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doutrina da redenção biblica
doutrina da redenção biblica

 

DOUTRINA DA RDENÇÃO BIBLICA 

 Esboço

 

I.             Significados da Palavra

II.           O Agente

III.         A Redenção Cósmica

IV.         Caracterização Geral; Sumário

 

I. Significados da Palavra 

A palavra grega, tal como também aparece no termo" latino, redimo, indicava o preço pago para comprar de volta um escravo ou cativo, tornando-o livre pelo pagamento de um «resgate» (no grego, lutron, o termo grego aqui utilizado). Ver Diod. S. Fgm. 37,5, e pág. 149. Plutarco, Pomp. 24,5; Filo, Omn. Prob. Lib. 114; Josefo, Antiq. 12,27.

 1. Um «livramento», conforme se vê em II Macabeus 7:24; IV Macabeus 8;4-14 e Hb 11:35.

 2. Daí passou a significar «livramento do pecado e de seu poder», ou seja, o perdão dos pecados (Rm 4:7,8), com a participação resultante em uma nova vida em Cristo. Os trechos de Rm 8:23; Ef 1:7; 4:30 e Cl 1:14 assim usam essa palavra. Este ultimo trecho, Cl1:14, atribui à redenção o preço do sangue de Cristo, como também o faz Rm 3:25. No trecho de Rm 3:14, a «graça» é assinalada como a causa da «redenção», e tudo é ali declarado como algo que ocorre por meio de Cristo.

 3. Em seu aspecto mais amplo, a redenção inclui tudo aquilo a que denominamos de «salvação», não indicando apenas, a. o livramento da escravidão ao pecado, ou perdão dos pecados, nem também, b. apenas a justificação e a santificação, mas igualmen­te, c. a vida ressurreta, que floresce na forma de participação na vida de Cristo, em tudo quanto ele é, a sua herança, a sua filiação, a sua natureza santa, a sua natureza metafísica, e a participação na divindade, segundo aprendemos em Cl 2:10.

 O termo grego lutron, que é a palavra aqui traduzida por «redenção», tem sido encontrado em muitos papiros, do primeiro século da era cristã, com o sentido de dinheiro de compra, com o qual os escravos eram libertos, e daí se derivou a ideia, espiritualmente aplicada, de ser alguém comprado de seu miserável estado de servidão ao pecado, a fim de receber a exaltada vida dos lugares celestiais, criaturas não mais escravizadas, mas verdadeiros filhos de Deus, filhos do Rei, iguais ao seu Irmão mais velho, em sua natureza e herança, que é o Senhor Jesus Cristo, o qual, mediante o preço de seu sangue, libertou os cativos, e através da atuação de seu Espírito Santotransformador ele os despede de seus trapos de servidão, revestindo-se com a sua própria natureza, a fim de que sejam verdadeiramente filhos, em todos os sentidos, do Pai celeste.

 A ideia de que Cristo deu a sua vida em nosso «resgate» não foi criada pelo apóstolo Paulo, mas antes, parece fazer parte da tradição mais antiga do cristianismo, pois já se encontra no evangelho de Marcos (10:45), e, evidentemente, foi ensinada pelo próprio Senhor Jesus. (Ver Hb 9:15; I Jo 2:2; I Pe 1:18,19 e 2:24). Nos trechos de Ef 1:14; Rm 8:23 e I Co 1:30, a redenção tem um aspecto fortemente escatológico, referindo-se àquela parte da redenção que ocorrerá nos últimos dias, mediante a segunda vinda de Cristo, quando ele tomará nas mãos as rédeas do poder e da autoridade mundiais, em preparação para a inauguração da era eterna.

 

II. O Agente 

Em Cristo Jesus, Rm 3:24. A relação dessas palavras para com o resto da frase tem sido compreendida das seguintes maneiras, relacionadas abaixo:

 

1. Ele é o intermediário do plano traçado eternamente junto com o Pai. Ver Ef 1:4,5.

2. Ele é o Verbo Eterno, a revelação de Deus para toda a criação, e esta revelação inclui a redenção. Jó 1:1-3.

3. A encarnação é o meio. Jó 1:12-14.

4. Sua vida é duplicada no homem. Os homens participarão na natureza divina, como Cristo partici­pou na natureza humana, II Pe 1:4.

