciência de cada um diante de Deus, pois, como já foi dito, o que não é de fé é pecado (Rm 14.23).

  

                    PENA DE MORTE NO ANTIGO TESTAMENTO

 

 Pacto com Noé. Na aliança firmada entre Deus e Noé (e sua descendência), a pena de morte já aparece de modo claro e direto: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9.6). Certamente, o Senhor teve em mente dissuadir os que quisessem continuar com a maldade e a violência perpetrada contra seus semelhantes, como na civilização antediluviana, quando a maldade do homem se multiplicara (Gn 6.5), e perpetraram-se assassinatos por coisas banais. “E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: Porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar” (Gênesis 4.23).

 Lei de Moisés. A pena de morte não só era praticada, como também foi ampliada para muitos delitos: homicídio doloso— “Quem ferir alguém, que morra, ele também morrerá; porém, se lhe não armou ciladas, mas Deus o fez encontrar na suas mãos, ordenar-te-ei um lugar para onde ele fugirá. Mas, se alguém se ensoberbecer contra seu próximo, matando-o com engano, tirá-lo-ás do meu altar para que morra” (Êxodo 21.12-14); adultério — “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher de seu próximo, certamente morrerão o adúltero e a adúltera...” (Levíticos 20.10-21);sequestro (Êx 21.16; Dt 24.7); homossexualismo (Lv 18.22; 20.13); sexo com animais — bestialidade (Êx 22.19); falsas profecias(Dt 13.1-10); blasfêmia (Lv 24.11-14); sacrifícios a deuses estranhos (Êx 22.20); profanação do dia de descanso (Êx 35.2; Nm 15.32-36); desobediência contumaz aos pais (Dt 17.12; 21.18-21). “Mas, se houver morte, então, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Êx 21.23,24).

 O caso de Acã. Após a conquista de Jericó, Josué determinou uma interdição, sob anátema, segundo a qual nenhum israelita poderia tocar e se apropriar dos despojos daquela cidade maldita. Entretanto, a cobiça, às vezes, fala mais alto. Assim, “prevaricaram os filhos de Israel no anátema; porque Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel” (Js 7.1): Israel foi derrotado diante de um pequeno exército da Cidade de Aí. Mais ainda: a pena de morte foi o castigo não só para o desobediente Acã; toda sua família, de igual modo, pereceu (Js 7.15). “...E disse Josué: Por que nos turbaste? O SENHOR te turbará a ti este dia. E todo o Israel o apedrejou com pedras, e os queimaram a fogo e os apedrejaram com pedras” (Js 7.24,25).

 

                     A PENA DE MORTE NO NOVO TESTAMENTO

 

 Nos Evangelhos.

 

  1. a) Cumprindo a lei. Passa despercebido o fato de que, em todo o decurso do ministério de Cristo na Terra, Ele trouxe uma nova aliança de Deus com o homem. Uma nova doutrina de amor e graça salvadora, ao mesmo tempo em que cumpria a lei de Moisés. Assim, Ele deu respaldo à pena imposta pelo Sinédrio, quando diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno” (Mt 5.21,22).
  2. b) Pena mais rigorosa. Sem dúvida, ser “réu de juízo” (v.21), para o homicida, era ser morto também (Êx 21.12-14). Na lei de Cristo, para ser “réu de juízo” não precisava ser um assassino, mas até quem se encolerizasse contra seu irmão. Jesus deu respaldo à pena capital, ao mesmo tempo em que mandou amar os inimigos (Mt 5.44) e, dar a outra face a quem bater numa? (Lc 6.29). Tudo deve ser entendido à luz dos respectivos contextos. Jesus ministrava ensinos de amor, justiça e paz, como regra geral para seus seguidores. Entretanto, Ele admitia a punibilidade e o castigo através da autoridade legalmente constituída, contra os transgressores da lei. Jesus não doutrinou contra a pena de morte. Ele mesmo submeteu-se a ela, cumprindo toda a lei (ver Mt 5.17; Gl 3.13). Além disso, em Êxodo 20.13, o verbo matar (“Não matarás”), no original, corresponde a matar dolosamente.
  3. c) O episódio da mulher adúltera (Jo 8.1-11). Desse episódio têm se apropriado os críticos da pena de morte, argumentando que Jesus, ao invés de apoiar os acusadores, antes, perdoou a mulher, livrando-a, consequentemente, do apedrejamento previsto em lei. É necessária uma leitura mais demorada do texto. Primeiro, foram os fariseus que trouxeram a mulher. Eram acusadores. Mas, onde estavam as testemunhas, exigida pela lei? “Todo aquele que ferir a alguma pessoa, conforme o dito das testemunhas, matarão o homicida; mas uma só testemunha não testemunhará contra alguém para que morra” (Nm 35.30). Segundo, a lei dizia que deveriam ser condenados à morte o adúltero e a adúltera (Lv 20.10), mas só trouxeram a mulher. Se Jesus houvesse aprovado o apedrejamento, seria acusado de parcialidade e descumprimento da lei. Logo, o Mestre cumpriu formalmente a lei, não aceitando a acusação ilegítima, e aplicou soberanamente a lei da graça e do seu sublime amor, não condenando a pecadora, mas exortando-a a deixar o pecado.

 Em Atos dos Apóstolos. No capítulo 5, vemos o caso de Ananias e Safira, sua esposa: ambos fulminados um após o outro, por terem mentido, usando de falsidade ideológica, num ato indigno, de apropriação indébita do dinheiro que não lhes pertencia (Caso isso voltasse a acontecer, só Deus sabe quantos seriam destruídos). Notemos que Deus aplicou a pena capital através dos apóstolos, fato que não voltou a ocorrer na Igreja Primitiva. Certamente isso aconteceu para mostrar que os praticantes de pecados desta natureza são passíveis de juízo, caso não se arrependam.

