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Escola dominical origem e historia (2)
Escola dominical origem e historia (2)

 

                 A ORIGEM DA ESCOLA DOMINICAL

  1.         Raízes bíblicas da Escola Dominical. 

O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS NOS TEMPOS BÍBLICOS

Embora seja uma instituição relativamente moderna, as origens da Escola Dominical remontam aos tempos bíblicos. Haveremos de descortiná-la nos dias de Moisés, nos tempos dos reis, dos sacerdotes e dos profetas, na época de Esdras, no ministério terreno do Senhor Jesus e na Primitiva Igreja. Não fossem esses inícios tão longínquos, não teríamos hoje a Escola Dominical.

  1. Nos dias de Moisés. Além de promover o ensino nacional e congregacional de Israel, Moisés ligou muita importância à instrução doméstica. Aos pais, exorta-os a atuarem como professores de seus filhos: "E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te" (Dt 6.7).

As reuniões públicas recebiam igual incentivo: "Congregai o povo, homens, mulheres e pequeninos, e os estrangeiros que estão dentro das vossas portas, para que ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei; e que seus filhos que não a souberem ouçam, e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra a qual estais passando o Jordão para possuir" (Dt 31.12,13).

  1. No tempo dos reis, profetas e sacerdotes. Vários reis de Judá, estimulados pelos profetas, restauraram o ensino da Palavra de Deus, encarregando desse mister os levitas. Eis o exemplo de Josafá: "No terceiro ano do seu reinado enviou ele os seus príncipes, Bene-Hail, Obadias, Zacarias, Netanel e Micaías, para ensinarem nas cidades de Judá; e com eles os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tobadonias e, com estes levitas, os sacerdotes Elisama e Jeorão. E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da lei do Senhor; foram por todas as cidades de Judá, ensinando entre o povo" (2 Cr 17.7-9).

O bom rei Josafá incumbiu vários príncipes do ensino da Lei de Deus. Que iniciativa maravilhosa! Príncipes a serviço da educação! Se os governantes de hoje lhe seguissem o exemplo, tenho certeza de que o mundo haveria de vencer todas as suas dificuldades. Infelizmente, os poderosos não desejam que seus filhos tenham as luzes do saber divino. Aos pastores, todavia, cabe-nos promover a educação da Palavra de Deus a fim de que, brevemente, possamos mudar os destinos desta nação.

  1. Na época de Esdras. Foi Esdras um dos maiores personagens da história hebréia. Entre as suas realizações, acham-se o estabelecimento das sinagogas em Babilônia, o ensino sistemático e popularizado da Palavra de Deus na Judéia e, de acordo com a tradição, o estabelecimento do cânon do Antigo Testamento. Provavelmente foi ele também o autor dos livros de crônicas, Neemias e da porção sagrada que lhe leva o nome.

Nascido em Babilônia durante o exílio, viria a destacar-se como escriba e doutor da Lei (Ed 7.6). No sétimo ano de Artaxerxes Longímano (458 a.C.), recebe ele a autorização para transferir-se à terra de seus antepassados. Acompanham-no grande número de voluntários, que, consigo, trazem dinheiro e material para reerguer o templo e restabelecer o culto sagrado.

Segundo a tradição judaica, a sinagoga foi estabelecida por Esdras durante o exílio babilônico. Como estivessem os judeus longe de sua terra, distantes do Santo Templo e afastados de todos os rituais do culto levítico, Esdras, juntamente com outros escribas e eruditos, resolvem fundar a sinagoga. Funcionava esta não somente como local de culto como também servia de escola às crianças. Foi justamente no âmbito da sinagoga que a religião hebréia pôde manter-se incontaminada numa terra que era a mesma idolatria.

A Escola Dominical, como hoje a conhecemos, tem muito da antiga sinagoga. Dedicam-se ambas ao ensino relevante e popularizado da Palavra de Deus.

Já na Terra de Promissões, Esdras continuou a ensinar a Palavra de Deus aos seus contemporâneos. Em Neemias capítulo oito, deparamo-nos com uma grande reunião ao ar livre:

Então todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel. E Esdras, o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres, e de todos os que podiam ouvir com entendimento, no primeiro dia do sétimo mês.

E leu nela diante da praça que está fronteira à porta das águas, desde a alva até o meio-dia, na presença dos homens e das mulheres, e dos que podiam entender; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei.