5. A morte expiatória faz parte do plano, Rm 3:25.

6. A redenção inclui a participação do homem na ressurreição, ascensão e glorificação de Cristo. Rm 4:25; 8:29.

7. Na comunhão mística com Cristo, o homem é redimido numa transformação espiritual, absoluta.

 

A redenção é uma comunicação da vida divina ao homem, não meramente perdão de pecado e um lar nos céus.

 Assim como os rios buscam um mar que não podem encher,

Mas são eles mesmos tomados pelo abraço do mar,

Absorvidos, em descanso, cada rio e cada riacho:

Concede-nos tal graça.

(Christina G. Rossetti)

 Na redenção, pois, somos absorvidos pelo oceano da graça divina, embora não percamos nossa individualidade. Nas profundezas oceânicas de seu amor, a vida se vai tornando cada vez mais rica e cheia. Os remidos serão cheios para sempre com toda a plenitude de Deus (ver Ef 3:19).

 

III. A Redenção Cósmica 

1. Além da redenção dos eleitos, haverá a restauração geral de todas as coisas.

2. Rm 8:21, por certo ensina tal princípio, o que torna a fé cristã em fé altamente otimista.

3. Ver também trechos bíblicos, nessa conexão, como Ef 1:23 e Cl 1:16.

4. Liberdade: esse é um dos resultados da redenção.

 a. É a liberdade da escravidão ao pecado, tema desenvolvido no sexto capítulo de Romanos.

b. É a liberdade de todos os resultados do pecado, na criação inteira.

c. É o fim da inutilidade e do caos, descritos em Rm 8:21.

d. É algo glorioso, porquanto envolve a participação na glória divina, um conceito anotado em Rm 3:23. O pecado furtou do homem a glória que lhe pertencia; Cristo veio a fim de restaurá-la.

e. Uma comum definição filosófica da «liberda­de» é aquela que diz que os homens são livres quando escolhem o estado em que estão vivendo, com suas condições e requisitos. Porém, quanto maior é a liberdade daqueles que vivem sob as condições escolhidas pelo próprio Deus! A redenção dos eleitos (a participação na própria natureza de Deus, através do Espírito, ver II Pe 1:4 e II Co 2:18), é um estado de liberdade.

f. É uma liberdade de todas as limitações temporais e físicas, porquanto será a entrada na vida eterna.

 «A causa da liberdade é a causa de Deus». (William Lisle Bowles, 1762-1850, em carta a Edmund Burke).

 Isso pode expressar a verdade no que concerne às realidades terrenas, mas é supremamente verdadeiro no que diz respeito ao eterno plano remidor de Deus. Pode-se dizer com verdade, acerca do homem terreno que: «nenhum homem é inteiramente livre. Ele é um escravo das riquezas, ou da sorte, ou das leis, ou então o povo o restringe de agir exclusivamente segundo a sua própria vontade». (Eurípedes, em Hécuba, 480-406 A.C.). Mas a redenção preparada por Deus, no sangue de Cristo, produzirá uma liberdade total que redundará em «bem», uma liberdade que os homens atualmente não possuem.

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeira­mente sereis livres». (Jo 8:32,36).

 

IV. Caracterização Geral: Sumário 

Ser redimido é ser livrado do poder de algum domínio, com a liberdade daí resultante. No seu sentido original e em seu uso bíblico, a redenção está ligada as ideias de «resgate» e «substituição». Com frequência envolve a ideia de restauração. O âmago da mensagem bíblica da redenção é o livramento do povo de Deus da servidão ao pecado, pelo perfeito sacrifício vicário de Cristo, e sua subsequente restauração a Deus e ao seu reino celeste. E um redentor é quem tem o poder de exercer o direito de redimir.

 1. Informes bíblicos. No A.T., a palavra «redimir» é tradução de duas palavras hebraicas. Uma era usada para indicar o pagamento em dinheiro exigido por lei, em Israel, para a redenção dos primogênitos (Êx 13:2,11-16), isto é, o resgate que isentava da obrigação imposta após o êxodo, no sentido de que cada primogênito, homem ou animal, fosse dedicado ao serviço de Deus (Êx 21:8; Lv 25:47-49 ; 27:27; Nm 3:46-49; 18:15 55). O outro vocábulo era usado para indicar o livramento de pessoas da servidão (Êx 21:8; Lv 25:47-49). Era usado para indicar a recuperação de propriedades que houvessem passado para outras mãos (Lv 25:26; Rt 4:4 ss), e também a comutação de um voto (Lv 27:13,15,19,20) ou de um dízimo (27:31). Deus é referido como o redentor, ou goel de Israel, especialmente em Isaias. Fora do livro de Isaías, essa palavra, goel, é aplicada a Deus (Jó 19:25; Sl 19:14; 78:35; Pv 23:11; Jr 50:34).

