Translate this Page

Rating: 3.0/5 (902 votos)



ONLINE
3




Partilhe este Site...

 

 

<

Flag Counter


Exortação a viver em comunhão
Exortação a viver em comunhão

 

   A Estultice de Não Estar Pronto Mt 25.1-13 

                            PARABOLA DAS DEZ VIRGENS 

                                           INTRODUÇÃO

 

 

Ainda lidamos com o discurso ininterrupto que Jesus dirigiu aos seus discípulos. Como mestre em narrativas, Jesus ilustra adequada­mente grandes verdades que tinham também caráter de profecia. Nessa parábola, ele declara solenemente a incerteza do momento de sua volta e a necessidade de estarmos prepa­rados para tal acontecimento. E por isso que a palavra então, usada para abrir esse trecho, é importante de duas maneiras: primeiro, é um elo que une o capítulo anterior a esse; segundo, não houve interrupção no discurso do nosso Senhor. A palavra então também fornece a chave para a interpretação. Quando é que o rei­no do céu será semelhante a dez vir­gens? Ora, quando ele vier, no fim dos tempos. A parábola anterior so­bre o pai de família e os servos, essa sobre as Dez virgens, e a próxima sobre Os Talentos pertencem todas ao mesmo período. Todas as três fa­lam sobre um Senhor ausente, mas em cada caso ele volta para agir cor­retamente para com aqueles a quem foram confiadas certas responsabi­lidades durante a sua ausência. Na primeira parábola temos a nossa responsabilidade como comunidade. Na segunda, a responsabilidade de nos­sa vida individual. Na terceira, nos­sa responsabilidade sobre os assun­tos relativos ao império, ou seja, cui­dando de seus negócios durante a sua ausência.

 

A ênfase na parábola que apre­sentamos é mais na vida do que no nosso trabalho, pois ela toda nos con­duz ao comando final —Vigiai! Não há um sentido de comparação em "então o reino dos céus será seme­lhante a". Indica "se tornará como", para fazer crer que, quando a hora da vinda de Cristo estiver próxima, "as coisas tomarão um rumo na esfera do reino dos céus, corres­pondendo aos fatos que ocorrem na narrativa que se segue sobre as dez virgens". O que devemos entender então com as palavras "o reino dos céus"? As expressões "reino de Deus" e "reino dos céus" correspondem ao que Daniel diz sobre "o Deus do céu levantará um reino" (Dn 2:44). O cristianismo é uma classe celestial de coisas. A explicação deNewberry é clara nesse assunto: "É o reino de Deus em contraste com o governo humano; e o reino dos céus contras­tado com meros reinos terrenos. 'O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens' (Dn 4:25). Esse é o rei­no de Deus. 'O céu reina' (Dn 4:26). Esse é 'o reino dos céus' —essa ex­pressão é peculiar a Mateus e liga os santos das regiões celestiais com o poder de governar. 'Os santos do Altíssimo (alturas, ou lugares celestiais) tomarão o reino'".

 

Jesus ainda não tomou para si o trono, que é particularmente seu (Ap 3:21). Quando ele o fizer, os seus san­tos reinarão com ele. Enquanto isso, como as parábolas de Mateus reve­lam, o reino dos céus adquire um caráter peculiar. Aqui, em sua últi­ma fase, esse reino será semelhante a dez virgens. Ao analisar a parábo­la como um todo, o dr. Salmond diz que "nenhuma parábola sobrepuja esta em beleza, ou no clima de emo­ções que se torna trágico. E em ne­nhuma outra há um contraste tão grande entre as coisas simples e fa­miliares que compõem a sua narra­tiva e a magnitude das verdades ilus­tradas". É um dos quadros mais amplos da galeria das parábolas, sublime em sua vasto esboço, incom­paravelmente terno em seus deta­lhes e pleno de muitas lições precio­sas que fluem ao mais leve toque. É uma parábola sobre a qual muitas controvérsias hostis foram levanta­das. Há os que a aplicam totalmente à era atual, e outros que rejeitam essa interpretação e a aplicam ao tempo quando a Igreja verdadeira for arrebatada, e os judeus crentes que restarem esperarão a vinda do Messias. Talvez a parábola tenha uma aplicação dupla, ou seja, a ne­cessidade de vigilância por parte dos salvos, enquanto esperam o seu Se­nhor que virá do céu e, por outro lado, uma referência a um período futuro na história de Israel, porque os judeus, assim como a Igreja, são vistos como semelhantes a uma "vir­gem" (Is 23:12; 37:22; Jr 14:17). Cos­mo Lang diz: "Consideramos as vir­gens representantes da nossa natu­reza humana que aguardam a sua verdadeira consumação".