"Esdras, o escriba, ficava em pé sobre um estrado de madeira, que fizeram para esse fim e estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Ananías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo (pois estava acima de todo o povo); e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Então Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as mãos, respondeu: Amém! amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os rostos em terra.

"Também Jesuá, Bani, Serebias, Jamim, Acube; Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas explicavam ao povo a lei; e o povo estava em pé no seu lugar. Assim leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e deram o sentido, de modo que se entendesse a leitura".

Como seria maravilhoso se as igrejas, hoje, se reunissem ao ar livre para ler e explicar a Palavra de Deus! Creio que muitos de nossos problemas seriam definitivamente solucionados, e já estaríamos a viver um grande avivamento.

  1. No período do ministério terreno do Senhor Jesus. Foi o Senhor Jesus, durante o seu ministério terreno, o Mestre por excelência. Afinal, Ele era e é a própria sabedoria. Nele residem todos os tesouros do conhecimento (Cl 2.3).

Clemente de Alexandria considerava Jesus o Educador por excelência: "O guia celestial, o Verbo, uma vez que começa a chamar os homens à salvação... cura e aconselha, tudo ao mesmo tempo. Devemos chamá-lo, então, como um único título: Educador dos humildes. Como ousaremos tomar para nós mesmos, como indivíduos e como Igreja, o título que corresponde somente a ele?"

Era o Senhor admirado por todos, porque a todos ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas e fariseus (Mt 7.29). Em pelo menos 60 ocasiões, é o Senhor Jesus chamado de Mestre nos evangelhos. Pode haver maior distinção que esta? Isto, contudo, era insuportável aos doutores da Lei, escribas e rabinos, pois não tinham condição de competir com o Filho de Deus.

Jesus não se limitava a ensinar nas sinagogas. Ei-lo nas casas, nas mais esquecidas aldeias, à beira mar, num monte e até mesmo no Santo Templo em Jerusalém. Ele não perdia tempo; sempre encontrava ocasião para espalhar as boas novas do Reino de Deus.

Ele curava os enfermos e realizava sinais e maravilhas. Mas, por maiores que fossem suas obras, jamais comprometia Ele o ministério do ensino. Antes de ascender aos céus, onde se acha à destra de Deus a interceder por todos nós, deixou com os apóstolos estas instruções mais que explícitas: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28.19.20).

  1. Na Igreja Primitiva. Do que Lucas registrou em Atos dos Apóstolos, é fácil concluir: os discípulos seguiram rigorosamente as ordens do Senhor Jesus Cristo. Ensinaram Jerusalém, doutrinaram toda a Judéia, evangelizaram Samaria, percorreram as regiões vizinhas à Terra Santa. E, em menos de 30 anos, já estavam a falar do Senhor Jesus Cristo na capital do Império Romano "sem impedimento algum" (At 28.31). Se a Igreja cresceu, cresceu ensinando a Palavra de Deus a toda a criatura; se expandiu, expandiu-se evangelizando e discipulando. Sem o magistério do Evangelho, inexistiria a Igreja de Cristo.

O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS NO PERÍODO POSTERIOR AO NOVO TESTAMENTO

Antes de sumariarmos a história da Escola Dominical, faz-se mister evocar os grandes vultos do período pós-apostólico que muito contribuíram para o ensino e divulgação da Palavra de Deus.

Como esquecer os chamados pais da Igreja e quantos lhes seguiram o exemplo? Lembremo-nos de Orígenes, Clemente de Alexandria, Justino o Mártir, Gregório Nazianzeno, Agostinho e outros doutores igualmente ilustres. Todos eles magnos discipuladores. Agostinho, aliás, tinha uma exata concepção da tarefa educativa da Igreja: "Não se pode prestar melhor serviço a um homem do que conduzi-lo à fé em Cristo; em consequência, nada há mais agradável a Deus do que ensinar a doutrina cristã".

E o que dizer do Dr. Lutero? O grande reformador do século XVI, apesar de seus grandes e inadiáveis compromissos, ainda encontrava tempo para ensinar as crianças. Haja vista o catecismo que lhes escreveu. Calvino e Ulrico Zwinglio também se destacaram por sua obra educadora.

Foram esses piedosos servos de Cristo abrindo caminho até que a Escola Dominical adquirisse os atuais contornos.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de. Manual Do Superintendente Da Escola Dominical. Editora CPAD. pag.16-20.

