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historia da igreja primitiva P.2
historia da igreja primitiva P.2

 

 

                               HISTORIA DA IGREJA PRIMITIVA PARTE N.2

 

                                       Jerônimo (325-378)

Erudito das Escrituras e Tradutor da Bíblia para o Latim. Sua tradução, conhecida como a Vulgata, ou Bíblia do Povo, foi amplamente utilizada nos séculos posteriores como compêndio para o estudo da língua latina, assim como para o estudo das Escrituras. Nascido por volta do ano 345 em Aquiléia (Veneza), extremo norte do Mar Adriático, na Itália, Jerônimo passou a maior parte da sua juventude em Roma estudando línguas e filosofia. Apesar da história não relatar pormenores de sua conversão, sabe que se batizou quando tinha entre dezenove para vinte anos. Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação pelo Império que levou vinte anos.


                              Crisóstomo (aprox. 344-407)

Criado em Antioquia, seus grandes dotes de graça e eloqüência como pregador levaram-no a ser chamado a Constantinopla, onde se tornou patriarca, ou arcebispo. Como os outros Apologistas, ele harmonizou o ensinamento cristão com a erudição grega, dando novos significados cristãos a antigos termos filosóficos, como a caridade. Em seus sermões, defendia uma moralidade que não fizesse qualquer transigência com a conveniência e a paixão, e uma caridade que conduzisse todos os cristãos a uma vida apostólica de devoção e de pobreza comunal. Essa piedosa mensagem, entretanto, tornou-o impopular na corte imperial e mesmo entre alguns membros do clero de Constantinopla, de modo que acabou sendo banido e morreu no exílio. 

 

                                    A VIDA DA IGREJA PRIMITIVA

 

A PALAVRA acompanhada da oração:A Palavra de Deus era o centro do culto, o assunto dos crentes e a paixão que viviam dia e noite orando e meditando com prazer nas Escrituras (Salmos 1.2). 

    Perseverança na Palavra. Atos 5.42:  E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.

Estavam em torno das escrituras e todos os dias se reuniam para orar e aprender a Palavra de Deus. Além disso, o texto diz que elesperseveravam, ou venciam os obstáculos através da Palavra de Deus (2.42,43) crendo verdadeiramente nas verdades bíblicas. 

   Objetivo comum de anunciar a Palavra.Atos 4.20: pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.

Além de conhecer a Palavra, tinham um objetivo em comum que era pregar o Evangelho. Todos eram missionários, pregadores e todos testemunhavam a Obra de Deus em suas vidas. 

    A simplicidade na Pregação.Atos 3.6: “não possuo ouro nem prata, mas o que tenho isso te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta e anda”

Atos 10.34: “Deus não faz acepção de pessoas”

Atos 16.31: “crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua casa”

Podemos perceber nas orações e pregações dos apóstolos palavras simples e poderosas devido à fé que tinham. 

d)   Discutiam seus problemas à luz da Palavra.Atos 6.1-4: Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.Atos 16.6,7: E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.Atos 16.12,13: e dali, a Filipos, cidade da Macedônia, primeira do distrito e colônia. Nesta cidade, permanecemos alguns dias. No sábado, saímos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que para ali tinham concorrido.

Antes de pensarmos nossas opiniões e as defendermos, precisamos saber qual é a opinião do Dono ou Cabeça da Igreja. Precisamos aprender a discutir nossos problemas à Luz da Palavra de Deus como os apóstolos fizeram ao escolher os diáconos para se manter dedicados ao estudo, oração  ensino da Palavra e também o Concílio de Jerusalém foi momento de decidir o futuro da Igreja à luz da Palavra de Deus. 

A Palavra de Deus é o fundamento da Igreja.                     

2- A FÉ seguida de prática.A fé era uma conseqüência da Palavra por que “a fé vem pelo ouvir e ouvir a pregação da Palavra de Deus” (Romanos 10.17).

Os cristãos eram chamados ‘discípulos’ devido ao estilo de vida que tinham (Atos 11.26; 13.52). 

a)     Fé baseada numa experiência pessoal.

Atos 1.3,4: A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.

Todos afirmaram que tiveram um encontro como salvador. Não falavam do que ouviram, mas do que experimentaram pessoalmente. 

c)     Fé transformadora.     

Atos 19.18-20: Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários.Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.Como fruto da fé, vidas eram transformadas e se convertiam publicamente sem nenhuma vergonha. 

c)    Fé comprometida com o próximo:Atos 4.32-35: Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.

Essa fé gerava uma ajuda mútua, companheirismo e compromisso com o próximo. 

e)     Fé incondicional:  

Atos 14.22,23: fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.

Criam na vontade soberana de Deus mesmo diante de problemas com o martírio de Estevão (7.54-60) e naufrágios como os de Paulo (21.9-11e 22.26). Também oravam por seus líderes e acreditavam que Deus os abençoava. A liderança pregava a Palavra e vivia a fé.

A fé é o sustento da Igreja! 

3- O PODER como fruto da fé na Palavra:A Palavra alimenta a Fé e a Fé gera o Poder. O Poder é conseqüência a Fé na Palavra de Deus. Quem tem fé conhece o poder de Deus.