 

As pessoas referidas na parábola são o "Noivo", também chamado "Senhor", que não é ninguém mais além do que o próprio Cristo. Temos en­tão "as dez virgens" que Goebel apre­senta como "o coro repleto de virgens que receberá o noivo e fará parte do casamento". Temos também os que vendiam azeite para lâmpadas. A Noiva não é mencionada. Por quê? Vários comentaristas afirmam que a figura da Noiva representa a Igre­ja, a qual não é vista aqui, em sua plenitude, como a Noiva, porque o mistério da Igreja como tal ainda não era completamente conhecido (Ef 3:3-5). Os salvos são considerados aqui individual e coletivamente "vir­gens" que esperam o Noivo. Mas como a Bíblia ensina claramente que todos os nascidos de novo formam a Noiva, a Igreja, como eles podem ser ao mesmo tempo as imprudentes e a própria Noiva?

 

É verdade que Paulo observou a Igreja em Corinto com esse caráter de virgindade: "Tenho-vos prepara­do, para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo" (2Co 11:2). Mas há uma dife­rença entre uma só e dez virgens. Alguns escritores dizem que as cin­co prudentesrepresentam a Igreja verdadeira, enquanto que as cinco insensatas ilustram os que profes­sam a Cristo, mas não o possuem. Outra explicação dada é que são ne­cessárias muitas ilustrações para expressar em palavras todos os as­pectos da segunda vinda de Cristo. Na Parábola das bodas, nenhuma noiva (ou damas de companhia) é mencionada. Além do Rei e de seu Filho, havia "convidados", e esses são os mesmos que as "virgens", nessa parábola, i.e., a Igreja. Trench e outros comentaristas interpretam a parábola toda como se referisse ao Noivo e sua Noiva em direção de sua casa. Nesse caso essa imagem nova­mente poderia significar o Noivo retornando para a sua Noiva. No meio de todos esses pontos de vista conflitantes, podemos apreciar o sen­timento de Arnot: "É cruel subme­ter a parábola à tortura e compeli-la a fornecer significados que nunca recebeu de seu autor".

 

Levando em conta que deve ha­ver alguma flexibilidade nos costu­mes orientais, qual era o costume que prevalecia na época quanto ao casamento? Enquanto que na pará­bola a noiva não é mencionada, o noivo e as virgens trazem consigo todo o ensinamento ali pretendido; no entanto a presença da noiva está implícita. O procedimento nos casamentos orientais requer que o noivo vá à casa da noiva e a traga consigo para a sua casa. Em vários pontos desse caminho, amigos da noiva e do noivo se juntam ao cortejo e "entram" para a festa do casamento. Moffat traduz o primeiro versículo da pará­bola: "Então o domínio dos céus será comparado a dez moças solteiras que tomaram as suas lâmpadas e foram para fora para se encontrarem com o noivo e a noiva". E Moffat então coloca no rodapé essa interessante observação sobre o versículo: "A ex­pressão 'e a noiva' está adicionada nas versões latina, síria etc. Sua omissão talvez aconteceu pelo fato de a igreja posterior sentir que so­mente Jesus, como Noivo, devia ser mencionado". Pareceria portanto que a noiva não é mencionada na versão portuguesa, porque já estava com o Noivo. O salmista fala das vir­gens como "companheiras" que se­guem a noiva (Sl 45:14). G. H. Lang observa: "Virgens convidadas para uma festa de casamento eram uma analogia incompatível com a noiva, desde que cinco das virgens não en­traram para a festa e, sem a noiva, uma festa de casamento jamais po­deria acontecer. Será que alguém poderá sustentar que meia noiva o faria?"