Nas epístolas. Doutrinando sobre as relações entre o cristão e o Estado, o apóstolo Paulo escreveu: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal” (Rm 13.1-4). “Aí, vemos que a autoridade constituída (o princípio da autoridade) emana de Deus; e os magistrados, quando atuam legitimamente, com integridade e parcialidade totais, estão agindo legitimados pela autoridade do Todo-Poderoso, trazendo a espada” (pena de morte).

Há respaldo bíblico para a pena de morte, não como regra, mas como exceção. Devido às suas falhas, erros, fraquezas e também leniência (por opção, por decisão nacional, por consenso, etc.), o sistema judicial de várias nações evita a pena capital e, arbitra então pela perda da liberdade do delinquente — a prisão temporária, ou mesmo a prisão perpétua. “Visto como não se executa logo juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal” (Eclesiastes 8.11). Confira ainda, Isaías 26.9,10.

“Em princípio não existe argumento bíblico contra a pena de morte, pois a ‘espada’ foi confiada ao governante, e o sistema mosaico adotava a pena capital em pelo menos dez tipos de crimes”. Crimes violentos, sexuais e barbárie. Mas, ao aplicar-se o mesmo princípio, não se encontra precedente bíblico em favor da pena capital como hoje se adota, pois o precedente bíblico condenava à morte não só o homicida, mas também o adúltero e o que amaldiçoasse pai e mãe. Lembremo-nos de como Jesus tratou a mulher apanhada em adultério (Jo 8.3-11). Não se pode argumentar que na antiguidade não existiam as penas alternativas. Além da verdadeira restituição, o código mosaico previa o açoite e o exílio (...).A lei, os profetas e o Evangelho trabalham juntos para vencer o mal e fazer brotar a fome e sede de justiça, que o reino de Cristo saciará.

Assim também acontece em relação à pena capital. Em casos extremos ela pode ser moralmente permitida — mas não é um ideal. A lei de talião permite castigo proporcional ao crime de tirar a vida de alguém. Mas é possível perder-se o direito de viver, sem receber a pena de morte, e o amor sempre buscará um castigo remidor. De igual modo, no atual sistema de leis onde existem tantas injustiças com as minorias e os pobres, o acesso aos recursos legais, por exemplo, ainda é negado a muitos. Reflitamos, portanto, se a pena de morte é justa. Devemos sempre buscar justiça, sim, mas uma justiça temperada de amor” (Ética: As Decisões Morais à Luz da Bíblia. CPAD, pp.114,115). 

 

                                          A EUTANASIA 

Um crente em Jesus está na UTI, e os médicos concluem que não há mais solução para sua doença. Todos os esforços serão inúteis. O que fazer? Continuar com o tratamento custoso? Desligar os aparelhos? Muitos têm recorrido ao suicídio, como se fosse uma porta de emergência para escapar da dor. O que podemos dizer como cristãos acerca disso?

 O que significa? A palavra “eutanásia” vem de dois termos gregos: eu, com significado de “boa” e thánatos, que significa “morte”. Do que resulta o termo eutanásia, sugerindo a ideia de “boa morte”. Tal conceito é aplicado aos casos em que o médico, usando meios a seu dispor, leva o paciente à “morte misericordiosa”, pondo fim ao seu sofrimento.

 A eutanásia ativa. É aquela em que o médico, a pedido do paciente, ou de familiares, através da aplicação de algum tipo de agente (substância, medicamento, etc.) leva o doente à morte, evitando o seu sofrimento. Há quem defenda essa prática, sob o argumento de que “não se deve manter artificialmente a vida subumana ou pós-humana vegetativa”, e que se deve evitar o sofrimento dos pacientes desenganados, com moléstias prolongadas tais como câncer, AIDS e outras.

 O posicionamento bíblico.

  1. a) “Não matarás”. A Bíblia diz: “Não matarás...” (Êx 20.13). Daí, a ação do médico, tirando a vida do paciente, equiparar-se a um assassinato, a um homicídio. “Tradicionalmente, se reconhece que a eutanásia é um crime contra a vontade de Deus, expressa no decálogo, e contra o direito de vida de todos os seres humanos”. Lemos em 1 Sm 2.6: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”. A vida do homem não lhe pertence. Recebeu-a para administrar e deve fazê-lo como bom administrador ou mordomo, a fim de, no futuro, prestar contas ao seu legítimo dono, Deus.
  2. b) Há a possibilidade do milagre. E se Deus quiser realizar um milagre? A fé passa por cima de todas as impossibilidades. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho” (Hebreus 11.1,2). Certamente, o Juramento de Hipócrates, proclamado pelos médicos, deve ser considerado, prescrevendo que os mesmos não devem “dar remédio letal a quem quer que o peça, tampouco... fazer alguma alusão a respeito”.

O argumento em favor da eutanásia, alegando que deixar alguém sofrendo sem a mínima perspectiva de sobrevivência é menos moral do que acelerar a morte para tal pessoa, é humano e não tem base bíblica. “Matar por misericórdia”, mesmo com consentimento de quem está sofrendo, não é moralmente correto, e tal pedido equivale ao suicídio. Assim, quem pratica esse tipo de eutanásia é cúmplice de suicídio. A vida é santa em si e em sua finalidade. Somente Deus pode e tem o direito de dar a vida e de tornar a tirá-la. O nosso dever é aliviar o sofrimento das pessoas por outros métodos e não tirando-lhes a vida.

Ao contrário, devemos envidar todo esforço na tentativa de sua cura, seja por medicamentos, seja pela oração da fé “...e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5.15,16).

 

                             O CRISTÃO E O SUICÍDIO

 

O suicídio na Bíblia. Nas Escrituras, encontramos o registro de alguns casos de suicídio. Em todos eles, vemos que seus protagonistas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor, e desobedeceram à sua Palavra:

  1. a) O exemplo de Saul. Foi um rei fracassado, que deixou o Senhor, e foi em busca de uma médium espírita (cf. 1 Sm 28.1-19; 31.1-4; 1 Cr 10.13,14).
  2. b) O exemplo de Aitofel. Foi um conselheiro de Absalão, orgulhoso, que se matou por ver que sua palavra fora suplantada por outro. (2 Sm 17.23).
  3. c) O exemplo de Zinri. Um rei sem qualquer temor de Deus, que usurpou o trono por traição e matança, e que por fim se matou, quando se viu derrotado pelo exército inimigo (1 Rs 16.18,19).
  4. d) O exemplo de Judas Iscariotes. Após trair Jesus, foi dominado por um profundo remorso, e, ao invés de pedir perdão ao Senhor, foi-se enforcar.

