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Lições antigas Betel 1 trimestre 2013 vida cristã
Lições antigas Betel 1 trimestre 2013 vida cristã

 

               LIÇÃO VIDA CRISTÃ VITORIOSA 2013

               O retorno ao primeiro amor - Lição 1

                                6 de Janeiro de

               2013 LIÇÃO 1 – 6 de Janeiro de 2013

 

O retorno ao primeiro amor

 

TEXTO AUREO

 

“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Ap 2.5

 

VERDADE APLICADA

 

O amor era um assunto mui­to importante para a igreja primitiva. Sua ausência era encarada como decadência na vida cristã.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Relembrar as primeiras obras como motivação para uma vida renovada;

► Mostrar que a doutrina e o zelo pela ortodoxia não po­derão substituir o amor de Cristo;

► Ensinar como o cristão pode voltar ao primeiro amor.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Ap 2.1 - Escreve ao anjo da igre­ja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:

Ap 2.2 - Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;

Ap 2.3 - e sofreste e tens paci­ência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.

Ap 2.4 - Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.

 

Introdução

Nesta lição estudare­mos sobre a necessidade de voltarmos ao primeiro amor. Tal retorno signifi­ca voltar ao amor original, com as primeiras práticas cristãs. Vamos estudar a mensagem de João a uma das sete igrejas da Ásia. Saber como eles perde­ram o seu primeiro amor, e descobrir que, apesar de toda a sua frieza espiritual, era possível eles retor­narem ao inicio de tudo.

 

  1. A mensagem à igreja de Efeso

A cidade de Éfeso era a capi­tal da província da Ásia (Ap 1.4 João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono,). Uma cidade de beleza única, e a quarta maior cidade do império romano. Nesta metrópole agitada estava construído o templo da deusa Diana (At 19.23-27 Naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia, de prata, nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices,aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Varões, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade;e bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.Não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram a ser destruída.), consi­derado por muitos como uma das sete maravilhas do mundo anti­go. O procônsul precisava desem­barcar ali quando iniciava o seu ofício de governador da Ásia. Por Éfeso, passava a estrada principal para Roma, lugar que, segundo os historiadores, prisioneiros cristãos eram transportados para serem lançados às feras como alimento. Inácio chamou aquele lugar de a rota dos mártires.

De acordo com Eusébio (Hisí. Ecl. 3.36,2), Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria. Te­ria sido martirizado em Roma, durante o reinado de Trajano. Tendo sido levado a Roma onde foi martirizado.

 

1.1. O destino e o autor da mensagem

O destinatário da carta são os cristãos que moravam ou estavam na cidade de Éfeso, uma cidade pagã contaminada pelas trevas de suas superstições. No entanto, a expressão “Quem tem ouvidos ouça, o que o Espírito diz às igre­jas” revela que a mensagem conti­da tem como destinatário a igreja de Cristo em todos os tempos. A tradição cristã diz que o Apósto­lo João é o autor desta carta.

 

 

1.2. O caráter da carta aos efésios

A carta fala do estado es­piritual daquela igreja, com louvor e repreensão; avisando dos problemas existentes, e ressaltando as promessas de Deus para os que continuassem fiéis. A epístola se inicia dizendo que conhece as obras, o esforço no trabalho e a paciência dos cristãos de Éfeso (Ap 2.2 Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores.). Tais cristãos, mesmo sendo rodea­dos de muitas perseguições e bombardeados com as persis­tentes heresias, conseguiram se manter firmes e constantes por um bom tempo. Naqueles dias, havia falsos obreiros em pele de ovelhas (Mt 7.15“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.; At 20.29,30 Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.). Mas a igreja que tinha discerni­mento espiritual se tomou into­lerante com os falsos ensinos.

 

1.3. A doutrina na Igreja em Efeso

A doutrina de lima comunida­de cristã revela parte de seu ca­ráter. Isso porque há cristãos que sabem muito da doutrina, mas nunca a transformaram emações. No caso da Igreja de Éfeso, os cristãos conseguiram se separar das falsas doutrinas de homens conhecidos como Nicolaítas. Eles anunciavam uma nova interpre­tação do Evangelho. Um cristia­nismo liberal, sem restrições e proibições. Não se importavam em viver como o mundo. O sexo livre antes e fora do matrimônio para eles era natural; animavam os irmãos para comerem comidas sacrificadas aos ídolos; bem como o constante estímulo à imora­lidade. Aqueles falsos mestres valorizavam a experiência e não a verdade. Nestes dias, não tem sido diferente, alguns cristãos não querem pensar o evangelho, es­tudar as Escrituras. Ao contrário, desejam as experiências milagro­sas, novidades e revelações novas, através de sonhos e visões. Muitas igrejas não têm mais a Bíblia Sa grada como sua maior revelação (lTm 4.9 Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação.; 6.3,4 Se alguém ensina alguma outra doutrina e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas,).

lTm 6.3-4 - As características desses falsos mestres (w. 3-5a). A primeira característica era sua recusa em manter-se fiéis às "sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e [ao] ensino segundo a piedade" (1 Tm 6:3). Esse ensi­no é piedoso e produz piedade. O primeiro teste de Isaías a qualquer mestre era: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira [de acordo com esta palavra], ja­mais verão a alva" (Is 8:20). É importante que a igreja "[mantenha] o padrão das sãs palavras" (2 Tm 1:13).

Outra característica é a atitude do mes­tre. Em vez de ser humilde, o falso mestre é orgulhoso; e, no entanto, seu orgulho é infun­dado, pois ele não sabe coisa alguma (1 Tm 6:4; ver também 1:7).

Um cristão que compreende a Palavra tem um coração ardente, não um ego inflado (Lc 24:32; e ver Dn 9:1-20). Essa atitude "enfatuada" leva o mestre a discutir ques­tões secundárias com respeito a "palavras". Em vez de alimentar-se das "sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tm 6:3), cria um ambiente doentio com todas as suas perguntas. O termo traduzido por "enfa­tuado" (1 Tm 6:4) significa "cheio de desejo mórbido, doente". O resultado desse tipo de ensinamento não espiritual é "inveja, pro­vocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim" (1 Tm 6:4b-5a).

O mais triste de tudo isso é que os cris­tãos são "privados da verdade" (1Tm 6.5) enquanto acreditam estar descobrindo a verdade! Pensam que as discussões em seus encontros semanais, durante os quais compartilham sua ignorância, é uma forma de crescer na graça, quando, na verdade, o resultado é perda de caráter, não aperfei­çoamento.

Além dos falsos profetas, havia homens que se diziam apóstolos. Não é fácil solucionar a questão da função dos apóstolos na igreja primitiva, mas parece ter havido dois tipos de apóstolos: os primei­ros 12 mantiveram uma função distinta (At 21.14), e um número maior, indeterminado, que eram missionários itinerantes, como Paulo. Tiago. Barnabé. Silas, Andrônimo e Júnias (At 14.14: ICo 15.7; Gl 1.19; Rm 16.7). Em meio a este grupo mais amplo havia fal­sos apóstolos, que se aproveitavam dessa posição autoproclamada, para objetivos egoístas e não para a edificação da Igreja; falsos após­tolos eram alguns dos principais opositores de Paulo na igreja de Corinto (2Co 11.5,13; 12.11)

 

  1. A frieza dos cristãos de Éfeso

O caráter da igreja de Éfeso tinha um diferencial em relação às demais igrejas. Estava alinha­da com as práticas litúrgicas e doutrinárias, mas divorciada da prática da piedade e do exercício do amor. Eles haviam esquecido o primeiro amor, e não se impor­tavam mais com esse tema.

 

2.1. O primeiro amor foi esquecido

Apesar de toda a resistência contra os falsos mestres em relação à pureza doutrinária, aquela igreja teve problemas com alguns aspectos da conduta cristã; eles haviam abandonado o primeiro amor. O entusiasmo que tinham com o Senhor Jesus se havia esfriado. A vida em comunidade contagiante que tinham no início da jornada cristã acabara. Aquele amor ori­ginal, puro, fervoroso e alegre, descrito pelo Apóstolo Paulo em Corinto (ICo 13),extinguira-se. Eles haviam fracassado na base da vida cristã. No início, eles haviam experimentado esse amor, mas a sua constante luta contra os falsos professores e seu ódio pelas heresias endu­receram os sentimentos nobres da tolerância que o cristianismo havia ensinado, a tal ponto que o amor, como maior virtude cristã, teria sido esquecido. Je­sus nos ensinou que a doutrina pura e a fidelidade não podem ser substitutos do amor.

1 Co 13:1-13 - Maturidade: as graças do Espírito

Como disse Jonathan Swift, o autor satírico de As viagens de Culiver. "Temos religião suficiente para nos fazer odiar, mas não para nos fazer amar". Por mais empolgantes e maravilhosos que sejam, os dons espirituais são inúteis e até mesmo destrutivos, se não forem ministrados em amor. Nas três passa­gens em que a imagem do "corpo" é usada nas epístolas de Paulo, a ênfase é sobre o amor. A principal evidência de maturidade na vida cristã é um amor cada vez maior por Deus e pelo povo de Deus e também amor pelas almas perdidas. Alguém disse bem que o amor é o "sistema circulatório" do corpo de Cristo.

Poucos capítulos da Bíblia sofreram tan­tas distorções em sua interpretação quan­to 1 Coríntios 13. Fora de seu contexto, ele se torna uma "canção de amor" ou um ser­mão sentimental sobre a fraternidade cristã. Muita gente não entende que. ao escrever essas palavras, Paulo está tratando dos pro­blemas dos coríntios: o abuso do dom de línguas, a divisão na igreja, a inveja dos dons de outros, o egoísmo (como no caso dos processos judiciais), a impaciência uns com os outros nos cultos públicos e comporta­mentos que envergonhavam o nome do Senhor.

A única forma de usar os dons espirituais criativamente é fazer isso tendo o amor como motivação. Paulo explica três características do amor cristão e mostra por que é tão importante no ministério.

O amor é enriquecedor (w. 1-3). Paulo cita cinco dons: línguas, profecia, ciência, fé e doação (sacrifício). Ressalta que, sem amor, o exercício desses dons não é nada. As línguas sem amor não passam de baru­lho! É o amor que enriquece o dom e lhe dá valor. O ministério sem amor deprecia tanto o ministro quanto os que são alcançados por eles; mas o ministério com amor enri­quece a igreja toda. "Seguindo a verdade em amor" (Ef 4:15).

Os cristãos são "por Deus instruídos que [devem amar-se] uns aos outros" (1 Ts 4:9). Deus Pai nos ensinou a amar enviando seu Filho (1 Jo 4:19), e Deus Filho nos ensinou a amar dando sua vida e nos ordenando que amássemos uns aos outros (Jo 13:34, 35). O Espírito Santo nos ensina a amar uns aos outros derramando o amor de Deus em nosso coração (Rm 5:5). A lição mais impor­tante na escola da fé é o amor mútuo. O amor enriquece tudo o que toca.

O amor é edificante (vv. 4-7). "O saber ensoberbece, mas o amor edifica" (1 Co 8:1). O propósito dos dons espirituais é a edifica­ção da igreja (1 Co 12:7; 14:3, 5, 12, 17, 26). Isso significa que não devemos pensar em nós mesmos, mas nos outros, o que, por sua vez, exige amor.

Quando se reuniam, os coríntios mos-travam-se impacientes uns com os outros (1 Co 14:29-32), mas o amor lhes daria longanimidade. Invejavam os dons uns dos outros, mas o amor removeria essa inveja. Estavam ensoberbecidos (1 Co 4:6, 18, 19; 5:2), mas o amor poderia remover esse or­gulho e engrandecimento próprio e, em seu lugar, colocar um desejo de exaltar o outro. "Amai-vos cordialmente uns aos outros com  amor fraternal, preferindovos em honra uns aos outros" (Rm 12:10).

Nas "refeições de ágape" e na Ceia do Senhor, os coríntios se comportavam de ma­neira extremamente indecorosa. Se conhe­cessem o significado do verdadeiro amor, teriam se comportado de maneira a agradar ao Senhor. Estavam entrando na justiça con­tra os irmãos! Mas o amor "não procura os seus interesses, não se exaspera, não se res­sente do mal" (1 Co 13:5). A expressão não se ressente do mal significa "não guarda um registro das ofensas". Um dos homens mais miseráveis que já conheci era um cristão professo que, literalmente, anotava em um caderninho as ofensas que, a seu ver, ou­tros haviam cometido contra ele. Perdoar significa limpar o registro e não guardar coi­sa alguma para usar contra as pessoas (Ef 4:26, 32).

O amor não se alegra com a iniquidade, mas os coríntios gabavam-se do pecado em sua igreja (1 Co 5). O "amor cobre multidão de pecados" (1 Pe4:8). Como os filhos de Noé, devemos procurar cobrir os pecados dos outros e, então, ajudá-los a colocar as coisas em ordem (Cn 9:20-23).

Ao ler 1 Coríntios 13:4-7 com atenção e comparar esse texto com os frutos do Espíri­to relacionados em Gálatas 5:22, 23, pode­mos observar que todas as características do amor aparecem nesses frutos. É por isso que o amor edifica: libera o poder do Espírito em nossa vida e na igreja.

O amor permanece (w. 8-13). A pro­fecia, a ciência e as línguas não são dons permanentes. (Ciência não significa "educa­ção académica", mas sim comunicação ime­diata de uma verdade espiritual à mente.) Esses três dons andavam juntos. Deus co­municava determinado conhecimento ao profeta, o qual transmitia a mensagem em línguas. Então, um intérprete (por vezes o  próprio profeta) explicava essa mensagem, os coríntios valorizavam esses três dons ao extremo, especialmente o dom de línguas.

Esses dons desaparecerão (serão aboli-dos) e cessarão, mas o amor durará para sempre; pois "Deus é amor" (1 Jo 4:8, 16). Os coríntios eram como crianças usando brinquedos que, um dia, deixariam de exis­tir. E esperado que uma criança pense, com­preenda e fale como criança, mas também é esperado que amadureça e comece a pen­sar e falar como adulto. Um dia, deve "[d­sistir] das coisas de menino" (1 Co 13:11).

Encontramos no Novo Testamento (que naquela época ainda não havia sido com­pletado) uma revelação completa, mas nos-i so entendimento dela é apenas parcial. (Para aqueles que não concordam, ver 1 Co 8:1-3.) Há um processo de amadurecimento para a igreja como um todo (Ef 4:11-16) e também para cada cristão como indivíduo j (1 Co 14:20; 2 Pe 3:18). Só alcançaremos a plenitude quando Jesus voltar, mas, en­quanto isso, é preciso continuar a crescer e j a amadurecer. As crianças vivem em função de coisas temporárias; os adultos vivem em função de coisas permanentes. O amor é duradouro, e, portanto, aquilo que ele produz permanece.

É importante observar que as três graças cristãs permanecerão, mas a "fé se transformará em visão e a esperança se cumprirá".

No entanto, a maior dessas três graças é o amor, pois quando amamos alguém, confia­mos nele e sempre antevemos um novo gozo. A fé, a esperança e o amor andam juntos, mas é o amor que impulsiona a fé e a esperança.

A igreja de Cristo havia aban­donado seu primeiro amor. Es­queceram que a marca do discí­pulo verdadeiro era o amor (Jo 13.34-35). Sem amor, o conhe­cimento, os dons, e a ortodoxia não possuem nenhum valor. Com as Escrituras, aprendemos que Jesus está mais interessado em nós do que em nosso trabalho. O amor dos discípulos havia sido substituído pelo zelo espiritual. Defendiam a teologia, a fé e suas convicções, a ponto de se entre­gará morte, mas não se deleitavam em Deus. Não sentiam mais amizade por Jesus. Estavam parecendo com os fariseus, obser­vavam, com rigor, todas as regras sagradas, mas os seus corações estavam secos, à semelhança de um grande deserto.

 

2.2. A importância do amor

O amor era um assunto mui­to importante para a igreja pri­mitiva. Sua ausência era enca­rada como decadência na vida cristã. O amor era encarado como um ato de fé, quem era de pouca fé, também era de pouco amor. Enquanto eles amavam, a compaixão era marcante na igreja primitiva. Eles cresciam na proporção que amavam.

 

2.3. O que era o primeiro amor para eles?

A expressão “amor” ou “cari­dade” é interpretada por grande parte dos estudiosos como amor fraternal. Os chamados pais da igreja primitiva acreditavam que se referia ao cuidado com os irmãos mais pobres da igreja. No entanto outros autores renomados da literatura evangélica associam essa passagem do Apocalipse ao texto de Jeremias 2.2 “Vá proclamar aos ouvidos de Jerusalém: “Eu me lembro de sua fidelidade quando você era jovem: como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada.; em que o Senhor diz que Israel havia esquecido do seu amor. Querendo dizer que os efésios haviam deixado o seu amor por Jesus. No entanto a melhor resposta a essa ques­tão é a que é dada pelo teólogo Charles R. Erdman: “Esse era o   amor por Cristo e o amor pelos companheiros cristãos”. Os dois aspectos para ele são inseparáveis.

Jeremias 2.2 - A esposa infiel (w. 1-8). Quando o Se­nhor deu sua aliança aos israelitas no monte Sinai (Êx 19 - 20), entrou num relacionamen­to amoroso com eles e comparou-o a um casamento. "Porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado" (Jr 31:32; ver 3:14). No Antigo Testamento, a idolatria de Israel é compara­da ao adultério e até mesmo à prostituição (ver Is 54:5; Os 2:16). No começo desse re­lacionamento de aliança, os israelitas eram dedicados4 ao Senhor e o amavam, mas uma vez que conquistaram a Terra Prometida, seu coração cobiçou os deuses das nações a seu redor e afundaram-se na idolatria (Jz 1 - 3). Apesar de Deus tê-los conduzido em segu­rança ao longo da jornada pelo deserto e de ter lhes dado uma herança maravilhosa em Canaã, eles o abandonaram em troca de ídolos feitos por mãos humanas. Que tipo de amor fiel é este?

 

  1. retorno ao primeiro amor (Ap 2.5)

Um autor renomado já disse que aqueles crentes haviam caído de suas maiores elevações espirituais; tinham caído do serviço motivado pelo princípio do amor; ti­nham caído apesar de sua ortodoxia; tinham caído a despeito de continuarem a defender a verdade; tinham caído apesar de seus labores  religiosos e apesar de sua lealdade em meio a persegui­ção. Eles precisavam retornar ao primeiro amor. Para que isso acontecesse, o Salvador aponta o caminho dizendo que eles tinham que se lem­brar, arrepender-se e praticar as primeiras obras.

Ap 2.5 – Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.

A palavra de arrependimento e advertência começa: Lembra-te! Também em Is 43.26; 44.21; 46.8,9 ela se encontra em estreita ligação com apelos ao arrependimento. Não se trata de um retrospecto saudoso. Quem reconhece que em sua vida a linha da bênção se parte, que o fio espiritual se rompe e que o avanço genuíno pára deve lembrar-se das iniciativas de Deus e tomar uma nova decisão a favor delas. O passado precisa tornar-se novamente um presente vivo. Não basta saber que é preciso arrepender-se. Pelo contrário, cabe perguntar para onde precisamos retornar. Para o ponto do qual nos desviamos! É por isso que o arrependimento frutífero sempre consiste em lembrar-se. Retornar para um lugar qualquer nos levaria tão somente a novos descaminhos.

A igreja não está sendo convocada a frequentemente fazer uma análise de seu pecado. Não está sendo dito: lembra-te em que situação caíste, mas  de onde caíste. Conforme Ap 3.3, evoca-se aqui o tempo em que houve despertamento para a fé, quando Deus criou a igreja em Éfeso por intermédio de sua palavra. É provável que a menção da queda faça novamente alusão a Gn 3.

Ao mesmo tempo, essas recordações do estado originário da igreja são, para quem tem ouvidos, confirmações de que o Senhor, por sua parte, ainda é o mesmo hoje como naqueles dias. É por isso que a igreja pode voltar a ser a mesma. A infidelidade que se intrometeu não deve ter alcançado a anulação de tudo o que o foi antes. O Senhor ainda não está riscando ninguém, mas está sublinhando. Aquele que chama é fiel, continua chamando (1Ts 5.24) e ainda está amando (Ap 1.5). Também a igreja deve sublinhar sua conversão mais uma vez através do arrependimento.

Arrepende-te e volta à prática das primeiras obras.  Ainda não está presente o conceito do arrependimento incessante e que preenche a vida toda. Não arrependimento, e depois repetidamente arrependimento, mas arrependimento e depois frutos do arrependimento (Mt 3.8), a saber, as primeiras obras! São as obras que se realizam a partir da comunhão restabelecida com Cristo (Jo 15.1-8). É por isso que em Ap 2.26 são chamadas de minhas obras.

Mas se não, anuncia-se terminantemente, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro. Quando Éfeso considerar de onde decaiu, reconhecerá que interiormente já traiu e desperdiçou seu lugar entre os sete candelabros. Seu estandarte de luz já se apagou, a comunhão do primeiro amor com Cristo já foi abandonada. Se houver arrependimento, tudo se torna novo. Do contrário, porém, o Senhor traz à luz o que é (Ap 1.19). Finalmente a igreja seria reconhecida também exteriormente como não-mais-igreja (Mt 5.12-16).

 

3.1. Lembranças

Uma vida de devoção ver­dadeira aciona todas as nos sas faculdades. O lembrete divino diz: “lembra-te de onde caíste”, uma exortação à memória piedosa acerca de um estilo de vida que antes os crentes de Éfeso possuíam. Uma das forças da humani­dade consiste em olhar para trás, relembrando os aconte­cimentos da vida, através da memória. Eles precisavam se lembrar do momento da que­da, rever os fatos e resgatá-la de maneira pura e honesta. Mas é verdade que recons­ truir os fatos, ambiente e circunstâncias do passado é um grande desafio, um exer­cício psicológico da história. Jesus, através de João, está ressaltando um dos maiores problemas enfrentados pela humanidade, que é o cárcere intelectual. A rigidez com que os homens e mulheres pensam e compreendem a si mesmas e o mundo que as envolve. Trazer, à memória, os dias de piedade com que viviam os cristãos daquele lu­gar só valorizaria a esperança em seus corações (Lm 3.21 Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança).