 

a)     Buscaram até receber poder     

Atos 2.1-4: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

Os que creram permaneciam na fé buscando a Palavra até receberem o poder.  O início da Igreja foi marcado pelo recebimento do poder de Deus para pregar a Palavra (Atos 1.8). Todos receberam o poder, não havia distinção de uns mais espirituais do que outros. 

b)   O poder do nome de Jesus.Atos 4.9-12: visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento, vós todos e todo o povo de Israel, de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.Os crentes tinham ciência de que não agiam por si mesmos, mas em nome de Jesus, fazendo sua vontade. 

c)    O poder gera coragem.Atos 4.27-31: porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.

Os cristãos não tinham medo nem vergonha de enfrentar qualquer perigo. Com intrepidez pregavam a Palavra e Deus operava maravilhas. Muitas vezes Deus não age por que não temos coragem de falar em nome de Jesus. 

d)   O poder da ressurreição.Atos 4.33: Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.

A fé na ressurreição dos mortos era algo real e testemunhado pelos cristãos ao ponto de não terem medo de morrer por crerem que se preciso Deus os ressuscitaria. A maior manifestação do poder de Deus para eles era o de dar a vida e retorná-la. Pela fé no impossível ressuscitaram a Êutico (Atos 20.7-12) e a Dorcas (Atos 9.36-46). O poder que age sobre nós é o mesmo que ressuscitou a Jesus dentre os mortos. O homem poder dizer que cura através de remédios, mas não pode devolver a vida. Por isso pregavam tanta a ressurreição dos mortos na volta de Cristo. 

e)    Poder de cura e milagres. Atos 5.12-16: Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão. Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles; porém o povo lhes tributava grande admiração. E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor, a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles. Afluía também muita gente das cidades vizinhas a Jerusalém, levando doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados.

Deus quer salvar o homem por inteiro, corpo, alma e espírito, o libertando de tudo o que o prende e o oprime. O Jesus que cremos é o mesmo que curava muitas pessoas e se Ele está entre nós então Ele ainda cura. 

f)     O poder do louvor.Atos 16.25,26: Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos.

Diante das perseguições e lutas eles oravam e louvavam a Deus crendo que os libertaria das prisões (Atos 12.5 e 7)Sem poder, a Palavra e a fé são infrutíferas. 

 A Igreja precisa de Poder para pregar a Palavra com Fé.Uma Igreja poderosa não é uma Igreja que se exalta por ter muitos bens ou influência e sim uma Igreja que pela Fé na palavra de Deus vê o impossível acontecer.

Existe uma Igreja sem problemas: A Igreja Missionária. A Igreja que se ocupa de pregar o evangelho e exercer a fé para curar e libertar vidas só tem um verdadeiro inimigo que é o diabo e só tem um verdadeiro problema que é resgatar vidas perdidas no mundo.

Nada do que foi falado é novidade e às vezes até nos questionamos: por que tantas vezes nossa realidade é tão diferente? É por que está faltando estas três coisas: a Palavra, a Fé e o Poder. Quando a Igreja deixa de ter compromisso com a Palavra para buscar outras prioridades, ela enfraquece na Fé e perde o Poder.

O que tem faltado em sua vida ou em sua Igreja? Tem faltado poder? Será que está faltando a Fé? Ou você não tem buscado a Palavra?Aquela Igreja vivia em paz, não por não ter problemas, por que tinham muitos, mas por que criam na Palavra, vivendo a Fé e através do Poder de Deus os milagres aconteciam.Não tinham uma estratégia de crescimento e nem recursos quaisquer, apenas tinham paz uns com os outros e com Deus, então a Igreja crescia naturalmente.

 

NOTAS FONTE esboçosermao.com

            

                                                   Século N.4

                                        PERIODO DE AGOSTINHO

 

Não falo às presas quando digo que Agustinho, bispo de Hipona do quarto século, foi o maestro cristão mais influente de toda a história... pelo menos, da história do cristianismo no Ocidente A final de contas, creio que ele foi mais influente do que os mesmos apóstolos, já que a igreja do Ocidente leu até as obras dos apóstolos através dos olhos dele. Em verdade quase todo mundo reconhece que Agustinho é o pai da teologia ocidental.

Agustinho tinha inteligência e capacidade muito sobressalentes.Antes de converter-se, foi professor da retórica persuasiva e da arte de escrever. Como bispo na igreja, utilizava estas mesmas habilidades. Não tinha ninguém em toda a igreja ocidental que pudesse resistir suas argumentações. Enquanto ele ainda vivia, ele se fez quase a única autoridade do Ocidente em todos os temas de doutrina e moralidade.

É notável que Agustinho raciocinasse como habitante do Ocidente.Os escritores cristãos anteriores raciocinavam como habitantes do Oriente. Nós podemos entender a lógica de Agustinho muito melhor do que podemos entender a dos escritores anteriores.Desafortunadamente para nós, o Novo Testamento não foi escrito por homens do Ocidente, senão por homens com uma mentalidade oriental, influídos grandemente pela cultura grega. O mesmo Agustinho sabia muito pouco grego. Istoé de suma importância. Não só o Novo Testamento foi escrito em grego, senão também quase todos os escritos cristãos anteriores. Isto talvez nos ajude a entender por que Agustinho se apartou do cristianismo primitivo em tantas áreas, mais do que qualquer outro maestro cristão daquele tempo. E este grande maestro, com sua mente aguda, levou-se consigo à igreja do Ocidente. Lamentavelmente, apartou-a de seus fundamentos anteriores.