 

Como as "virgens" dominam a parábola, vejamos de perto o que é dito sobre elas. Antes de mais nada: todas são apresentadas como "vir­gens" ou, na tradução de Moffat, "moças solteiras". A tradução The new Bible [A nova Bíblia] registra a palavra "garotas". Entende-se com isso mulheres jovens, castas e soltei­ras e Arnot diz: "A estrutura da pa­rábola requeria virgens daquela maneira, para que a imagem pudes­se ser fiel à natureza; como são apa­rentemente os costumes de todos os tempos e em todos os países, essa posição numa festa de casamento é conferida a mulheres jovens e soltei­ras". No simbolismo bíblico uma "vir­gem" representa um homem ou uma mulher imaculado(a) (2Co 11:2; Ap 11:2). Há os que dizem que as cinco virgens insensatas tipificavam os perdidos, aqueles cujo coração é des­tituído da graça divina, mas "virgem" não é uma figura de linguagem apropriada para um pecador não re­generado, nem para um cristão cul­pado de cometer adultério espiritu­al com o mundo (Tg 4:4). Lisco diz que "não incluiríamos nessas duas classes de virgens prudentes e insen­satas àqueles que vituperaram e perseguiram o evangelho, pois esses não são dignos o suficiente para se­rem citados, nem mesmo entre as virgens insensatas".

 

Em seguida, havia dez virgens. Por que esse número em especial? Da mesma forma que sete entre os judeus era um número que denota­va perfeição,dez era o número que tornava uma coisa completa. Uma companhia era considerada comple­ta se dez pessoas estivessem presentes. Ao consolar a sua esposa estéril, Elcana disse: "Não te sou eu melhor do que dez filhos?" Havia uma anti­ga lei judaica segundo a qual em qualquer lugar em que houvesse dez judeus podia-se construir uma sina­goga. Quão maravilhosamente condescendente é o Mestre ao dizer: "Pois onde estiverem dois outrês reunidos em meu nome, ali estou Eu no meio deles", não como na lei anti­ga, onde dez judeus reunidos forma­vam uma sinagoga, mas onde esti­verem dois ou três. Portanto, dez é o numero da plenitude e, como usado aqui, vem a ter o significado como expressou Goebel: "... um coro com­posto de virgens [...] onde cada uma delas tem uma participação no de­ver e na esperança, à medida que são participantes desse coro completo. Todavia cada uma trouxe a sua pró­pria lâmpada para receber o noivo".

 

Em seguida todas as dez toma­ram suas lâmpadas e foram encon­trar-se com o noivo que vinha, com ou para a sua noiva. Essas lâmpa­das eram propriedade pessoal de cada virgem, e cada uma delas era responsável pela devida preparação de sua própria lamparina. Lâmpa­das nesse caso eram simples vasilhas afixadas na ponta de um cabo que continham apenas uma pequena quantidade de azeite, com um pavio ou um retalho de pano de algum tipo. Essas lâmpadas eram necessárias nas ruas sem iluminação e escuras do Oriente. Todas as dez queriam compartilhar da grande alegria de boas-vindas ao casal de noivos. Para aquelas virgens, as suas lâmpadas significavam orientação, pois mostravam o caminho para a casa do noivo no meio das densas trevas da noite. Temos a lâmpada divina para nos guiar com exatidão, no meio das trevas morais e espirituais da noite de sábado e do mundo (Sl 119:105; 2Pe 1:19).

 

Outra característica é que foram divididas em dois grupos —cinco eram prudentes e cinco eram insen­satas. As virgens eram todas iguais quanto a atenderem ao chamado de se encontrarem com os noivos, e irem à festa do casamento; todas vestiam o mesmo traje de virgem e todas levavam consigo o mesmo tipo de lâm­pada. No entanto, eram profundamente diferentes umas das outras. Todas eram iguais quanto a conhecerem e estimarem o noivo e a noi­va. Todas tinham lâmpadas que, naquele momento, estavam acesas e, como o casal de noivos demorou a chegar, todas, como acontece natu­ralmente, cochilaram e dormiram. Todas foram despertadas pelo grito: "Aí vem o noivo". Mas foi nesse mo­mento que a diferença entre as vir­gens foi revelada.

 

Para um correto entendimento da parábola, é essencial que se determine claramente o que se quer dizer com a presença do azeite para as cin­co virgens, que as tornou prudentes; e a ausência do azeite que tornou as outras cinco insensatas. Sendo idên­ticas nas coisas externas, as pruden­tes e as insensatas eram diferentes numa necessidade interna: a falta do azeite. As prudentes eram pruden­tes porque sabiam o que poderia acontecer eportanto prepararam tudo para as suas futuras necessi­dades. As insensatas eram insensa­tas porque agiram sem motivação interior. Não supriram os recursos necessários.