 O caso de Sansão. Ele caiu nos braços de uma prostituta, chamada Dalila (Jz 14.3; 16.11). Traído por ela, foi levado ao cárcere. Numa festa ao deus Dagon, foi apresentado como troféu, e fez o templo desmoronar sobre ele e seus inimigos.

Há quem cite o caso de Sansão (Jz 16.30) como exemplo de suicídio aprovado por Deus. Quem pensa assim desconhece toda a história de Sansão e sua era teocrática. Há casos em que uma pessoa morre, sacrificando-se por outra ou por outras. Um bombeiro entra no fogo e salva várias pessoas, mas ele morre; um soldado lança-se sobre uma granada, impedindo que muitos companheiros pereçam. Isso não é suicídio. É sacrifício. Ver o caso da rainha Ester (Ef 4.11-15).

Sugestão de uma esposa sem fé. A mulher de Jó sugeriu, diante de seu sofrimento, que ele amaldiçoasse a Deus e morresse (se suicidasse). Ele, porém, não aceitou tal ideia, e de modo resignado, confiou integralmente no Senhor.

O posicionamento cristão. A vida é sagrada e somente Deus pode dar e tirar a vida. Moisés pediu a Deus que tirasse a sua vida (Nm 11.15). O profeta Elias também fez o mesmo pedido (1 Rs 19.4) e da mesma forma o profeta Jonas (Jn 4.3). Deus não atendeu a nenhum desses pedidos. Isso mostra que a vida pertence a Deus e não a nós mesmos. Deus sabe a hora em que a vida humana deve cessar, e Ele é o soberano de toda a existência.

As Sagradas Escrituras condenam o suicídio pelos seguintes motivos:

  1. a) É assassinato de um ser feito à imagem de Deus (Gn 1.17; Êx 20.13; Jo 10.10);
  2. b) Devemos amar a nós mesmos (Mt 22.39; Ef 5.29);
  3. c) É falta de confiança no Deus, visto que Ele pode nos ajudar (Rm 8.38,39);
  4. d) Devemos lançar as nossas ansiedades sobre o Senhor, e não na morte (1 Jo 1.7; 1 Pe 5.7).

O ser humano deve respeitar seu corpo como propriedade de Deus. Por isso, não compete ao homem tirar a sua vida. Ao contrário, tudo ele deverá fazer para protegê-la.Esperamos que estes subsídios contribuam para uma reflexão mais aprofundada dos assuntos estudados, na busca de respostas mais consistentes em relação aos problemas éticos que são verdadeiros desafios à igreja do Senhor, principalmente no início de um novo milênio, quando os mais diversos e inusitados questionamentos inquietam os servos de Deus.

“O compromisso cristão com a vida não pode ser tratado como um ‘caso amoroso com o feto’, segundo a acusação de alguns críticos, ou como um desejo de impor a moralidade repressiva vitoriana. Ao invés disso, o crente é dirigido por uma convicção, baseada na revelação bíblica, sobre a natureza das origens do homem e o valor da vida humana. Por isso, diante de um soldado mutilado brigando pela vida, o Dr. Kenneth Swan não consultou nenhum livro de ética ou discussão de princípios abstratos. Tendo sido criado numa cultura saturada pela tradição judaico-cristã de que a vida humana tem valor intrínseco, porque foi criada à imagem e semelhança de Deus, ele simplesmente fez o que naturalmente lhe ocorreu. O médico salvou a vida do soldado.

Porém, o que antes fora a cultura de vida, está sendo hoje tomado pelo que um grande líder cristão chamou de ‘cultura de morte’ construída sobre a ética naturalista que está afetando grandemente toda a sociedade, desde o não nascido ao velho e enfermo, desde o deformado e incapacitado ao fraco e indefeso. De forma insensata buscando sua própria lógica, essa cultura de morte nega que a espécie humana é superior a todas as outras espécies biológicas, e termina com a ameaça à vida em cada estágio. Tal conceito tanto progrediu que a eutanásia é hoje um direito protegido pela constituição de um estado americano, financiada pelo programa de assistência médica, e o infanticídio está sendo defendido por respeitados acadêmicos e cientistas, tudo sem quase nenhum murmúrio de indignação pública ou discordância” (E Agora, Como Viveremos? CPAD, p.152).

“Os direitos pertencem somente às pessoas; assim, se alguém pode ser reduzido a uma não pessoa, então não tem direito nenhum. Peter Singer, recentemente indicado como professor de Bioética, em Princenton, defende de forma aberta a permissão dos pais matarem bebês deficientes, com base de que estes não são ‘pessoas’ até que sejam racionais e autoconscientes. Como não pessoas, diz ele, são ‘substituíveis’, à semelhança de galinhas ou de outra criação. Singer não para por aí. Ele continua a defender a morte de pessoas incapazes, de qualquer idade, se seus familiares decidirem que suas vidas ‘não valem a pena ser vividas’ — Este é o tipo indizivelmente desumano de ética que alunos em algumas das mais privilegiadas escolas dos EUA estão aprendendo hoje. E o que acontecerá quando essa elite de estudantes chegar a posição de poder?” (E Agora, Como Viveremos? CPAD, p.157). 