Dt 6.7 Tu as inculcarás a teus filhos. As crenças religiosas que têm mostrado interesse em cumprir este mandamento organizam escolas, cursos e catecismos, que são coisas boas, mas por muitas vezes acabam falhando. A letra sempre ameaça o espírito. Os melhores mestres das crianças são os pais que praticam o que eles ensinam a seus filhos. Há três coisas que um pai ou mãe devem a seus filhos: exemplo, exemplo e exemplo. Sem isso, muitos anos de instrução religiosa formal redundam em fracasso.

O profeta Baha Ullah disse, com toda a verdade, que o pior erro que um pai pode cometer é conhecer algum ensinamento, mas não transmiti-lo a seus filhos. Existe tal coisa como um “crente-casulo”, ou seja, um crente que foi criado e educado somente na igreja, tal como a larva de um inseto é guardada em seu casulo fechado. Trata-se de uma espécie de “virtude infantil enclausurada”. Uma vez que a larva emerge do casulo, um mundo hostil logo a consome. E também há aquelas corrupções internas que nenhum acúmulo de educação formal é capaz de eliminar. Isso posto, a educação de uma criança precisa ser multifacetada, envolvendo instrução formal, exemplo vivo e muita oração.

Um Ensino Completo. A instrução deve ser levada a efeito no lar; quando caminhamos ou viajamos; quando nos deitamos para dormir; quando nos levantamos para começar um novo dia, conforme nos diz o texto. Eu mesmo ensinei disciplinas seculares, por algum tempo, em uma escola judaica. Essa escola (em Chicago) dedicava três horas a estudar disciplinas seculares, pela manhã, e três horas para estudos religiosos, à tarde. Mas quero informar a meu leitor que aquele foi um dos grupos de crianças mais difíceis de controlar que já conheci. Elas “colavam” nas provas, e eram mais difíceis de controlar do que os grupos gentios para quem já ensinei. No entanto, o filho do rabino, um de meus alunos, era um modelo de comportamento, além de destacar-se como líder intelectual. Na verdade, ele era um estudante modelo em todas as coisas, dotado de mui poderoso intelecto. A espiritualidade não se origina somente nos bancos escolares. Na verdade, é uma inquirição que dura a vida inteira. E nessa inquirição a escola desempenha somente um papel parcial.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 786.

6.7 — E as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. A revelação de Deus seria uma coisa tão importante para uma família dedicada ao Senhor que os mais velhos poderiam falar naturalmente do Criador enquanto estivessem desempenhando outras atividades.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 323-324.

Dt 11.18. Os vss. 18-20 repetem, com leves variações, o texto de Deu. 6.6-9, cujas notas devem ser consultadas. Total atenção era necessária para desviar a ira de Yahweh. Meios físicos eram usados como lembretes. Havia os filactérios usados entre os olhos, com porções das Escrituras dentro deles. As palavras de Yahweh eram assim vinculadas ao coração e à alma, para que não fossem esquecidas, mas cumpridas com o máximo de precisão. O trecho de Deu. 6.8 fala em como essas palavras eram atadas às mãos e às frontes dos filhos de Israel, como sinais. Notas completas são dadas no texto paralelo. E adiciona que os filhos seriam objetos especiais desse ensino. Um israelita crescia saturado com a lei, e a sua disposição seria continuar, na idade adulta, os padrões firmados na meninice e na adolescência.

Os comentadores judeus, em sua tristeza, ao considerarem a história de Israel, observaram que Israel, quando estava cativo, na ocasião lembrava-se de tudo quanto Moisés lhes orientava fazer. Os desastres serviam como meios eficazes de lembrança.

Somente quando permitiam que Yahweh saturasse a mente e a alma deles, entrando em todas as áreas de sua vida, podia Israel escapar de poderes sedutores, externos e internos, os quais, de outra sorte, os levariam à ruína. A antevisão é prenhe de dúvidas e de rebeldia, mas a visão acerca do passado é precisa.