Santo Agostinho (354-430), Bispo e Doutor da Igreja - Nasceu em Tagaste, Tunísia, filho de Patrício e S. Mônica. Grande teólogo, filósofo, moralista e apologista. Aprendeu a retórica em Cartago, onde ensinou gramática até os 29 anos de idade, partindo para Roma e Milão onde foi professor de Retórica na corte do Imperador. Alí se converteu ao cristianismo pelas orações e lágrimas, de sua mãe Mônica e pelas pregações de S. Ambrósio, bispo de Milão. Foi batizado por esse bispo em 387. Voltou para a África em veste de penitência onde foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona aos 42 anos de idade. Foi um dos homens mais importantes para a Igreja. Combateu com grande capacidade as heresias do seu tempo, principalmente o Maniqueísmo, o Donatismo e o Pelagianismo, que desprezava a graça de Deus. Santo Agostinho escreveu muitas obras e exerceu decisiva influência sobre o desenvolvimento cultural do mundo ocidental. É chamado de “Doutor da Graça”. São Leão Magno (400-461) - Papa e Doutor da Igreja - nasceu em Toscana, foi educado em Roma. Foi conselheiro sucessivamente dos papas Celestino I (422-432) e Xisto III (432-440) e foi muito respeitado como teólogo e diplomata. Participou de grandes problemas da Igreja do seu tempo e pôde travar contato pessoal e por cartas com Santo Agostinho, São Cirilo de Alexandria e São João Cassiano, que o descrevia como “ornamento da Igreja e do divino ministério”. Deixou 96 Sermões e 173 Cartas que chegaram até nós. Participou ativamente na elaboração dogmática sobre o grave problema tratado no Concílio de Calcedônia, a condenação da heresia chamada monofisismo. Leão foi o primeiro Papa que recebeu o título de Magno (grande). Em sua atuação no plano político, a História registrou e imortalizou duas intervenções de São Leão.

Há uma grande lista de doutrinas e práticas iniciadas por Agustinho ou se não iniciadas por ele, autorizadas por ele. A seguir dou uma lista parcial do que ele ensinou:

•1.que Maria nasceu e viveu sua vida inteira sem pecadoalgum.

•2.que os meninos não batizados se condenameternamente.

•3.que o coito ainda dentro do casal é sempre um ato depravado.

•4.que a guerra pode ser santa.

•5.que não terá um milênio literal.

•6.que não há perdão de pecados senão só dentro da igrejacatólica.

•7.que algumas das práticas e ensinos dos apóstolos já não se aplicam aos cristãos porque os apóstolos viveram numa época diferente.

•8.que há um fogo purgante para as almas dos justos a quem lhes falta a purificação completa.

•9.que os mortos podem sacar proveito do sacrifício da eucaristia.

•10.que é justo que um estado cristão persiga aos hereges.

Deste último ponto, Agustinho escreveu:

“Que sejam todos chamados à salvação. Que sejam todos chamados de voltar da senda que conduz à destruição.Alguns, são chamados pelos sermões dos pregadores católicos. Outros, pelos editais dos príncipes católicos. Uns,porque obedecem as advertências de Deus. Outros, porque obedece mas leis do imperador… O rei Nabucodonosor… convertido por um milagre de Deus, promulgou uma lei justa e louvável para apoiar a verdade: que quem quer que falasse contra o Deus verdadeiro, o Deus de Sadrac, Mesac e Abed-nego, perecesse sem remédio, em união com sua família...

“Se a igreja verdadeira é a igreja que suporta a perseguição,não a igreja que a inflige [como dizem alguns], que façam a pergunta ao apóstolo qual igreja representava Sara quando perseguiu a sua serva. Porque [o apóstolo] declara que a mãe livre de todos nós, a Jerusalém celestial—a qual é a igreja verdadeira de Deus foi representada por aquela mulher [Sara], quem perseguiu cruelmente a sua serva. Com tudo, se pesquisamos a fundo a história, vemos que em realidade foi a serva por sua altivez que perseguiu a Sara… [Sara] singelamente lhe impôs a disciplina que merecia sua altivez.

“Outra vez digo, se os homens bons e justos nunca perseguem a ninguém, senão só são perseguidos, de quem são as palavras a seguir escritas pelo salmista? ‘Persegui a meus inimigos, e os atingi, e não voltei até acabá-los’ [Salmo 18.27]. Desta maneira se desejamos declarar e reconhecer a verdade, há uma perseguição de parte dos injustos, a qual os ímpios infligem à igreja de Cristo; e há uma perseguição justa, a qual a igreja inflige aos ímpios. Mas [a igreja os] persegue no espírito de a mortos outros, no espírito de ira.”11.

Depois de ler isso, você provavelmente pode entender muito bem porque se diz que Agustinho é o pai da igreja católica romana. Mas talvez você se surpreenderá ao dar-se conta de que ele é também o pai da Reforma protestante. 