 No A.T., a ideia de redenção está associada às leis e costumes de Israel. Em um caso de homicídio, um parente tinha o direito de vingar ou redimir o sangue da vítima (Nm 5:8; I Rs 16:11). Se alguma família perdesse o direito de usufruir de um terreno, este lhe era devolvido no ano do jubileu, a cada cinquenta anos (Lv 25:8-17). Antes desse ano, porém, um parente mais próximo tinha o direito e a responsabilidade de remir a propriedade, liquidando a dívida e restaurando-a a seus donos originais — (Lv 25:23-28).

 O casamento levirato se parecia com isso. O cunhado ou outro parente próximo de uma mulher cujo marido morrera sem deixar herdeiro masculino, estava na obrigação de se casar com a viúva, a fim de preservar o nome da família do falecido e os direitos de propriedade dele. A ideia de redenção também aparece quando uma pessoa fora privada de algo que lhe pertencia como parte de sua integridade pessoal. Assim foi que Noemi chamou o filho nascido a Boaz e Rute de redentor, porque a livrara do opróbrio de não ter herdeiro masculino sobrevivente (Rt 4:14).

 Por tê-los livrado da última praga do Egito, Deus reivindicou o direito de ter os filhos primogênitos dos homens e dos animais dos israelitas, que dali por diante estavam dedicados ao serviço de Deus (Êx 13:2). No lugar deles, Deus nomeou a tribo de Levi e seu gado (Nm 3:12,13,41,45). Visto que não havia número suficiente entre eles, para corresponder a todos os primogênitos, Deus requereu que os israelitas «redimissem os primogênitos restantes pagando certa soma (Nm 3:46-51), os quais puderam voltar assim ao convívio de suas famílias. Dali por diante, os primogênitos homens eram redimidos pelo pagamen­to de certa quantia, e um primogênito de jumento substituía um cordeiro, etc. (Êx 13; 12,13; 34:19, 20).

 No N.T., são usadas as palavras gregas agorázo e loútromal, e seus derivados. A primeira indica a ação de comprar, — e em sua forma reforçada, exagorázo, é usada para indicar redenção, (Gl 3:13; 4:5; Ap 5:9). A segunda dessas palavras gregas relaciona-se ao substantivo lútron, que significa «resgate». O substantivo aparece somente em Mc 10:45 e Mt 20:28. Refere-se literalmente ao meio de liberar, por exemplo, o pagamento de um preço combinado. Os antigos escritores usavam-na quase universalmente para indicar o resgate pago por prisioneiros. As formas verbais usadas no N.T. nem sempre incluem a ideia de resgate. O termo «redentor» (em grego,lutrótes) figura no N.T. somente em Atos 7:35, referindo-se a Moisés.

 2. Formulação doutrinária. Redimir é livrar da servidão ou de algum domínio sobre outrem. O exemplo mais notável de redenção, no A.T., foi o livramento dos filhos de Israel da escravidão no Egito. A ideia bíblica de redenção também envolve o libertador, naquilo que ele realiza para efetuar o livramento. Segundo um costume israelita, era possível alguém ser redentor em causa própria (Lv 25:49), mas, mais caracteristicamente, o redentor era alguma outra pessoa, como um parente chegado, dotado do direito de redimir. A essa pessoa dava-se o nome de goel.

 Em sua alusão central à salvação, a Bíblia ensina que a redenção sempre se efetua por meio de outrem. No êxodo, a atenção recai não tanto sobre o ato de livramento, mas sobre o próprio redentor, Deus, que atuava através de seu profeta, Moisés. Isso dava ao Senhor plenos direitos sobre Israel, tornando-se Ele o Senhor deles, com plenos direitos.

 No tocante à salvação, continua a Ideia de pagamento de um preço. Assim, o povo de Deus foi redimido pelo pagamento da dívida, por causa dos seus pecados, pela perfeita satisfação paga por Jesus Cristo.

