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cuidado dos falsos profetas
cuidado dos falsos profetas

 

Acautelai-vos dos falsos mestres (2:1-3) 

O pensamento de Pedro ainda demora-se nas profecias do Antigo Testamento. Em Israel no meio do povo surgiram falsos profetas além dos verdadeiros; e agora a histó­ria estava se repetindo. Seus leitores tinham falsos mestres no seu meio. Ao descrevê-los neste capítulo, oscila entre o tempo presente e o futuro, conforme faz Paulo num contexto semelhante em 1 Timóteo 4:1 ss. Sem dúvida, isto é porque vê que cumprem as profecias tanto do Antigo Testamento quanto de Jesus (Dt 13:2-6; Mt 24:24, etc.). Sempre tem havido falsos mestres entre o povo de Deus, e sempre os haverá.

 Que esta é a interpretação correta da mudança de tempo verbal, e não, conforme alguns sustentam, a falta dalgum escritor do século II de ser consistente nos seus arcaísmos (i. e., continuamente deslisa para o tempo presente) é sugerido por uma passagem em Justino Már­tir (m. 165 d.C.) que cita esta passagem. Diz ao judeu Trifão: "E as­sim como havia falsos profetas contemporâneos com vossos profetas santos, assim também há muitos falsos mestres entre nós, contra os quais nosso Senhor nos advertiu a precaver-nos. Muitos deles ensina­ram doutrinas ímpias, blasfemas e profanas, falsificando-as em nome dEle; ensinaram, também, e continuam ensinando, aquelas coisas que procedem do espírito imundo do diabo." 

Falsos profetas podem significar que falsamente alegavam ser profetas, ou que profetizavam coisas falsas; provavelmente os dois. Os homens eram tão indignos de confiança quanto a mensagem. Mayor fez uma coletânea interessante das características dos falsos profetas que estavam marcantemente presentes na situação à qual Pedro se dirige. Seu ensino era bajulação; suas ambições eram finan­ceiras; suas vidas eram dissolutas; sua consciência era amortecida, e seu alvo era o logro (ver Is 28:7; Jr 23:14; Ez 13:3; Zc 13:4).Povo tra­duz laos, palavra esta que é empregada para o povo de Deus na LXX bem como no Novo Testamento. Conforme os discursos atribuídos a ele em Atos, e conforme o ensino em 1 Pedro também, Pedro declara que os cristãos foram incorporados no verdadeiro Israel de Deus; não há nenhuma dicotomia entre o Antigo Testamento e o Novo.

 Estes falsos mestres (note-se a rápida mudança de pseudoprophetai para pseudodidaskaloio que sugere que talvez os falsos mes­tres não fizeram, afinal das contas, muitas pretensões quanto a serem profetas) são o tipo de homens (hoitines) que sempre serão achados introduzindo dissimuladamente ou sub-repticiamente pontos de vista heréticos. O verbo introduzir (pareisagein) tem duas implica­ções: significa "trazer para dentro lado a lado com" (sc. o ensino ver­dadeiro) e também "introduzir secretamente" (cf. Gl 2:4).

 Heresias destruidoras (lit. "de destruição" — outro hebraísmo) significa opiniões que destroem a verdadeira fé. A palavra hairesis (lit. "escolha") era aplicada a um partido ou seita (cf. At 5:17; 15:5) ou aos pontos de vista sustentados por semelhante seita. Nos escritos paulinos, a tendência a divisões (Gl 5:20; 1 Co 11:18-19) e a indepen­dência arrogante (Tt 3:10) são as ênfases heréticas relevantes, mas já nos tempos de Inácio (c. de 110 d.C.) a palavra é usada em nosso sen­tido de "falsa doutrina."

 O efeito do seu ensino foi que foram até ao ponto (kai) de renega­rem o Soberano Senhor que os resgatou. Esta frase fascinante nos mostra algo daquilo que a cruz significava para nosso autor, porque resgatou enfatiza tanto a seriedade da triste situação do homem quanto o alto custo do livramento efetuado por Cristo (cf. Mc 10:45; 1 Tm 2:6; Ap 5:9). A palavra agorazõ é empregada para a redenção de Israel para fora do Egito (cf. 2 Sm 7:23). Na cruz, como no Êxodo, vemos a inter­venção pessoal de Deus em prol do Seu povo, não somente para livrá-lo de um triste destino de escravidão e morte, mas também para redimi-lo "para ser seu povo", conforme Samuel7:23 continua. Deus redime o homem afim de que o modo de vida transformado deste seja um crédito ao seu Salvador; a fim de que, conforme a expressão em 1 Pedro 4:2, "já não viva de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus".

 Ora, estes falsos mestres entendiam, sem dúvida, a libertação oferecida pela cruz de Cristo; a liberdade era um dos seus brados de guerra (2:19). Mas não reconheciam o viver santo imposto pelo Cruci­ficado. Mediante suas vidas negavam o Senhor que os comprou. O cristianismo é, realmente, uma religião de liberdade; mas também exige amoroso serviço totalmente dedicado a Jesus, o Redentor. Pau­lo, Judas, Tiago e outras personalidades de destaque no Novo Testa­mento deleitavam-se em chamar-se Seus douloi"escravos". Os fal­sos mestres não eram assim. É interessante que um movimento liber­tino semelhante em Corinto elicitou uma resposta semelhante, em pa­lavras semelhantes, de Paulo (1 Co 6:19, 20; 7:23).