 

3.2. Arrependimento

O termo grego “metanoeo” significa mudança de mente. Para as páginas do Novo Tes­tamento, esse vocábulo tem um significado mais amplo, pois, indica uma mudança de conduta diária. O arrependi­mento é parte essencial da conversão cristã, pois está vinculado ao problema do pecado (At 20.21Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que eles precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus.). Os crentes daquela igreja precisavam se arrepender de seus pecados, e esse é o caminho concedido pelo próprio Deus (At 11.18Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a Deus, dizendo: “Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios!”), para torna-se realidade a atu­ação do Espírito Santo, que só foi possível, porque Cristo cumpriu sua missão (Mt 9.13Vão aprender o que significa isto: ”Desejo misericórdia, não sacrifícios. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores”.). No entanto se eles não se ar­rependessem resultaria em juízo condenatório (Ap 2.5).

Mt 9.13 – “IDE, porém, e aprendei o que significa”. Na literatura judaica eracomum essa frase, sempre usada pelos rabinos quando querias frisar algum preceito seu. Jesus empregou uma frase bem conhecida afim de encorajar seus ouvintes a aprenderem algo de seu próprio livro e fonte informativa. Sugeriu que aqueles homens, que se reputavam mestres na fé e autoridades religiosas aprendessem o significado da passagem de Oséias 6.6interpretando-a para si mesmos, ao invés de se porem tão facilmente acriticar aos outros. Mais adiante, Jesus empregou a mesma citação coerespeito à lei do sábado (Mat. 12:7). Mostrou que a lei ética é maisimportante que a lei cerimonial. Os fariseus se satisfaziam em retirar-se dapresença daqueles que consideravam pecadores, pensando que até a poeirados gentios e pecadores provocava a impureza cerimonial, levando oscontaminados a perderem as condições apropriadas para adorarem e servirem a Deus. Mas a lei ética reveste-se de muito maior importância. Fica claro que a salvação dos pecadores é impossível se não se encontrarem com o Salvador dos pecadores.

“Holocaustos”. Refere-se aos sacrifícios dos judeus em vista do pecado. Mas do que adiantavam os sacrifícios (culto cerimonial) sem a misericórdia (símbolo da graça de Deus e seu poder de salvar)? Jesus, portanto, ensinou as seguintes lições: 1. O próprio Deus prefere os atos de misericórdia, o serviço ao próximo (incluindo a ajuda aos pecadores), a qualquer ato religioso meramente cerimonial. Ambas as coisas são boas, mas a primeira é muito mais necessária. 2. O sistema de sacrifícios tinha por finalidade mostrar e ilustrar o aspecto mais importante, ou seja, a misericórdia, o serviço prestado ao próximo; mas as cerimonias ilustrativas da misericórdia de Deus não tinham valor por si mesmas. 3. Não se deve confiar nas cerimonias religiosas, nem se deve frisá-las, pois essas, sem os atos misericordiosos, não têm valor. Esses princípios merecem maior aplicação no seio da igreja, que às vezes dá excessiva importância às cerimónias.

 

3.3. Praticar

A restauração da igreja de Éfeso tinha uma progressão: primeiro ela tinha que lem­brar o momento que deixaram de ser uma igreja relevante, depois se arrepender dos pe­cados praticados, e, por fim, não menos importante, voltar a praticar as primeiras obras que encantavam ao Senhor Jesus. O texto diz: “pratica as primeiras obras”, quer dizer literalmente no verbo grego “faz”, isto é, a ideia de uma atitude definitiva, a fim de que tais obras sejam constan­temente praticadas. Segundo R.N. Champlim, as “primei­ras obras” não são novas e de diferentes modalidades de ação; antes, são as mesmas obras, mas motivadas pelo amor original, de tal maneira que até pareçam novas obras.

Não podemos dizer exatamente o que alguém deve fazer com relação a voltar ao princípio, isso pode significar muitas coisas na vida particular de alguém, além dos exercícios espirituais: pedir desculpas a alguém, eliminar débitos, voltar a fazer culto domestico e ensinar os filhos , evangelizar, discipular e mentorear pessoas, lutar para deixar um legado, etc. Enfim, o Espirito santo é aquele que  nos ilumina nessa tarefa. Na verdade muitos de nós já sabemos o que fazer.

 

Conclusão

A mensagem de Jesus à Igreja que estava na ci­dade de Efeso denunciava sua frieza espiritual, sem, contudo, deixar de reco­nhecer suas virtudes na defesa da fé cristã. Aquela igreja, não havia deixado de ser povo de Deus, mas precisava urgentemente voltar à prática original da fé, pois eles haviam es­quecido o primeiro amor, e não se importavam mais com esse tema.

 

 

. A importância do ensino cristão - Lição 2 – 13 de Janeiro de 2013

 

LIÇÃO 2 – 13 de Janeiro de 2013

 

A importância do ensino cristão

 

TEXTO AUREO

 

“Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o Senhor, vosso Deus, para se vos ensinar, para que os fizésseis na terra a que passais a possuir”. Dt 6.1

 

VERDADE APLICADA

 

A educação cristã deve promover entusiasmo, ânimo e vida cristã em abundância.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Mostrar que não existe genuíno cristianismo senão através do ensino prático de Jesus Cristo;

► Indicar quais as esferas em que o ensino cristão deve ser aplicado;

► Revelar a necessidade de desenvolvermos um caráter, à semelhança de Jesus mediante o ensino.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Dt 6.6 - E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;

Dt 6.7 - e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.

Dt 6.8 - Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.

Dt 6.9 - E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

 

Introdução

O ensino cristão atua na vida como um todo. Ele abarca todos os aspectos da vida humana, tanto para o presente como para a eternidade. Na família ou no indivíduo, o seu impacto é sempre positivo. Sua fonte de autoridade são as Escrituras, e seus propósitos são fundamentais para promover progresso social. Na lição de hoje, estudaremos sobre a natureza, os propósitos e os resultados desse ensino.

 

  1. O ensino cristão e sua natureza

Desde o nascimento, entramos num circuito de constante aprendizado, que caso nos empenhemos, seguir-nos-á em toda a nossa existência. Aprendemos a falar, andar, relacionar-mos com as pessoas, a partir das nossas famílias e depois enfrentamos longos anos escolares, cursos, etc. A inserção do indivíduo na sociedade é possível também graças a este incessante ato de aprender. A educação cristã deve ser compreendida como um elemento que deve permear e nortear, desde o mais cedo possível, a vida de um indivíduo por causa da importância que ela tem, como veremos abaixo.

 

1.1. E uma ordem superior (Dt 6.6)

Moisés foi muito claro quanto às instruções e mandamentos que ele passava aos filhos de Israel; eram da parte do Senhor Deus (Dt 6.1 “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o SENHOR, o seu Deus, ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse.). E que assim tais palavras deveriam ser observadas e postas em práticas com o coração (Dt 6.6 Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.). Quando o Senhor Jesus deu os seus mandamentos que constam no sermão do monte frisou a praticidade dos mesmos (Mt 7.24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.). Bem como recomendou que todos eles fossem ensinados integralmente no campo do discipulado (Mt 28.20 ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”.). Logo, todo o ensino cristão deve ser posto em prática a partir do coração por ter em sua fonte uma ordem superior, caso contrário poderá ser entendido apenas como preceito humano.

Moisés já havia enfatizado o amor de Deus por Israel e a importância do amor de Israel por Deus (Dt 4:32-43) e menciona esse tópi­co várias vezes antes do fim de seu discurso. Se Israel obedecesse ao Senhor, conquistaria o inimigo, possuiria a terra, se multiplicaria na terra e gozaria uma vida longa com a bên­ção de Deus (Dt 6:1-3). Pelo menos seis ve­zes, em Deuteronômio, Moisés chama Canaã de "terra que mana leite e mel" (Dt 6:3; 11:9; 26:9, 15; 27:3; 31:20), expressão que des­creve a riqueza e a produtividade da região. O leite era um alimento comum, enquanto o mel era um luxo, de modo que "uma terra que mana leite e mel" proveria tudo de que o povo necessitasse. Haveria pastagem ade­quada para seus rebanhos e plantas suficien­tes nos campos para as abelhas obterem o pólen. Como seria possível o povo não amar e obedecer a Jeová diante das bênçãos abun­dantes recebidas dele?

 

 

1.2. É transmissão de conhecimentos (Dt 6.7)

Evidentemente entendemos que todo ensino de vida cristã é transmitido por via humana, conquanto se tratem de princípios universais e eternos. Quer dizer que se aplicam a todos os homens, com efeitos eternos, capaz de salvar perfeitamente os que o aprendem. Não há vida cristã sem instrução, pois só é possível obedecer a Jesus Cristo mediante a assimilação consciente e esforço próprio do ouvinte. Aí fica claro os dois polos dessa questão: primeiro o compromisso de se transmitir conhecimento com modo teórico e prático; segundo, a responsabilidade de, com paciência ouvir e praticar.

Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.

Quando ouvimos a Palavra de Deus e a recebemos em nosso coração (1 Ts 2:13), então o Espírito Santo pode usar a verdade para transformar nosso ser interior (2 Co 3:1-3; Jo 17:17). Deus "es­creve" a Palavra em nosso coração para que outros possam lê-la e para que possamos confiar em Cristo. A maneira como vivemos é importante, pois confirma aquilo que dize­mos. Moisés admoestou os pais a falar da Palavra de Deus em casa, a passá-la aos filhos e a permitir que a Palavra guiasse suas mãos e seu coração enquanto trabalhavam ao longo do dia. A Palavra devia até mesmo controlar quem passava pelo portão e en­trava pela porta da casa. Os judeus enten­deram esses mandamentos literalmente e começaram a usar trechos das Escrituras colocados em pequenos recipientes, cha­mados filactérios, atados à testa e ao braço esquerdo (Mt 23:5). Também fixavam no batente da porta uma pequena caixa cha­mada mezuzá, contendo uma parte das Es­crituras. Cada ocupante da casa tocava o mezuzá em sinal de reverência sempre que passava pela porta (Sl 121:8). Era um sinal de que a casa devia ser um santuário para o Senhor e um lugar onde a Palavra era ama­da, obedecida e ensinada.

As nossas casas, templos, etc., devem ser fonte de conhecimento de Deus e sua palavra. Esses lugares devem ser oásis nos desertos da nossa existência. Entretanto é de suma importância que se disponibilize e se empenhe em transmitir o conhecimento acerca de Deus (Os 6.3)

 

1.3. O desenvolvimento de um estilo social cristocêntrico (Dt 6.7b)

Ao observar o texto que diz, “e delas falarás assentado em tua casa” entende-se que a família deve ser a primeira fonte de aprendizado cristão. Ainda que haja ensinadores nos templos e escolas que desenvolvam tal trabalho, este deve ser visto como educadores adjuntos e não a base principal. Thl magistério cincumbência prioritária dos pais, capaz de transformar e conduzir em paz qualquer sociedade em qualquer tempo, é só uma questão de experimentar. Quando se falha nessa missão os prejuízos são inevitáveis: a falta da alegria do Senhor, que vai sendo substituída por falsas alegrias; uma vida vazia, sempre a busca do preenchimento impossível; e,

Não podemos deixar de admirar tama­nho respeito pela Palavra de Deus, mas é provável que a ênfase desse mandamento, pelo menos de acordo com Deuteronômio 11:18-21, seja sobre a obediência à Palavra e não sobre uma ordem para usar as Escritu­ras na testa e no braço. Noentanto, concor­damos de todo o coração que o povo de Deus deve fazer de seu lar um lugaronde Deus habita, onde as Escribas são honradas e não onde temos vergonha de nossa fé. Não é necessário transformar cada cómodo numa capela, mas uma Bíblia sobre a mesa e al­guns textos bíblicos nas paredes pelo menos servem de testemunho de que pertencemos ao Senhor e desejamos lhe agradar.

 

  1. Oensino cristão e seus propósito

Os propósitos do ensino cristão são bem diversificados e, dada a natureza relevante e extensa desse assunto, selecionamos alguns tópicos trabalhados a partir do texto bíblico de Deuteronômio 6, considerados de suma importância para uma reflexão prática. Tal ensino deve abranger três esferas de relacionamento, isto é, que apontam para o desenvolvimento espiritual e individual do ser, sem jamais negligenciar as atividades sociais que visam o bem estar do próximo.

 

2.1. Em seus aspectos relacionais

As Escrituras sabiamente nos trazem os principais aspectos relacionais que foram ensinados pelo Senhor Jesus. As três direções de seu ensino são: Deus, o próximo e a si mesmo (Mt 22.37-39 E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.). O amor é um sentimento para ser aprendido nos seus mais variados aspectos que estão contidos no fruto do Espírito, (Gl 5.22 Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,; ICo 13). Pela prática do amor nessas três direções é que se está resumido tudo o que consiste os mandamentos de Deus. Por exemplo, quando somos fiéis, quando nos alegramos e somos pacientes na tribulação por amor ao evangelho, estamos amando a Deus. Quando demonstramos paciência diante das fraquezas alheias, ou perdoamos alguém assumindo determinado prejuízo emocional ou não, estamos amando nosso próximo. Ainda há um outro exemplo e está relacionado a nós mesmos: quando cultivamos o pudor, a honestidade e a decência, não é apenas porque não queremos prejudicar os outros, é porque somos ensinados a nos amar e ter uma auto-imagem positiva e respeitosa de si mesmo.

Jesus cita o Shema (Dt 6:4), uma confissão de fé recitada diariamente por todo judeu ortodoxo (a palavra Shema vem do termo hebraico que significa "ouvir", pois a confissão de fé começa com "Ouve, Israel"). O maior mandamento é amar a Deus com todo nosso ser e com tudo o que possuímos,  coração, alma, espírito, força, bens, serviço. Amara Deus não é "ter bons pensamentos sobre ele", pois o verdadeiro amor envolve não apenas o coração, mas também a volição. Onde há amor, haverá serviço e obediência.

Mas o amor a Deus não pode ser desassociado do amor ao próximo, de modo que Jesus também cita Levítico 19:18 e o coloca no mesmo nível do Shema. Toda a Lei e os Profetas baseiam-se nesses dois mandamentos. Podemos dizer, ainda, que os ensinamentos das epístolas no Novo Testamento concordam com essa afirmação. Se um homem ama a Deus de fato, também deve amar a seu irmão e a seu próximo (1 Jo 3:10-18; 4:7-21 ).

Se cultivarmos um relacionamento correto com Deus, não teremos problemas com seus mandamentos. O amor é a base para a obediência. Na verdade, a Lei como um todo se resume no amor (Rm 13:8-10). Se amar-mos a Deus, amaremos nosso próximo; e se amarmos nosso próximo, não faremos nada para prejudicá-lo.

 

2.2. Em relação ao método pedagógico (Dt 6.7)

O método bíblico pedagógico a ser aplicado em nada deixa a desejar à moderna ciência da pedagogia. Além do aspecto familiar, há curiosamente três aspectos em que o ensino cristão deve se debruçar: o pessoal, em que os pais devem ensinar diretamente aos filhos. Tal incumbência não poderia ser adiada ou transferida sem prejuízos. Houve um tempo em que se levantou uma geração que não conhecia ao Senhor, evidentemente porque a educação religiosa foi desprezada e abandonada (Jz 2.10b Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel.). O segundo método diretamente ligado ao pessoal é o demonstrativo, onde os pais devem exemplificar com a própria vida o ensino. E por último, a saturação, quer dizer que deveria falar em todas as oportunidades com os filhos, quando estivesse descansando em casa, no caminho da lavoura, pela manhã quando se levantava ou ao dormir.

Isso aqui não tem nada de simbólico, era, plenamente literal. Hoje lamentavelmente um ensino assim é difícil, pois os filhos não acompanham mais os pais como antes, contudo precisamos lançar mãos dos recursos modernos para implementarmos essa saturação nos filhos, construindo em suas vidas sólidas bases cristãs.

 

2.3. Em relação ao tempo e memória

O tempo do ensino é hoje, e seu propósito é para a geração vigente. Não se pode preterir, toda oportunidade é oportunidade de se ensinar aos filhos, discípulos ou responder a razão da fé aos infiéis. No Antigo Testamento, os mandamentos de Deus deviam estar atados à mão dos filhos de Israel, escrito nos umbrais e nas portas das suas casas como um sinal mnemónico para o próprio fiel e quem mais pudesse ler as leis (Dt 6.9 Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.). Ainda hoje, vê-se nas ombreiras das portas das residências de certos judeus, tais sinais mnemónicos. Devemos entender tal orientação não apenas para a lembrança da vontade de Deus, mas para a sua prática (Dt 11.20-22 e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra. Porque, se diligentemente guardardes todos estes mandamentos que vos ordeno para os guardardes, amando o SENHOR, vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, e a ele vos achegardes,).

Com isso, fica claro que a família e a residência dos fiéis devem ser um lugar de aprendi­zado da fé em Cristo, uma fonte de conhecimento do evangelho e da vida cristã. Os jovens cristãos quando se propõem casar, devem-se enquadrar nesse projeto para suas famílias crescerem temendo e obedecendo a Deus. E nos lares, onde não se pratica isso, deve haver arrependimento e, com esforço, tentar reverter a situação com sabedoria e paciência. Fica claro que se efetivamente for isso poderemos fortalecer nossas famílias e influenciar poderosamente o bairro onde residimos.

 

  1. Resultados do ensino

Aquele que planta uma se­mente espera, dela, algo colher para sua satisfação. Em toda atividade, espera-se que dela se obtenha resultado, tal coisa não é diferente quando se ensina os caminhos do Senhor. Instruir é um trabalho vigoroso, que exige humildade, paciência e esperan­ça quanto aos resultados, que se podem ver a curto ou longo prazo. Basta lembrarmos de Jesus, que, nos evangelhos, é chamado de Mestre, mais do que qualquer outra coisa, então nos sentiremos motivados a ensinar. Pbi a Sua do­cilidade, conhecimento e sabedo­ria que o tornaram inesquecível.

 

3.1. Desfazendo equívocos

As promessas de Deus aos fi­lhos de Israel eram alcançadas no tempo oportuno mediante obediência. Elas aludiam à respeito da entrada na terra prometida, de paz e prosperidade. Por causa disso, al­guns alegam que as promessas de Deus para as tribos de Israel eram terrenas, e que as promessas para a Igreja seriam futuras, para o reino no céu. Esse tipo de pensamento peca contra a unidade do Antigo e Novo Testamento, além de transformar o cristão num elemento indiferente e alienado quanto a sua atuação social e aos fatos que sucedem no mundo hodierno. Embora a educação cristã seja uma semeadura constante, devemos esperar os resultados a curto e a longo prazo, o que nos responsabi­liza a um empenho incessante no ensino da Palavra de Deus.

 

3.2. Longevidade (Dt 6.2)

Uma pessoa que conduz a sua vida dentro dos padrões divinos, por ele se organizará de tal forma que terá crédito para viver longos dias. Afinal, basta observar que os rebeldes a Deus, aos pais e à estrutura social não duram muito. Muito menos ainda naquela socie­dade antiga. Embora a existência de impiedosos aflija o justo, e ele tenha consequências de seus atos, a vida deles é como a névoa cujo sol a desfaz pela força de seu brilho. A longevidade é um prémio para os obedientes a Deus, porém não significa que todas as pessoas ge­nuinamente comprometidas com o evangelho viverão 90 anos ou mais.

Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão o SENHOR, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa.

 

3.3. Prosperidade (Dt 6.3)

Ser bem sucedido e próspero é um tema nas Escrituras sempre associado ao aprendizado (Dt 6.2). Salomão buscou sabedoria, e Deus, além desta, premiou-lhe com riquezas simultaneamente. Vivemos hoje um momento muito especial, aqui no Brasil, de muita prosperidade em função de vários fatores, que inclui principalmente o interesse pela educação. A verdadeira riqueza de um povo não jaz nos recursos naturais de seu país, mas na mentalidade que possui. O ensino da Palavra de Deus tem participação efetiva em nossa prosperidade, visto que a Bíblia foi uma poderosa aliada na alfabetização de muitos, nunca se aprendeu tanto a Bíblia Sagrada como nos últimos anos atravcs dos diversos meios disponíveis. O ensino bíblico junto ao secular tem contribuído eficazmente para elevar a estima e a autoconfiança de milhões de jovens cristãos que estão alcançando patamares inimagináveis por suas famílias e amigos.

Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o SENHOR, o Deus dos seus antepassados.

Os veículos de comunicação têm sido poderosos aliados na transformação da nossa nação. Hoje podemos ouvir mensagens e estudos bíblicos pelas rádios, Tvs e internet, acrescentamos ainda que, somado a isso temos seminários teológicos, EBDs, escola bíblica de férias para as crianças, etc. Isto quer dizer que está. se utilizando de todos os meios disponíveis em favor da educação cristã.

 

Conclusão

O coração do ensino cristão pode se resumir pelo fato de Jesus Cristo viver através de nós, a sua igreja; e que isso é demonstrado quando desenvolvemos o sentimento de amor em nós mesmos nas três direções como falamos acima. E dessa maneira que não vivemos meramente, mas que espelhamos o Filho de Deus para que todos vejam e tenham oportunidade de viver segundo a sua graça, amor e poder.

 

 

 

A ignorância de uma geração - Lição 3 20 de Janeiro de 2013

 

LIÇÃO 3 – 20 de Janeiro de 2013

 

A ignorância de uma geração

 

TEXTO AUREO

 

“E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após e lesse levantou, que não conhecia o Senhor, nem tampouco a obra que fizera a Israel”.  Jz 2.10

 

VERDADE APLICADA

 

Toda a geração que desprezar o ensino da vontade do Senhor estará escravizada por u m a sutil vã maneira de viver, ficando a mercê do servilismo alheio como aconteceu aos filhos de Israel.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Apontar que coisas trouxeram a vaidade pessoal e escravidão;

► Mostrar as terríveis consequências de se desprezar o ensino;

► Aplicar a necessidade d e nos preocuparmos em ensinara vontade de Deus.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Jz 2.8 – Faleceu, porém, Josué, filho de Num, servo do Senhor, da idade de cento e dez anos.

Jz 2.9 – E sepultaram-no no termo da sua herdade, em Timnate-Heres, no monte de Efraim, para o norte do monte Gaás.

Jz 2.10 – E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o Senhor, nem tampouco a obra que fizera a Israel.

Jz 2.11 – Então, fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do Senhor; e serviram aos baalins.

 

Introdução

Hoje estudaremos sobre os grandiosos feitos de Deus na geração de Josué. Como o povo de Israel desfrutou com intensidade, da prosperidade divina enquanto estiveram no caminho da obediência com Ele, usufruindo de uma vida de qualidade, muita chuva, terras férteis e abundantes colheitas. No entanto foram contaminados com os costumes dos pagãos e apostataram da fé. Mas vamos ver que a importância de um legado espiritual pode fazer toda a diferença para as gerações futuras.