 Na Igreja primitiva, a redenção era corretamente associada à ideia de resgate. Com o tempo, surgiu a ideia errada de que Cristo remira seu povo mediante o pagamento de um resgate ao diabo. As Escrituras silenciam acerca de quem teria recebido o resgate. Se alguém o recebeu, esse alguém foi Deus. Contudo, o foco da atenção não é o recebedor do resgate, mas a suficiência do pagamento feito por Cristo — a sua própria vida, dada em lugar dos redimidos (Mt 20:28).

 A teologia liberal moderna dissocia a redenção das ideias de resgate e satisfação, concebendo a redenção como simples livramento do domínio do mundo. Isso exprime uma faceta importante da redenção, mas não expressa tudo. O liberalismo teológico repele a ideia de substituição como indigna da religião cristã, pois ali pensa-se que cada indivíduo terá de se apresentar a Deus em sua própria responsabilidade, como uma personalidade ética.

 Não se deve esquecer de que a redenção envolve o livramento de uma reivindicação. Cristo nos redimiu das reivindicações da lei, satisfazendo totalmente as suas exigências. O meio da redenção, e o que ela alcança são claramente estabelecidos no trecho de Efésios1:7,8: «...no Amado, no qual temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência...» (cf. Cl 1:14).

 Visto que a redenção livra da servidão ao pecado, seu alcance é tão amplo como o escopo do pecado e o mal a ele inerentes. Esse livramento envolve basicamente dois aspectos: 1. redenção da maldição da lei (Gl 3:10,13), das prescrições legais da dispensação do A.T. (Gl 4:1-5) e da exigência da obediência à lei como um meio de vida (Gl 3:10; 2:16,19; Fp 3:9). 2. Redenção da culpa e do poder do pecado (Tt 2:14).

 A abrangência da redenção do pecado e do mal consequente é demonstrada pelo fato de que a consumação final do processo redimidorinteiro é chamada de a redenção (Lc 21:28; Rm 8:23; Ef 1:4; 4:30). A exposição dessa consumação (Ef 1:14) exibe claramente os elementos da redenção. Os que creem em Jesus Cristo são selados por Seu Espírito. Deus pôs sobre eles o seu carimbo, e eles tornaram-se propriedade Dele, sendo impossível o seu extravio. Por isso, Paulo considerava os filhos de Deus como quem já fora comprado, como quem apenas estava aguardando a redenção final, quando os corpos dos crentes serão ressuscitados e glorificados, e eles entrarão na sua herança. A isso ele chama de «resgate da sua propriedade» (Ef 1:14). Então, os redimidos serão libertados deste mundo pecaminoso, sob cujo domínio permanecem, e serão restaurados Àquele que tem direitos anteriores sobre eles, em virtude do fato de que obteve os redimidos como sua propriedade particular. Quando ocorrer esse aspecto final da redenção, então a criação inteira será restaurada Àquele que é o Senhor por plenos direitos de compra. Ver Justificação. Portanto, vê-se que o conceito de redenção se foi espiritualizando, à medida que Deus foi revelando a sua vontade, através dos sucessivos livros do Antigo e do Novo Testamentos.

 3. O alvo da redenção. Para os redimidos, a missão de Cristo garante a participação na natureza divina (II Pe 1:4), através da transformação da alma à imagem do Logos, (Rm 8:29) e pelo poder do Espírito, de glória para glória, eternamente, (II Co 3:18). Os filhos, como o Filho, participam na pleroma (de Deus), isto é, em todos os seus atributos, porque compartilham da mesma essência de ser (Cl 2:9,10). Ver também Ef 3:19. Os pais alexandrinos (inclusive Atanásio), ligaram a essência de Cristo com sua missão redentora. Isto quer dizer que na sua missão, Cristo (o Logos) compartilhou sua própria essência de ser com os outros filhos, não meramente os santificou de seus pecados. Esta percepção não deve ser ignorada.

 4. Restauração, companheira da redenção. Os eleitos serão redimidos; os não eleitos serão restaura­dos, afinal. A restauração faz parte da missão universal do Logos, e embora opere uma realização secundária, mesmo assim, neste aspecto de sua missão, opera uma obra magnificente que correspon­de ao amor de Deus, e ao poder restaurador do Logos.

 FONTE Bibliografia J. M. Bentes,ENCICLOPEDIA DE TEOLOGIA E FILOSIFIA, 2003

FONTE www.pentecostalteologia.blogspot.com.br