 

A maioria dos comentaristas acha que o "azeite" é o símbolo do Espíri­to Santo, e creem que as prudentes, por tê-lo, representam os que são verdadeiramente regenerados. "Se alguém não tem o Espírito de Cris­to, esse tal não é dele". A ausência do óleo revela falta de salvação, um cristianismo que professa tê-la sem a possuir. Todas as dez virgens tinham algum azeite, ou então não se registraria que suas lâmpadas esta­vam "se apagando". A sabedoria de cinco delas consistiu em prover-se, com antecedência, do suprimento de azeite necessário para encherem as suas lâmpadas. A distância entre as prudentes e as insensatas é muito grande. Há tantas pessoas as quais, assim como as virgens insensatas, percebem que precisam de uma lâm­pada e adquirem uma e a acendem, e declaram que pertencem ao ambi­ente festivo de Cristo; porém não têm a fonte divina dentro de si mes­mas, ou, como a Parábola do semea­dor expressa, essa mesma carência "não tem raiz".

 

Com a vinda do noivo "todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas"; mas quando as insensatas descobriram que não tinham azeite, suplicaram às cinco moças prudentes que divi­dissem com elas o que tinham. Dife­renças condenatórias são reveladas. Cinco lâmpadas brilharam intensa­mente porque receberam azeite; cin­co se apagaram por falta de supri­mento. O pedido por azeite foi rejei­tado por meio de palavras que pare­cem egoístas: "Não seja o caso que nos falte a nós e a vós. Ide antes aos que o vendem, e comprai-o". O despreparo teve a mesma medida de insensatez. Se as prudentes tivessem dividido o que tinham com as insensatas, todas as dez virgens se­riam deixadas nas trevas. Na esfera da graça, nenhum cristão verdadei­ro pode dividir a sua salvação com outro. Cada um tem de ir ao super­mercado de Deus e comprar, sem di­nheiro e sem preço, o azeite de que precisa.

 

As insensatas se apressaram para comprar o azeite, mas não so­mos informados se chegaram a fazê-lo. O que está registrado é que, enquantoestavam ausentes, o casal de noivos chegou e as cinco virgens ba­lançando as suas lâmpadas brilhan­tes entraram para o salão festivo com o resto do cortejo, "e fechou-se a porta". Que recado solene existe nes­sa declaração! Aquela porta fechada significava a inclusão das prudentes, mas a exclusãodas insensatas. Por fim, ao voltar do vendedor de azeite, as cinco insensatas bateram na porta fechada e imploraram para entrar. Porém receberam a resposta sobera­na do noivo: "Não vos conheço". Ele repudiou a ligação delas com ele e com os que estavam do lado de den­tro. Ao escrever sobre o azeite místi­co que produz luz, Campbell Morgan coloca da seguinte maneira a sepa­ração, quando a porta se fechou: "En­tão aqueles que tinham o azeite, entraram para a festa de casamento, uma imagem de como o cristianismo será peneirado no fim dos tem­pos; uma hora quando o que esse cristianismo declarava ser, e mesmo possuidor de seus símbolos e rituais, de nada vai valer se for destituído do azeite, da luz e do poder; uma hora quando, tendo havido essa mes­ma preparação, os mesmos símbolos, porém acrescidos do óleo que man­tém a chama acesa, esses serão en­tão a senha e o passaporte para a festa de casamento".

 

Não há luz! Já é tão tarde, e a noite está tão negra e fria!

O! Deixe-nos entrar para que pos­samos encontrar a luz!

Ó, não! Tarde demais! Não podeis entrar agora."