 

                              O CRISTÃO E AS FINANÇAS

 

A vida cristã deve ser pautada pelo equilíbrio. O que somos, a forma como vivemos, o tratamento que dispensamos ao próximo e a nós mesmos, nada escapa às regras estabelecidas por Deus em sua Palavra para nosso bem-estar. Neste conjunto de normas, está incluída a forma como gastamos nosso dinheiro. Devemos ganhá-lo com trabalho honesto e fugindo das práticas ilícitas. Somos filhos de Deus e dEle recebemos todas as boas dádivas, inclusive bens materiais. É lícito desfrutarmos dos benefícios que o dinheiro traz. Não é lícito nos apegarmos a ele transformando-o em objeto de cobiça e tentando consegui-lo a qualquer custo. Deus recomendou ao homem, no Éden, que buscasse sustento, sacrificando o suor de seu rosto, não a sua dignidade.

O dinheiro pode ser bênção ou maldição, dependendo do uso que dele fazemos. Se o fizermos de modo judicioso e para glória de Deus e expansão do seu reino, com gratidão pelos bens adquiridos, seremos recompensados pelo Senhor. Que possamos utilizar nossos recursos financeiros de modo honesto, como verdadeiros mordomos de nosso Senhor Jesus Cristo. Saiba-se que a avareza é uma forma de idolatria (Cl 3.5).

 

                   TUDO O QUE SOMOS E TEMOS VEM DE DEUS

 

 Somos seus filhos. Todas as pessoas pertencem a Deus, por direito de criação (cf. Sl 24.1). Nós cristãos, temos algo a mais, pois somos filhos de Deus por criação, mas também por redenção e ainda por direito de, através da nossa fé em Jesus: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

 Deus nos dá todas as coisas. Na condição de filhos, Deus nos concede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) e também nos confere as bênçãos materiais. No Pai Nosso, lemos: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11). Nos salmos, está escrito: “quem enche a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a águia” (Sl 103.5). Os não crentes têm as coisas por permissão de Deus, sejam ricos ou pobres. Nós, seus filhos, temos as coisas, incluindo o dinheiro, como dádivas de sua mão. Davi tinha essa visão, quando disse: “Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos” (1Cr 29.14).

     

                COMO DEVEMOS GANHAR O “NOSSO” DINHEIRO?

 

 Com trabalho honesto. A ética bíblica nos orienta que devemos trabalhar com afinco para fazermos jus ao que percebemos. Desde o Gênesis, vemos que o homem deve empregar esforço para obter os bens de que necessita. Disse Deus: “No suor do teu rosto, comerás o teu pão...” (Gn 3.19a). O apóstolo Paulo escreveu, dizendo: “Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus” (1Ts 2.9); “e procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vô-lo temos mandado” (1Ts 4.11). “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também”(2Ts 3.10). Daí, o preguiçoso que recebe salário está usando de má fé, roubando e insultando os que trabalham.

 Fugindo de práticas ilícitas. O cristão não dever recorrer a meios ou práticas ilícitas para ganhar dinheiro, como o jogo, o bingo, a rifa, loterias, e outras formas “fáceis” de buscar riquezas. Em Provérbios, lemos: “O homem fiel abundará em bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará sem castigo” (Pv 28.20). O cristão também não deve frequentar casas de jogos, como cassinos e assemelhados. Esses ambientes estão sempre associados a outros tipos de práticas desonestas, como prostituição e drogas.

 Fugindo da avareza. Avareza é o amor ao dinheiro. É uma escravidão ao vil metal. Diz a Bíblia: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.9,10). Deus não condena a riqueza em si, mas a ambição, a cobiça, a exploração, a usura e a avareza. Abraão era homem muito rico; Jó era riquíssimo, antes e depois de sua provação (Jó 1.3,10); Davi, Salomão e outros reis acumularem muitas riquezas, e nenhum deles foi condenado por isso. O que Deus condena é a ganância, a ambição desenfreada por riquezas (cf. Pv 28.20).

 Fugindo da preguiça. O trabalho diuturno deve ser normal para o cristão. A preguiça não condiz com a condição de quem é nascido de novo. Jesus deu o exemplo, dizendo: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17). O livro de Provérbios é rico em exortações contra a preguiça e o preguiçoso (Pv 6.9-11).

 

                 COMO O CRISTÃO DEVE UTILIZAR O DINHEIRO

 

 Na igreja do Senhor. Um velho pastor dizia: “O dinheiro de Deus está no bolso dos crentes”. De fato, Deus mantém sua igreja, no que tange à parte material, através dos recursos que Ele mesmo concede a seus servos.

  1. a) Pagando os dízimos do Senhor. Em primeiro lugar, os crentes devem pagar os dízimos devidos para a manutenção da Obra do Senhor (cf. Ml 3.10; Mt 23.23). A obediência a essa determinação bíblica redunda em bênçãos abundantes da parte de Deus (Ml 3.10,11). É bom lembrar que devemos dizimar do total bruto da nossa renda, e não do líquido; deve ser das “primícias da renda” (Pv 3.9,10). Os dízimos devem ser levados “à casa do tesouro”, ou seja, à tesouraria, por meio da entrega na igreja local. É errado o próprio crente administrar o dízimo, repartindo com hospitais, construções, campanhas, obras assistenciais, creches ou pessoas carentes. Deus disse: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa...” (Ml 3.10a). Cabe à igreja sua devida e íntegra administração.
  2. b) Contribuindo com ofertas. Em segundo lugar, o crente fiel deve contribuir com ofertas alçadas (levantadas), de modo voluntário, como prova de sua gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas. Com esses recursos (dízimos e ofertas), a igreja mantém a evangelização, as missões, o sustento de obreiros, o socorro aos necessitados (viúvas, órfãos, carentes, etc), bem como o patrimônio físico da obra do Senhor, e outras necessidades que podem surgir.
  3. c) Os recursos da igreja local. Não provêm de governos ou de organismos financeiros. Toda vez que algum obreiro resolveu conseguir dinheiro para a igreja, em fontes estranhas ao que a Bíblia recomenda foi malsucedido, acarretou problemas para seu ministério e para os irmãos. Deus nos guarde de vermos igrejas envolvidas com práticas financeiras corruptas, abomináveis aos olhos de Deus. É de todo detestável que algum obreiro, usando o dinheiro dos dízimos e ofertas, se locuplete, adquirindo bens em seu próprio nome, exceto com aquilo que a igreja lhe gratifica.