 

A primeira lei de Newton na teologia

Um exemplo notável disso o vemos no desacordo que surgiu entre Agustinho e Pelágio, um monge de Bretanha. Para o ano 400 d.C. a igreja se tinha convertido num grupo de pessoas que se reuniam cada domingo e podiam citar de com certos credos e fórmulas doutrinais. Mas na grande maioria das pessoas não tinha nada de contato pessoal com Deus. A igreja tinha a anemia espiritual. Opondo-se a esta negligência espiritual, Pelágio viajou de um extremo da igreja ao outro,pregando com vigor a mensagem do arrependimento e a santidade.Mas para destacar a responsabilidade de cada pessoa ante o Deus santo, começou a pregar que os homens podemos teoricamente viver toda a vida sem pecado. Desta maneira poderíamos salvar-nos a nós mesmos, sem a necessidade de depender da graça de Deus e o sangue de Jesus Cristo. O tinha argumentos como os que seguem:

Todos somos capazes de obedecer quase qualquer mandamento de Deus pelo menos por um dia. Por exemplo, todos podemos evitar a mentira, a cobiça, o furto, ou o tomar o nome de Deus em vão pelo menos por um dia. Se somos capazes de obedecer estes mandamentos por um dia, podemos obedecê-los por dois dias. Se podemos obedecê-los por dois dias, podemos obedecê-los por uma semana, e sucessivamente. Raciocinando assim, Pelágio concluiu que bem podemos obedecer todos os mandamentos de Deus todos os dias por toda a vida. Por tanto, nós só somos responsáveis por nossos pecados. Não podemos jogara culpa por nossas desobediências sobre Adão, nem sobre a debilidade que herdamos dele.12.

Ainda que tal argumento parece lógico, é errôneo. O que pode fazer-se por um tempo breve a pequena escala não sempre pode fazer-se através de muito tempo a grande escala. Por exemplo, um homem pode correr cinco quilômetros. Mas isto não quer dizer que pudesse correr quinhentos quilômetros. Eu posso escrever a máquina a setenta e cinco palavras por minuto por três minutos sem fazer nenhum erro. De acordo aos argumentos de Pelágio,deveria poder escrever a máquina a esse ritmo por três dias—o qual não posso fazer.

Mas ao pensá-lo bem, seu ensino não estava tão afastado do que ensinavam os primeiros cristãos. Como vimos já,eles também creram que cada pessoa é responsável por seus próprios pecados e que somos capazes de obedecer a Deus. No entanto, ao mesmo tempo reconheceram que todos temos que depender da graça de Deus, tanto sua graça salvadora como também sua graça fortalecedora. Sem a graça de Deus, não podemos ser salvos do pecado.

 

O que Agustinho ensinou a respeito da salvação

Respondendo aos ensinos de Pelágio, Agustinho se foi ao outro extremo e desenvolveu as seguintes doutrinas:

1. Como resultado do pecado de Adão, os homens somos depravados totalmente. Somos totalmente incapazes de fazer o bem ou de salvar-nos. Ademais, somos até incapazes de acreditar em Deus ou de exercer fé nele.

2. Por tanto, os humanos podemos acreditar em Deus ou exercer fé em Deus só se Deus por graça nos dá essa fé. Não temos o livre arbítrio de escolher ou acreditar em Deus ou não crer.

3. A decisão de Deus de salvar a uma pessoa e de condenar a outra de dar fé a uma pessoa e de não a dar a outra, é totalmente arbitrária. Isto é, depende só de si mesmo, não de nós. Não podemos influir essa decisão de Deus.

4. Antes da criação do mundo, Deus arbitrariamente predestinou quem seria salvo e quem seria condenado. (Digo:“predestinou”, não somente teve esta presciência.) Não podemos fazer nada para mudar o que Deus tem predestinado, nem nesta vida nem na vindoura.

5. Os eleitos, aqueles que são predestinados para a salvação, não podem perder sua salvação de jeito nenhum. E aqueles que são predestinados para a condenação não podem ser salvos jamais.

6. Ninguém pode saber se ele é eleito por Deus. Deus dá a muitos o dom da fé. Desta maneira crêem, são batizados, e andam conforme aos mandamentos de Jesus. Não obstante, não todos os que recebem o dom da fé são predestinados para a salvação. Não perseverarão. O dom de perseverar é dom independente do dom da fé. Não podemos saber quem dos que estão na igreja recebeu o dom de perseverar.

7. A salvação depende exclusivamente da graça de Deus.A fé é dom de Deus. A obediência é dom de Deus. O perseverara dom de Deus.13.

Pelágio não podia combater os argumentos poderosos de Agustinho Seus ensinos errôneos não duraram. Com tudo, Agustinho,reagindo contra os ensinos de Pelágio, completamente desfez os ensinos dos primeiros cristãos quanto ao livre arbítrio do homem e sua responsabilidade de responder à graça de Deus para receber a salvação. Em seu lugar, surgiu uma doutrina fria e inflexível da predestinação arbitrária.

 

                     PERIODO DE CONSTANTINO INTRODUÇÃO AO PERIODO

 

       O cristianismo era como um tesouro precioso que os apóstolos encomendaram a outros homens de alta confiança, cheios do Espírito Santo. A igreja primitiva salvaguardou este tesouro precioso dentro de uma fortaleza inexpugnável, fortificado depois de quatro muros altos. Estes muros eram:

 

1. Nenhuma revelação nova.

Era difícil que uma doutrina nova conseguisse estabelecer-se porque a igreja primitiva tinha afirme crença de que não receberia nenhuma nova revelação depois do tempo dos apóstolos. Ademais, mantinham um espírito muito conservador. Criam que qualquer mudança de doutrina os envolveria imediatamente no erro.

2. A separação do mundo.

A separação da igreja do mundo protegia à igreja da influência das correntes de atitude se práticas mundanas.

3. O recorrer às igrejas apostólicas.

A prática voluntária de recorrer com qualquer pergunta aos anciãos das igrejas onde tinham ensinado os apóstolos assegurava a igreja à tradição apostólica.