 

  1. Ageração de Josué

Deuteronômio é um resumo da Lei de Deus para os filhos de Israel que estavam prestes a entrar na terra prometida. Josué recebeu a incumbência de liderar as tribos na conquista da terra, substituindo Moisés, sem jamais deixar o livro da Lei. Evidente que coube a ele também se prover de mestres que ensinassem ao povo das tribos, esse foi um legado glorioso. Seu zelo está exemplificado quando circuncidou todos os homens e celebrou a páscoa, (Js 5.4-12). E foi esta a causa por que Josué os circuncidou: todo o povo que tinha saído do Egito, os varões, todos os homens de guerra, eram já mortos no deserto, pelo caminho, depois que saíram do Egito. Porque todo o povo que saíra estava circuncidado, mas a nenhum do povo que nascera no deserto, pelo caminho, depois de terem saído do Egito, haviam circuncidado. Porque quarenta anos andaram os filhos de Israel pelo deserto, até se acabar toda a nação, os homens de guerra, que saíram do Egito, que não obedeceram à voz do SENHOR, aos quais o SENHOR tinha jurado que lhes não havia de deixar ver a terra que o SENHOR jurara a seus pais dar-nos, terra que mana leite e mel. Porém, em seu lugar, pôs a seus filhos; a estes Josué circuncidou, porquanto estavam incircuncisos, porque os não circuncidaram no caminho. E aconteceu que, acabando de circuncidar toda a nação, ficaram no seu lugar no arraial, até que sararam. Disse mais o SENHOR a Josué: Hoje, revolvi de sobre vós o opróbrio do Egito; pelo que o nome daquele lugar se chamou Gilgal, até ao dia de hoje. Estando, pois, os filhos de Israel alojados em Gilgal, celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, nas campinas de Jericó. E comeram do trigo da terra, do ano antecedente, ao outro dia depois da Páscoa; pães asmos e espigas tostadas comeram no mesmo dia. E cessou o maná no dia seguinte, depois que comeram do trigo da terra, do ano antecedente, e os filhos de Israel não tiveram mais maná; porém, no mesmo ano, comeram das novidades da terra de Canaã.

 

1.1. Os grandiosos feitos de Deus, (Jz 2.7 E serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que prolongaram os seus dias depois de Josué e viram toda aquela grande obra do SENHOR, a qual ele fizera a Israel.)

Josué e os demais líderes (anciãos) de Israel, viveram muito tempo e desfrutaram muito da presença de Deus e dos grandiosos feitos divinos. Quer dizer, eles vivenciaram o poder de Deus que os ajudou a conquistar Canaã. Assim puderam testemunhar a ajuda divina a nova geração que ia surgindo logo após, essa geração também continuou dependendo de Deus para continuar as suas conquistas (Jz 1.2-4 E disse o SENHOR: Judá subirá; eis que lhe dei esta terra na sua mão. Então, disse Judá a Simeão, seu irmão: Sobe comigo à herdade que me caiu por sorte, e pelejemos contra os cananeus, e também eu contigo subirei à tua, que te caiu por sorte. E Simeão partiu com ele. E subiu Judá, e o SENHOR lhe deu na sua mão os cananeus e os ferezeus; e feriram deles em Bezeque a dez mil homens.). Até aí tudo bem, mas algo imperceptível ia acontecendo, um arrependimento do zelo em ensinar e um esfriamento espiritual que ia se propagando.

Nesse ponto da história de Israel, Josué estava lado a lado com Moisés como grande herói e, no entan­to, a nova geração não reconheceu quem ele era nem o que havia feito. Em seu co­nhecido romance 1984, George Orwell es­creveu: "Aquele que controla o passado controla o futuro; aquele que controla o pre­sente controla o passado". Uma vez que as­sumiram o controle do presente, tanto Hitler quanto Stalin reescreveram a história, ou seja, o passado, a fim de que pudessem contro­lar os acontecimentos futuros, e, por algum tempo, foram bem-sucedidos. Como é im­portante as novas gerações reconhecerem e valorizarem os grandes homens e mulhe­res que ajudaram a construir e a proteger sua nação! E terrível quando historiadores "revisionistas" ridicularizam heróis e heroí­nas do passado a ponto de transformá-los quase em criminosos.

 

 

1.2. A vontade de Deus para o povo

 

 

 

Para Josué foi importante transferir o seu legado espiritual, social e econômico a sua família. Ele, diante do povo, disse: “Eu e a minha casa servirem os ao Senhor” (Js 24.15 Se, porém, não lhes agrada servir ao SENHOR, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao SENHOR ”.). No fundo, a fé que Josué tinha em relação à vontade de Deus era uma resposta a Ele. Foi uma disposição para um compromisso integral com Sua vontade. Josué desejou a vontade de Deus, escolheu ser obediente a Deus que é o elemento essencial à fé cristã.

 

 

 

Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

Este versículo com toda a razão tem-se tornado famoso, sobre­tudo em lares evangélicos. Incontáveis sermões têm sido pregados a respeito dessa declaração de Josué. A vida consiste em uma continua confrontação com escolhas a serem feitas. Os pais e os lideres precisam apresentar uma boa orientação para que os filhos e os liderados possam tomar decisões baseadas em boas informações.

Este versículo enfatiza o dever que os país têm de ajudar seus familiares a fazer escolhas acertadas. Um pai deve três coisas a seus filhos: exemplo; exemplo; exem­plo. Josué deu exemplo aos seus familiares e também a todo o povo de Israel, que estava debaixo de suas ordens. Josué tinha acabado de fazer a revisão dos podero­sos atos de Deus em favor do povo de Israel. Ele tinha estabelecido razões para que os hebreus obedecessem a Yahweh. Deus se havia exibido por meio dos acontecimentos históricos. Deus é que tinha brandido o Seu poder e tinha feito tudo. Ver I Reis 18.21. Josué, pois, não achara a menor dificuldade em fazer a sua escolha.

Um verdadeiro mestre afeta a eternidade.

Jamais poderá dizer onde cessa a sua influência.

(Henry Adams)

As crianças têm maior necessidade de modelos do que de críticos.

(Joseph Joubert)

 

1.3. As conquistas das terras

As terras de Canaã estavam distribuídas entre muitos reinos pequenos, mas bem resguardados. Deus havia prometido a Abraão dar aquela terra a sua descendência, assim, nos dias de Josué, o povo havia amadurecido o suficiente para herdar a promessa. O povo que habitava nela usufruía de uma vida com qualidade, muita chuva, terras férteis, abundantes colheitas, todavia viviam no mais completo paganismo antagônico à vontade de Deus. As maldades daqueles povos cheiravam mal às narinas de Deus, o que foi completando, à medida da paciência divina. Enquanto isso, no deserto, os filhos de Israel iam sendo provados e treinados à obediência. Daí, quando chegou o tempo certo, eles finalmente puderam conquistar tudo aquilo que Deus havia prometido (Ec 3.1-8 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.).

Moisés, Josué e demais líderes marcaram profundamente aquelas gerações, entretanto era necessário que todo aquele legado passasse de geração em geração através do ensino. Aqueles líderes foram homens que não estavam preocupados em gerar um império para si, mas um exemplo de aplicação da Palavra de Deus em suas vidas que impactaria as sucessivas gerações por vir.

 

  1. A importância de um legado

As tribos de Israel se encaminhavam para ser uma grande nação, já era um grande povo, mas precisava continuar as suas conquistas. Entretanto, com o passar do tempo, à medida que foram avançando, com eçaram a interessar-se pelo paganismo cananeu, deixaram-se seduzir pelos encantos dos seus rituais de fertilidade, que eram acompanhados com danças sensuais, prostituição e, depois, o aniquilamento de muitos bebês, que desse relacionamento impudico, nasciam. A morte desses inocentes trazia muito desgosto a Deus e, por tudo isso, Ele resolveu dar a terra um povo que fizesse a sua vontade, mas não foi isso que aconteceu, os filhos de Israel acabaram por anexar a sua vida tais práticas. Vejamos como isso foi possível.

 

2.1. Ignorância de uma geração (Jz 2.10 Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel.)

A medida que os filhos de Israel foram tomando e conhecendo a terra, a geração de Josué e de seus filhos passaram, e a terceira geração tomou posse dos lugares em que habitavam. No entanto conquistavam e cresciam fragilizados pela sedução dos cultos a Baal e Astarote. E passaram a rejeitar os valores de seus antepassados. Consequentemente não tinham o zelo de ensinar os caminhos do Senhor aos seus filhos, e assim se levantou uma geração que não conhecia o Senhor, uma geração que não tinha a experiência de seus avós e bisavós com Deus, com a Sua vontade e Seus milagres.

A espiritualidade morreu juntamente com a geração mais antiga. Todas as testemunhas oculares já haviam morrido Não havia restado ninguém que pudesse dizer "eu vi". À nova geração restava ler livros e ouvir histórias. A lei do amor também não havia sido implanta­da no coração deles. As populações pagãs ao redor tinham-nos infectado com a doença da idolatria. Não conheciam, pois, a Deus; nem tinham contemplado Suas obras admiráveis. Eles eram espiritualmente estéreis. O fato de não conhe­cerem a Deus significava que também "não O reconheciam" (ver Pro. 3.S). No coração deles predominava a incredulidade acerca de todos os relatos sobre o passado glorioso de Israel. Não demoraria nada para que a idolatria substituísse a Yahweh, e o monoteísmo yahwista estava prestes a sofrer tremenda derrota. A geração antiga estava morta e sepultada; a espiritualidade da nova geração esta­va morta e sepultada.

"A experiência religiosa vital da antiga geração não pode ser facilmente comunicada à nova geração. Cada geração precisa encontrar Deus por si mesma. A fé de nossos pais é valiosa não quando é reverenciada por seus próprios méritos, mas quando se torna o estímulo para que cheguemos a uma fé seme­lhante. Muitos homens que se mostram sentimentais quando relembram a piedade de seus pais nao senlem nenhuma necessidade ou obrigação de exibir devo­ção idêntica" (Phillips P. Elliott, in loc.).

 

2.2. Abandono das raízes (Jz 2.11 Então os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova e prestaram culto aos baalins.)

Os dilemas são diferentes em cada geração. Os valores são substituídos, à medida que o tempo passa. No entanto, para o cristão, ainda que os costumes e tradições passem, os princípios fundamentais da Palavra de Deus devem continuar a nortear as suas vidas. A Bíblia diz que: “Então, fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do Senhor; e serviram aos baalins. E deixaram o Senhor, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e encurvaram-se a eles, e provocaram o Senhor à ira” (Jz 2.11-12 Então os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova e prestaram culto aos baalins. Abandonaram o SENHOR, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do SENHOR.). Foi preocupado com o desvio da sã doutrina, que, antes de eles entrarem na terra prometida, o Senhor disse a eles: “Não mudes o marco do teu próximo, que colocaram os antigos na tua herança, que possuíres na terra, que te dá o Senhor, teu Deus, para a possuíres” (Dt 19.14Não mudem os marcos de divisa da propriedade do seu vizinho, que os seus antecessores colocaram na herança que vocês receberão na terra que o SENHOR, o seu Deus, lhes dá para que dela tomem posse.).

Então fizeram os filhos de Israel o que era mau. Temos aí a expressão introdutória padrão, uma espécie de fórmula-chave para introduzir algum fracasso lamentável. A apostasia sob a forma de idolatria também foi a principal queixa do autor sagrado, sempre que iniciou uma seção com essa fórmula.

"Eles caíram precisamente na idolatria contra a qual tinham sido tão enfatica­mente advertidos (Deu. 4.19)" (Ellicott, in loc.).

Serviram aos Baalins. Baal e Astarote (vs. 13) eram os deuses masculino e feminino dos cananeus. A forma plural, bálanos, aqui usada, evidentemente refere-se aos muitos cultos locais da adoração ao deus Baal. Usualmente, Baal era apresentado como uma deidade cósmica. O versículo 13 deste capítulo dá a forma singular do nome. O baalismo original, ao que tudo indica, teve origem fenícia, embora possam ser encontrados traços por todo o mundo cananeu.

 

2.3. A apostasia (Jz 2.12 Abandonaram o SENHOR, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do SENHOR.)

Por que será que eles abandonaram a instrução, os mandamentos e o próprio Deus? Há várias respostas para essas questões, além da crise da terceira geração. As artes, os costumes, e os rituais que contrariavam os ensinos das Escrituras, constituíram-se lhes uma isca irresistível, que os encaminhou a apostasia. Do ponto de vista humano, havia muitos valores, muitas riquezas e coisas que não deveriam ser desprezadas naquela terra. A cultura de uma nação não cristã, não está toda demonizada. No entanto é preciso ter discernimento. Os encantos deste tempo presente, o “deus” deste século, a tecnologia e outros mais arrastam muitos incautos para a apostasia e escravidão.

Abandonaram o que o Senhor havia dito (vv. 11-13). Se tivessem se lembrado de Josué, teriam conhecimento de seus "dis­cursos de despedida" aos líderes e ao povo de Israel (Js 23 - 24). Se conhecessem tais discursos, saberiam da lei de Moisés, pois em seu último pronunciamento, Josué enfatizou a aliança que Deus havia feito com Israel e a responsabilidade que a nação ti­nha de guardá-la. Quando nos esquecemos da Palavra de Deus, corremos o risco de deixar o Deus da Palavra, o que explica por que Israel voltou-se para a adoração despre­zível e depravada de Baal.

A palavra apostasia vem do grego “afastamento” Aponta para o abandono deliberado da crença na fé cristã, por alguém; que dizia seguir essa fé. No Novo Testamento (2 Ts 2.3), é uma dissolução séria com Deus e com Cristo paralelamente à rebeldia e à hostilidade para com esses veículos. Do ponto de vista cristão, a apostasia envolve mais do que mudanças de ideias sobre doutrinas reveladas. A princípio, é a outorga da alma a alguma causa maligna, e não o mero abandono daquilo que antes  era professado. (Enciclopédia de Teologia e Filosofia Vol. 01).

 

  1. Sofrimentos de uma nação apóstata

À medida que os filhos de Israel avançavam em seu relacionamento com o paganismo cananeu, iam dando as costas para Deus. Um comportamento tresloucado, que traria amargo sofrimento e que deixaria profundas marcas na história dos hebreus.

 

3.1. O ardor da ira divina (Jz 2.14 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de invasores que os saquearam. Ele os entregou aos inimigos ao seu redor, aos quais já não conseguiam resistir.)

Todas as bênçãos de Israel era fruto de sua obediência a Deus. Porém ao se envolverem com os pecados da terra de Canaã, suas vidas se tornaram alvo da ira divina. No entanto a ira divina é de categoria totalmente diferente da ira humana, pois a humana envolve paixão e perda de calma, tais emoções não se devem levar em conta ao considerarmos a ira de Deus, por isso a diferença não seria apenas na sua intensidade, mas está ligada à necessidade de redenção da humanidade. Além do mais, se não houvesse a ira de Deus, não haveria salvação. Em síntese, a ira de Deus seria parte necessária do caráter moral dEle, que aborrece o mal e ama o bem.

Perderam o direito de desfrutar o que o Senhor havia prometido (w. 14, 15). Quan­do saíram a combater os inimigos, os israe­litas foram derrotados, pois o Senhor não estava com seu povo. Moisés avisou que isso aconteceria (Dt 28:25, 26). Mas não foi só: os inimigos de Israel acabaram tornando-se seus senhores! Deus permitiu que uma nação após a outra invadisse a Terra Prometida e escravizasse o povo, tornando a vida dos israelitas tão sofrida a ponto de suplicarem por ajuda. Se o povo de Israel tivesse obe­decido ao Senhor, seus exércitos teriam sido vitoriosos; mas quando lutaram com as pró­prias forças, foram derrotados e humilhados.

 

3.2. O crescimento impedido (Jz 2.15 Sempre que os israelitas saíam para a batalha, a mão do SENHOR era contra eles para derrotá-los, conforme lhes havia advertido e jurado. Grande angústia os dominava.)

O escritor sacro mostra como o ardor da ira divina foi revelado às tribos hebreias. Como aquela sociedade entrou na contramão da vontade de Deus e “a mão do Senhor era contra eles para seu mal”. Não demorou muito, eles se encontraram “em grande aperto”. Quer dizer, estavam numa situação angustiante, sem saídas, pois simplesmente tudo o que faziam dava errado: não conseguindo o crescimento financeiro que até então vinham tendo. Logicamente, que, quando os filhos de Israel se apostataram do Deus vivo, ele se incumbiu de fechar as torneiras da prosperidade. Perm itiu as tribos hebraicas o sofrim ento para que não lhes fizesse com o fizera aos cananeus, até que finalmente eles viessem a clamar pelo livramento de Deus (Jz 2.18Sempre que o SENHOR lhes levantava um juiz, ele estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia; pois o SENHOR tinha misericórdia por causa dos gemidos deles diante daqueles que os oprimiam e os afligiam.).

"Eles não prosperavam em nenhum empreendimento em que se metessem ou em que pusessem a mão, em nenhuma expedição que fizessem, ou quando saíam à guerra”, conforme Kirnchi, Ben Melech e Abaitínel. A batalha sempre lhes era desfavorável, pois Deus era contra eles (John Gi, n loc.). Deus, porém, tinha avisado sobre os temíveis resultados da queda na idolatria (ver Deu. 29.12-29; ver também Deu. 28.25 e Lev. 26.17-46).

"O mesmo poder que, anteriormente, os havia protegido, quando se mostra­vam obedientes, agora se voltava contra eles, porque se tinham tornado desobe­dientes. Não somente eles não dispunham da presença de Deus, mas também O tinham contra eles" (Adam Clarke, in toe.).

 

3.3. Nas mãos dos inimigos (Jz 14,16 Então a mulher de Sansão implorou-lhe aos prantos: “Você me odeia! Você não me ama! Você deu ao meu povo um enigma, mas não me contou a resposta!” “Nem a meu pai nem à minha mãe expliquei o enigma”, respondeu ele. “Por que deveria explicá-lo a você?”)

Após o assentamento das tribos nas terras de Canaã, com o não conseguiram expelir todos os nativos de lá, a sua situação espiritual, social e financeira começou a degradar-se. A s tribos dos filhos de Israel eram vítimas de inimigos os quais nem se quer conseguiam resistir. Esses inimigos espoliavam e saqueavam os seus bens de maneira que tudo quanto produziam eram-lhes tomado. É claro que isso chegava a tal ponto de empobrecimento que as famílias chegavam ao desespero. Muitos passaram a viver em cavernas, deixaram de plantar e perderam a expectativa de dias melhores.

Na lição anterior, pudemos apresentar um padrão elaborado por Deus para educação religiosa de seu povo baseado em Dt 6. As promessas contidas eram de bênçãos, caso se esmerasse pelo caminho do aprendizado e obediência de geração a geração. O que de fato começou a suceder aos filhos de Israel, conforme expusemos acima. Mas havia promessas de maldição, caso desonrassem o compromisso da condição imposta. Como eles deixaram de obedecer, acabaram mergulhados sob essas maldições e em sofrimento vão. Observem como o conhecimento das Escrituras é tão necessário para que os filhos de Deus sejam bem sucedidos, a ignorância e a rebelião têm um preço amargo e elevado que não compensa.

 

Conclusão

Embora o cristão como qualquer outra pessoa aprenda com seus próprios erros e sofrimentos, a maioria deles são desnecessários, uma vez que tudo quanto foi registrado nas Escrituras é destinado para o nosso ensino, consolação e esperança (Rm 15.4 Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança.). Não é necessário, por exemplo, que Deus cerre as janelas e as portas do céu contra o nosso crescimento financeiro, mas, às vezes, fá-lo para nos conduzir de volta a sua presença, caso contrário, o prosperar, sem Ele, poder-nos-ia levar a uma derrota total e eterna.

 

 

João Batista, um homem resignado - Lição 4 – 27 de Janeiro de 2013

 

LIÇÃO 4 – 27 de Janeiro de 2013

 

João Batista, um homem resignado

 

TEXTO AUREO

 

“Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no Reino dos céus é maior do que ele”. Mt 11.11

 

VERDADE APLICADA

 

João Batista é um gigante da fé que se resignou para preparar o caminho daquele que viria depois dele.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Mostrar o ambiente familiar em que João se desenvolveu, e a importância de reproduzirmos tal ambiente;

► Revelar que Deus, antes de escolher João, escolheu e preparou uma família piedosa para o seu pleno desenvolvimento;

► Relembrar que não há evangelho e desempenho ministerial verdadeiro sem resignação.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Mt 11.10 - porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho.

Mt 11.11 - Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no Reino dos céus é maior do que ele.

Mt 11.12 - E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele.

Mt 11.13 - Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.

 

Introdução

João era de origem simples, como veremos a seguir, porém, de uma grandeza admirável. Apesar de ter hábito alimentar e vestuário heterodoxos dos seus contemporâneos, ele conseguia ser uma poderosa fonte de influência para eles, no que tangia a esperança do reino messiânico. É tanto, que as suas raízes, sua missão e sua autoresignação Fizeram dele uma estrela de primeira grandeza no cenário bíblico de sua época.

 

  1. As raízes de João

João, o batizador, ocupa nas páginas do Novo Testamento um papel muito relevante, o de iniciar a transição de uma aliança antiga para outra nova proposta por Deus em Jesus Cristo. João veio trabalhar em favor do cumprim ento cabal das profecias soteriológicas, anunciando o mistério de Deus oculto de todos os séculos, de maneira que teve a honra de ser o pioneiro da própria pregação do arrependimento. Entretanto, para que pudesse por mãos à obra teve de esperar quase trinta anos, vejamos como isso começou.

 

1.1. Nascido em um lar piedoso (Lc 1.5-7 No tempo de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias; Isabel, sua mulher, também era descendente de Arão. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Mas eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril; e ambos eram de idade avançada.)

Os pais de João eram Zacarias e Isabel, ambos são descritos como pessoas de elevado padrão espiritual, de profundo comprometimento com Deus e vida exemplar diante de seus contemporâneos. Entretanto Isabel era estéril, o que lhe dava um a condição extremamente humilhante em sua cultura (Lc 1.25 E ela dizia: “Isto é obra do Senhor! Agora ele olhou para mim favoravelmente, para desfazer a minha humilhação perante o povo”.). Zacarias foi sacerdote, da ordem de Abias, e é descrito por Lucas oferecendo incenso a Deus no templo, quando lhe apareceu o anjo e anunciou-lhe a resposta de suas orações, isto é, que sua esposa daria a luz um filho a quem deveria chamá-lo de João, que significa, “Jeová é um doador precioso”.