 

Não se deve ir em busca de tan­tos significados espirituais para o azeite, para o sono, para as vasilhas e para as lâmpadas, a ponto de interpretar, de forma confusa, a am­pla advertência da parábola. O ponto central dessa narrativa é estar preparado para a vinda do Noivo. Assim o Senhor chega ao ápice da parábola quando adverte: "Portan­to, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do ho­mem há de vir". Marcus Dods diz: "A parábola não foi dirigida aos que nunca se prepararam para a vinda de Cristo, mas para os que não se prepararam o suficiente. Lembra-nos que nem todos os que alguma vez possam ter demonstrado uma preparação semelhante para a presen­ça de Cristo, no final, mostrarão o mesmo". Orígenes, um grande patri­arca da Igreja primitiva, disse que o azeite eram as boas obras. Martinho Lutero declarou que o azeite é o sím­bolo do Espírito Santo. Alguns pro­fessores modernos acreditam que a parábola não ensina o arrebatamento da Igreja como um todo, quando o Noivo voltar, mas a suaruptura. Somente aqueles cristãos completa­mente santificados e batizados no Espírito Santo serão tomados; os outros, menos santos, mesmo regenerados, serão deixados. No meio de interpretações conflitantes das pa­rábolas, a nossa responsabilidade pessoal é "vigiar", pois o ato de vigi­ar implica um suprimento constan­te de azeite. No meio das densas tre­vas do mundo nossa lâmpada deve brilhar, e "quando o Espírito de Deus é dado, na vida submissa ao Espíri­to e dominada por esse Espírito, há sempre o azeite que produz a luz". A pergunta que cada coração deve res­ponder é: "Estarei pronto quando o Noivo vier?"

 

Bibliografia H. Lockyer

 

 

A parábola das dez virgens é geralmente considerada de difícil interpretação. Melhor nos seria lembrar o prin­cípio citado que cada parábola tem um pensamento central e dominante, que é a chave da pará­bola. Muitas perplexidades, confusões e contendas têm surgido quando se procura um sentido especial em cada detalhe.

 

O pensamento central desta parábola é a exclusão de alto privilégio por falta de preparo. A lição principal: necessidade de preparação espiritual para quando Cristo vier. Quem é a figura central da parábola? Num casamen­to, dá-se destaque aos noivos, mas aqui as dez virgens, representando a Igreja professa em geral, ocupam o cen­tro da narrativa. De tal maneira é a Igreja ilustrada que facilmente distinguimos duas classes de crentes: os que estão prontos, e os despreparados.

 

O casamento. A parábola baseia-se no cortejo nupcial observado entre os judeus: “O noivo, acompanhado pelos amigos, ia até a casa da noiva e a trazia, com pompa e júbilo, ao seu próprio lar, ou a um lugar especialmente preparado para a ocasião. A noiva fazia-se acompanhar por suas jovens amigas e companheiras, enquanto outras tantas [as virgens desta parábola] ajuntavam-se ao grupo nalgum ponto estratégico, e entravam todos no salão da festa”. Na parábola, dez dessas damas de honra aguarda­vam o cortejo no local do encontro.

 

As lâmpadas e o azeite. O azeite deve ter aqui o mesmo significado que em outras partes das Escrituras: representa o Espírito de Deus que inspira fé, produz vida espiritual e conduta santa (Zc 4.2,6; At 10.38; 1 Jo 2.20,27). As lâmpadas representam a profissão do discipulado cristão; o azeite, a vida espiritual no íntimo; e a luz, a santidade de caráter produzida pelo Espírito invisí­vel (Mt 5.14-16).

 

As virgens loucas. “As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo”. Havia azeite nas lâmpadas, mas não uma reserva em vasilhas. Por que são chamadas “loucas”? Para mostrar quão absurdo, além de pecaminoso, é não estar preparado para a vinda de Cristo. São chamadas loucas porque: 1) representam a classe negligente na oração e boas obras, e cuja vida religiosa é planejada para agradar aos homens, não a Deus, que tudo vê em segredo; têm experiência espiritual pouco profunda; 2) não providenciaram nada para os imprevistos: tinham azeite nas lâmpadas para uso imediato, mas não para o caso de o noivo tardar (as lâmpadas continuavam a queimar enquanto dormiam).

 

As virgens prudentes. “Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas”. As vir­gens prudentes representam aqueles crentes que, reconhe­cendo possível demora do Noivo, não somente o aguar­dam pacientemente, como conservam-se diligentemente num estado espiritual apropriado a qualquer chamada re­pentina. Estão cientes de que algumas emoções não basta­rão para levá-los ao triunfo, mas que precisam ser fortale­cidos, reavivados e purificados pelo contato ininterrupto do Espírito de Deus. Por isso, zelam pela sua vida espiri­tual. Crentes “prudentes” têm previdência, sinceridade e profundidade na fé. Os “loucos” que professam a fé não têm consideração nem sinceridade e são superficiais.