 

4. A independência de cada congregação.

Se surgia uma doutrina falsa, era difícil que se disseminasse por toda a igreja primitiva porque cada congregação se administrava independente das demais

Enquanto estes quatro muros ficavam intactos, o cristianismo puro dos apóstolos ficava seguro de grandes contaminações.Quiçá com o percorrer dos anos estes muros se tivessem destruído eles mesmos. Nunca o saberemos, porque se derrubaram com grandes golpes primeiro.

Não digo que os muros se derrubaram sob os golpes da perseguição Ao invés, através de quase trezentos anos,Satanás dava à igreja primitiva um golpe de perseguição depois de outro. Mas os muros altos que protegiam à igreja primitiva não renderam quase nada.O verdadeiro é que o fogo da perseguição refinava à igreja primitiva,separando a escória do ouro espiritual.

Parece que depois de três séculos, Satanás se deu conta de que não podia destruir à igreja primitiva com a perseguição. Quando mudou de táticas, dentro de poucos decênios fez o que não tinha podido fazer durante todos aqueles trezentos anos. Agora em vez de usar os golpes brutais, usava a persuasão lisonjear para destruirá o cristianismo desde adentro dos muros. Faz-me pensar de uma das fábulas de Esopo que li quando era moço:Um dia o sol e o vento discutiam quem deles era o mais forte. Quando nenhum dos dois se rendeu depois de muita discussão, o sol propôs uma prova. O que ganhava a prova seria tido como o mais forte. Vendo a um homem com um casaco de lã que caminhava por um caminho no campo, o sol propôs que cada um deles trataria de fazer que o caminhante se tirasse o casaco. O vento esteve de acordo. O sol lhe convidou a ser primeiro,enquanto ele se retirou por trás de uma nuvem.

O vento desencadeou toda sua força, dando contra o caminhante com tanto impulso que quase lhe derrubou. Mas o caminhante,inclinando-se contra a força do vento, lutava por seguir seu caminho. E ainda que o vento dava com mais e mais força, o caminhante conseguiu manter-se de pé, e só estreitou seu casaco contra seu peito. Ao fim, ofegando e fatigado, o vento se rendeu.Depois o sol saiu de por trás da nuvem e ternamente esquentou ao caminhante com seus raios delicados. Dentro de poucos minutos, o caminhante se tirou o casaco.

Assim mesmo, quando Satanás tratou de vencer ao cristianismo a pura força, fracassou do tudo. Mas quando mudou de táticas e o adorno de honras, obséquios e palavras lisonjearas, a igreja primitiva rendeu se cedo.

 

Uma mudança de ênfase: da vida piedosa à doutrina

Como disse anteriormente, do segundo século ao terceiro tinha muito pouca mudança nas crenças fundamentais da igreja. No entanto, algo ia mudando. Para a metade do terceiro século, a igreja tinha perdido a pureza de sua vitalidade espiritual. Muitos cristãos começavam a adotar as modas imodestas dos mundano se enredavam cada vez mais na busca das riquezas E mais cristãos negavam ao Senhor quando defrontavam perseguição.1.

Enquanto a igreja primitiva ia perdendo sua vitalidade espiritual,reforçava mais e mais sua estrutura eclesiástica. Por exemplo, mais e mais ênfase se dava à autoridade dos bispos. E não só isso, o bispo de Roma começava a afirmar que ele tinha autoridade sobre as demais igrejas.2.

Disse-se que “o patriotismo é o último refúgio dosem vergonha”.3 Quando falamos do cristianismo, a teologia é o último refúgio da igreja débil. A teologia não exige nada de fé nada de amor, nada de sacrifício. O “cristão” que carece de uma fé verdadeira e uma relação vital com Deus pode afirmar que crê uma lista de doutrinas, o mesmo que pode o cristão forte e espiritual.

Enquanto a igreja primitiva ia perdendo vigor, dava mais e mais ênfase à doutrina. Para os fins do terceiro século, depois de bastante tempo sem perseguição, começaram a surgir cada ano mais rinhas sobre pontos de doutrina entre as diferentes igrejas. O historiador da igreja, Eusebio, contemporâneo desta época, escreveu da situação triste em que se encontrava a igreja: “Por causa da grande liberdade [outorgada pelo governo], caímos na preguiça. Tivemos inveja e falamos mal os uns dos outros. É quase como se tomássemos armas os uns contra os outros, porque os anciãos atacavam a outros anciãos com suas palavras como se fossem lanças, e o povo se dividia em diferentes bandos.”4 Como resultado, a igreja não estava preparada espiritualmente para a grande onda de perseguição que se estourou contra ela no princípio do quarto século. Esta perseguição, ainda que severa, não durou muito.Os primeiros decênios do século quatro trouxeram grandes mudanças à igreja Estas mudanças ameaçavam a vida da igreja mais do que a perseguição jamais a tinha ameaçado.

 

Como Constantino tratou de cristianizar o império

Desde o tempo do imperador Nero do primeiro século, não tinha nenhuma dinastia permanente de imperadores romanos. Ao invés, um imperador reinava um tempo e depois era derrotado por outro. No ano 306 d.C., quatro rivais compartilhavam a autoridade imperial de Roma. Severo reinava sobre Itália e África do Norte. Constantino reinava em Bretanha e Gália. Dois outros compartilhavam o império oriental. Quando Severo foi destronado por outro rival chamado Majencio, Constantino se declarou o único imperador legítimo do império ocidental.