Um sacerdote fiel (vv. 5-7). Zacarias ("Jeová se lembrou") e Isabel ("Deus é meu juramento") era um casal piedoso. Ambos pertenciam à linhagem sacerdotal. Os sacerdotes eram divididos em 24 turnos (1Cr 24), e cada sacerdote servia no templo duas semanas por ano. Apesar da iniquidade a seu redor, Zacarias e Isabel obedeciam à Palavra de Deus fielmente e eram irrepreensíveis Sua única tristeza era não terem filhos. Pediam sempre a Deus que lhes concedesse uma família. Nem imaginavam que Deus responderia a suas orações e lhes daria não um sacerdote, mas um profeta! Seu filho não seria um simples profeta, pois proclamaria o Rei que estava porvir.

 

 

1.2. Nascido com propósito (Lc 1.17b E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor.)

Sempre se pensa em João Batista como alguém escolhido por Deus antes de seu nascimento para uma missão, e isso é verdade explícita nas Escrituras. O que, às vezes, não se dá conta é que seus pais é que foram escolhidos para prover-lhes uma educação piedosa primeiramente.

O primeiro ambiente, que oferece impressões indeléveis para um ser humano por toda a sua vida, é a família, daí a responsabilidade que os pais têm desde a formação da criança. O casal cristão, desde o início, deve se preparar paraviver em plena dedicação ao ensino de seus filhos, mesmo antes do nascimento deles, afinal eles são herança do Todo Poderoso. Caso contrário, estaremos contra os propósitos eternos de Deus em permitir a ignorância, a pecaminosidade e a perdição eterna em nossa família e sociedade.

 

 

Acriança receberia o Espírito Santo antes de nascer (Lc 1:41) e seria um profeta de Deus, apresentando seu Filho ao povo de Israel (ver Jo 1:15-34). Conforme Isaías havia prometido, Deus usaria o ministério de João para conduzir muitas pessoas ao Senhor (Is40:1-5).

Muitos seriam arrancados da alienação de “Deus” e novamente reconduzidos a Deus pela via do arrependimento. A marca característica da atuação de João é, como outrora em Elias, “o poder”.

 

1.3. A mão do Senhor estava com ele (Lc 1.66 Todos os que ouviam falar disso se perguntavam: “O que vai ser este menino?” Pois a mão do Senhor estava com ele.)

A declaração acima, acerca de João, é um a reflexão de Lucas, aquele que pesquisou mais e dedicou-se em trazer detalhes que são omitidos nos outros evangelhos. O sentido de “a mão do Senhor” revela a orientação especial de Deus, e a presença do Espírito Santo conduzindo todo o processo que veio a culminar na vida adulta de João, tornando-se quem ele foi. Evidentemente, a chamada de João foi muito especial, mas o privilégio de ter a mão do Senhor sobre si é para todos. Um casal, mais especificamente a mulher gestante cheia do Espírito Santo fará com que o bebê, em seu ventre, já seja influenciado por essa virtude. Isso não eliminará os problemas próprios da infância, mas propiciará mais satisfação interior para pais e filhos.

Deus abençoou abundantemente Zacarias e Isabel. Conforme havia prometido, o Senhor lhes deu um menino, ao qual chamaram de João, como Deus havia instruído. Os judeus, com razão, consideravam os filhos dádivas de Deus e "herança do SENHOR "(Sl 127:3-5; 128:1-3), pois são isso mesmo. Israel não seguia a prática de seus vizinhos pagãos que abortavam ou abandonavam os filhos. Quando pensamos que um milhão e meio de bebês são abortados todos os anos só nos Estados Unidos, vemos como nos afastamos das leis de Deus. "As forças mais poderosas do mundo não são os terremotos e os raios", disse E.T. Sullivan. "As forças mais poderosas do mundo são os bebês." Era costume chamar o menino pela família, de modo que amigos e parentes ficaram espantados quando Isabel insistiu que o bebê deveria se chamar João. Zacarias escreveu numa tábua: "João é seu nome", e ponto final Naquele mesmo instante, Deus abriu aboca do sacerdote idoso.

Deus entregou aos crentes um projeto educacional através de Moisés, como vimos em lição anterior. Porém a realização dele pode ser acompanhada com ou sem a presença de Deus. Isso quer dizer, que a instrução no lar pode acontecer apenas como uma responsabilidade religiosa e social, o que, sem dúvida, é importante. Mas o mais importante, é que o Espírito Santo participe de todo processo como um óleo nas engrenagens, ou como uma chama no interior de todos os familiares, trazendo vida, dando um toque especial. Esse é um sublime projeto de Deus e de fé.

 

  1. João, uma voz profética

Assim como Jesus, João, o Batista teve a sua vida oculta, a partir do seu nascimento. Na época em que foi escrito os evangelhos, as pessoas não se preocupavam em dar certos detalhes, como fazem os escritores modernos. Por isso, praticamente, quase nada temos desses momentos que antecederam o ministério profético de João. Entretanto, sabemos que ele depois de certo tempo se isolou por deliberação própria nos desertos, tudo indica que se acolheu entre os essênios e daí procede a prática do batismo empregada por ele. Isso sucedeu até que se manifestou publicamente como um a voz profética em meio a sua geração.

 

2.1. No Espírito de Elias

Em geral os judeus aguardavam a manifestação literal de Elias como um precursor do Rei ungido, que reinaria sobre Israel (Ml 4.5 Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do SENHOR;). Ele viria em um tempo em que o amor paterno esfriara trazendo um reavivamento do amor no seio familiar. O Senhor Jesus corrigiu essa concepção, mostrando o cumprimento total em João (Mt 11.7-17 E, partindo eles, começou Jesus a dizer às turbas a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis. Mas, então, que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta; porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho. Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no Reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para ouvir ouça. Mas a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros, e dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes.). O próprio anjo anunciou, “ele irá adiante do Senhor, no espírito e poder de Elias” (Lc 1.17). Isso quer dizer que João desenvolveria um ministério nos antigos moldes de autoridade de seu antecessor. Tal espírito e poder traria um impacto na nação inteira, o que de fato aconteceu, pois a sua fama e ministério profético se tomaram conhecidos em todos os termos de Israel.

O que Cristo disse acerca de João não somente foi para elogiá-lo, senão para proveito do povo. Os que ouvem a palavra serão chamados a dar conta de seu proveito. Pensamos que se termina o cuidado quando se termina o sermão? Não, então começa o maior dos cuidados.

João era um homem abnegado, morto para todas as pompas do mundo e os prazeres dos sentidos. Convém que a gente, em todas suas aparências, seja coerente com seu caráter e situação.

João era homem grande e bom, porém não perfeito; portanto, não alcançou a estatura dos santos glorificados. O menor no céu sabe mais, ama mais, e realiza mais louvando a Deus e recebe mais dEle que o maior deste mundo.Mas por Reino dos Céus, aqui deve entender-se melhor o reino da graça, a dispensação do evangelho em seu poder e pureza. Quanta razão temos para estarmos agradecidos que nossa sorte corra nos dias do Reino dos Céus, sob tais vantagens de luz e de amor! Existem multidões que foram trazidas pelo ministério de João e chegaram a ser discípulos dele. E houve os que lutaram por um lugar neste reino, que ninguém pensaria que tinham direito nem título por isso, e pareceram serem intrusos. Nos mostra quanto fervor e zelo se requer de todos. É necessário negar o eu; é mister mudar a inclinação, a disposição e o temperamento da mente. Os que tenham um interesse na salvação grandiosa, o terão a qualquer custo, e não pensarão que é difícil nem a deixarão ir sem uma bênção. As coisas de Deus são de preocupação grande e comum. Deus não requer mais de nós que o uso justo das faculdades que nos deu. A gente é ignorante porque não quer aprender.

 

2.2. Preparando o caminho

A missão de João consistia em ser o mensageiro por Deus antecipadamente preparado, a fim de preparar o caminho do Rei ungido que haveria de se manifestar. Ele foi, portanto, um reparador de veredas conforme Isaías 40.3. Essa função existia no Antigo Testamento em que um supervisor ia diante do seu rei reparando as estradas: aterrando, aplainando e nivelando os caminhos antes que ele passasse com a sua comitiva. Israel d aqueles dias entendia isso perfeitamente e de certa forma aguardava o seu cumprimento, eles sabiam que haveria alguém que os prepararia para receber o Messias, até que finalmente todos vissem a salvação procedente de Deus (Lc 3.5,6 Todo vale será aterrado e todas as montanhas e colinas, niveladas. As estradas tortuosas serão endireitadas e os caminhos acidentados, aplanados. E toda a humanidade verá a salvação de Deus.). Enfim, João preparou o caminho para aquele que viria depois ; tal princípio deve ser observado pelos líderes de hoje.

João Batista foi uma voz "que clama no deserto" (Lc 3:4; ver também Is 40:1-5e Jo 1:23). Fez o papel de arauto, indivíduo que ia adiante do cortejo real afim de se certificar de que as estradas estavam preparadas para o rei. Em termos espirituais, a nação de Israel vivia em um "deserto" de incredulidade, e os caminhos para a realidade espiritual eram tortuosos e praticamente intransitáveis. A corrupção do

Sacerdócio (em vez de um sumo sacerdote, havia dois!) e a hipocrisia legalista dos escribas e fariseus haviam deixado a nação espiritualmente enfraquecida. O povo precisava encarecidamente ouvir uma voz proclamando a mensagem de Deus, e João foi essa voz fiel. Coube a João preparar a nação para o

Messias e depois lhes apresentar esse Messias (Lc 1:16, 17, 76, 77; Jo 1:6-8, 15-34). Repreendeu os pecados do povo e anunciou a salvação de Deus, pois sem o convencimento do pecado não pode haver salvação. João também é comparado a um agricultor derrubando árvores improdutivas (Lc 3:9) e separando o trigo do restolho (Lc3:17). Como certos "pecadores religiosos" de hoje, alguns judeus acreditavam ter um lugar reservado no céu pelo simples fato de serem descendentes de Abraão (ver Jo 8:31-34; Rm 4: 12-1 7; Gl 3:26-29). João lembrou-os de que Deus vai até a raiz das questões e não se impressiona com confissões religiosas que não produzem frutos. No julgamento final, os que crêem de todo coração (trigo) serão juntados por Deus, enquanto os pecadores (restolho, palha) serão lançados ao fogo.

 

2.3. Pregando o reino de Deus e batizando

João tinha plena consciência de sua missão e, de acordo com ela, pregava para que as pessoas se arrependessem de seus pecados, abandonassem os seus caminhos sinuosos e voltassem-se completamente para Deus. Esse era o requisito necessário para a manifestação do Messias: um povo preparado, aguardando-o. Sua mensagem tinha um forte apelo moral: ele repreendia severamente e instruía a ser solidário com os necessitados: honestos em seus trabalhos, e a contentar-se exclusivamente com seus respectivos salários. A mensagem é atual, e como hoje se necessita, em nossa sociedade, de homens assim. Apesar da dureza de sua mensagem, do rigor com que repreendia e a austeridade de suas instruções, admiravelmente as multidões concorriam para por ele serem batizadas.

Vemos em João urna fé extraordinária ao pregar corri tanto vigor e rigor ético e mesmo assim, as multidões afluíam ao seu encontro. Ele era tremendamente cheio do Espírito Santo, as pessoas apenas manifestavam o quanto estavam sedentas por um encontro com Deus. João é um exemplo de mensageiro para nós hoje, e sua mensagem e ousadia, na visão de Jesus, são de um semeador que antecedeu aos seus discípulos (Jo 4.39-41).

 

  1. João, um homem resignado

O ministério profético envolve aspectos de anunciar uma diferente percepção daquilo que Deus quer para aquele determinado momento, envolve denúncia de atitudes que não se conformam com a vontade de Deus, e também instrução pormenorizada e clara dessa mesma vontade d’Ele. Basta olharmos para a vida de João, conforme exposto nos evangelhos, e tudo isso constataremos que ele realizou completamente. O que envolveu um elevado grau de resignação, isto é, de renúncia pessoal e morte para si mesmo.

 

3.1 Resignado em seu estilo de vida

João Batista desenvolveu uma certa capacidade de imunidade às críticas e atirou-se numa direção oposta à tradicional de sua época, quer dizer, não teve medo de escapar do tradicional, nem temeu se passar por ridículo ou louco e grosseiro. Assim ele vivia como nazireu, entregou-se deliberadamente a viver nos desertos da Judéia, sem qualquer ostentação, alimentando-se de mel silvestre e gafanhotos. Ele viveu fora dos padrões convencionais de sua época, experimentou o contrário da liderança religiosa que era controlada por Roma, e por seus próprios apetites, indiferentes às necessidades do povo. João tinha um estilo de vida totalmente resignado, porque tinha em mente o cumprimento do seu ministério e foi orientado por Deus a ser assim (Lc 1.15pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento.).

O posicionamento de elevada resignação de João Batista deve ser entendido como obediência pessoal dele para realização da vontade de Deus. Evidentemente, no que tange ao estilo por ele adotado, foi o que Deus usou para chocar toda uma geração positivamente, e que era uma censura à elite sacerdotal que vivia ostentosamente em Jerusalém. Já o Senhor Jesus se utilizou de um estilo mais usual na alimentação, nas vestes indo a todos os lugares e convivendo com todas as pessoas. Mesmo assim. Havia pessoas que maldiziam tanto aquele quanto este estilo, porque seus corações estavam sobremodo endurecidos (Mt 11.11-18).

 

3.2. A fé de João Batista

Em nenhum lugar do Novo Testamento, lê-se sobre a grandeza da fé de João, mas, em seus registros encontramos evidências indiscutíveis da enorme dimensão dela. Vejamos algumas: Primeira, ele tinha fé para viver nos desertos e adotar um estilo de vida diferente do usual; segunda, teve fé para ali iniciar o seu ministério longe de toda comodidade que a cidade oferecia; terceira, anunciou a vinda do reino de Deus e ordenava que os homens se arrependessem; quarta, declarou a messianidade do jovem galileu mediante revelação sobrenatural; quinta, teve fé suficiente para sofrer todas as angústias e consequências oriundas de seu ministério, que inclusive o levou à morte. João possuía o tipo de fé inspiradora que impacta gerações sucessivas à sua, inclusive à nossa.

 

3.3. O sofrimento de João Batista

A beleza do ministério profético é a capacidade de Deus falar aos corações e mover as atitudes em direção a vontade d’Ele. As pessoas em numerosas multidões afluíam a João Batista com sede de Deus, elas sabiam que ele era portador da Sua voz e muitas sinceramente queriam endireitar as suas veredas. Quando João censurou Herodes (Antipas), o tetrarca que governava a Galileia e Peréia, o fez muitas vezes por causa de seu comportamento escandaloso que era inaceitável aos judeus e proibido por lei (Lv 18.16 Não se envolva sexualmente com a mulher do seu irmão; isso desonraria seu irmão.). Embora João o denunciasse,buscando arrependimento de Herodes, este, no entanto tinha desconfiança política quanto a João e aproveitou para prendê-lo, tendo em vista a sua enorme popularidade. João teve uma morte trágica, mas teve de Jesus o máximo de louvor (Mt 11.11a Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista;).

 

Conclusão

Assumir uma posição profética em toda sua dimensão bíblica exige um elevado grau de maturidade, de fé e de muita resignação. Se nos poupamos do sofrimento, se agimos sempre “dando um jeitinho” e somos infantis assumindo uma posição dúbia (em cima do muro), Deus não pode contar conosco para o exercício profético. Apenas há vida multiplicada quando a semente morre (Jo 12.24).

 

 

Liderança em tempo de reformas - Lição 5 – 03 de Fevereiro de 2013

 

LIÇÃO 5 – 03 de Fevereiro de 2013

 

Liderança em tempo de reformas

 

TEXTO AUREO

 

“Então, lhes respondi e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém”. Ne 2.20

 

VERDADE APLICADA

 

A obra de Deus precisa de líderes capazes, que tenham coragem e que não se acomodem ao caos, mas empreendam reformas para um novo recomeço.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Refletir sobre a importância de se fazer reformas sempre que necessário;

► Entender que num ambiente de reformas sempre haverá ideias contrárias e/ou antagônicas;

► Mostrar que Deus sempre precisa de líderes que possam efetuar reformas.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Ne 2.16 - E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia; porque ainda até então nem aos judeus, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra tinha declarado coisa alguma. Ne 2.17 - Então, lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada e que as suas portas têm sido queimadas; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém e não estejamos mais em opróbrio.

Ne 6.3 - E enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?

 

Introdução

A situação social e religiosa, que precedeu à reconstrução de Jerusalém, sob a liderança de Esdras, Zorobabel e Neemias, foi a de completo abandono. Com a expatriação das classes sociais mais influentes para a Babilônia em três etapas, a condição das terras de Judá e principalmente de Jerusalém foi a de desamparo e de extrema pobreza. Os que retornaram agora juntos com os nativos precisavam de uma liderança reformadora, o que coube a Zorobabel, Esdras e Neemias

 

  1. A reconstrução dotemplo

Com tantos inimigos que habitavam na terra de Judá e especificamente em Jerusalém, a primeira vista parece estranho que a prioridade dos judeus fosse a reconstrução do templo e não o sistema de defesa. Porém, para que um povo seja forte, precisa sobretudo ser unido, e um dos elementos mais agregadores de indivíduos é a religião. Por isso a primeira coisa que fizeram sob a liderança de Zorobabel e demais levitas foi a restauração do culto a Jeová. Não há dúvida que foram muito sábios, agora vejamos como procederam:

 

1.1. A construção de um altar (Ed 3.1-3)

A pressão dos inimigos era muito grande, pois não queriam que os judeus fossem restaurados como nação, visto que, dessa forma, eles assumiriam a influência e o controle sobre a região, que por herança pertencia a eles. Para reunir o povo e consolidá-los futuramente como nação, Zorobabel e demais levitas trataram de construir um altar. O altar é o centro do culto judaico, o canal de adoração e comunhão, um ponto indispensável de convergência e fortalecimento do povo de Deus. Devemos aprender quão poderosa é a adoração! A comunhão com Deus nos propicia, em seu exercício diário, vitória sobre os nossos inimigos residentes em nós mesmos e externos: a carne, o mundo que nos assedia e o maligno que o controla. Nossa vitória consiste em ter um altar de pé.

A edificação do altar (3:1-3). O sétimo mês era tisri, equivalente a setembro-outu-bro, um mês bastante sagrado para o povo (Lv 23:33-44). Começava com a festa das trombetas; o dia da expiação era comemo­rado no décimo dia e, do décimo quinto ao vigésimo primeiro dia, comemorava-se a festa dos tabernáculos. Porém, a primeira coisa que o sumo sacerdote Josué fez foi restau­rar o altar, para que pudesse oferecer os sa­crifícios para o povo. Os judeus estavam com medo das nações poderosas a seu redor que não se mostraram satisfeitas com a volta dos judeus. Assim, o povo desejava ter certeza de que estava agradando ao Senhor. Mais uma vez, vemos um paralelo com Abraão, que edificou um altar assim que chegou à terra de Canaã (Gn 12:7). Esse é o retrato que o Antigo Testamento apresenta para aquilo que encontramos em Mateus 6:33. Josué também restabeleceu os diversos sacrifícios prescritos pela lei, que incluíam um holocausto a cada manhã e no final da tarde bem como ofertas adicionais para dias especiais. Não era necessário esperar que o templo estivesse pronto para oferecer sacrifícios a Deus. Desde que houvesse um altar santificado, era possível realizar os sacrifícios. Afinal, o maior interesse de Deus não é nos aparatos externos, mas sim no coração (1 Sm 15:22; SI 51:16, 17; Os 6:6; Mc 12:28-34).

 

 

1.2. Os alicerces do templo e a oposição

No ano seguinte após erigir o altar, Zorobabel, outros sacerdotes e os levitas lançaram os alicerces do novo templo, no mesmo lugar em que Salomão construíra o primeiro. Essa foi uma ocasião festiva, com danças e com os sacerdotes paramentados com instrumentos musicais, eles tornaram aquele momento inesquecível. Os mais velhos, que chegaram a ver a primeira casa choraram de emoção e os mais jovens gritaram de alegria de maneira que se confundiam os júbilos com os choros. Mas, quando os inimigos souberam do que aconteceu, falsamente se ofereceram para ajudar a construir o templo, mas Zorobabel e demais líderes rejeitaram a ajuda. Em seguida, escreveram uma maldosa carta ao rei Artaxerxes, acusando-os falsamente de insubordinação e má intenção na construção. O soberano ordenou a força que se parasse a obra e ela ficou parada durante 16 anos, até a sua retomada A oposição satânica ao verdadeiro culto acontecerá sempre, a fim de impedi-lo ou pelo menos atrapalhá-lo, mas o segredo da vitória está em resisti-lo firme e constantemente.

 

 

 

1.3. A conclusão do templo

Todos nós gostaríamos de que a obra de Deus se efetuasse sem oposições, mas aprendemos que devemos ser firmes, pacientes e constantes enquanto aqui estivermos. Com a oposição samaritana, passou-se o entusiasmo pueril dos judeus na construção do templo. As pessoas se voltaram para edificação de suas confortáveis casas, deixando o templo do Senhor para depois(Ag 1.2-6 Assim fala o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do SENHOR deve ser edificada. Veio, pois, a palavra do SENHOR, pelo ministério do profeta Ageu, dizendo: É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta? Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos. Semeais muito e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário recebe salário num saquitel furado.). Se bem que inicialmente, não havia muito o que fazer. Depois de algum tempo levantou-se um movimento profético de reencorajamento à construção do novo templo, encabeçado por Ageu e Zacarias (Ed 5.1); e também dos anciãos do povo (Ed 5.5-8 Porém os olhos de Deus estavam sobre os anciãos dos judeus, e não os impediram, até que o negócio veio a Dario, e, então, responderam por carta sobre isso. Cópia da carta que Tatenai, o governador daquém do rio, com Setar-Bozenai e os seus companheiros, os afarsaquitas, que estavam daquém do rio, enviaram ao rei Dario. Enviaram-lhe uma relação; e assim estava escrito nela: Toda a paz ao rei Dario. Seja notório ao rei que nós fomos à província de Judá, à casa do grande Deus, que se edifica com grandes pedras, e já a madeira se está pondo sobre as paredes; e essa obra apressuradamente se faz e se adianta em suas mãos.). E assim, reiniciaram a obra e conseguiram autorização oficial para sua conclusão, em que Tatenai, um governador dalém do rio, foi proibido de continuar a fazer qualquer tipo de oposição. Dessa forma a construção foi concluída em 516 a.C., ou seja, 21 anos depois do lançamento de seus alicerces (Ed 6.15 E acabou-se esta casa no dia terceiro do mês de Adar, que era o sexto ano do reinado do rei Dario.).