 

A vida cristã consiste em contínua dependência de Deus. Necessárias são, no entanto, as reservas de forças espirituais. Não se pode discernir, mediante análise su­perficial, a diferença entre o crente que possui profunda experiência espiritual e aquele cuja profissão de fé não vai além da superfície. Um teste repentino, porém, mos­trará a diferença: pegos de surpresa, não temos como preparar-nos. A súbita tentação, tristeza, decepção ou apelo inesperado revelam a profundidade do caráter e o alcance do preparo espiritual. A revelação da força ou fraqueza espiritual pode ser repentina, mas o processo que leva até esse ponto é paulatino.

 

Em outras palavras, as crises revelam a quantidade das nossas reservas espirituais. Aplica-se isto à vida diária e não somente à vinda de nosso Senhor. Durante a emer­gência, revela-se o líder, mas suas qualidades não foram adquiridas num repente; são resultado de longos anos de disciplina e oração. Enquanto outros descansavam ou dor­miam, dedicava-se ele ao estudo e trabalho. A revelação da sua capacidade foi repentina; o preparo, demorado.

Preparemo-nos hoje para as exigências, possibilidades e oportunidades futuras. A reserva de poder é resultado de disciplina diária.

 

O Noivo se Demorou (Mt 25.5)

 

a. A espera. “E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram”. Indica o Senhor com estas pala­vras que haverá, na sua volta, demora suficiente para ser um teste de fé. Ver a expressão: “O meu Senhor tarde virá” (Mt 24.48). Ver também Lucas 18.7,8. Alguém disse que o último dia é desconhecido a fim de que cada dia seja considerado de máxima importância.

 

b. O sono. Enquanto esperavam o noivo, as dez vir­gens começaram a sentir cansaço, e adormeceram profun­damente. O que representa este sono? Em primeiro lugar, não é condenável, porque tanto as prudentes como as loucas dormiram. Não era incompatível com a sabedoria das prudentes, e não interferiu em sua prontidão. O segre­do estava aqui: as prudentes muito bem podiam dormir, porque tudo já estava pronto. As loucas, porém, deveriam ter-se ocupado em procurar azeite. Não tinham o direito de dormir naquela condição de despreparo. Em segundo lugar, o sono representa nossos deveres diários, aos quais não pede o Senhor que negligenciemos. Também não nos exige estado de tensão no aguardo de sua vinda. Deseja apenas estejamos preparados enquanto ocupados nos de­veres seculares.

 

A Separação (Mt 25.6-11)

 

a. O grito à meia-noite. “Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro”. O grito teria partido ou dos empregados do noivo ou da multidão jubilosa. Por que à meia-noite? Porque era o horário do sono, quando menos se esperaria a passagem de um cortejo nupcial. Ilustra-se deste modo a segunda vinda de Cristo como evento repentino. Tudo acontece num momento, num piscar de olhos. A impressão é de rapidez que não permite preparativos tardios. O mesmo se conclui dos outros versículos alusivos à vinda de Cris­to. Que insensatez, adiar os preparativos quando se sabe próximos o grito e a chegada! Entre o grito da meia-noite e a chegada do noivo não haverá tempo para demorados preparativos.

 

b. A descoberta desconcertante. “Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas”. As palavras do verso 8 dão a entender que as lâmpadas queimavam enquanto as damas de honra dormiam. Ou­vindo o grito, levantaram-se as moças apressadamente para preparar os pavios das lâmpadas. As sábias coloca­ram mais azeite da sua reserva; as néscias descobriram que as suas lâmpadas estavam se apagando, e não tinham mais azeite para repor. Verificaram tarde demais as condições de suas lâmpadas. Quando Cristo vier, será impos­sível a qualquer pessoa ignorar seu estado espiritual. Se­rão reveladas todas as coisas escondidas, a verdadeira condição espiritual de cada um. Ninguém poderá mais enganar-se a si mesmo.

 

Até esse momento, não parecia haver diferença entre as moças. Eram todas virgens, damas de honra, indo para o mesmo lugar; todas esperavam o noivo e tinham as suas lâmpadas. Porém, ao grito repentino, manifestou-se a di­ferença. Mera profissão externa do Cristianismo não aguentará o teste da vinda de Cristo. O inesperado revela a profundidade e qualidade do nosso preparo.