 No lar, no trabalho e o fisco. Se existe disciplina no trabalho, que regula os procedimentos para a aquisição do pão de cada dia, há, também, a disciplina no gasto, no emprego da renda ou do salário:

  1. a) Evitar dívidas fora do seu alcance. Muitos têm ficado em situação difícil, por causa do uso irracional do cartão de crédito — na verdade, cartão de débito. As dívidas podem provocar muitos males, tais como falta de tranquilidade (causando doenças); desavenças no lar; perda de autoridade e independência. Devemos lembrar: “O rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta” (Pv 22.7). Outro problema é o mau testemunho caloteiro perante os ímpios, quando o crente compra e não paga.
  2. b) Evitar extremos. De um lado, há os avarentos, que se apegam demasiadamente à poupança, em detrimento do bem-estar dos familiares. São os “pães-duros”. De outro lado, há os que gastam tudo o que ganham, e compram o que não podem, às vezes para satisfazer o exibicionismo a insensatez da concorrência com os vizinhos e conhecidos, à mania de esbanjar, a inveja de outros, ou por mera vaidade. Isso é obra do Diabo.
  3. c) Comprar à vista, se possível. Faz bem quem só compra à vista. Se comprar a prazo, é necessário, que o crente avalie sua renda e, quanto vai se comprometer com a prestação assumida, incluindo os juros. É importante que se faça um orçamento familiar em que se observe quanto ganha, o que vai gastar (após pagar o dízimo do Senhor), e sempre procurar ficar com alguma reserva para imprevistos.
  4. d) Não ficar por fiador. Outro cuidado importante, é não ficar por fiador. A Bíblia desaconselha isso (Pv 11.15; 17.18; 20.16; 22.26; 27.13). Outro perigo é fornecer cheque para alguém utilizar em seu nome. Conheço casos de irmãos que ficaram em aperto por isso. É importante fugir do agiota. É verdadeira maldição quem cai na não dessas pessoas, que cobram “usura” ou juros extorsivos (Êx 22.25; Lv 25.36).
  5. e) Pagar os impostos. Em Romanos 13.7, lemos: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm 13.7). A sonegação de impostos acarreta prejuízo para toda a nação. O cristão não deve ser contrabandista pois isso não glorifica a Deus.
  6. f) Pagar o salário do trabalhador. Se o cristão tem pessoas a seu serviço, crentes ou não, tem o dever de pagar corretamente e em dia o salário que lhe é devido. A Bíblia diz: “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça e os seus aposentos sem direito; que se serve do serviço do seu próximo, sem paga, e não lhe dá o salário do seu trabalho” (Jr 22.13; ver Tg 5.1-5).

O dinheiro é um meio de troca importante para as transações entre pessoas e empresas. O que a Bíblia condena não é o dinheiro em si, mas o amor ao dinheiro (avareza). Isso equivale a idolatrar o dinheiro, a riqueza. Esta, também não é condenada por Deus, desde que obtida por meios lícitos e trabalho honesto. Que o Senhor nos ensine a usar da melhor maneira possível os recursos financeiros ao nosso dispor, como bênçãos de sua parte.

“Mt 23.23. A oferta financeira deve ser ligada a um compromisso com o amor, a vida e os valores divinos; caso contrario, a vida murcha quando se trata de doar. Quando a alegria e o amor estão ausentes no ato da entrega, o poder se evapora.

Não são poucos os cristãos que pensam estar isentos das outras obrigações com relação a Deus e ao próximo por darem o dízimo. Pagam o dízimo na igreja, mas demonstram ódio em casa. É como se alguém dissesse a Deus: ‘Já cumpri com o meu dever na igreja, e não julgo necessário andar no Espírito no lar, no escritório ou em qualquer outro lugar’.

Formalismo desse tipo, como a desculpa ‘já dei o dízimo’, pode sutilmente impedir Deus de continuar a purificar e a aperfeiçoar a pessoa na prática do amor. Pode igualmente bloquear a sua disponibilidade para uma contribuição financeira maior! Veja como isso parece ter acontecido com os fariseus.

É interessante notar que, embora Jesus tivesse elogiado os dízimos dos fariseus, não fez menção de suas ofertas. Existe algo a ser aprendido aqui? Estamos olhando para pessoas que aderiram religiosamente ao ‘dever’ de dar o dízimo, mas só obedeciam por uma imposição legal. E as ofertas, que revelam amor e generosidade ampliados, não eram praticadas?” (A Chave de Tudo.CPAD, pp.73,74).

“A economia doméstica deve ser considerada antes do casamento e posta em prática no seio da família, através das gerações. Os conflitos oriundos da situação financeira, com frequência, envolvem o casamento e podem arruiná-lo; por isso, convém que seja estudada a maneira correta de usar o dinheiro.Não há liberdade moral e espiritual sem responsabilidade; por isso, a ciência das finanças é importante para os lares que desejam ter êxito e alcançar vitória. E por falar sobre a maneira correta usar o dinheiro, diz um sábio americano:

Um dólar gasto para adquirir feijão, batatas, pão, saladas, queijos, maçãs, cebolas, ameixas, cereais e café maltado compra não uma refeição, mas três — sendo ainda possível que o alimento seja mais puro que o do restaurante. Comemos estilo, luxo ou alimento?

Trata-se, portanto, de um quadro simples que demonstra como a refeição pode tornar-se três vezes mais cara, podendo resultar em a família viver sempre endividada, envolta em problemas que podem quebrar a harmonia do lar. Porém, quando a economia funciona adequadamente, além da tranquilidade possível, resultará em os filhos adquirirem fartos sentimentos de integridade e honestidade. Isso convém à família e agrada a Deus. Aprenda essa lição!” (...E Fez Deus a Família. CPAD, p.87).