Constantino era líder bastante hábil, um homem de decisão e de ação, capaz tanto de inspirar ao povo como também de organizá-lo Pouco depois de declarar-se o único imperador legítimo do ocidente, começou a cruzar os Alpes para assaltar a Roma e destronar a Majencio. Depois de ganhar uma série de vitórias Constantino começou a última fase da marcha a Romano ano 312. Enquanto se acercava a Roma, teve uma experiência que ia ter um impacto profundo na história do cristianismo e do mundo inteiro.

Eusébio, o historiador eclesiástico, uns anos depois escreveu do que Constantino relatou de sua experiência aquele dia. “O disseque passado meio dia, quando o dia começava a declinar, viram seus próprios olhos o sinal de uma cruz de luz no céu, acima do sol, na que estava esta inscrição: ‘Por este sinal, vencerás’.”5Constantino disse que depois teve um sonho em que Cristo lhe disseque fizesse um estandarte militar na forma de uma cruz. Este estandarte lhe brindaria proteção em todas as batalhas contra seus inimigos. Guiado por estas experiências, Constantino ordenou que lhe fizessem um estandarte especial. Tinha uma lança dourada vertical,cruzada por uma barra horizontal—para formar uma cruz. Uma coroa de ouro, enfeitada com jóias, estava colocada em cima da barra transversal, e embaixo estavam escritas as iniciais de Jesus Cristo

Levando este estandarte à batalha, os exércitos de Constantino venceram completamente aos exércitos de Majencio,cerca da ponte Milvio, como três quilômetros fora da cidade de Roma. Assim é que quando Constantino se fez o único imperador do império ocidental, atribuiu sua vitória ao Deus dos cristãos

A relação de Constantino desde este momento com a igreja se pode entender só se entende a relação que os imperadores romanos sempre tinham tido com a religião de seus súbditos. Os romanos sempre eram muito religiosos, e sempre atribuíam seu sucesso e prosperidade aos deuses que os abençoavam. A religião no império romano era assunto público, e sempre se entrelaçava com o estado. Orações e sacrifícios se faziam aos deuses nas festas do povo, e a adoração aos deuses nestas ocasiões se considerava a obrigação de todo patriota. Ofender aos deuses era delito contra o estado.6.

Constantino creu que em verdade o Deus dos cristãos lhe tinha dado a vitória, e que esse mesmo Deus protegeria sempre ao império... com a condição que os imperadores lhe adorassem e a igreja lhe fosse fiel. Por esta razão, Constantino começou a dar bênçãos à igreja e a seus líderes. Unindo-se com o imperador do oriente, promulgou o edital de Milão em 313. Este edital afirmou: “[Resolvemos] outorgar tanto aos cristãos e a todos os homens a liberdade de seguir a religião de sua consciência, para que todas aquelas deidades celestiais que existissem possam inclinar-se a nosso favor e ao favor de todos aqueles que vivem sob nosso governo.”7.

Notemos que Constantino não fez do cristianismo a única religião oficial do império romano. Singelamente reconheceu que a religião cristã era uma religião legítima igual às demais religiões do império. Com tudo, o cristianismo agora era a religião do mesmo imperador, e por isso gozava a mais prestígio do que as religiões pagãs. Muitos templos da igreja primitiva se tinham destruído na perseguição que teve antes que ascendesse Constantino ao trono. Por isso Constantino ordenou que os voltassem a construir, pagando os gastos do cofre público.Também começou a pagar aos anciãos da igreja um salário com dinheiro estatal, e fez leis que eximiram aos líderes da igreja de qualquer serviço obrigatório do estado. Isto fez Constantino porque queria que os bispos e diáconos dedicassem seu tempo e energias a suas congregações. Cria que uma igreja próspera assegurava a bênção de Deus sobre o império.8 Constantino também levantou aos cristãos a posições proeminentes em seu governo e escolheu a muitos de seus ministros de estado de entre os cristãos. Até pediu que os bispos cristãos acompanhas sema seus exércitos às batalhas para que tivessem a bênção de Deus9.

 

Os muros de proteção começam a derrubar-se

Por dois séculos e meio, o cristianismo tinha mudado muito pouco. Quatro muros altos o tinham protegido de grandes mudanças.Mas o muro a mais afora, o muro de um espírito muito conservador que não permitia nenhuma mudança, agora era ameaçado.Antes disto, qualquer doutrina ou prática nova se tinha recusado de imediato pelos líderes da igreja. Mas depois da “conversão” de Constantino, a igreja começou a examinar de novo sua atitude que condenava qualquer mudança como a introdução do erro.

Por exemplo, a igreja primitiva sempre tinha dito que era prática herege pagar um salário a seus bispos e anciões. Mas quando Constantino ofereceu pagar os salários, a igreja reconsiderou sua posição e decidiu aceitar a oferta. A igreja começou a dizer que uma nova era tinha amanhecido para o cristianismo, e que as normas antigas já não tinham que se seguir. Muitos cristãos agora diziam que Deus mesmo tinha mudado as normas. Eusébio escreveu: “Tem que tomar em conta tudo aquele que considera a fundo estes Atos que apareceu uma era nova e diferente na história da igreja primitiva. Uma luz antes disto desconhecida começou a alumiar nas trevas da raça humana. E todos temos que confessar que estas coisas são só a obra de Deus, quem levantou a este imperador piedoso para combater a multidão dos incrédulos.”10.