Dt 11.19 Este versículo é paralelo do trecho de Deu. 6.7. O ensino devia começar cedo; as crianças deviam ser condicionadas a obedecer. A educação secular começava, por exigência da lei, quando uma criança estava com cinco anos de idade. Mas muitos pais nunca dão início à educação espiritual de uma criança. Não admira, pois, que entre nós haja tanta gente carnal, tanta corrupção, tantas bobagens e desvios entre a população adulta. Nossos filhos, a nossa mais preciosa possessão, não podem ser negligencia- dos. A pior parte de qualquer caso de negligência é 0 aspecto espiritual, porque, afinal, um ser humano é uma alma eterna. Seu corpo é apenas um veículo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 804.

Ponde... no vosso coração (18). Outra vez Moisés a falar do coração e ao coração. Por quê? Porque só com o coração devemos procurar (4.29), amar (6.5) e servir a Deus (10.2). Circuncide-se, pois, o coração (10.16), já que dele procedem os maus pensamentos (9.4; 15.9. Cf. Mt 15.18). Mas recorde-se também que é no coração que reside a Palavra do Senhor (30.14). Testeiras (18). Cf. 6.8 nota.

Ensinai-as a vossos filhos (19). Cf. 4.9; 6.7; 11.2. Moisés não se dirige diretamente aos filhos, mas tem sempre presente a responsabilidade dos pais a quem incumbe transmitir aos filhos a Palavra de Deus.

DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Deuteronômio. pag. 44.

Dt 31.12. Para que ouçam e aprendam. A leitura das Escrituras tinha um propósito didático, o de infundir o temor e a decisão de observar, em todos os cidadãos de Israel, incluindo as mulheres e as crianças. Era mister que temessem a Yahweh, o outorgador da lei mosaica, e então a observassem. Quanto ao temor a Deus, ver Deu. 10.12 e 28.58. Ver sobre as qualidades e os deveres espirituais do amor, da obediência e do apego, em Deu. 30.20; e acerca do temor, do andar, do amor, do serviço e da observância, em Deu. 10.12,13. Notemos como, dessa forma, as crianças ficavam sujeitas a essa influência benéfica. Além disso, os estrangeiros residentes no país também eram instruídos. O Targum de Jonathan diz que todos tinham o dever de amar e honrar a lei, exaltando-a e renunciando à idolatria. Encontramos aqui a expressão "Senhor vosso Deus". Por conseguinte, o Eterno Todo-poderoso é que tinha estabelecido as exigências aqui referidas. Ver no Dicionário 0 artigo chamado Deus, Nomes Bíblicos de.

Dt 31.13. Aprendam a temer ao Senhor vosso Deus. Este versículo reitera as ideias do versículo anterior, embora salientando que era necessário que as crianças também recebessem a Palavra. O coração dos filhos deveria ser conquistado desde bem cedo, e o memorial especial do pacto seria uma excelente maneira de alcançar esse alvo. Ver no Dicionário o verbete chamado Educação no Antigo Testamento. Os filhos, “que não a soubessem” (isto é, que não tivessem ainda conhecimento da lei), conforme diz o texto sagrado, mostrar-se-iam especialmente receptivos, porquanto não teriam de desfazer as falsidades e os absurdos da idolatria e de outros elementos deletérios do paganismo. Chegaria assim o dia em que os filhos herdariam a Terra Prometida de seus pais, e assim a continuidade da ocupação da Terra Prometida estaria garantida, mediante uma educação religiosa dada desde tenra idade.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 874-875.

31.10-13 — Lerás esta lei. De forma específica, os sacerdotes receberam a responsabilidade de ler a Lei e instruir as pessoas (Ne 8.1-6; Ml 2.4-9). Todos deveriam ouvir a Palavra de Deus — homens, e mulheres, e meninos, e os estrangeiros.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 353.

Dt 24.8,9. Temos aqui a décima dentre as vinte leis apresentadas na seção de Deu. 23.15-25.19. Ver uma breve introdução a essa seção em Deu. 23.15. Havia uma elaborada legislação referente às doenças cutâneas, que as traduções e versões, erroneamente, traduziram por lepra, seguindo o exemplo equivocado da Septuaginta. As leis concernentes à sara’at sem dúvida detectavam, aqui e ali, algum verdadeiro caso de lepra, pois os sintomas oferecidos descrevem uma grande variedade de enfermidades cutâneas. Ofereci notas expositivas completas sobre a questão nos capítulos 13 e 14 de Levítico. Ver principalmente adúltera te a introdução ao capítulo 13, onde alisto as possíveis enfermidades cobertas por aquela legislação. A legislação mosaica era inadequada tanto quanto à compreensão dos problemas médicos quanto à compreensão espiritual. Muitas pessoas foram assim isoladas por causa de doenças genericamente chamadas de sara'at, e tinham de sair do acampamento de Israel (ver Lev. 13.46), embora não apresentassem nenhuma ameaça a outras pessoas, pois tinham afecções não-infecciosas, e não a lepra. Mas  avanço tanto da medicina quanto da teologia tem ajudado a anular as inadequações da legislação mosaica, nos planos material e espiritual.