 

 

                          O CRISTÃO OS VICIOS E OS JOGOS 

Os vícios, inclusive os morais, destroem vidas e famílias. Eles também prejudicam lares cristãos. Na época em que vivemos, há uma onda de liberalismo que não vê pecado em quase nada, e favorece práticas perigosas, que podem levar à destruição espiritual, disfarçadas de “coisas que não têm nada a ver”. O verdadeiro cristão não se deixa levar por esta degeneração do mundo. O crente precisa saber que tais coisas vêm do Príncipe deste mundo — o Diabo.

 Doença ou pecado? A Bíblia — O Livro do Senhor, vê o alcoolismo de modo diferente do mundo. Nela, verificamos que o alcoolismo, a bebedeira e outros vícios, são vistos como atos pecaminosos. Em Isaías 28.1, vemos a condenação de Efraim (Israel) pela soberba de seus embriagados. No mesmo capítulo, vemos que “até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos do vinho” (Is 28.7). A primeira embriaguez foi experimentada por Noé logo após o Dilúvio e causou um grande mal à sua família, resultando em maldição para seu filho Canaã (Gn 9.21-25).

 Condenação à bebedice. Diz a Palavra: “Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice! E se demoram até à noite, até que o vinho os esquenta! Harpas, e alaúdes, e tamboris e pífaros, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos” (Is 5.11,12). Aí, vemos um tipo de festa, no Antigo Testamento, semelhante ao que se passa nos jogos, nos bares, nos clubes, e shows mundanos, em que a bebida alcoólica é fator indispensável para sua motivação.

 O sofrimento dos viciados. O escritor de Provérbios anotou que os viciados são vítimas de sofrimento, pesares, violência, queixas, adultério, prostituição, linguagem perversa, desequilíbrio mental (“delirium tremens”), câimbras, vômito, derrame, hipertensão, que são apenas algumas das danosas consequências do alcoolismo (Ler Pv 29.29,30,33-35).

 O alcoolismo no Novo Testamento. Advertindo sobre sua vinda, Jesus proferiu uma parábola sobre a vigilância, condenou o servo infiel, comedor, espancador, e beberrão dizendo que sua parte seria com os infiéis (Lc 12.45,46). O apóstolo Paulo colocou no mesmo nível de condenação os bêbados, os devassos, os idólatras, os homossexuais, e os ladrões, os quais não herdarão o reino de Deus (1Co 6.9,10). Ver Rm 13.13; 1Pe 4.3-5.

 

                              POSICIONAMENTO CRISTÃO 

 Condenação ao vício. Segundo o ensino das Escrituras, o cristão não tem outra alternativa a não ser reprovar de modo claro e direto o uso de bebidas alcoólicas. Grande parte dos acidentes de trânsito são provocados por motoristas alcoolizados; cerca de 80% das agressões têm na bebida sua motivação; a ausência ao trabalho por causa do vício causa enormes prejuízos.

 O vinho que Jesus bebeu. Jesus transformou água em vinho numa respeitável festa de casamento (Jo 2.1-11). Há quem use esse texto para dizer que não há nada errado em se beber vinho. Sim! Mas o vinho que Jesus faz! Do vinho embriagante para as demais bebidas alcoólicas pode ser apenas um passo. É melhor não tomar o primeiro gole. Na Santa Ceia (Mt 26.29), Jesus não tomou vinho embriagante. No texto original, Ele tomou “do fruto da vide” (do gr. guenematos tês ampèlou), indicando tratar-se do suco fresco da uva. Se fosse vinho fermentado a palavra seria oinos. Anotemos o que diz a Bíblia: “Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente” (Pv 23.31ss).

 Nenhuma concessão. O cristão não deve tomar vinho, cerveja, champanhe ou qualquer outra bebida, considerada leve, tendo em vista os males físicos, sociais, morais e espirituais que envolve tal prática. Lembremo-nos de que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). 

 

                                   O CRISTÃO E O FUMO 

 O fumo é uma droga. No cigarro existem inúmeras substâncias prejudiciais ao organismo humano. Metais tóxicos, como cádmio, manganês, cromo, zinco, ao lado do alcatrão e da nicotina acabam matando os viciados.

Mata mais do que muitas guerras. A cada 10 minutos, morre um brasileiro de câncer no pulmão, de enfisema pulmonar, ou de doença cardiovascular, por causa do fumo. A cada ano estima-se que morrem mais de cem mil pessoas, no Brasil, por causa desse vício, que é um suicídio lento. Mais de dois milhões e quinhentas mil pessoas morrem por ano, no mundo, vitimadas pela epidemia do cigarro.

A Bíblia tem razão quando afirma: “Mas os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2Tm 3.13).

Posicionamento cristão. O vício é pecado, e fumar é um vício. Logo o fumante não tem como escapar: está pecando. O fumo destrói o corpo, que é templo do Espírito Santo (1Co 3.17). Graças a Deus, são inúmeros os casos de pessoas que aceitam a Cristo e ficam libertas do vício do fumo. Na conversão do pecador, efetuada por Jesus, os vícios, como coisas da velha vida, ficam para trás (cf. 2 Co 5.17).

 

                                    O CRISTÃO E AS DROGAS

 Agentes do diabo. As drogas são agentes utilizados pelo Diabo para a destruição de vidas, principalmente de adolescentes e jovens.

Motivos que levam às drogas. Além da ação demoníaca velada, concorre para isso a curiosidade, imitação do grupo, aventura, mas, principalmente, o desajuste familiar. O melhor preventivo: o andar com Deus, o amor cristão entre pais e filhos, o diálogo, o bom relacionamento, o Culto Doméstico desde cedo como está escrito, “Instrui o menino no caminho em que deve andar e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).

 

                             O CRISTÃO E OS JOGOS DE AZAR

 

 A ilusão do jogo. A propaganda das loterias, dos bingos e outros meios da jogatina, ilude os incautos, prometendo-lhes riqueza fácil. Contudo, nenhum desses jogos é de sorte, mas de azar. Milhares de pessoas jogam, mas só uma ou poucas ganham “a bolada”. E o restante? Fica no azar. Perde dinheiro e energias, esperando o ganho fantástico! Quanto mais pessoas jogam, menos chances cada uma tem de ser sorteada.