Quando descreve como Constantino convidou aos líderes da igreja a suas câmaras privadas para que se socializassem com ele, Eusébio se parece mais a um menino ingênuo do que a um líder formal da igreja “Os homens de Deus entraram sem temor nas câmaras reais mais privadas. Ali comiam alguns à mesma mesa do imperador, e outros se reclinavam nos divãs a ambos os lados.Um tivesse podido pensar que se formava um quadro do reino de Cristo dado em figuras—um sonho mais bem do que a realidade.”11O muro exterior que tinha protegido à igreja já estava rompido.Já não criam mais os cristãos do que qualquer mudança os envolveria no erro. Ao invés, a igreja começou a crer que a mudança podia trazer um melhoramento. Diziam que talvez o cristianismo dos apóstolos não era a cume do cristianismo,senão só o princípio. Até começaram a crer que Deus agora podia dar novas revelações. Os cristãos agora criam que a profecia de Ageu a respeito do templo que edificava Zorobabel podia aplicar-se à igreja: “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos exércitos.”12 (Ageu 2.9). Segundo eles, a igreja estava por atingir novas cumes.

 

Como a amizade com o mundo arruinou à igreja primitiva

A o próximo muro que começou a derrubar-se era ele da separação com o mundo, e este cedo se destruiu por completo.A igreja era como uma jovem ingênua apaixonada com um noivo novo. O mundo quis a amizade da igreja, e a igreja não viu nenhum inconveniente em tal amizade. Pela primeira vez na história ser cristão dava prestígio social. E até preferência sedava aos cristãos quando se escolhiam aos oficiais do estado.No entanto, esta amizade com o mundo corrompeu o coração da igreja. Quando Constantino começou a fazer leis para cristianizar à sociedade, cedo desapareceu a distinção entre os cristãos e os mundanos. Antes disso, tinha muito pouco que atraía a um incrédulo à igreja senão só a fé em Deus. Os que se convertiam na prosperidade se provavam nos tempos de perseguição e se não eram sinceros, saíam-se da igreja. Poucas pessoas não regeneradas em realidade se atreviam a ficar na igreja Mas agora que o cristianismo dava prestígio social,muitos entravam na igreja. Muito cedo, o nome “cristão”não significava nada. Só indicava que uma pessoa afirmava mentalmente que aceitava o credo cristão e que tinha recebido s sacramentos da igreja.

Tão cedo como a igreja se fez amiga do mundo, começou a atuar como o mundo. Isto não se podia evitar, já que o mundo não pode atuar como Deus o quer. Atuar como Deus o quer,requer o poder de Deus. E a multidão não regenerada,ainda que chamados cristãos, não tiveram o poder de Deus. Ademais,nem desejaram atuar segundo a vontade de Deus, já que a vontade de Deus exige muita paciência, a vontade de sofrer, e uma plena confiança nele.

“¡Os desafiamos a que nos persigam!”Ao princípio, os novos métodos do mundo pareciam mais eficazes do que os métodos antigos. Por exemplo, a igreja mudou de método em responder à perseguição ou oposição que vinha do governo. Antes que isto, os cristãos se tinham escondido de seus perseguidores, ou tinham fugido. Mas agora, a multidão de gente não regenerada não estava disposta a aceitar a opressão, ou a tortura, ou até a morte—sem defender-se.

Por exemplo, quando o filho de Constantino mandou a um de seus generais a Constantinopla para depor ao bispo da igreja ali, a congregação fez um tumulto. Durante a noite, enquanto dormia o general, atacaram a casa onde se hospedava,prendendo-lhe fogo. Quando ao fim correu o general da casa,meio aturdido pela fumaça, jogaram-lhe mão. Arrastaram-no pelas ruas da cidade e de modo selvagem o golpeavam até dar-lhe morte.13 E isto não era caso único; era o normal quando o governo se opunha à igreja. O caráter da igreja tinha mudado.

 

Como impunham silêncio aos hereges

O mundo também tinha outro modo de tratar aos hereges.Constantino raciocinou que a igreja seria mais saudável se não tivesse hereges para enganar à gente. Por isto dispôs usar seu poder para eliminar aos hereges por meio do edital que dou a seguir:

“Compreendam agora, por meio do presente estatuto, vocês que são novacianos, valentines, marcionitas, paulicianos, emontanistas e todos os demais que criam e apóiam as heresias por meio de suas assembléias privadas… que suas ofensas são tão abomináveis e completamente infames que um dia não bastaria para numerá-las todas… Já que não é possível dar mais lugar a seus erros mortais, com o presente lhes advertimos que desde o dia de hoje se lhes proíbe reunir-se. Demos a ordem que seus templos lhes sejam tirados. Proibimos-lhes terminantemente que se façam mais suas reuniões supersticiosas e insensatas, não só em lugares públicos, senão também em casas particulares, ou em qualquer lugar.”14.

Poucos decênios antes disso, tinha sido um delito ser cristão.Agora era um delito ser herege. E a igreja aceitou esta mudança sem sequer um murmúrio de protesto. Era bastante difícil disputar com os hereges. Era bem mais fácil usar da autoridade do estado para impor-lhes silêncio.

Mas cedo vários grupos dentro da igreja qualificaram a outros grupos como hereges, e usaram a espada os uns contra os outros. Com o tempo, muitos mais cristãos se mataram entre si que os que tinham morrido pela espada dos romanos na época da perseguição. Sim, mais cem vezes.Ainda que é triste dizê-lo, quando os exércitos muçulmanos invadiram a Egito no ano 639, muitos cristãos lhes de ramas boas vindas como a libertadores. Sua vida era muita mais fácil sob o governo dos muçulmanos que tinha sido sob a mão de seus colegas cristãos.