A apostasia dos judeus foi punida severamente até que eles entendessem quão amargo é afastar-se do Deus vivo. Num retorno a terra natal, quantas dificuldades para retornarem a uma adoração dinâmica e firmarem-se como nação. A oposição pode arrefecer o entusiasmo, fazer com que nos voltemos para nós mesmos e para nossas construções seculares que não são capazes de nos dar plena satisfação. Portanto, muito cuidado, Satanás é o deus desse século e cuida dos pensamentos que são meramente dos homens e não dos de Deus (Mt 16.23)

 

  1. A reconstrução dos muros

Neemias era copeiro do rei Artaxerxes quando recebeu o relatório da situação de Jerusalém, interiormente se sentiu em pedaços, movendo-se de íntima compaixão pelos judeus que estavam na terra de Judá e por Jerusalém. Neemias intercede pelo povo, consegue autorização e dirige-se para Jerusalém, a fim de iniciar o seu trabalho de reformas. Ao chegar lá, prudentemente faz um levantamento pessoal da situação para poder dar início. O interesse e a generosidade de Neemias mostra que não devemos ser apáticos a obra de Deus e ao sofrimento alheio, precisamos nos arriscar, envolver-nos e assemelharmo-nos com o Filho Deus.

 

2.1. Neemias motiva (2.11-20)

Quando Neemias lá chegou, Esdras já estava. Sendo que Esdras se preocupa mais com a construção do templo e na organização de todos os registros sagrados. A Esdras se atribui a organização do canon do Antigo Testamento. Já Neemias se preocupa inicialmente com a i reconstrução do muro, que era a ativação do sistema de defesa da cidade. Para isso, como excelente líder, reúne as autoridades de Jerusalém e traz uma palavra persuasiva de motivação a fim de que reconstruíssem os muros. Os magistrados aceitam prontamente o desafio e iniciam a obra. Agora cabe observarmos quão importante é uma palavra motivadora na obra de Deus, não basta ter planos é necessário encorajamento para reformar.

Quando Neemias houve considerado o assunto, disse aos judeus que Deus tinha colocado em seu coração edificar as muralhas de Jerusalém. Não começa a fazê-los sem eles. Estimulemo-nos a nós mesmos e os uns aos outros no que é bom, para fortalecer-nos mutuamente. Somos fracos em nosso dever quando somos frios e indiferentes.

A inimizade da semente da serpente contra a causa de Cristo não está limitada a uma época ou nação. A aplicação para nós é clara. A igreja de Deus pede nossa ajuda. Não está desolada e exposta a ataques? Causa-lhe tristeza considerar seu baixo estado? Que nenhum negócio, prazer ou apoio de um partido capture tanto sua atenção como para que Sião e seu bem-estar não lhe interessem.

 

2.2. Neemias zela pela consecução (Ne 4)

Quantas vezes o trabalho do Senhor é negligenciado por falta de iniciativa ou de zelo pela sua consecução. A oposição é natural que aconteça, mas é necessário suportar as contradições. A falta de reformas em Judá havia-se tornado um caso inescrupuloso de falta de iniciativa. Mas quando os magistrados são exortados a reconhecerem a miséria em que estavam, eles foram humildes em reconhecer isso (Ne 2.17). Logo, prontamente se puseram a trabalhar com entusiasmo, porém os samaritanos que habitavam a terra começaram o seu antagonismo com deboches e ameaças (Ne 2.19; 4.1-2). Os trabalhadores, porém, armaram-se para continuar a obra, providenciaram trombetas para o toque de alerta caso a situação necessitasse, e, com esses cuidados, permaneceram até a conclusão do muro.

Mais de uma boa obra tem sido olhada com desdém por escarnecedores orgulhosos e altaneiros. Pessoas que discrepam entre si quase em tudo, se unem para a perseguição. Neemias não contestou aos néscios conforme a sua estultícia; antes recorrei a Deus em oração. Freqüentemente o povo de Deus tem sido desprezado, mas Ele ouve todos os dardos que lhe são lançados e é para consolo deles que assim o faça. Neemias tinha razão para pensar que os corações desses pecadores estavam completamente endurecidos, caso contrário não teria orado que seus pecados nunca fossem apagados. A boa obra continua avançando quando a gente se preocupa por ela. As repreensões dos inimigos deveriam alentar-nos em nosso dever, em lugar de afastar-nos dele.

Os homens malvados procuram obstruir a boa obra, e se prometem alcançar o êxito nisso, mas a boa obra é obra de Deus e prosperará. Deus tem muitas formas de levar a luz, e assim, reduzir à nada as estratagemas e desígnios dos inimigos de Sua igreja. Se nossos inimigos não podem assustar-nos para afastar-nos de nosso dever, nem enganar-nos para que pequemos, não podem prejudicar-nos. Neemias se colocou sob a proteção divina, ele mesmo e sua causa. Foi o método deste bom homem e deveria ser o nosso. Todas suas preocupações, todas suas penas, todos seus temores, os depositou diante de Deus. antes de usar um meio, ele o apresentava em oração a Deus.

Tendo orado, pôs uma guarda contra o inimigo. Se pensarmos nos assegurar por meio da oração, sem vigiar e estarmos alertas, somos preguiçosos e tentamos a Deus; porém, vigiar alertas, sem orar, é sermos orgulhosos e insolentes com Deus: Deus qualquer forma, abandonamos Sua proteção. O cuidado que Deus tem de nossa seguridade deveria comprometer-nos e estimular-nos a continuar avançando com vigor cumprindo nosso dever. Tão logo como termine um perigo, regressemos à nossa obra e confiemos em Deus novamente.

Sempre devemos estar em guarda contra os inimigos espirituais, sem esperar que nossa guerra termine quando acabe nossa obra. A palavra de Deus é a espada do Espírito, a qual sempre devemos ter na mão, e nunca teremos que buscá-la em nossas tarefas e em nossos conflitos como cristãos. Todo cristão verdadeiro é trabalhador e soldado que opera com uma mão e luta com a outra. Provavelmente a boa obra siga adiante com êxito quando os que trabalham nela o façam com diligência. Satanás teme atacar o cristão alerta, porque, se for tentado, o Senhor peleja por ele. assim, temos de esperar o fim da vida, sem tirar-nos a armadura até que terminem nossa obra e nossa guerra; então seremos recebidos no repouso e no gozo de nosso Senhor.

 

2.3. Celebrando a reconstrução (Ne 12.27-43)

A conclusão do muro com seus respectivos umbrais levaram 52 dias, assim estava acabada aquela obra que impôs respeito aos vizinhos antagônicos, pois reconheceram que Deus os ajudara naquela realização. A dedicação dos muros foi feita em celebração, todos os músicos levitas foram convocados especialmente e o evento foi de alegria geral. Apenas quando não nos acomodamos ao caos é que podemos transformar uma situação, depois da situação transformada a vergonha desaparece, o inimigo nos respeita e podemos celebrar definitivamente em Deus a nossa vitória.

Todas nossas cidades, todas nossas casas, devem ter escritas sobre elas: Santidade a Jeová. O crente nada deve empreender que não seja dedicado ao Senhor. devemos preocupar-nos de lavar nossas mãos e de purificar-nos o coração, quando qualquer obra para Deus tiver de passar por eles. Os que sejam empregados para santificar os outros, devem santificar-se a si mesmos e separar-se para Deus. Para os santificados, todas as consolações como criaturas e os gozos são santos.

O povo se regozijou grandemente. Todos os que participam nas misericórdias públicas devem unir-se à ação de graças em público.

 

  1. As reformas éticomorais

Embora as reformas de natureza religiosa e de estruturação da defesa tivessem sido levadas a efeito, ainda precisavam continuar na sua diversificação para o bem estar daquela sociedade. Isto é, eles precisavam vivenciar o conjunto de regras e deveres para com o seus semelhantes que já estavam prescritas na Lei de Moisés. Logo os reformadores perceberam que precisavam combater duas frentes destrutivas, os inimigos externos que eram os samaritanos com os demais povos misturados, e os internos, que eram os próprios judeus que começaram a explorar a seus irmãos.

 

3.1 O bom exemplo de Neemias (Ne 5.13-21)

Neemias procurou mostrar o seu temor a Deus e respeito para com o próximo, em que jamais buscou tirar proveito para si, mesmo de suas funções. Ainda que outros tirassem pão, vinho e prata para si aproveitando da própria função, jamais Neemias e nem os que com ele estavam na administração se aproveitaram nos doze anos em que ali permaneceram. O temor de Deus impede o crente de utilizar-se de embustes que venham defraudar o semelhante, mesmo que sejam legais, mas perante a própria consciência e diante de Deus são reprováveis, imorais e antiéticos.

Os que verdadeiramente temem a Deus não se atrevem a fazer nada cruel ou injusto. Que os que estejam em cargos públicos se lembrem que estão ali para fazer o bem, não para enriquecer-se. Neemias faz menção disto a Deus, orando não como se ele tivesse merecido algum favor de parte de Deus, senão para mostrar que ele dependia somente de Deus para que compensasse o que tinha perdido e deixado por sua honra. Neemias falou e agiu evidentemente como quem se sabia pecador. Não pretendia reclamar um prêmio como se lhe for devido, senão da forma em que o Senhor recompensa um copo de água dado a um discípulo por amor a Ele. o temor e o amor de Deus no coração e o verdadeiro amor aos irmãos levarão a toda boa obra. Estas são evidências próprias da fé que justifica e nosso Deus reconciliado favorecerá as pessoas deste caráter, conforme a todo o que tenham feito por seu povo.

 

3.2. Medidas contra a exploração do próximo (Ne 5.1-12)

Os judeus estavam lutando para reestruturar-se como nação, mas, em época de carestia, logo começaram a oprimir os próprios compatriotas, obrigando-os a penhorar os seus bens em troca de dinheiro para a alimentação, inclusive os tributos. Houve absurdos até do ponto de vista deles mesmos, em que os filhos foram entregues como servos para que eles não morressem de fome. O povo, não tendo mais o que fazer, foi clamar a Neemias, que reuniu a todos e exigiu o perdão das dívidas e a restituição das terras, vinhas, olivais, os dízimos (ágio), trigo, etc. Neemias nem o que havia emprestado quis de volta, como medida exemplar. Que isso nos sirva de lição, pois há sempre quem procure tirar proveito das calamidades e tragédias alheias dando vazão a sua própria cobiça, esquecendo-se de que Deus julgará tais injustiças.

 

Os homens depredam seus congêneres: desprezando o pobre reprovam seu Criador. Tal conduta é uma desgraça para qualquer, mas quem pode aborrecê-la o suficiente quando a adotam os cristãos professantes? Com compaixão pelos oprimidos, devemos lamentar as penúrias sob as quais gemem muitos no mundo, pondo nossas almas no lugar das deles e lembrando em nossas orações e com nosso socorro aos que estão carregados. Mas deixemos que os que não demonstram misericórdia esperem juízo sem misericórdia.

Neemias sabia que ainda que edificasse as muralhas de Jerusalém muito altas, muito grossas ou muito fortes, a cidade não poderia estar a salvo enquanto houver abusos nela. A forma correta de reformar a vida dos homens é convencer de pecado suas consciências. Se você andar em temor de Deus não será cobiçoso de ganho mundano, nem será cruel com seus irmãos. Nada expõe a religião à repreensão mais que a mundanalidade e dureza de coração dos que a professam. Os que insistem rigorosamente em seus direitos tratam, com muita pouca graça, de convencer os outros de que cedam nos seus.

Quando se arrazoa com gente egoísta é bom comparar sua conduta com a dos que são generosos, mas é ainda melhor apontar o exemplo dAquele que se fez pobre por nós sendo rico, para que nós, por sua pobreza, fossemos enriquecidos (2 Co 8.9). Eles fizeram conforme com a promessa. As boas promessas são coisas boas, mas são melhores as boas obras.

 

3.3. Medidas contra o casamento misto (Ne 13.23-29)

O casamento misto não era uma situação isolada, mas tomou-se um grande mal, pois tal prática estava generalizada. É muito provável que as mulheres judias estivessem sendo negligenciadas pela escolha das mulheres estrangeiras, o perigo disso era que, à médio prazo, perderiam a identidade judaica e se enfraqueceriam, como os das tribos do norte que, agora eram os samaritanos. Ali estava um remanescente que deveria se preparar para vinda do Messias, não se tratava de etnocentrismo, mas da promessa que fora direcionada a Judá e implicava que eles zelassem por isso também. Os maridos judeus, na ocasião, tiveram com lágrimas de dispensar suas esposas e filhos, foi algo bem doloroso. Hoje um crente não dispensa o seu cônjuge descrente, pois o crente santifica o outro (ICo 7.14; lFe3.1).

Se cada pai for ímpio e de natureza corrupta, inclinará os filhos a seguir seu mau exemplo; isto é uma forte razão pela qual os cristãos não devem unir-se em jugo desigual. Deve prestar-se sumo cuidado à educação dos filhos em quanto ao cuidado da língua para que não aprendam a linguagem de Asdode, nem a conversação impura ou ímpia, nem a comunicação corrompida.

Neemias mostrou o errado destes matrimônios. Alguns, mais obstinados que o resto, foram açoitados, isto é, mandou que fossem açoitados pelos oficiais conforme com a lei (Dt 25.2-3).

Aqui estão as orações de Neemias nesta ocasião. Ele suplica: "Lembra-te deles, Deus meu". Senhor, convence-os de pecado e converte-os; coloca em suas mentes o que devem ser e fazer. Os melhores serviços para o público têm sido esquecidos por aqueles para os que foram feitos e, portanto, Neemias se encomenda a Deus para que o recompense. Isto bem pode ser o resumo de nossas petições; não necessitamos mais que isto para fazer-nos felizes: "Lembra-te de mim, meu Deus, para bem". Podemos esperar humildemente, que o Senhor se lembre de nós e de nossos serviços, ainda que, depois de vidas de inesgotável atividade e utilidade, ainda veremos causa para aborrecer-nos e arrepender-nos com pó e cinzas, e clamar com Neemias: "Salva-me, Deus meu, conforme com a grandeza de Tua misericórdia!".

O cristão solteiro tem como padrão bíblico se comprometer com alguém que se compatibilize com a sua fé, para que vindo a se casar com as diferenças não venham fragilizar de tal modo que comprometa o próprio casamento e ou a criação dos filhos, gerando assim um lar dividido. Mas alguém que se converte nessa situação não deve dispensar o cônjuge por motivos religiosos, se ele consente em viver maritalmente. Repetimos, o crente santifica o cônjuge descrente.

 

Conclusão

Apesar dos grandes desafios, esse foi um tempo de prosperidade e de alegria para os judeus. Retornaram para as suas terras, reconstruíram o templo, os muros, a cidade, retomaram o comércio, etc. Todavia, não teriam conseguido sem líderes capazes como Esdras, Zorobabel, Neemias e vários outros reformadores. Realizar a obra de Deus é se mover, empreender reformas, é ter coragem para um recomeço na vontade d’Ele. Se assim é, mexa-se e faça a sua parte!

 

 

 

 

O exercício do dom de profecia na igreja atual - Lição 6 – 10 de Fevereiro de 2013

 

LIÇÃO 6 – 10 de Fevereiro de 2013

 

O exercício do dom de profecia na igreja atual

 

TEXTO AUREO

 

“Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados”. ICo 14.31

 

VERDADE APLICADA

 

A profecia é um dom do Espírito Santo concedido à igreja para um fim proveitoso.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Definir o dom de profecia;

► Apresentar alguns cuidados indispensáveis quanto ao uso do dom de profetizar;

► Mostrar que as profecias devem ser analisadas e quem profetiza deve ter a humildade para enfrentar isso.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

ICo 14.29 - E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.

ICo 14.30 - Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.

ICo 14.31 - Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados.

ICo 14.32 - E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.

ICo 14.33 - Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.

 

Introdução

A falta de conhecimento dos dons espirituais deve ser combatida com o bom ensino. Lamentavelmente, nunca houve tanto desconhecimento acerca do dom de profecia como em nossos dias. Há; questionamentos que vão desde os mais banais até os mais sérios. É impossível responder a todos numa única lição. Na verdade, precisaríamos de um livro inteiro para isso, mas trataremos aqui alguns principais.

 

  1. O que é o dom de profecia?

O dom de profecia é uma dotação ou concessão especial e sobrenatural através do Espírito Santo. É uma capacidade divina sobre a vida dos cristãos, para missões especiais na execução dos propósitos divinos para e através de sua igreja. Stanley Horton, famoso teólogo pentecostal ensina que o dom de profecia é “com o que faculdades da Pessoa divina operando no ser humano”. É uma mensagem verbal inspirada pelo Espírito Santo para edificação, exortação e consolação da igreja de Cristo no mundo (IC o 14.3 Mas quem profetiza o faz para edificação, encorajamento e consolação dos homens.).

O pastor e teólogo Antônio Gilberto diz que a profecia é um dom necessário a todos que ministram a Palavra; que trabalham com a Palavra (Lc 1.b; 1Tm 5.7). Ele continua dizendo que o grau de profecia na igreja hoje não é o mesmo da profecia das Escrituras (2Pe 1.20), que é infalível - a profecia da Bíblia. Ela deve ser julgada, pois, em parte, “profetizamos” (IC o 13.9). A profecia, para o pastor Antônio Gilberto está sujeita a falhas por parte do profeta; então a necessidade de acatar a recomendação bíblica de I Coríntios 14.29 é “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”.

 

1.1. Uma ação direta do Espírito Santo (ICo 12.3)

Ninguém jamais é premiado por sua ignorância, por isso, devem os crescer no conhecimento dos dons espirituais (IC o 12.1 Irmãos, quanto aos dons espirituais, não quero que vocês sejam ignorantes.). Em todas as épocas, a profecia no meio do povo de Deus resultou da ação contínua do Espírito Santo, na igreja e sempre visou reconhecer e exaltar a pessoa de Jesus de Nazaré como o Senhor. É também verdade que há profecias sob influência do espírito imundo que são antagônicas a Deus, que devem ser discernidas e descartadas. Entretanto, há também mensagens proféticasproduzidas pelo espírito humano que acontecem, por um desejo de influência, de sobressair-se aos outros e até mesmo de tentar controlá-los. Certas coisas ficam mais evidentes com o tempo e seus resultados.

Paulo faz um contraste entre a experiência dos coríntios como idólatras não convertidos e sua experiência atual como cristãos. Haviam adorado ídolos mortos, mas agora pertenciam ao Deus vivo. Seus ídolos nunca se dirigiam a eles, mas Deus lhes falava por meio de seu Espírito e ate por meio de­les no dom de profecia. Quando estavam perdidos, eram controlados pelos demônios (1 Co 10:20) e guiados pelos caminhos errados (1 Co 12:2). Mas agora, o Espírito de Deus habitava dentro deles e os dirigia.

E somente pelo Espírito que uma pessoa pode dizer com toda honestidade: "Jesus é o Senhor". Um escarnecedor que vive em pecado até pronuncia essas palavras, mas não se trata de uma confissão sincera. (Talvez Paulo esteja se referindo as coisas que haviam dito quando ainda se encontravam sob a influência de demónios antes de sua conversão.) É importante observar que, enquanto o Espírito Santo opera, os cristãos nunca perdem o domínio próprio (1 Co 14:32), pois e Jesus Cristo, o Senhor, que está no controle. Qualquer suposta "manifestação do Espírito" que priva a pessoa do domínio próprio não vem de Deus, pois "o fruto do Espírito e [...] domínio próprio" (Gl 5:22, 23).

Se Jesus Cristo é, verdadeiramente, o Senhor de nossa vida, então deve haver unidade na igreja. Divisão e dissensão no meio do povo de Deus só servem para enfraquecer o seu testemunho conjunto ao mundo perdido (Jo 17:20, 21).

 

 

1.2. Providência divina através da profecia

Os dons são resultados da providência divina em favor da igreja cristã. O dom de profecia faz parte da diversidade de operação direta do Espírito Santo que tudo realiza neste sentido (IC o 12.4 Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo.). É a providência divina se manifestando como resultado de sua sabedoria e multiforme graça operando tudo em todos. Alguns já afirmaram, “A Bíblia é a maior profecia e por isso não necessitamos mais do exercício profético nas igrejas”. Ao afirmar isso, erroneamente descartam uma provisão divina outorgada à igreja, esquecendo-se que o Espírito de Jesus é profético (Ap 19.10 Então caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: “Não faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao testemunho a de Jesus. Adore a Deus! O testemunho de Jesus é o espírito de profecia”.).

 

1.3. A utilidade e proveito da profecia

Ninguém deveria ter medo que alguém se levantasse para profetizar em meio à assembleia dos fiéis. Mas, por falta de conhecimento do assunto, o receio da perda de controle da reunião e até medo de denúncias infundadas ou não, proíbem o exercício da palavra profética. Mas, sempre que a verdadeira profecia se manifesta, é para um fim útil e proveitoso (ICo 12.7 A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.; 14.6 Agora, irmãos, se eu for visitá-los e falar em línguas, em que lhes serei útil, a não ser que lhes leve alguma revelação, ou conhecimento, ou profecia, ou doutrina?). Quer dizer, a ação profética tem serventia e é lucrativa espiritualmente. Deus jamais concederia algo que fosse um laço para o seu povo.

Os dons são concedidos para o benefício da igreja toda. Não são para o usufruto indi­vidual, mas para uso corporativo. Os coríntios em especial precisavam ser lembrados disso, pois usavam os dons espirituais de maneira egoísta, para promover a si mesmos, não para edificar a igreja. Quando aceitamos nossos dons com humildade, podemos usa-los para promover harmonia e para ajudar a igreja como um todo.

Paulo usa três ilustrações simples para provar sua argumentação sobre a necessidade de entendimento para que um ministério espiritual seja edificante: instrumentos musicais, uma trombeta na batalha e as conversas diárias.