 O amor ao dinheiro. O jogador põe o coração no dinheiro. Torna-se escravo da ideia de ganhar de qualquer maneira. Deus condena a avareza (1Tm 6.10). Em Provérbios 28.22, lemos: “Aquele que tem um olho mau corre atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a pobreza” (Pv 28.22).

 O desprezo ao trabalho. Se o crente resolve jogar pensando em deixar de trabalhar, isso não é correto. Em Efésios 4.8, lemos: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom para que tenha o que repartir com quem tiver necessidade” (Ef 4.28).

 O problema do vício. O vício do jogo leva a pessoa a uma compulsão, que a obriga a jogar cada vez mais, na esperança de superar as perdas. O indivíduo torna-se um escravo do jogo. Começa com dinheiro, depois entrega a roupa, os sapatos, o relógio, os bens, e por fim, a honra, a dignidade.

 A ilusão da contribuição social. O argumento de que parte do dinheiro vai para as obras sociais não justifica a jogatina. O correto seria o governo proporcionar oportunidade de emprego honesto, e não de incentivo ao jogo. Muita gente, principalmente das classes mais humildes, é explorada pela jogatina.

Os jogos de azar, oficializados ou não, são instrumentos prejudiciais à vida moral e social, pois levam as pessoas a confiarem na sorte, em lugar de se dedicarem com mais afinco ao trabalho honesto. Os vícios são meios destrutivos que o Diabo usa para ceifar vidas preciosas, principalmente entre os jovens, e empobrecer as famílias. Que Deus guarde a Igreja, e de modo especial a juventude para que não enverede pelos tortuosos caminhos dos jogos e dos vícios. Até o futebol de clubes e campos, que no passado era primeiro esporte e depois jogo, hoje é apenas jogo e não mais esporte como arte. Além de jogo, o futebol é, hoje, também campo de batalha entre torcidas fanáticas e a força policial.

“O primeiro pecado registrado após a inundação está ligado à nudez, e a causa disso foi a bebedeira. Este é o único evento negativo registrado nas Escrituras sobre Noé, um momento de fraqueza em que ele decidiu beber vinho e deitar-se nu em sua tenda.

Perante toda a honestidade de Noé, não sabemos com certeza se ele imaginava que ficaria bêbado, tomando o fruto da vide. Após a inundação, a terra tornou-se um lugar diferente do que era antes, e é possível, acreditam alguns sábios, que esta foi a primeira fermentação do vinho. Também não sabemos exatamente que pecado Cam cometeu. O texto mostra, porém, que ambos os outros irmãos tomaram cuidado para não olhar a nudez de Noé, até mesmo andaram de costas para evitar vê-lo. Onde estava a esposa de Noé durante este episódio da embriaguez? Ela também estava nua com ele? Muitas perguntas. 

 

                                 O CRISTÃO E A POLITICA

 

De todas as áreas da vida do cidadão, a política tem sido uma em que muitos cristãos não têm sido bem sucedidos, por não se conduzirem de modo digno diante de Deus, diante da pátria, da consciência e de seus pares, como o fizeram Daniel e seus companheiros no reino babilônico. Na realidade, porém, a política é atividade necessária ao bom ordenamento e desenvolvimento da vida de uma nação, na qual a Igreja está inserida.

 

                                 CONCEITO DE POLÍTICA

 

 Política. O vocábulo política vem do grego, polis, “cidade”. A política, pois, procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social.

 

                    O CRISTÃO COMO CIDADÃO DOS CÉUS

 

Nascidos de novo. Quando nos convertemos a Cristo, imediatamente somos registrados no “cartório do céu”. Nos registros divinos, nosso nome passa a fazer parte do Livro da Vida (Fp 4.3; Ap 13.8). Tornamo-nos seus filhos e cidadãos do céu “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem em seu nome” (Jo 1.12). Já somos eleitos e temos um representante divino que é o Espírito Santo: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1.3,13).

Nossa pátria está nos céus. A filiação divina nos dá o direito de sermos herdeiros de Deus, como diz a Bíblia em Romanos 8.17. Por isso, nossa pátria (ou cidade), é celestial: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

 Não temos permanência aqui. “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hb 13.14). Essa é uma realidade da qual muitos crentes não têm consciência. Vivem neste mundo, tão arraigados com ele, que perdem a visão da cidadania celestial. Na verdade, nem somos deste mundo! (cf. Jo 15.18,19). Somos peregrinos e forasteiros (Hb 11.13). Aqui, a corrupção “destrói grandemente” (Mq 2.10). Se há uma atividade em que há corrupção, esta é a política aqui na terra.

 

                         O CRISTÃO COMO CIDADÃO NA TERRA

 

Os direitos políticos. O cristão, como cidadão brasileiro, tanto pode votar, como candidatar-se a cargos eletivos.

 O cristão como eleitor. É de grande importância que o servo ou serva de Deus saiba exercer o seu direito, quando do momento das eleições municipais, estaduais ou federais. É hora de mostrar que é cidadão do céu, exercendo um direito de cidadão da terra. Como tal, lembrar-se de que é sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14).