 

O evangelismo por meio de arquitetura deslumbrante

Ao princípio, os cristãos celebravam seus cultos em casas privadas (Romanos 16.5). Quando as congregações cresciam,convertiam casas em salões de reunião e os chamavam “casas de oração”. Ninguém se atraía à igreja primitiva pela arquitetura de seus templos, senão pelos ensinos e as vidas piedosas do povo que constituía a igreja. No entanto, Constantino raciocinou que mais pessoas seriam atraídas ao cristianismo se os templos fossem mais impressionantes. Por isto, com dinheiro do estado, ele edificou templos deslumbrantes que competiam em magnificência com os templos pagãos. Os novos templos tinham colunatas impressionantes e tetos abovedados. Muitos deles tinham até fontes de água e andares elegantes de mármore. Constantino queria que nenhum pagão passasse por um templo cristão sem que se acordas se nele o desejo de olhar por dentro.15Sua idéia resultou muito bem. Os pagãos se atraíam aos novos templos magnificentes e como resultado, milhares deles “se converteram”.

 

Em vez de levar a cruz, os cristãos agora vendiam a cruz

Cedo a mãe de Constantino, Elena, aproveitou-se das circunstâncias Fez uma viagem a Jerusalém e disse ter descoberto o sepulcro de Jesus. Disse ademais do que achou três cruzes dentro do sepulcro, mas que não sabia qual era de Jesus. Assim é que levou as três cruzes a uma mulher mortalmente enferma, quem ao tocar a cruz de Jesus se curou.16 Assim começou uma onda de mania pelas relíquias

Daqui a pouco, as relíquias apareciam por todos os lados: os ossos dos profetas, os bocados da cruz, alguma prenda do vestido dos apóstolos, e outras coisas mais. Milhares de pessoas testemunharam ter-se curado de suas doenças por tocar a tais relíquias, ou ainda por só vê-los. E em pouco tempo, os negociantes estavam fazendo bons ganhos, vendendo tais relíquias supersticiosas.

Para os fins do sexto século, uma dama nobre pediu a Gregório então o bispo de Roma, que lhe mandasse a caveira do apóstolo Paulo para que ela a colocasse na igreja que estava edificando para honrar ao apóstolo. Gregório respondeu numa carta,dizendo: “Lamento que não posso fazer o que você me pede. Não me atrevo a fazê-lo. O corpo de São Pedro e de São Paulo produzem tão grandes milagres e terrores em suas igrejas que uno não pode sequer acercar-se a orar ali sem encher-se de grande temor.”17 Gregório seguiu dizendo que um sacerdote tinha caído morto quando por acaso tinha tratado de mover um dos ossos de Paulo.

Gregório seguiu em sua carta: “Deve saber que não é costume dos romanos, quando dava alguma relíquia dos santos,atrever-se a tocar qualquer parte do corpo [do santo]. Em vez disso,uma tela se põe dentro de uma caixa e se coloca cerca do corpo sagrado do santo. Quando se levanta [a tela], deposita-se com a reverência devida na igreja que vai dedicar. Os efeitos produzidos por este depósito são tão poderosos como se tivessem levado o mesmo corpo a esse lugar especial.”18 Gregório seguiu dizendo que um bispo romano tinha cortado com uma faca uma destas telas benditas e da tela tinha saído sangue.

 

A via para atingir o coração do pagão é através de seu estômago

O povo de Roma não se deleitava em nenhuma outra coisa tanto como nos banquetes. A igreja primitiva tinha tido o costume de recordar aos mártires da igreja cada ano no aniversário de sua morte com uma “comida fraternal” e um culto comemorativo. Agora alguns cristãos inovadores se deram conta de que poderiam atrair aos incrédulos à igreja se estas comidas fraternais fossem convertidas em festas para todo o povo. A idéia resultou muito bem, e muitos povos inteiros “se converteram” ao cristianismo desta maneira.

 

Não indica o crescimento a bênção de Deus?

Tendo aceitado o fazer mudanças, como podia a igreja primitiva saber se Deus aprovava as mudanças? A resposta era fácil: para eles o crescimento indicava a bênção de Deus. O cristianismo tinha crescido rapidamente pelos primeiros três séculos, mas depois da conversão de Constantino a igreja cresceu bastante da noite para o dia. Para o tempo do edital de Milão (313 d.C.), provavelmente uma décima parte do império romano setinha convertido ao cristianismo. Mas isso tinha levado quase trezentos anos. Agora, dentro de menos de cem anos depois do edital de Milão, quase todas as demais pessoas “se converteram”.A igreja cria que este crescimento rápido indicava que Deus aprovava as mudanças que se estavam fazendo. Quando aceitaram essa idéia, a igreja cedo adotou qualquer prática que trouxesse mais crescimento. Por exemplo, introduziram o uso das imagens na igreja, uma prática abominável para os primeiros cristãos.

Dois dos muros que tinham protegido ao cristianismo primitivo ficaram completamente destruídos. Só dois ficaram:(1) o referir os problemas às igrejas apostólicas, e (2) a independência de cada congregação. Sem sabê-lo, Constantino derrubou estes dois muros restantes com um só evento: o concílio de Nicea.