Se um instrumento musical não emite um som claro e distinto, ninguém é capaz de reconhecer a música que está sendo tocada. Todos sabem como é incomodo quando um músico não consegue tocar a nota exata porque o instrumento tem algum defeito ou está desafinado. A fim de produzir uma música agradável, o órgão de tubos, por exemplo, deve passar por frequentes manutenções.

Se o corneteiro de um batalhão não sabe se está dando um toque de "Recuar!" ou de "Atacar!", por certo os soldados também não saberão o que fazer. Metade deles avançara e a outra metade retrocederá! A fim de ser compreendido, o toque da trombeta deve ser claro.

Trata-se de um fato que também vale para as conversas no dia-a-dia.

Pensemos num contexto mais amplo de aplicação da palavra dita acima: Eliseu é um exemplo clássico de voz profética levantada em tempos de crise que trouxe muitos livramentos, vitórias e provisões de Deus para o seu povo; lembremos de Ageu e Zacarias que, na construção do segundo templo, apegaram se a liderança local motivando o  povo de Judá na edificação da casa de Deus e de uma nova identidade nacional. No NT temos Ágabo, Barnabé, Paulo e tantos outros que jamais chegaremos conhecer o seu nome.

 

  1. Responsabilidades com o dom de profecia

A manifestação da Palavra profética deve ser resultado de uma busca do progresso da igreja (ICo 14.12 Assim acontece com vocês. Visto que estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem a edificação para a igreja.), por se tratar de uma enorme bênção espiritual, a profecia também vem acompanhada de grandes responsabilidades que envolvem a todos e simultaneamente o indivíduo em si. É preciso ser cuidadoso não somente com esse dom, mas com todos os dons que se manifestam nos cristãos pelo Espírito Santo. Não somente pelo juízo que experimentarão os irresponsáveis (Lc 12.48 Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.), mas sobre tudo pelo caráter de Deus em nós.

Paulo não quer impedir nem amenizar, na igreja de Corinto, a busca zelosa de poderes espirituais. É bom que os coríntios sejam zelosos. Paulo deseja de coração que eles “tenham em plenitude”. Ele emprega um termo que gosta de usar: perisseuein (transbordar). Paulo não é um defensor da precariedade na vida divina da igreja. Contudo a partir do amor é preciso que nessa riqueza de bens um só ponto de vista domine tudo “para a edificação da igreja”. O dom que me foi concedido não deve servir à minha satisfação, à minha grandeza, à minha fama, mas aos outros, aos irmãos, à igreja e à sua construção.

O julgamento de Deus será justo. Tomará como base o que o servo sabe sobre a vontade de Deus. Isso não que dizer que, quanto mais ignorantes somos, mais suave será o julgamento final diante de Cristo! Somos admoestados a conhecer a vontade de Deus (Rm 12.2; Cl 1.9) e a crescer no conhecimento de Jesus Cristo (2 Pe 3.18). Jesus está declarando um princípio geral: quanto mais recebemos de Deus, mais temos de prestar conta diante dele!

 

 

2.1. Todos podem profetizar na igreja?

Quando os setenta anciãos profetizaram em Israel nos dias de Moisés, ele desejou que todo Israel fosse profeta do Senhor (Nm 11.29 Mas Moisés respondeu: “Você está com ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do SENHOR fosse profeta e que o SENHOR pusesse o seu Espírito sobre eles!”). A escola de profetas nos dias de Eliseu era um estímulo ao desenvolvimento desse dom. Como membros do Corpo de Cristo, todos temos o potencial para sermos usados na palavra profética, não há qualquer restrição na Bíblia inteira quanto a isso, Paulo disse: “ todos podereis profetizar...” (ICo 14.31 Pois vocês todos podem profetizar, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados.). O dom de profetizar não pertence a um grupo seleto na igreja, porque o Espírito da profecia reside nela inteiramente, logo todos podem profetizar. Porém, alguns há que são usados no dom de profecia ocasionalmente, outros, no entanto, podem se dedicar tão profundamente ao profetismo atingindo certos níveis que fica evidente um chamado ministerial, quer dizer, que o indivíduo é um presente de Deus a igreja por possuir o dom carismático (ICo 12.28 Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas.; Ef 4.11 E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,).

 

É importante observar que as pessoas que falavam em línguas eram as que causavam mais problemas, de modo que Paulo dirige-se a elas e da várias instruções a serem seguidas pela igreja em seus cultos.

Em primeiro lugar, a locução, a interpretação e o julgamento (avaliação da mensagem) deveriam ser feitos de forma ordenada (1 Co 14:27-33). Não mais do que três pes­soas falariam em cada reunião, e cada mensagem deveria ser avaliada e interpretada na sequencia. Caso nenhum interprete se apresentasse, o que havia falado em línguas de­veria manter-se calado. A admoestação de Paulo a igreja de Tessalônica também se aplica a este caso: "Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que e bom" (1 Ts 5:19-21).

Por que as mensagens deveriam ser avaliadas? Para determinar se o locutor, de fato, transmitira a Palavra de Deus por meio do Espírito Santo. Poderia acontecer de alguém, sob a influencia das próprias emoções, imaginar que Deus falava por seu intermédio. Era possível a Satanás falsificar uma mensagem profética (ver 2 Co 11:13, 14). Os ouvintes deveriam, então, testar a mensagem usando as Escrituras do Antigo Testamento e a tradição apostólica, bem como a orientação pessoal do Espírito ("discernimento de espíritos"; 1 Co 12:10).

Se, enquanto uma pessoa falava, Deus desse uma revelação a outra pessoa, o primeiro locutor deveria se calar, enquanto a nova revelação era transmitida. Sob a direção de Deus, não haveria competição nem contradição nas mensagens. Se, porem, vários locutores estivessem "criando" suas próprias mensagens, haveria confusão e contradição.

Quando o Espírito Santo está no controle, os vários ministros terão domínio próprio, pois o domínio próprio e um fruto do Espíri­to (Cl 5:23).

 

2.2. Todos devem saber a finalidade

Há pelo menos três principais finalidades do dom de profetizar. Tais propósitos são claramente distintos: primeiro, a finalidade funcional, quer dizer que a profecia tem como função a edificação, o consolo e a exortação da igreja (ICo 14.3,12); segundo, finalidade ampla que se trata de uma busca pela unidade do corpo de Cristo e seu pleno amadurecimento (ICo 12.15-20 ; E f 4.12-14); e, por último, finalidade pedagógica que promove consolação (ICo 14.31). Isto é, a profecia seja ela falada ou escrita pode conter elementos de ensino que trarão uma nova percepção acerca de Deus e da sua vontade que redundarão em consolo geral. O próprio Paulo é um grande exemplo disso (lTs 4.17-18).

 

2.3. Todos devem cuidar uns dos outros

Paulo ensina que aquele que profetiza, do ponto de vista funcional é maior do que o que fala em línguas (ICo 14.5 Gostaria que todos vocês falassem em línguas, mas prefiro que profetizem. Quem profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que as interprete, para que a igreja seja edificada.). Aqui não se trata de hierarquização dos dons, mas dos graus de relevância do ponto de vista coletivo, visto que o dom de línguas é para edificação pessoal enquanto o outro trata da edificação da assembleia (ICo 14.4 Quem fala em língua a si mesmo se edifica, mas quem profetiza edifica a igreja.). Todavia, o grande perigo: é a competição que pode haver trazendo mágoas e até afastamento do local das reuniões. Ninguém deve ser inferiorizado e nem desprezado por mais simples que seja, todos devem desfrutar de cuidado mútuo (ICo 12.24-25 enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.). Posto que é Deus quem os estabelece (ICo 12.28 Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas.).

Todos os crentes são responsáveis de alguma forma pela palavra profética. Os que a omitem, de transmitir mensagens que se harmonize com a Bíblia, cuja intensão seja promover a edificação de quem ouve e a glória de Deus. Enquanto os que ouvem devem conferir a profecia comi a Palavra de Deus e aguardar o seu fiel cumprimento caso seja ela preditiva.

 

  1. É tica na palavra, profética

No tópico anterior, de certa maneira, já introduzimos este assunto, mas que em virtude da necessidade e ênfase bíblica precisam os penetrar em outros detalhes dele. Seja alguém na assembleia local ou um ministro que profetize há critérios éticos que devem ser observados, a fim de impedir desordens e até indecências.

 

3.1 Procurando manifestar a presença de Deus

A profecia é resultado da ação do Espírito sobre quem profetiza que indica a manifestação da presença de Deus. Tal movimento espiritual procura revelar objetivamente aos infiéis presentes essa presença, a fim de que eles venham a reconhecer e testemunhar que Deus estava de fato na assembleia, e quem sabe vir até a se converter ao evangelho (ICo 14.22-25). Todavia, não significa que quem profetiza ainda que esteja sob a manifestação da presença de Deus, esteja inconsciente ou perdeu o livre-arbítrio. Não devemos pensar que quem profetiza entra num estado de êxtase ou de desgoverno.

Paulo volta a argumentar em favor da superioridade da profecia em contraste com as línguas: a menos que seja interpretada, uma mensagem em línguas não é capaz de condenar os pecados no coração do pecador. Pode acontecer de o incrédulo sair do culto antes de ser dada uma interpretação, pensando que a congregação toda não passa de um bando de loucos. As línguas não foram um instrumento de evangelismo nem em Pentecostes e nem nas reuniões da Igreja primitiva.

No entanto, as línguas tinham uma "men­sagem" especialmente aos judeus incrédulos: era um sinal do julgamento de Deus. Paulo cita Isaias 28:11,12, uma referencia ao exercito invasor assírio cuja língua "barbara" os judeus não conseguiam entender. A presença dessa "língua" era sinal do julgamento de Deus sobre a nação. Deus preferia falar com seu povo em uma linguagem clara e inteligível, mas os pecados contumazes de Israel tornaram isso impossível. Ele lhes falou por meio de seus mensageiros na língua deles, mas a nação recusou-se a se entender. Então, teve de falar em uma língua estrangeira, uma representação de seu jul­gamento.

Como nação, o povo de Israel estava sempre à procura de um sinal (Mt 12.38; 1 Co 1:22). Em Pentecostes, o fato de os apóstolos falarem em línguas foi um sinal para os judeus incrédulos que celebravam a festa. O milagre das línguas despertou seu interesse, mas não falou a seu coração. Foi preciso que Pedro pregasse (em aramaico uma língua que todos entendiam) para que fossem convencidos de seus pecados e se convertessem.

O principio da edificação nos estimula a concentrar nossa energia em compartilhar a Palavra de Deus de modo que a igreja seja fortalecida e cresça. O principio do entendimento nos lembra de que, a fim de trazer algum benefício, o que compartilhamos precisa ser compreendido. O uso pessoal dos dons pode edificar aquele que os utiliza, mas não edifica a igreja, e Paulo nos admoesta: "procurai progredir, para a edificação da igre­ja" (1 Co 14:12).

 

3.2. Mantendo a ordem no culto

A profecia sempre será compatível com a ordem no culto, nunca contrária a ela. O cuidado quanto à ordem no mesmo deverá existir sempre e todos devem cooperar para tal. Contudo jamais se deve impedir o exercício do dom de profecia, ou extinguir o Espírito Santo pelo medo ou excesso de zelo (ICo 14.29). Frequentemente Paulo foi usado para conferir ou manifestar o dom de profecia m e diante a imposição de mãos (em outros irmãos), quer fossem obreiros ou não (At 19.6-7; lTm4.14; 2Tm 1.6).

 

3.3. A humildade dos que profetizam

Como a profecia tem a participação direta do elemento humano, sempre haverá possibilidades de equívocos, e com isso Deus trata conosco quanto ao nosso nível de paciência. Aquele que profetiza fala segundo a medida de fé que lhe foi outorgada por Deus, podendo sua mensagem ser preditiva ou não, todavia quem fala deve falar de acordo com os oráculos de Deus. Uma pessoa de fala arrogante, que não aceita que a sua mensagem seja submetida a análise, pode ser sinal de que não é um genuíno profeta, “pelos frutos os conhecereis” foi o que disse Jesus. Por outro lado, o verdadeiro profeta jamais se sentirá diminuído pelo fato de sua mensagem está sendo analisada por qualquer grupo.

As assembleias cristãs podem e devem criar um ambiente em que Deus possa agir livremente, porém isso só acontecerá se for buscado com o propósito de crescimento. O desenvolvimento desse ambiente deve constar de tranquilidade, hinos espirituais e apropriados. Há, pelo menos, dois casos em que o espírito da profecia foi buscado e alcançado com música: primeira, em que Eliseu pede um tangedor (harpista) e exerce o seu oficio, (2Rs 3.15); e também Saul que ao se defrontar com uma banda musical de profetas portando saltérios, tambores, flauta s e harpas o Espírito Santo se apoderou dele e começou a profetizar também, (ISm 10.5-10). Entretanto notamos que, tanto Samuel quanto E liseu, desenvolveram uma escola profética em Israel.

 

Conclusão

Todos devem buscar com zelo o dom de profetizar, posto que pela graça tal manifestação é amplamente acessível aos membros do corpo de Cristo. Enquanto a Igreja estiver neste mundo, ela manifestará a sabedoria de Deus através dos dons que poderão ser exercidos por fé e pela manifestação que for concedida a cada um

para proveito geral.

 

 

A instituição do discipulado - Lição 7 – 17 de Fevereiro de 2013

 

LIÇÃO 7 – 17 de Fevereiro de 2013

 

A instituição do discipulado

 

TEXTO AUREO

 

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Mt 28.19

 

VERDADE APLICADA

 

Uma grande prova do nosso amor ao Senhor Jesus está em o obedecermos através da prática do discipulado.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Mostrar que o discipulado é o que o Mestre nos pediu para fazer;

► A presentar quem Jesus de fato é para que desse tal ordem;

► A quem compete por em prática o exercício do discipulado.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Mt 28.16 - E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.

Mt 28.17 - E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.

Mt 28.18 - E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.

Mt 28.19 - Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

Mt 28.20 - ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!

 

Introdução

A palavra discipulado vem do latim ‘discipulatu’ e quer dizer aprendizado. Quando dizem o discipulado bíblico, referimo-nos ao aprendizado de quem Jesus é e do que nos; “ordenou” a fazer à luz da Bíblia Sagrada. Enquanto que evangelizar é transmitir, propagar as boas novas a todos, discipular é um compromisso mais profundo e envolvente através do ensino, convivência e exemplo, basta olharmos para Jesus e verem os isso, é o que faremos a seguir.

 

  1. O mestre Jesus Cristo

O discipulado visa, mediante o ensino no poder do Espírito Santo, gerar Cristo nos corações (Gl 4.19 Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês.). Quer dizer, a transformação de vidas, de pensamentos e de atitudes, evidenciando a habitação de Cristo no viver do novo discípulo (2Co 5.17 Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!; G1 2.20 Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.). Mas só se conseguirá realizar tal missão, aquele que estiver plenamente cônscio de quem Jesus é com absoluta convicção.

Os gálatas estavam prontos para considerar o apóstolo como inimigo, mas ele lhes assegura que era seu amigo; que por eles tinha sentimentos paternais. Duvida do estado deles e anseia conhecer o resultado de seus enganos presentes. Nada é prova tão segura de que um pecador tem passado ao estado de justificação como que Cristo esteja-se formando nele pela renovação do Espírito Santo, mas isto não pode esperar-se enquanto os homens dependam da lei para serem aceitos por Deus.

O homem renovado age sobre a base de princípios novos por regras novas, com finalidades novas e com companhia nova. O crente é criado de novo; seu coração não é somente endireitado; lhe deu um coração novo. É feitura de Deus, criado em Cristo Jesus para boas obras. Embora é o mesmo como homem, mudou seu caráter e conduta. Estas palavras devem significar mais que uma reforma superficial. O homem que antes não via beleza no Salvador para desejá-lo, agora o ama por acima de todas as coisas.

 

1.1. Como discipular segundo Jesus?

Temos nosso maior exemplo no próprio mestre Jesus que, dedicou os três últimos anos de sua vida aos doze discípulos. Sendo para eles modelo por excelência, para que os mesmos pudessem fazer como ele fez. Se observarmos atentamente os seus movimentos nesse sentido, perceberemos que, embora tenha se preocupado com as multidões, veremos que o seu ministério foi inteira e sacrificialmente voltado para os doze, quer dizer, uma vida de comunhão com os discípulos, para que eles proclamassem aos perdidos, ao serviço ao próximo com milagres e entrega pessoal. Dessa maneira, nos deu o exemplo para que nós pudéssemos fazer como Ele fez (Jo 13.1 Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.).

Nosso Senhor Jesus tem um povo no mundo que é seu; o comprou e pagou caro por eles, e os separou para si; eles se rendem a Ele como povo peculiar.Aos que Cristo ama, os ama até o sumo. Nada pode separar do amor de Cristo o crente verdadeiro.

Não sabemos quando chegará nossa hora, por isso, o que devemos fazer como preparativo constante para ela, nunca deve ficar sem ser feito. Não podemos saber que caminho de acesso aos corações dos homens tem o diabo, mas alguns pecados são tão excessivamente pecaminosos, e é tão pouca a tentação a eles de parte do mundo e a carne, que é evidente que vêm diretamente de parte de Satanás.

Jesus lavou os pés dos discípulos para ensinar-nos a pensar que nada nos rebaixa se podemos fomentar a glória de Deus e o bem de nossos irmãos.Devemos dirigir-nos ao dever e deixar de lado todo o que impede o que devemos fazer. Cristo lavou os pés dos discípulos para representá-lhes o valor do lavamento espiritual, e a limpeza da alma das contaminações do pecado.

Nosso Senhor Jesus faz muitas coisas cujo significado nem seus discípulos sabem no presente, mas o saberão depois. Ao final vemos que era o bom dos fatos que pareciam piores. Não é humildade, senão incredulidade rejeitar a oferta do evangelho como se fossem demasiado ricos para que seja para nós, ou notícia demasiado boa para ser verdadeira.

Todos os que são espiritualmente lavados por Cristo têm parte nEle, e somente eles. A todos os que Cristo reconhece e salva, os justifica e santifica.Pedro se submete mais do requerido; roga ser lavado por Cristo. Quão fervoroso é pela graça purificadora do Senhor Jesus, e o efeito total dela, até em suas mãos e cabeça! Os que desejam verdadeiramente ser santificados, desejam ser santificados por completo, e que seja purificado todo o homem, em todas suas partes e poderes. O crente verdadeiro é assim lavado quando recebe a Cristo para sua salvação. Então, veja-se qual deve ser o afã diário dos que, pela graça, estão num estado justificado, isto é, lavar seus pés; limpar a culpa diária, e estar alertas contra toda coisa contaminante. Isto deve fazer-nos sumamente cautos. Desde o perdão de ontem devemos ser fortalecidos contra a tentação deste dia. Quando se descobrem hipócritas, não deve ser surpresa nem causa de tropeço para nós.

Atentem na lição que ensina aqui Cristo. Os deveres são mútuos; devemos aceitar ajuda de nossos irmãos e devemos dar-lhes ajuda. Quando vemos que nosso Mestre serve, não podemos senão ver quão inconveniente é dominar para nós.

E o mesmo amor que levou a Cristo a resgatar e reconciliar a seus discípulos, quando eram inimigos, ainda influi sobre Ele.

 

 

1.2. A ressurreição e o discipulado

Devemos estar totalmente certos de quem Jesus é, ou seja, de sua identidade real ao ressuscitar dentre os mortos, pois o Novo Testamento faz questão de enfatizar esse evento da ressurreição. Pelas evidências demonstradas sabemos que Ele ressuscitou de fato. Sua morte de cruz não foi um embuste, seus discípulos não tinham condições de roubar o seu corpo e tampouco alguém quereria dar a sua vida por uma mentira. Portanto, Jesus é o Filho de Deus, digno de ser adorado. E a Sua salvação deve ser levada a todo canto da terra (Tt 2.11 Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens.) por causa de sua ressurreição (Mt 28.17-20 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!).

Uma vez que o ser humano não é capaz de salvar-se a si mesmo, a graça de Deus teve de trazer a salvação para humanidade. Essa salvação não foi descoberta pelos pecadores; antes, lhes foi revelada pela vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em sua graça, Deus enviou seu filho para remir os eram escravos do pecado. Essa salvação é para “todos os homens” que aceitarem (ver 1 Tm 2.4-6). Existe uma necessidade universal que Deus supre com provisão universal aos que creem.

Jesus encarrega solenemente aos apóstolos e a seus ministros que vão para todas as nações. A salvação que iam pregar é salvação comum; quem a quiser, que venha e tome o benefício; todos são bem-vindos em Cristo Jesus.

O cristianismo é a religião de um pecador que pede salvação da merecida ira e do pecado; recorre à misericórdia do Pai por meio da expiação feita pelo Filho encarnado e pela santificação do Espírito Santo, e se entrega a ser adorador e servo de Deus, como Pai, Filho e Espírito Santo, três Pessoas, mas um só Deus, em todas suas ordenanças e mandamentos.

O batismo é um sinal externo do lavamento interno ou santificação do Espírito, que sela e demonstra a justificação do crente. Examinemo-nos se realmente possuímos a graça espiritual interna da morte para o pecado e o novo nascimento para a justiça, pelos quais os que eram filhos da ira chegam a ser filhos de Deus.

Os crentes terão sempre a presença constante de seu Senhor; todos os dias, cada dia. Não há dia, nem hora do dia, em que nosso Senhor Jesus não esteja presente em suas igrejas e com seus ministros; se houver, nesse dia, naquela hora, eles seriam desfeitos. O Deus de Israel, o Salvador, é às vezes um Deus que se esconde, mas nunca é um Deus distante. A essas preciosas palavras se agrega o Amém. Ainda assim, Senhor Jesus, seja conosco e com todo seu povo; faça que seu rosto brilhe sobre nós, que seu caminho seja conhecido na terra, sua saúde salvadora entre todas as nações.

 

1.3. Poder de Jesus de enviar os novos discípulos

A grande comissão é um privilégio admirável para igreja. Tal ofício foi dado pela mais alta autoridade que se pode imaginar: Jesus de Nazaré, o Filho de Deus ressuscitado, como vimos acima. Ele foi quem disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”. As evidências dessa realidade residem no nível de compromisso deles com o discipulado nos anos que se seguiram à ressurreição. Aqueles homens foram radicalmente transformados, pelo fato de terem experimentado os grandes milagres realizados por eles mesmos, no nome de Jesus, fato que acontece até hoje. O Senhor Jesus não deu opção aos seus discípulos, antes ordenou explicitamente que fossem: “Ide, fazei discípulos”.