 Nosso autor está em harmonia com o restante do Novo Testa­mento (ver Rm 6 e Hb 10) ao asseverar claramente que o homem não podecorrer com a caça e também com os caçadores. O homem que procura servir a Deus e também ao seu próprio-eu está na estrada larga para a repentina destruição, pois ou a morte ou a parusia o cor­tará no meio da sua carreira. (Para um uso semelhante de tachinē,"repentino", "dentro em muito breve", para a morte do próprio Pe­dro, ver 1:14).

 A negação do Senhor que os resgatou é primariamente ética, e não intelectual. Tem dois efeitos. Primeiramente, espalha-se para infeccionar outras pessoas, razão por que Pedro, neste capítulo, é tão veemente nas suas condenações. Em segundo lugar, traz descrédito à causa cristã. O tema de o nome de Deus ser blasfemado por causa da vida insatisfatória do Seu povo é um lugar-comum na Bíblia (ver Rm 2:24; e Is 52:5, que influenciou tanto a ideia geral quanto a forma es­pecífica de expressão aqui; o tempo futuro é devido a esta alusão). Pedro, não sem justo motivo, já se mostrara muito sensível neste as­sunto em 1 Pedro 3:16; 4:14-15. Os relatos confusos dos excessos cristãos que se acham em escritores pagãos tais como Tácito, Suetônio e Celso mostram quão necessário era para os cristãos viverem vidas inculpáveis (ver Tg 2:7; At 19:9; Tt 2:5; Rm 2:24).

 Aselgeia (práticas libertinas) é uma palavra forte para a imorali­dade temerária e endurecida, a própria antítese do caminho da ver­dade(ou "o caminho verdadeiro", NEB, se o genitivo alētheias for um hebraísmo). Existe um só caminho da verdade, o próprio Je­sus Cristo (Jo 14:6); é por isso que a negação dEle é a mesma coisa que o afastamento da verdade. NEle, pois, os aspectos éticos e cognitivos da verdade (enfatizados, respectivamente, pelo pensamento hebraico e grego) estão coerentes. A frase o caminho da verdade advém de Salmo 119:30, e ocorre na literatura do início do século II, não so­mente na Apologia de Aristides, como também no Apocalipse de Pe­dro. As duas citações parecem ser alusões a esta passagem, pois a frase não se acha em qualquer outra parte do Novo Testamento. São alusões casuais como estas que fortalecem a causa em prol de uma data recuada para esta Epístola, visto que a data da Apologia bem como do Apocalipse é de c. de 130 d.C.

 O comentário de Calvino sobre este versículo é muito apto: "Nada há que perturbe as mentes piedosas tanto quanto a aposta­sia... Para evitar que ela destrua nossa fé, Pedro interpõe a predição tempestiva de que esta mesma coisa acontecerá."

 Se v. 2 fala da imoralidade dos falsos mestres, v. 3 diz respeito à sua ganância e à sua condenação. É instrutivo contrastá-la com 1 Tessalonicenses 2:5, onde Paulo nega que é um mestre deste tipo, como os sofistas do mundo greco-romano, cuja preocupação principal não era a verdade, mas, sim, o sucesso no argumento. Este fato ex­plica a referência às palavras fictícias, ou argumentos falsos, que ti­nham o propósito, não de ajudar os ouvintes, mas, sim, de espoliá-los (daí a menção da avareza). O verbo emporeuomai, fazer comércio de, tem um fundo comercial, "explorar" (RSV), "fazer dinheiro com". Como os falsos mestres em 1 Timóteo 6:5, estes homens pensavamque o cristianismo pudesse ser fonte de ganho comercial para si mesmos.

 Os termos em que Pedro retrata a perdição dos hereges, neste versículo e no seguinte, parecem afetados e estereotipados a Käsemann. "O inimigo", ele alega, "é posto fora de combate de modo muito primitivo; primeiramente, por meio de acusá-lo de depravação moral, depois, por meio de fazer chover sobre ele provérbios bem es­colhidos (como no v. 22.), e, em terceiro lugar, por meio de pintar o castigo dos heréticos em termos lúgubres." Sem dúvida, condena­ções rigorosas tais como aquela que Pedro pronunciou parecem anti­quadas e inapropriadas aos leitores no século XX, porque, em grande medida, perdemos qualquer sentido do perigo diabólico do falso ensi­no, e ficamos tão embotados quanto à distinção entre a verdade e a falsidade como ficamos quanto à distinção entre o certo e o errado no comportamento. Mas é impossível estar sensível, como estava Pe­dro, à importância ética e intelectual do "caminho da verdade" (i.e., o próprio Jesus) sem ficar enfurecido quando aquele caminho é des­considerado, mormente pela igreja. Pedro reitera que o juízo, pro­nunciado há muito tempo no Antigo Testamento, está iminente (lit. "desde a antiguidade não tem sido ocioso", RSV). Para o pensamen­to, ver sobre Judas 4 (cf. 1 Pe 4: 17). Termina, dizendo que sua destruição (é a terceira vez em três versículos que apōleia foi usada) não está "começando a dormitar." NEB interpreta bem: "a perdição os aguarda com olhos insones." A única outra ocorrência no Novo Tes­tamento desta palavra vivida é aplicada às virgens sonolentas em Ma­teus 25:5.

fonte comentario biblico N.R.Champlin,do novo testamento,2003