 

As palavras deste verso sugerem uma atitude em todo tempo necessária ao crente que deseja aprimorar-se para servir a Deus. Preparar a lâmpada é remover o pavio queimado que impede à luz seu brilho maior. Espiritual­mente, significa a remoção de coisas tais como indiferen­ça, frieza, mundanismo, autoconfiança e tudo o que impe­de à pessoa desenvolver-se diante de Deus.

 

O passado, tudo quanto éramos e fazíamos para Deus, também é pavio morto, que precisa ser removido para brilhar com o azeite novo.

 

c. O pedido desesperado. “E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, di­zendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós”. Não recusaram as prudentes emprestar azeite por egoísmo; era-lhes impossível atender àquele pedido. Não podemos dar a outra pessoa parte da nossa vida espiritual nem a graça que possuímos. Não podemos emprestar virtudes. Note as palavras: “Não seja caso que nos falte a nós e a vós”. As prudentes não estão certas de terem mais que o suficiente, de modo a emprestar às outras; consideram-se afortunadas de possuírem o bastante para a sua necessida­de pessoal. Confira 1 Pedro 4.18. Outra lição: ouvido o grito, será tarde para o despreparado pedir: “Por favor, ore por mim!” Deveria ter pedido azeite quando era pos­sível preparar-se.

 

“Ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós”. As circunstâncias não permitiam fosse o azeite empresta­do; era preciso comprá-lo. Traduzindo: há coisas que podemos obter mediante a oração e os esforços dos com­panheiros cristãos; há, porém, bênçãos somente obtidas por sincera oração pessoal e esforço diligente. Se deseja­mos a vida sobrenatural, a graça preparadora para a vinda de Cristo, devemos buscá-la em Deus.

 

A Entrada e a Exclusão (Mt 25.11-13)

 

a. A busca vã. “E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas”. Quando os que professavam o Cristianis­mo, surpresos e sem preparo, procuravam orar até chegar a Cristo, confessar os seus pecados e endireitar o passado, veio o Senhor e levou os que estavam prontos. Os demais ficaram para trás. No versículo acima, “preparadas” dá o pensamento central da parábola.

 

“E fechou-se a porta”. Palavras terríveis que descre­vem a dor de uma oportunidade perdida.

 

b. Implorando em vão. Desnecessário é debater se as virgens loucas acharam azeite ou não. Importa que era tarde demais, e perderam a oportunidade. Pelo costume oriental, nos banquetes formais os convidados apresenta­vam seus cartões a um empregado, que vigiava a porta para manter do lado de fora os curiosos. Tudo pronto, e o chefe da casa fechava a porta; o empregado não deixava mais entrar pessoa alguma, sob qualquer pretexto.

 

“E depois chegaram também outras virgens, dizendo: senhor, senhor, abre-nos. E ele respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço”. Chamando o noivo de “senhor” demonstram as virgens algum relacio­namento com ele. A resposta: “Não vos conheço” signifi­ca: “Não reconheço o seu direito de entrar”. Não reconhe­ce o noivo a participação delas, que diligentemente se prepararam para a festa. Confira Oséias 13.5; Amós 3.2; Naum 1.7; João 10.14; 2 Timóteo 2.19.

 

Qual o destino das virgens loucas? Dizem alguns que o negado direito de entrada indica sua perdição (Mt 7.21-23). Outros afirmam que, tendo perdido o arrebatamento, teriam de passar pela tribulação. Seja qual interpretação aceitemos, certamente a exclusão das loucas representa algo terrível, o julgamento daqueles não preparados para Cristo.

 

“Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”. Nestas palavras, o próprio Senhor descreve a lição central e o propósito da parábola.

 

Como podemos vigiar, enquanto aguardamos a vin­da de Cristo? Agindo como aquelas pessoas que, há anos, venderam tudo quanto possuíam e, vestindo rou­pas brancas, subiram no alto de um edifício para aguar­dar o Senhor? Imitando a igreja de Tessalônica queencerrou seus trabalhos porque o Senhor poderia che­gar a qualquer momento (2 Ts 2.1-3; 3.10,11)? Ou vivendo em ansiedade?