Este texto não repete a legislação, mas tão-somente exorta 0 povo de Israel a obedecer a tudo quanto foi ordenado acerca das enfermidades em pauta. Então o vs. 9 é uma ameaça, pois assevera que todos quantos negligenciassem essa legislação terminariam sendo julgados com a própria sara'at, tal como acontecera com Miriã, irmã de Moisés. Este versículo faz-nos lembrar da história registrada em Núm. 12.10-15.0 fato de que a própria irmã de Moisés foi castigada com essa afecção serviu de advertência de que ninguém estava isento da regra do isola- mento. Um homem rico não poderia subornar oficiais e continuar habitando no acampamento, embora tivesse apanhado a sara’at.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 844-845.

I Sm 12.23. Quanto a mim. Israel representava um caso difícil para Samuel, 0 profeta- juiz. Sua continua rebeldia e fracasso, do ponto de vista natural, tê-lo-iam inspira- do a abandoná-los ao julgamento de Deus. No entanto, Samuel continuou a orar por eles, porque era seu dever e privilégio, como profeta, ajudar os outros com seu poder especial diante de Deus. Essa circunstância inspirou 0 autor a oferecer- nos este versículo, um dos mais conhecidos de todo 0 primeiro livro de Samuel. Este versículo, pois, ensina-nos a lição de que, entre os nossos muitos pecados, ainda há esse de não orarmos 0 bastante por outras pessoas. Na verdade, criticamos os outros muito mais que oramos por eles, e isso é um tremendo pecado, tanto de comissão como de omissão.

“Deus opera através das orações dos homens, tanto quanto através de suas ações. Israel foi perdoado porque Moisés orou pelo povo (ver Núm. 14.20). A oração de Jesus foi a coisa mais importante que Ele fez em favor de Pedro (ver Luc. 22.32)” (George B. Caird, in loc.).

Aquele que ora com diligência por outrem está fazendo algo acima do que seus atos poderiam produzir, ou seja, convencer 0 poder divino a exercer seus efeitos sobre a vida daquela pessoa. Os poderes de Samuel diminuíam, pois ele estava envelhecendo. Seus atos estavam ficando cada vez mais raros, mas, em meio à fraqueza, ele continuava poderoso em suas orações.

Ensino. Além de suas orações, Samuel continuava exercendo seu ofício de mestre, orientando Israel de maneira que seguisse corretamente a vereda da obediência à legislação mosaica, suas leis e cerimônias e suas exigências morais. O caminho correto aqui contrasta com as coisas vãs (a idolatria) do vs. 21, que representam 0 caminho errado. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia 0 artigo intitulado Ensino. O caminho correto levava à prosperidade e à vida longa (ver Deu. 4.1; 5.33; 6.2; Eze. 20.11). O caminho errado, pelo contrário, levava à oposição, à tribulação, às necessidades e à morte.

“Embora Samuel tivesse deixado de ser juiz e principal magistrado entre eles, nunca abandonou a função de profeta, por meio de suas orações e de suas instruções” (John Gill, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1166.

18.18 — Semelhante à situação em 11.18-23, o povo elaborou projetos para rechaçar as palavras de Jeremias. Todos afirmavam que, por terem seus próprios sacerdotes, sábios e profetas em Jerusalém, não precisavam dar ouvidos a Jeremias.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1148.

Jeremias 18.18. Então disseram: Vinde, e forjemos projetos contra Jeremias. Já vimos uma conspiração para assassinar o profeta, instigada pelo povo de sua própria cidade natal, Anatote. Cf. Jer. 15.15-21. Este versículo, porém, deixa claro que a nova conspiração foi obra dos líderes de Jerusalém, incluindo os líderes religiosos. Jeremias, o destruidor, segundo a estimativa deles, tinha de ser destruído. Horrorizado pelo que estava acontecendo, o profeta proferiu sua quarta lamentação pessoal. Ele defendeu sua inocência e orou para que Yahweh interviesse. O profeta buscou a vingança divina contra os líderes, visando sua destruição completa, incluindo o fim de suas famílias. Jeremias foi o profeta das lamentações. Cf. Jer. 11.18: 12.6; 15.10,21; 7.14; 18.18-23; 20.7-13,14-18.