O conceito de discipulado vem da “Grande Comissão'’: A ideia que um discípulo tinha de um mestre não era somente abarcar o conteúdo sistemático doutrinário que ensinava. Na verdade, eles queriam ser como os seus mestres eram. Por isso que Jesus disse que fazer discípulos é ensinar tudo quanto Jesus ordenou, ou seja, ensinar fazendo. Toda a multiplicação de discípulos era baseada no estilo de vida que Jesus levava.

 

  1. A grande comissão

Quando o Mestre ordenou a prática do discipulado, Ele o fez com alguns critérios em relação aos que Ele mandou, quer dizer, só poderiam discipular aqueles que desfrutaram da associação com Ele, que se tornaram testemunhas oculares de seus milagres e ressurreição, e por último, pessoas que foram efetivamente transformadas. Tais exigências vigoram hoje por serem princípios fundamentais.

 

2.1. Os primeiros discípulos

O exercício prático do discipulado coube aos seus seguidores que estiveram com o Mestre desde o princípio. Esta associação exigiu grande resignação, aprendizado intenso e muitos riscos por parte dos discípulos diretos de Jesus de Nazaré. Evidentemente, que hoje não se pode associar fisicamente a Jesus por Ele estar glorificado no céu, mas este princípio permanece da seguinte maneira: estar ligado a Ele através da fé, do aprendizado constante e da obediência aos seus mandamentos. Devemos lembrar que estamos associados a Jesus em plena comunhão com o Espírito Santo que Ele prometeu (Jo 15.26-27 Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio.).

O Espírito bendito manterá a causa de Cristo no mundo, apesar da resistência que encontra. Os crentes ensinados e exortados por suas influências devem testificar de Cristo e de sua salvação.

 

2.2. Os que foram testemunhas de sua ressurreição

Tornaram-se discipuladores diretos aqueles que foram testemunhas de sua ressurreição, este é outro princípio que vigora. Mas, para alguns talvez seja difícil entender, uma vez que não estavam lá, naquele domingo e nem tocaram em Jesus como fizeram os seus apóstolos. Todavia, quando cremos nele e nos dispusemos a aprender seus ensinamentos e a segui-lo resignada e indefinidamente em nossa vida, somos transformados pela habitação do Espírito Santo e testemunhas da ressurreição. Posto que a transformação em nossas vidas é um testemunho eficaz que Ele, que é Deus, e que regenera todo aquele que crê.

 

2.3. Os que foram efetivamente transformados

Embora pareça redundante o presente tópico, mas na verdade queremos tratar mais profundamente dessa exigência de transformação. Um discipulador deve demonstrar que, realmente já aprendeu, e isso não quer dizer assentimento intelectual, mas o tomar-se nova criatura de fato, ser um seguidor exemplar e amá-lo com intensidade. As vezes, irrefletidamente se diz, “não olhe para minha vida que sou cheio de falhas, olhe para Jesus”, no discipulado não é assim. Pois cada cristão tem de ser um exemplo a ser imitado na fé, aprendizado e resignação, os textos que tratam disso são fortes e incontestáveis: “porque eu vos dei o exemplo”, “sede meus imitadores”, “... por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes” (Jo 13.15 Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.; ICo 11.1 Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.; 2Ts 3.9b não por que não tivéssemos tal direito, mas para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês.).

O autor já pôde constatar uma certa resistência ao método do discipulado pelo simples motivo de outras seitas heréticas se utilizarem dele. Pessoas que vão de porta em porta e, depois de conseguir a atenção, aplicam com eficiência os seus ensinos individualmente e a pequenos grupos. Ora, o fato de outras religiões e seitas utilizarem desse método não significa ser impróprio usá-lo, se deixarmos de usar por esse motivo estaremos valorizando mais a nossa opinião em função das circunstancias do que as palavras imperativas do Senhor Jesus.

 

  1. Por que devemos discipular?

Atualmente temos duas realidades contrastantes em relação à divulgação do evangelho: a primeira é que muita propaganda dele tem sido feita no mundo; segunda, o avanço de um paganismo e descristianização da sociedade através das artes e do secularismo em todas as áreas. Às vezes, pensamos nas nações, povos e etnias sem o evangelho e nos preocupamos, isso é legítimo, mas nos descuidamos de discipular nossos filhos, amigos e vizinhos, por isso precisamos voltar ao princípio.

 

3.1 Por causa da eficácia desse método

O discipulado tem uma eficácia insubstituível que é a atenção direta que podemos oferecer a alguém e responder a suas eventuais dúvidas. Nisso reside a grande sabedoria dele, pois se concentra a atenção em um número limitado de pessoas, mas com grande potencial de multiplicação. Com muita sabedoria, disse Robert Collins “Ninguém pode transformar o mundo, a menos que os indivíduos que o compõem sejam transformados; e ninguém pode ser transformado senão quando moldado nas mãos do Mestre”.

 

3.2. Porque a vinda de Jesus se aproxima

Através da história da igreja, sabemos que na certeza da chegada desse dia. Muitos fizeram cálculos e predições de datas, mas isso não aconteceu. Isso não que dizer que Ele não voltará, pois até essa demora, foi prognosticada pelas Escrituras (Mt 25.5 O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram.19 “Depois de muito tempo o senhor daqueles servos voltou e acertou contas com eles.; 2Pe 3.3-4 sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.). Devemos anunciá-lo até que Ele volte. Pelo menos é o que relembramos a cada ceia do Senhor (ICo 11.26 Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha.). Os sinais confirmam de maneira irrefutável a sua chegada, e, quando ele vier, será que estaremos dormindo ou vigiando? A melhor maneira de se esperar a sua vinda é estarmos a vigiar, orar e discipular.

 

3.3. Porque a vida terrena é curta, mas a alma é eterna

A vida aqui é mui breve, e o fato de que morreu, expirou não quer dizer que deixou de existir ao Tornar-se pó. As almas dos homens são reais e eternas, portanto, estando perdidas nesta vida, estarão perdidas por toda eternidade. E eternidade é sempre, sempre, e sempre. A alma humana possui valor mui alto, o Cordeiro de Deus é quem sabe. Pois lhe custou a vida, o resgate delas. Que espécie de valor estamos dando a elas? Discipular é, portanto resgatar essas almas sensíveis, porém eternas para Deus.

Talvez alguém pense que não seria prático se utilizar de tal método tendo em vista o seu pequeno alcance, os modernos meios de comunicação e o fato de outro segmento religioso praticar o discipulado pessoal. Devemos entender que a comunicação em massa feita pelo rádio, televisão. internet, etc., são legítimos, mas também são muito frágeis: por faltar a aperto de mão; por ajudar a cristianizar a sociedade sem necessariamente haver a genuína regeneração, por ser muito caro e dar margens para a exploração financeira, etc. A igreja deve usar todos os recursos de que dispõe, mas priorizando o discipulado bíblico sempre.

 

Conclusão

Posto que, ninguém faz discípulos para si, mas para o reino de Deus através de sua vida do lugar onde estamos. Regressar ao discipulado bíblico é uma exigência urgente em nossos dias, por se tratar um retorno ao método primitivo do cristianismo com toda a sua eficácia, sem necessariamente abrirmos mão dos meios modernos de comunicação.

 

 

 

O legado de Jesus Cristo para sua igreja - Lição 8 – 24 de Fevereiro de 2013

 

LIÇÃO 8 – 24 de Fevereiro de 2013

 

O legado de Jesus Cristo para sua igreja

 

TEXTO AUREO

 

“porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos”. 2Co 12.14b

 

VERDADE APLICADA

 

Dentre outros, Jesus deixou o legado do amor, da paz, segurança, do prazer de viver, e da dependência recíproca.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Apresentar o Senhor Jesus como um modelo que se ocupou em acumular um legado para seus seguidores;

► Mostrar os diferentes tipos de legado outorgados pelo Senhor Jesus;

► Destacar as bênçãos da salvação.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Lc 4.13 - E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo.

Lc 4.14 - Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galileia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.

Lc 4.15 - E ensinava nas suas sinagogas e por todos era louvado.

Lc 4.16 - E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler.

 

Introdução

Uma das importantes características de Jesus era a capacidade de transformar os seus discípulos em pessoas ativas, dinâmicas e com habilidade de transmitir suas ideias. Ele não idealizou um grupo de homens e mulheres passivos, tímidos, com a personalidade anulada. Antes os encheu do Espírito Santo após sua ressurreição para que levassem o seu legado a humanidade.

 

  1. O legado histórico

Não temos qualquer dúvida de que o Jesus histórico é o Cristo da fé que encontramos nos quatro evangelhos. Temos o bom senso de nos apoiar na tradição que os recebeu desde os tempos primitivos, acreditando em todos os seus relatos. Tais relatos foram elaborados a partir do ponto de vista da identidade divina de Jesus e não em supostos folclóricos, não há ficção, tudo foi plenamente real e é isso que tem transformado vidas através dos séculos até hoje.

 

1.1. A história de Jesus nos evangelhos

A vida de Jesus contada nos evangelhos inicialmente nos provam que ele é o cumprimento profético de vários séculos antes de seu nascimento. Esses relatos biográficos foram escritos intencionalmente para deixar um legado histórico honesto partindo da interpretação de quem Ele era, o Cristo, o filho do Deus vivo, e para evitar que lendas populares acabassem por sufocar o verdadeiro Cristo da fé. O que de fato aconteceu, pois, nas décadas posteriores da morte dos apóstolos criou evangelhos fabulosos e cheios de exageros que foram rejeitados pela igreja e sua liderança. A história do Cristo da fé nos evangelhos é uma seiva que nos fortalece, boas novas que nos trazem esperança num mundo caótico e nos sustenta em meio ao ceticismo corrente.

 

 

1.2. A doutrina de Jesus no Novo Testamento

Os evangelhos nos mostram Jesus como um mestre atraente às grandes multidões, um exímio comunicador que tocava profundamente as pessoas através do seu ensino, a partir de coisas comuns, a vida de seus ouvintes. Ele recusou a tradição oral com seus mandamentos sobrecarregados, reinterpretou a Lei mosaica em vários pontos e reformulou uma nova ética para seus seguidores. As provas disso são as expressões encontradas nos próprios evangelhos: “estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina” (Mt 7.28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino,); “Ele as ensinava como quem tem autoridade” (Mt 7.29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.); “Nunca ninguém falou como esse homem” (Jo 7.46 “Ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala”, declararam os guardas.). Os seus ensinos são um legado de inestimável valor. Jesus foi uma criança que nasceu entre os animais, cresceu numa região desprezada e conflitante, foi silenciado pela dor da cruz, mas incendiou a história humana com suas palavras.

O impacto do sermão do Monte foi profundamente marcante e duradouro. É o que também denota o tempo verbal do imperfeito no original grego. O imperfeito expressa a duração de uma ação ou impressão. “As multidões estavam totalmente fora de si.” Estavam como que atordoadas, paralisadas!

Pavor e admiração, profundo abalo interior e simples incapacidade de captar tomaram conta de seu coração. Jamais tinham ouvido algo assim.

Havia também entre os escribas personalidades famosas e oradores poderosos. Nomes como os dos grandes mestres da lei Shammai e Hillel, que viveram pouco tempo antes de Jesus, ainda estavam vivos na memória de todos. Mas não eram nada diante daquele que agora falava com autoridade como o “Senhor”.

 

1.3. A tradição evangélica herdada

Jesus de Nazaré, mestre incomparável e insuperável que jamais escreveu um livro sequer, no entanto seu exemplo inspirativo, por si só nos mostra alguém que viveu na história preocupado em deixar um legado. Evidentemente, era intencional da parte divina que ele exercesse tal fama. Mas e quanto a nós? Será que vivemos um cristianismo inspirador, capaz de motivar nossos cônjuges, filhos, amigos e irmãos a desejarem viver acima da mediocridade? Ou será que estamos a nos arrastar pela correnteza do século presente com seus valores secularizados?

“Jesus foi um semeador (Mt 13.1-23). Quem não consegue enxergar o poder contido em uma semente, nunca mudará o mundo que o envolve, nunca influenciam o ambiente social e profissional! que o cerca. Uma mudança de cultura só será legítima e consistente se ocorrer por intermédio das singelas sementes plantadas na mente de homens e mulheres, não por intermédio da imposição de pensamentos”. Augusto Cury. Reflitamos que histórias queremos que contem de nós quando descermos em nossos túmulos, precisamos pensar como queremos ser lembrados. Para isso temos que ter a mente de Cristo em nós, para pensarmos como ele pensaria se estivesse em nosso lugar.

 

  1. Olegado espiritual

Partindo do princípio da pessoa que Jesus era, o legado espiritual por ele deixado jamais será superado a salvação da alma humana - visto que não era da competência do homem comum. Mas de alguém com uma dupla identidade humana e divina. Todavia o Mestre ressuscitado nos compartilhou a sua missão expansionista do reino de Deus quando disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos

envio” (Jo 20.21b). Ele até poderia fazer tudo só, mas escolheu trabalhar por meio de sua igreja.

 

2.1. A justificação pela fé

Tudo realizado por Jesus Cristo é importante para a igreja, mas a maior herança por Ele outorgada, do ponto de vista da eternidade, é a nossa salvação. Paulo trata desse assunto sob o tema da justificação em Romanos. Judeus, gregos e gentios precisavam de alcançarem justiça de Deus para se, tornarem aceitáveis, posto que todos igualmente estavam condenados. Por mais que o homem pudesse fazer não satisfaziam a justiça divina. Os homens para se tornarem judeus precisavam observar o rito da circuncisão, porém a justificação em Cristo é uma herança alcançada pela graça de Deus por meio da fé (Rm 5.1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,). De maneira que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Rm 10.13porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.).

 

A pessoa não salva é inimiga de Deus (ver Rm 5:10; 8:7), pois não é capaz de cumprir a Lei de Deus nem de obedecer à sua vontade. Dois versículos de Isaías deixam isso claro: "Para os perversos, todavia, não há paz, diz oSenhor" (Is 48:22); "O efeito da justiça será paz" (Is 32:17). Con­denação significa que Deus nos declara pe­cadores, o que, por sua vez, equivale a uma declaração de guerra. Justificação significa que Deus nos declara justos, o que, por sua vez, representa uma declaração de paz, possibili­tada pela morte de Cristo na cruz. "Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram" (SI 85:10). "Porque a lei suscita a ira" (Rm 4:15), então ninguém condenado pela Lei pode desfrutar de paz com Deus. Mas, quando somos justificados pela fé, so­mos declarados justos, e a Lei não pode nos condenar nem declarar guerra!

Não há um Deus para os judeus que seja melhor, e outro para os gentios que seja menos bom; o Senhor é o Pai de todos os homens. a promessa é a mesma para todos os que invocam o nome do Senhor Jesus como Filho de Deus, como Deus manifestado em carne. Todos os crentes desta classe invocam o Senhor Jesus e ninguém mais o fará tão humilde ou sinceramente, mas, como poderia invocar ao Senhor Jesus, ao Salvador divino, alguém que não tem ouvido dEle? Qual é a vida do cristão, senão uma vida de oração? Isso demonstra que sentimos nossa dependência dEle e que estamos prontos para render-nos a Ele, e temos a expectativa confiada acerca de todo o nosso de parte dEle.

“A justificação é um ato declaratório de Deus (Rm 5.1). Não é um processo, mas um ato legal, forense

e judicial de Deus, sobre a base da justiça de Cristo. Ela é recebida pela fé (Rm 5.1). No entanto não somos justificados com base na fé, mas no poder do sacrifício de Jesus. A fé é apenas um instrumento de apropriação dos benefícios da cruz”. (Romanos - O evangelho segundo Paulo - Ed Hagnos)

 

2.2. Bênçãos da salvação

São diversas as bênçãos da salvação enumeradas por Paulo em Romanos 5, como efeito direto da justificação. Ele fala que agora “temos paz com Deus, por meio do Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos a paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,); temos esperança eterna, “e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.2b por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.); tiramos proveito das tribulações passageiras, “nos gloriamos nas próprias tribulações” (Rm 5.3 Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança;); temos um futuro eterno junto a Deus garantido, “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.9 Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus!); e finalmente, fomos e estamos reconciliados com Deus, “fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Rm 5.10 Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!).

 

Uma mudança bendita acontece no estado do pecador quando chega a ser um crente verdadeiro, tenha sido o que for. Sendo justificado pela fé tem paz com Deus. O Deus santo e justo não pode estar em paz com um pecador enquanto está embaixo da culpa do pecado. A justificação elimina a culpa e, assim, abre o caminho para a paz. Esta é por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por meio dEle como grande Pacificador, o Mediador entre Deus e o homem.

O feliz estado dos santos é o estado de graça. Somos levados a esta graça. Isso nos ensina que não nascemos neste estado. Não poderíamos chegar a esse estado por nós mesmos, senão que somos conduzidos a ele como ofensores perdoados. Ali estamos firmes, postura que denota perseverança; estamos firmes e seguros, sustentados pelo poder de Deus; estamos ali como homens que mantêm seu terreno, sem sermos derrubados pelo poder do inimigo. E os que têm a esperança da glória de Deus no mundo vindouro, têm suficiente para regozijar-se no presente.

A tribulação produz paciência, não em si mesma nem de por si, mas pela poderosa graça de Deus opera na tribulação e com ela. Os que sofrem com paciência têm a maioria das consolações divinas que abundam quando abundam as aflições. Opera uma experiência necessária para nós.

Esta esperança não desilude, porque está selada com o Espírito Santo como Espírito de amor. Derramar o amor de Deus nos corações de todos os santos não nos envergonhará em nossa esperança nem por nossos sofrimentos por Ele.

Cristo morreu pelos pecadores; não só pelos que eram inúteis, senão pelos que eram culpáveis e aborrecíveis; por estes cuja destruição eterna seria a glória da justiça de Deus. Cristo morreu para salvar-nos, não em nossos pecados, senão de nossos pecados, e ainda éramos culpáveis quando Ele morreu por nós. Sim, a mente carnal não só é inimiga de Deus, senão que é a inimizade mesma (capítulo 8.7; Cl 1.21). Porém Deus determinou liberar do pecado e operar uma grande mudança. Enquanto continuar o estado pecaminoso, Deus aborrece ao pecador e o pecador aborrece a Deus (Zc 11.8). É um mistério que Cristo morresse pelos tais; não se conhece outro exemplo de amor, para que bem possa dedicar-se a eternidade a adorar e maravilhar-se nEle.

Além disso, que ideia tinha o apóstolo quando supõe o caso de um que morre por um justo? E ainda bem que somente o colocou na frase como algo que poderia dizer. Não era que depois de passar por este sofrimento, a pessoa a qual se desejava beneficiar poderia ser libertada? Mas, de que são libertados os crentes em Cristo por sua morte? Não da morte corporal, porque todos devem suportá-la. O mal, do qual podia efetuar-se a libertação somente deste modo assombroso, deve ter sido muito mais terrível que a morte natural. Não há mal ao qual não posa aplicar-se o argumento, salvo o que o apóstolo assevera concretamente, o pecado e a ira, o castigo do pecado determinado pela justiça infalível de Deus.

E se, pela graça divina, assim foram levados a arrepender-se e a crer em Cristo, e assim eram justificados pelo preço de seu sangue derramado e pela fé nessa expiação, muito mais por meio dAquele que morreu por eles e ressuscitou serão livrados de cair no poder do pecado e de Satanás, ou de afastar-se definitivamente dEle. O Senhor vivente de todos concretizará o propósito de seu amor ao morrer salvando até o último de todos os crentes verdadeiros.

Tendo tal sinal de salvação no amor de Deus por meio de Cristo, o apóstolo declara que os crentes não somente se regozijam na esperança do céu, e até em suas tribulações por amor de Cristo, senão que também se gloriam em Deus como o Amigo seguro e Porção absolutamente suficiente deles, por meio de Cristo unicamente.

Sem dúvida, Paulo é o maior expoente da doutrina da Salvação no NT, ele foi capaz de resumir todo o legado de Cristo a nós, dizendo: “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). A paz com Deus é uma benção referente ao passado, algo que já ocorreu. Diferentemente de ter a paz de Deus (Fp4.7). Está ligado ao relacionamento, não ao sentimento. Pois se trata de uma reconciliação com Deus. Não somos mais filhos da ira, mas filhos gerados a partir de seu amor.

 

2.3. Um novo padrão ético-moral

Do ponto de vista do direito que legislou os filhos de Israel, Moisés foi o maior legislador da história. Basta compararmos com outros códigos descobertos pela arqueologia, como por exemplo, o Código de Hamurabi (da Babilônia), o Código de Manu (da índia), etc. Porém, o Senhor Jesus produziu nas bem aventuranças um código com um insuperável padrão ético-moral que vem revolucionando o mundo. Os valores deixados como herança pelo Senhor Jesus vieram para causar um impacto social que dão sentido a existência do indivíduo pela sua prática e habitação do Espírito Santo. Sua proposta faz do homem, homem no sentido pleno da palavra e não uma coisa como os proponentes de filosofias mundanas.

 

Código de Hamurabi, representa conjunto de leis escritas, sendo um dos exemplos mais bem preservados desse tipo de texto oriundo da Mesopotâmia. Acredita-se que foi escrito pelo rei Hamurábi, aproximadamente em 1700 a.C.. Foi encontrado por uma expedição francesa em 1901 na região da antiga Mesopotâmia correspondente a cidade de Susa, atual Irã.

A sociedade era dividida em três classes, que também pesavam na aplicação do código:

Awilum: Homens livres, proprietários de terras, que não dependiam do palácio e do templo;

Muskênum: Camada intermediária, funcionários públicos, que tinham certas regalias no uso de terras.

Wardum: Escravos, que podiam ser comprados e vendidos até que conseguissem comprar sua liberdade.

Pontos principais do código de Hamurabi:

lei de talião (olho por olho, dente por dente)

falso testemunho

roubo e receptação

estupro

família

escravos

ajuda de fugitivos

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Hamurabi

 

O Código de Manu é parte de uma coleção de livros bramânicos, enfeixados em quatro compêndios: o Mahabharata, o Ramayana, os Puranas e as Leis Escritas de Manu. Inscrito em sânscrito, constitui-se na legislação do mundo indiano e estabelece o sistema de castas na sociedade Hindu. Redigido entre os séculos II a.C. e II d.C. em forma poética e imaginosa, as regras no Código de Manu são expostas em versos. Cada regra consta de dois versos cuja metrificação, segundo os indianos, teria sido inventada por um santo eremita chamado Valmiki, em torno do ano 1500 a.C.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu

 

Se Jesus se ocupou em deixar um legado espiritual, o que nos resta fazer? Cabe a nós transferir essa herança de justiça, paz e alegria espiritual no tempo corrente. Isso é algo totalmente envolvente e não alienado, como alguns fazem da religião. Precisamos pensar como pais espirituais preocupados em deixar um tesouro para os nossos filhos que abunde para a vida eterna, falaremos mais disso a seguir.