 

Não devemos viver aflitos por causa da vinda do Se­nhor. Porque Ele deu a cada um o seu trabalho com que se ocupasse até à sua volta. A melhor preparação é uma vida de fidelidade na sua obra. Em maio de 1780, o famoso Dia Escuro desceu sobre a Nova Inglaterra. Muitos senti­ram chegada a hora do juízo, e os senadores teriam saído correndo do Senado, não tivesse alguém os persuadido a trazer as luzes, a fim de que fossem achados cumprindo seus deveres diários.

 

Bibliografia M. Pearlman

Mateus dá prosseguimento à última seção pedagógica de Jesus, iniciada no capítulo 24, com outra parábola (só encontrada em Mateus) sobre o tópico da perseverança como condição prévia para a salvação última. Esta parábola está de acordo com o reincidente tema do autor sobre o jul­gamento e o tempo do fim. Uma de suas expressões favoritas, “Reino dos Céus”, também é usada aqui.

 

A Parábola das Dez Virgens é um comen­tário adicional sobre a Parábola dos Dois Servos (Mt 24.45-51). Note como Mateus liga as duas parábolas com o conectivo “então” (tote) usado frequentemente por ele. Na parábola anterior os servos são recompensados ou condenados de acordo com o comportamento íntegro ou abusivo de cada um. Nesta parábola as virgens prudentes e loucas (ou sábias e tolas) são avisadas a perseverar enquanto esperam o noivo. Visto que Jesus tinha parado de condenar os líderes judeus (Mt 23.39), sua intenção tem de ser que as virgens prudentes e loucas sejam seus seguidores. Quando Mateus registra esta parábola décadas depois de Jesus tê-la ensinado, as virgens loucas são os cristãos que pensam que a Vinda de Jesus está tão iminente que eles não estão preparados para ficar esperando.

 

Não nos é dito exatamente o que o azeite (ou óleo) representa aqui. São as boas obras referidas na parábola anterior? É evidente que Jesus não criou uma alegoria extensiva com muitos significados ocultos; entretanto o contexto requer que Jesus seja o noivo, tema popular na igreja primitiva (e.g.,Mt 9.15; Jo 3.29; 2 Co 11.2; Ef 5.21-33; Ap 21.2,9; 22.17). Não é sem importância o fato de Jesus usar uma imagem que os profetas do Antigo Testamento identificam com o próprio Deus, sendo Israel identificado com a noiva (Is 54.5; Jr 31.32; Os 2.16). Aqui as virgens na festa de casamento são os membros da Igreja, ao passo que a festa de casamento simboliza o tempo do fim (veja também Mt 22.1-34). Tentar ver mais simbolismo nesta parábola é ler demais o texto.

 

Tradicionalmente o noivo vai primeiro para a casa do pai da noiva, para finalizar o contrato e levá-la a sua casa, para a festa de casamento. As “damas de honra” são uma descrição inexata das dez virgens, já que elas não estão na companhia da noiva, mas esperando o retorno do noivo à sua casa. As “lâmpadas” poderiam ser tochas empapadas de óleo usadas para a procissão do casamento; por conseguinte as mulheres prudentes levam jarros de óleo para enchê-las quando necessário. Se as virgens prudentes compartilhassem o óleo, nenhuma delas teria luz para saudar o Senhor. A porta está fechada, e a exclusão da festa é final. Dada a presença da danação eterna nas parábolas paralelas constantes antes e depois desta, é claro que não está em vista uma comutação da pena. Note o paralelo com a Parábola das Bodas em Mateus 22.1-14, onde a pessoa sem roupas adequadas é expulsa da festa de casamento.

 

Mateus registra tipicamente as cinco mulheres loucas dirigindo-se ao noivo por “Senhor, senhor”, um dos seus títulos favo­ritos para aludir a Jesus. A resposta: “[Eu] vos não conheço” (Mt 25.12), é hiperbólica, uma vez que elas estão na festa do noivo. As palavras “[Eu] vos não conheço” e o tratamento, “Senhor, senhor”, antecipam a última parábola desta seção, na qual os “bodes” dirigem-se ao Rei juiz por “Senhor” (Mt 25.44). Também lembra o leitor o tre­mendo aviso de Jesus na primeira seção: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus. [...] Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.21-23). A obediência fiel, e não a mera fascinação por sinais e maravilhas, é o que será recompensada.

 

Bibliografia C. Pentecostal