  1. a) Antes de votar. Antes de qualquer decisão, o crente em Jesus deve orar a Deus, pedindo sua direção pois um voto errado pode ser motivo de tristeza, frustração e arrependimento tardio. É votar por fé, pois “tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.23). Conheço casos de crentes que votaram em alguém, e depois choraram de amargura pelos prejuízos que sofreram.
  2. b) Jamais vender seu voto. Ele é arma de grande valor. Diante dos candidatos, o cristão jamais deve aceitar vender seu voto. Isso é anti-ético para um cidadão do céu e revela um profundo subdesenvolvimento cultural.
  3. c) Preferência por candidato cristão. Havendo um cristão que tenha um perfil claramente identificado com Cristo, sério, comprometido com o Reino de Deus, de bom testemunho na igreja, que seja honesto, cumpridor de seus deveres como pai e esposo, que tenha vocação para a vida pública, o eleitor crente deve dar preferência à sua candidatura, em lugar de eleger um descrente, que não tem qualquer compromisso com a igreja do Senhor. A Palavra de Deus recomenda: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl 6.10). Não convém (1Co 6.12; 10.23), o envolvimento de pastores na política, se têm chamada divina para o ministério. Que isso fique para os membros que têm vocação terrena para tal.
  4. d) Exemplos de políticos sábios. É bom lembrar o que diz a Bíblia: “Não havendo sábia direção, o povo cai, mas, na multidão de conselheiros, há segurança” (Pv 11.14). Ninguém melhor que um servo de Deus, para ter “sábia direção” na condução de cargos públicos, administrativos ou políticos. Exemplo disso, temos na Bíblia, com José, que foi governador do Egito (Gn 41.14-44); no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras destacou-se como líder sobre seu povo (Ed 7 a 10); Neemias, um copeiro de confiança do rei, foi designado para reconstruir Jerusalém, tornando-se governador exemplar (Ler Neemias); Daniel, na Babilônia, foi o principal dos príncipes, nomeado pelo rei Dario, e trabalhou tão bem que estava cotado para ser o governante sobre todo o reino (Dn 6.1-3).
  5. e) Quando os justos são eleitos. “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12). Os cidadãos cristãos precisam orar a Deus para que levante candidatos que honrem seu nome ao serem eleitos, pois “quando os justos triunfam, há grande alegria”.
  6. f) Quando os ímpios são eleitos. A Bíblia é realista: “Quando os ímpios sobem, os homens se escondem, mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam” (Pv 28.28). É verdade. Quando são eleitos ímpios, homens carnais, materialistas, muitos ateus, macumbeiros, adoradores de demônios, infiéis aos compromissos, soberbos, corruptos, ingratos, insolentes e insensíveis, os quais, se eleitos, não querem servir e sim serem servidos. Não temem a Deus, nem respeitam o próximo (Lc 18.2). Quando os tais são eleitos, os verdadeiros homens de bem desaparecem de cena. É bom os crentes pensarem bem, em oração, e não usarem seus votos para elegerem ímpios. Aqui, cabe um esclarecimento. Nem todo descrente é ímpio no sentido em que estamos usando o termo. Todo ímpio é incrédulo, mas nem todo incrédulo é ímpio. Há não evangélicos que são homens de bem. E há evangélicos que não são honestos. Se não houver um candidato com perfil cristão, o crente pode sufragar o nome de um cidadão de boa reputação. A Bíblia diz que devemos examinar tudo e ficar com o bem (1Ts 5.21).
  7. g) O que a igreja pode sofrer com os maus políticos. No novo milênio, a Igreja poderá sofrer grandemente, com a ação de homens ímpios. Já há, no Congresso, projeto de lei, propondo a “união civil entre pessoas do mesmo sexo”, que nada mais é que a legalização pura e simples do homossexualismo, que é na Bíblia, um pecado gravíssimo, “uma abominação ao Senhor” (cf. Lv 18.22,23; Rm 2.24-28). Projeto, legalizando o aborto já foi apresentado. Em breve, poderão vir projetos, legalizando a eutanásia, a clonagem de seres vivos (inclusive humanos), o jogo do bicho, os cassinos, e a maconha, além de outros, que destroem a dignidade da raça humana, conforme os princípios do Criador. A Nova Era já está nas ruas e na mídia apregoando “a paz”, iludente e absurda. Em muitas escolas, é utilizada “meditação transcendental”. Quem faz as leis? Os pastores? Evangelistas? Missionários? Não! São aqueles que são eleitos, inclusive com o voto dos cristãos. Portanto, é tempo de despertar; de agir com santidade mas sem ingenuidade.
  8. h) O perigo do envolvimento da igreja local. Os crentes, como cidadãos, podem votar e ser votados. Mas a igreja, como instituição de Cristo, não deve ser envolvida com a política, mediante a troca de favores de quaisquer espécie. O prejuízo pode ser irreparável. É de bom alvitre que os pastores não declarem sua preferência. Estes foram chamados para unir o rebanho. A política divide as pessoas, pela própria natureza partidária (Ler 1Co 1.10). O púlpito, de igual modo, não é lugar para os políticos. A eles, deve ser dada honra, mas o uso do púlpito é para os homens santos, consagrados a Deus.

O cristão não pode ser contrário a uma atividade que busca a “conduta ideal do Estado”. Como cidadãos da terra, precisamos viver num determinado local físico e social, que faz parte de um Estado, que faz parte de um País. Esses precisam ser administrados por homens de bem. Melhor seria que fossem cristãos. Que Deus nos dé sabedoria e visão. “A vida social envolve, por um lado, harmonia e cooperação e, por outro, conflito e colisão de interesses. O modo como trabalhamos por harmonia e resolvemos os conflitos políticos implica em política. No centro da política está o poder (...).

Os cristãos hesitam em admitir que usam o poder, mas todas as relações humanas envolvem questões de poder. Os cristãos podem se sentir mais à vontade falando sobre virtude e justiça, mas mesmo que evitemos discutir sobre o poder, não podemos fugir dele. Nem devemos, porque o poder é usado para o mal ou para o bem. O poder é a capacidade de usar ou influenciar outros a comportarem-se como você deseja (...). Precisamos de poder defensivo para nos proteger daqueles que nos fariam mal. Usamos o poder interveniente até para proteger alguém do prejuízo ou da injustiça. Necessitamos de poder econômico para cuidar de nossas famílias e nos preparar para a velhice. As nações têm necessidade de poder militar para se protegerem de agressores. Todos nadamos num mar de poder. Não chamar poder por seu verdadeiro nome e não reconhecer sua importância nas relações humanas é estar cego à realidade do poder usado contra nós e como o usamos nos outros” (Panorama do Pensamento Cristão. CPAD, pp.443,444).

fonte www.avivamentonosul.com