Firamo-lo com a língua, e não atendamos a nenhuma das suas palavras.

Note o leitor a hierarquia religiosa através destes pontos:

  1. Os sacerdotes que ensinavam (presumivelmente a Torá — Lei), mas que na realidade eram ministros de um sincretismo doentio segundo o qual Yahweh era um dos deuses do panteão.
  2. Os sábios, que davam conselhos e provavelmente eram os homens de mais idade, possuindo a reputação de sábios.
  3. Os profetas, aos quais Jeremias classificava como falsos, espalhavam mentiras e diziam que coisa alguma aconteceria contra Jerusalém (ver Jer. 6.14; 8.11; 14.14). Jeremias já havia expressado sua opinião totalmente negativa a respeito deles. Ver Jer. 2.8; 8.8-9; 14.13-16; 23.9-40 e 26.1-14.

Vemos, pois, que líderes religiosos de todas as variedades se tinham unido contra Jeremias, anelavam por vê-lo morto e até tomavam medidas para que isso se concretizasse. Eles instigaram uma campanha verbal contra o profeta. As calúnias tinham por propósito provocar o assassinato de Jeremias. Isso lhe fecharia a boca, fazendo cessar o jorro de profecias de condenação e denúncias contra a falsa liderança que dominava a nação. O vs. 23 deste capítulo mostra que o assassinato era o objeto real da conspiração, e não simplesmente a difamação. Ver no Dicionário o verbete intitulado Linguagem, Uso Apropriado da.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3047.

Jr 18. 18.Não escutemos nenhuma das suas palavras (18). Isto implica que os conspiradores e homicidas tencionam votar ao desprezo as predições e exortações de Jeremias. A versão dos Setenta, porém, omite a negativa, dando um sentido melhor, a saber, a conveniência de prestar toda a atenção às mensagens do profeta e colher nas próprias palavras pronunciadas pela sua boca provas de traição contra ele.

DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Jeremias. pag. 47-48.

2 Cr 15. 3. Israel esteve ... sem o verdadeiro Deus. Provavelmente se referindo aos caóticos dias dos juízes (cons. Jz. 21: 25). Sem sacerdote que o ensinasse. Uma das principais funções sacerdotais era ensinar a Lei (Lv. 10:11).

MOODY. Comentário Bíblico Moody. 2 Crônicas. pag. 30.

2 Cr 17.3-8 — Josafá foi o primeiro rei depois de Davi que andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai. Ele obedecia aos mandamentos de Deus e se deleitava nos caminhos do Senhor.

2 Cr 17.9 — O livro da Lei refere-se aos cinco livros de Moisés, o Pentateuco. Quando Moisés passou a liderança de Israel para Josué, instruiu seu sucessor a nunca deixar que o livro da Lei se apartasse da sua boca (Os 1.8). Infelizmente, a iniciativa de Josafá em enviar professores para instruírem a nação sobre as leis de Deus não era a norma (2 Cr 15.3).

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 692.

2 Cr 17.7-9. No terceiro ano do seu minado. Isto é, depois que começou a reinar sozinho, ou em 866* A.C. Uma comparação com II Reis 3:1 e 8:16 indica que o reinado total de Josafá de vinte e cinco anos (II Cr. 20:31) deve ter começado três anos antes da morte do seu pai, ou seja, em 872*. Uma co-regência foi, talvez, necessária por causa da doença de Asa, que se tornou cada vez mais seria no ano seguinte (16:12, observação). Enviou ... Bene-Hail, etc. Esses eram os nomes dos príncipes. Para ensinarem. Josafá compreendeu que ensinar a Palavra de Deus (v. 9) é tarefa de todos os líderes que são da fé (cons. Mt. 28:20), não apenas os levitas e sacerdotes profissionais (Dt. 33:10; Lv. 10:11).notas 2 Cr 17. 9. Percorriam todas as cidades, como os exortadores e evangelistas itinerantes do N.T.MOODY. Comentário Bíblico Moody. 2 Crônicas. pag. 35.

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net