 

  1. O legado de autoridade

Devemos lembrar que cumpre a nós como igreja temperarmos a nossa sociedade, com o bom tempero de Cristo. Esse poder salinizador nos foi conferido para ser levado a efeito nas artes, na política e educação, entre outros (Mt 5.13 “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.). Uma vida religiosa é uma coisa boa, mas ineficaz para produzir frutos de arrependimento e realizar sonhos. O que precisamos é do poder de Deus sobre nós para viver e transmitir esse maravilhoso legado.

 

3.1 Autoridade para viver uma nova realidade

A antiga realidade sem Cristo era sob o domínio do pecado, debaixo da autoridade de Satanás, evidenciada por uma vã maneira de viver (Ef 2.1-10 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.). Consequentemente não havia esperança diante da morte, antes sim uma grande incerteza que gerava terrível expectativa. Quando Cristo entra na vida do indivíduo, inaugura-se um novo dia, uma nova realidade, livre do pecado, e passa a ter autoridade sobre os demônios que dantes encarceravam a sua vida, e vive segundo o poder do evangelho com esperança. Quando a pessoa se torna crente e toma posse dessa autoridade espiritual abandona a luxúria, os vícios e vive em santidade e temperança (2 Co 5.17 Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!).

 

O pecado é a morte da alma. um homem morto em delitos e pecados não sente desejos pelos prazeres espirituais. Quando olhamos para um cadáver, dá uma sensação espantosa. O espírito que nunca morre foi embora, e nada tem deixado senão as ruínas de um homem. Todavia, se víssemos bem as coisas, deveríamos sentir-nos muito mais afetados com o pensamento de uma alma morta, um espírito perdido e caído.

O estado de pecado é o estado de conformidade com este mundo. Os homens ímpios são escravos de Satanás, que é o autor dessa disposição carnal orgulha que existe nos homens ímpios; ele reina nos corações dos homens. na Escritura fica claro que se os homens têm sido mais inclinados à iniqüidade espiritual ou sensual, todos os homens, sendo naturalmente filhos da desobediência, são também por natureza filhos da ira. Então, quanta razão têm os pecadores para procurarem fervorosamente a graça que os fará filhos de Deus e herdeiros da glória, tendo sido filhos da ira!

O amor eterno ou a boa vontade de Deus para com suas criaturas é a fonte de onde fluem todas suas misericórdias para conosco; esse amor e Deus é amor grande, e sua misericórdia é misericórdia rica. Todo pecador convertido é um pecador salvo; livrado do pecado e da ira. A graça que salva é a bondade e o favor livre e imerecido de Deus; Ele salva, não pelas obras da lei, senão pela fé em Cristo Jesus.

A graça na alma é vida nova na alma. Um pecador regenerado chega a ser um senhor vivente; vive uma vida de santidade, sendo nascido de Deus: vive, sendo livrado da culpa do pecado, pela graça que perdoa e justifica. Os pecadores se revolvem no pó; as almas santificadas sentam nos lugares celestiais, levantadas por sobre este mundo pela graça de Cristo.

A bondade de Deus ao converter e salvar pecadores aqui e agora, estimula os outros a esperar, no futuro, por Sua graça e misericórdia. Nossa fé, nossa conversão, e nossa salvação eterna não são pelas obras, para que nenhum homem se vanglorie. Estas coisas não acontecem por algo que nós façamos, portanto, toda jactância fica excluída. Todo é livre dádiva de Deus e efeito de ser vivificado por seu poder. Foi seu propósito para o qual nos preparou, dizendo-nos com o conhecimento de sua vontade, e seu Espírito Santo produz tal mudança abençoando-nos com o conhecimento de sua vontade, e seu Espírito Santo produz tal mudança em nós que glorificaremos a Deus por nossa boa conversação e perseverança na santidade. Ninguém pode abusar desta doutrina apoiando-se na Escritura, nem a acusa de nenhuma tendência ao mal. Todos os que assim agem, não têm escusa.

 

3.2. Autoridade para levar esperança

Temos autoridade de Deus para compartilhar a salvação em Cristo e suas bênçãos, não temos qualquer direito de reservar tais bênçãos apenas para nós mesmos (At 1.8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.). Devemos estar sempre mergulhados no amor do Senhor Jesus que nos constrange, a fim de compartilhar esse legado espiritual de todas as maneiras possíveis: pelo bom testemunho de transformação interna e externa, pelo evangelismo e discipulado (2Co 5.14-15Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.) . O plano de Deus é tão perfeito que, quanto mais compartilhamos da nossa herança, não empobrecemos e nem enfraquecemos; ao contrário, quando compartilhamos esperança aos necessitados tanto mais prosperamos e nos fortalecemos em Cristo em todos os aspectos.

 

Mas “recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas”. Começa a missão, a evangelização para a construção do corpo de Cristo. Para isso há necessidade de “poder”. Porém não bastam o poder do intelecto, da vontade humana, da retórica. “Poder do Espírito que desce sobre vós”: somente por meio dele é possível desincumbir-se dessa tarefa. Com ele, os apóstolos serão as “testemunhas” eficazes de Jesus.

Em Coríntios 5 O apóstolo se anima a si mesmo e aos outros a cumprir seu dever. As esperanças bem cimentadas do céu não animarão a preguiça nem a confiança pecaminosa. Todos devem considerar o juízo vindouro, que é chamado O Terror do Senhor. Sabendo quão terrível é a vingança que o Senhor executará nos fazedores de iniqüidade, o apóstolo e seus irmãos usam todo argumento e persuasão para levar os homens a crerem no Senhor Jesus, e para agirem como seus discípulos. seu zelo e diligência eram para a glória de Deus e para o bem da Igreja. O amor de Cristo por nós terá um efeito similar em nós se for devidamente considerado e retamente julgado. Todos estavam perdidos e desfeitos, mortos e destruídos, escravos do pecado, sem poder para libertar-se e deveriam ter continuado assim, miseráveis para sempre, se Cristo não tiver morrido. A vida do cristão deve ser dedicada a Cristo. Ai, quantos mostram a nulidade da fé e do amor que professam vivendo para si mesmos e para o mundo!

 

3.3. Autoridade para operar sinais e maravilhas

Operar sinais foi uma marca indelével do ministério terreno do Senhor Jesus. Ele deseja que o reino de Deus seja anunciado com poder, para que as pessoas venham a crer de fato em quem Ele é. Os sinais acompanham aqueles que vão e levam a mensagem de esperança, e em meio ao caminho à medida que cremos e ousamos eles acontecem: os demônios são expulsos, os enfermos são curados, experimentam os livramentos sobrenaturais. Essa autoridade foi conferida a todos os que creem

(Mt 28.18-20 E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.  Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!;

Mc 16.14-18 Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão.;

 

 At 1.8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.).

Recentemente aquele louco que invadiu um colégio em Realengo-RJ e saiu tirando a vida de muitas crianças e ferindo outras, acabou por suicidar-se. Seus parentes não foram fazer o reconhecimento do corpo no Instituto Médico Legal, de modo que foi sepultado como indigente, pois deixou um rastro de destruição e péssima lembrança de si, Com certeza, todos querem os ser bem lembrados, com carinho, boas histórias, etc., mas isso se planta na semeadura da vida.

 

Conclusão

Cristo Jesus compartilhou conosco toda a sua herança sem jamais empobrecer, então somos co-herdeiros com Ele. Seu propósito foi tornar-se um modelo vivo de inspiração para todos nós; neste particular. Cumpre a nós deixarmos também um legado, devemos pensar hoje, em como queremos ser lembrados no dia do nosso sepultamento.

 

 

 

. A teologia da prosperidade e o cristianismo puro e simples - Lição 9 – 01 de Março de 2013

 

LIÇÃO 9 – 01 de Março de 2013

 

A teologia da prosperidade e o cristianismo puro e simples

 

TEXTO AUREO

 

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”. Jo 14.13

 

VERDADE APLICADA

 

A teologia da prosperidade oferece um caminho rápido para o sucesso sem passar pelo trabalho, pela renúncia e pelo esforço.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Definir a teologia da prosperidade;

► Explicar que a teologia da prosperidade é uma heresia diferente das heresias clássicas;

► Ensinar o que as Escrituras dizem ser o evangelho.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Jo 14.10 - Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

Jo 14.11- Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

Jo 14.12 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.

Jo 14.13 - E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

Jo 14.14 - Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.

Jo 14.15 - Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.

 

A construção gramatical da pergunta em João 14:10 indica que Jesus esperava uma resposta afirmativa de Filipe: ele cria que Je­sus estava no Pai e que o Pai estava nele. Sendo esse o caso, Filipe deveria ter perce­bido que as palavras de Jesus, bem como suas obras, eram provenientes do Pai e reve­lavam o Pai. Os cristãos de hoje não viram o Senhor Jesus pessoalmente (1 Pe 1:8), mas podemos ver Cristo e suas obras na Palavra. Ao longo de todo seu Evangelho, João enfatiza não ser possível separar as palavras de Cristo de suas obras, pois ambas vêm do Pai e revelam o Pai.

O verbo "crer", em João 14:10, é con­jugado no singular, pois Jesus falava com Filipe; mas em João 14:11, é usado no plu­ral, pois o Mestre dirige-se a todos os discí­pulos. O tempo verbal, nos dois casos, é "prossigam crendo". Deixem que sua fé cresça!

Quatrocentos anos antes de Jesus nas­cer, o filósofo grego Platão escreveu: "É uma tarefa difícil encontrar o Pai e Criador de todo o universo, e, falar dele a todos os homens ao encontrá-lo, é impossível". Mas Platão es­tava errado! Podemos conhecer o Pai e Cria­dor do universo, pois Jesus o revelou para nós. Por que deixar que nosso coração fique perturbado quando o Criador e Governante do universo é nosso Pai?

O Senhor do céu e da Terra é nosso Pai (Lc 10:21). Não precisamos ficar ansiosos, pois ele está no controle.

Temos o privilégio de orar (Jo 14:12-15)

"Por que orar quando pode se preocupar?", diz uma placa vista em alguns lugares. A oração é um dos melhores remédios para um coração perturbado.

Oh! que paz perdemos sempre, Oh! que dor no coração. Só porque nós não levamos Tudo a Deus em oração.

Todavia, a fim de que Deus responda a nossas orações e dê paz a nosso coração, devemos preencher certos requisitos. Na ver­dade, o próprio cumprimento dessas condi­ções já é uma bênção.

Devemos orar com fé (v. 12). Essa é uma promessa da qual podemos nos apropriar, e, para isso, devemos ter fé. A expressão "em verdade, em verdade" mostra que se trata, sem dúvida alguma, de uma declaração so­lene. O fato de Jesus ter voltado para o Pai é um grande estímulo, pois hoje está inter­cedendo por nós junto ao Pai. Jesus voltará a falar sobre essa obra intercessora mais adiante.

As "outras [obras] maiores" referem-se, inicialmente, aos apóstolos, que receberam o poder de realizar milagres especiais como credencial de seu ministério (Rm 15:18, 19; Hb 2:3, 4). Esses milagres não eram maiores em termos de qualidade, pois "o servo não é maior do que seu senhor" (Jo 13:16), mas sim em termos de abrangência e de quanti­dade. Pedro pregou um sermão, e três mil pecadores converteram-se em um só dia! O fato de pessoas comuns realizarem esses sinais tornava-os mais maravilhosos e glorifi­cava ainda mais a Deus (At 5:13-16).

Claro que não é o próprio cristão que realiza essas "coisas maiores"; antes, quem opera os milagres é Deus trabalhando den­tro do cristão e por meio dele: "Cooperan­do com eles o Senhor" (Mc 16:20). "Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar" (Fp 2:13). A fé e as obras devem sempre andar juntas, pois é a fé que libera o poder de Deus em nossa vida. Tanto o amor quanto a obediência fazem parte da oração eficaz. "Se eu no coração contemplara [encontrara e aprovara] a vaidade, o Senhor não me teria ouvido" (Sl 66:18).

Não obedecemos ao Senhor simples­mente porque desejamos que nossas ora­ções sejam respondidas, como fazem as crianças antes do Natal. Obedecemos ao Senhor porque o amamos, e quanto mais obedecemos a ele, mais experimentamos seu amor. "Guardar" os mandamento signi­fica dar-lhes valor, entesourar, preservar e obedecer. "Do mandamento de seus lábios nunca me apartei, escondi no meu íntimo as palavras da sua boca" (Jó 23:12).

A oração feita com fé é um remédio maravilhoso para o coração perturbado. Su­giro que meditemos sobre Filipenses 4:6, 7 e que coloquemos essas palavras em prática!

Devemos orar em nome de Jesus (vv. 13, 14). Não se trata de uma "fórmula mági­ca" que acrescentamos automaticamente aos pedidos em nossas orações para garan­tir que Deus nos responderá. Pedir qualquer coisa ao Pai em nome de Jesus significa pe­dir o que Jesus pediria, o que lhe agradaria e o glorificaria, fazendo sua obra avançar. Quando um amigo diz: "Pode usar meu no­me", está lhe dando um grande privilégio, bem como uma tremenda responsabilidade.

A expressão "tudo quanto" em João 14:13 é qualificada por tudo o que Deus revelou em sua Palavra sobre a oração; o mesmo se aplica à expressão "alguma coi­sa" em João 14:14. Deus não nos está dan­do carta branca; o elemento controlador é "em meu nome". Saber o nome de Deus significa conhecer sua natureza, aquilo que ele é e o que deseja que façamos. Deus res­ponde às orações a fim de honrar seu nome; portanto, a oração deve estar dentro de sua vontade (1 Jo 5:14, 15). O primeiro pedido da oração do Pai Nosso é "Santificado seja o teu nome" (Mt 6:9). Qualquer pedido que não glorifica o nome de Deus não deve ser feito em nome de Jesus.

Devemos orar em obediência amorosa (v. 15). Quando amamos alguém, honramos seu nome, e jamais usamos esse nome de maneira depreciativa. O amor é um tema importante no Evangelho de João; o verbo e o substantivo são usados mais de cinquenta vezes no texto original.

 

Introdução

A teologia da prosperidade é um movimento de origem inglesa, com enormereceptividade no Brasil, a partir de 1980. Também é conhecida como “confissão positiva”, “palavra da fé”, “movimento da fé” e “evangelho da saúde e da prosperidade”. Ao contrário do que se imagina, as doutrinas desse movimento não surgiram no pentecostalismo, e sim de algumas seitas sincréticas da Nova Inglaterra. No entanto foi exatamente nesse meio que essa teologia mais conseguiu se firmar.

 

  1. O que é a teologia da prosperidade?

Não há nada de errado em o ser humano buscar prosperidade nos diferentes aspectos de sua vida, nem há qualquer condenação na Bíblia se uma pessoa desejar vencerO próprio Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais. No entanto muitos não percebem o que há de errado com a chamada teologia da prosperidade, pois ela é diferente das heresias clássicas, que negam a divindade de Cristo, a morada no céu para os salvos, ou até mesmo a existência do inferno. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico, porque não nega exatamente as doutrinas fundamentais do cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que ela declara, mas sim o que ela não declara.

 

1.1. O seu conteúdo

A base está no individualismo com sua concepção de concorrência e com petiçãoSó chega lá os chamados vencedores, os mais fortes, mais sábios e mais inteligentes. Para eles Deus quer a felicidade, os bens materiais, a saúde e tudo o de melhor agora para os seus filhos sem destacar, contudo, que nesse mundo teremos aflições (Jo 16.33 LEIA A PARTE 1). Tudo feito de forma milagrosamente pela fé. Sempre através de campanhas e correntes, sem valorizar o estudo e a profissionalizaçãoA ênfase é na fé, nunca na integridade, honestidade e muito trabalho. Eles dizem: “se vamos para o céu, por que não trazê-lo para Terra agora”.

PARTE 1

João 16:33 “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês

terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.

É o resumo e o ponto culmi­nante da mensagem do cenáculo. Jesus deu esta mensagem para que os discípulos ti­vessem paz em meio a um mundo de tri­bulações. É importante observar o contraste entre "em mim" e "no mundo". Essa é a con­dição da qual precisamos nos apropriar: estamos em Cristo e, portanto, podemos vencer o mundo e todo seu ódio.

George Morrison definiu ter paz como "estar de posse dos recursos adequados". Em Jesus Cristo, temos todos os recursos de que precisamos. Mas a paz depende tam­bém de relacionamentos apropriados. Em nós mesmos, não temos coisa alguma; mas "em Cristo" temos tudo de que precisamos.

 

 

1.2. O seu espírito

Na forma de pensar da teologia da prosperidade, não há lugar para asolidariedade, nem para o compromisso pelos pobres. Ela é essencialmente egoísta, calcada nos resultados imediatos. Para esses pensadores e pregadores, os ricos já estão abençoados, pois suas posses darão paz e felicidade interior, uma vez que já possuem suas riquezas. Para eles, os pobres devem buscar através de sua fé, bênçãos através de unção com óleo em seus pertences, como por exemplo, a carteira de trabalho. Crer-se que, se uma ferramenta de trabalho for ungida, a prosperidade chegará com certeza. Mistura-se fé com superstição religiosa (Hb 11.1-6 LEIA A PARTE 2). Essas práticas ocuparam o lugar da fé na vida de muitas pessoas (Tg 5.14,15 LEIA PARTE 3). A vida espiritual passou a ser uma transação financeira com o céu. Para esses quanto maior a oferta, tanto maior a benção.

 

PARTE 2

Hb 11.1-6 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho. Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala. Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque Deus o trasladara, visto como, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.

A descrição da fé Não se trata de uma definição da fé, mas sim de uma descrição do que ela faz e de como funciona. A verdadeira fé bíblica não consiste em um otimismo cego nem em um sentimento forçado de "espero que [...]". Também não é uma aquiescência intelectual à doutrina. Certamente não c crer apesar das evidências, pois isso seria superstição!

A verdadeira fé bíblica é uma obediência confiante à Palavra de Deus apesar das cir­cunstâncias e consequências. Convém ler a frase anterior novamente e deixar que ela penetre a mente e o coração.

Essa fé funciona de maneira bastante sim­ples. Deus fala, e ouvimos sua Palavra. Con­fiamos em sua Palavra e agimos de acordo com ela, a despeito das circunstâncias e das consequências. As circunstâncias podem ser impossíveis e as consequências assustado­ras e desconhecidas. Ainda assim, obedece­mos à Palavra de Deus e cremos que ele fará o que é certo e o que é melhor.

O mundo incrédulo não entende a verda­deira fé bíblica, provavelmente porque vê tão pouca fé operando na Igreja de hoje. H. L. Mencken, um editor cínico, definiu a fé co­mo "uma crença ilógica na ocorrência do impossível". O mundo não entende que a fé tem o mesmo valor que seu objeto, e que o objeto de nossa fé é Deus. A fé não é um "sentimento" que criamos. É nossa resposta de corpo e alma àquilo que Deus revelou em sua Palavra.

Três termos em Hebreus 11:1-3 resumem a verdadeira fé bíblica: certezaconvicção etestemunho. O termo traduzido por "certe­za" significa, literalmente, "servir de escora, sustentar". A fé é para o cristão aquilo que o alicerce é para a casa: dá confiança e segu­rança de permanecer em pé com firmeza. Assim, podemos dizer que ter fé é "estar seguro das coisas que se esperam". A fé do cristão é o meio que Deus usa para lhe dar confiança e segurança de que as promessas serão cumpridas.

A palavra convicção quer dizer "persua­são íntima". É a convicção íntima dada por Deus de que ele cumprirá o que prometeu. A presença no coração da fé recebida de Deus é convicção suficiente de que ele cum- prirá sua Palavra.

O termo testemunho é importante em Hebreus 11. Aparece não apenas no ver­sículo 2, mas também duas vezes no versículo 4, uma vez no versículo 5 e uma vez ; no versículo 39. O resumo em Hebreus 12:1 chama essa lista de homens e mulheres de "grande nuvem de testemunhas". São teste­munhas para nós porque Deus testemunhou para eles. Em cada exemplo citado, Deus deu testemunho da fé desse indivíduo por meio da aprovação de sua vida e ministério.

O autor da Epístola aos Hebreus deixa claro que, apesar do que os incrédulos di­zem, a fé é algo extremamente prático (Hb 11:3). Ela permite compreender o que Deus faz e ver o que outros não são capazes de enxergar (ver Hb 11:7, 13, 27). Em decor­rência disso, a fé nos permite realizar o que outros não são capazes de fazer! Houve quem zombasse de grandes homens e mu­lheres que agiram pela fé, mas Deus estava com eles e os capacitou a ser bem-sucedidos para a glória dele. J. Oswald Sanders expressa tal realidade perfeitamente quan­do diz: "A fé permite à alma que crê tratar o futuro como o presente e o invisível como o visível".

A melhor maneira de crescer na fé é ca­minhar com os que têm fé. O restante deste capítulo é dedicado a um resumo da vida e do trabalho de grandes homens e mulheres de fé do Antigo Testamento. Em cada caso, encontramos os mesmos elementos de fé.

 

PARTE 3

Tg 5.14,15 Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.

Oração pelos enfermos. Não creio que Tiago esteja apresentando uma fórmula genérica para a cura de enfermos. A cura não se dá pela unção, mas sim pela oração. O termo grego traduzido por "ungindo-o", no versículo 14, é um ter­mo médico e pode ser traduzido por "massagear". Talvez seja uma indicação de que Tiago sugere o uso de meios disponíveis para a cura além de orar pedindo ao Senhor seu toque divino. Deus pode curar com ou sem esses meios; de uma forma ou de outra, é ele quem opera a cura.

Mas o que vem a ser essa "oração da fé" que cura os enfermos? A resposta encontra-se em 1João 5:14, 15: "E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito". A "oração dá fé" é uma oração ofereci­da quando estamos dentro da vontade de Deus. Os presbíteros buscaram a vontade de Deus quanto a essa questão e, em segui­da, oraram de acordo com tal vontade.

O texto grego diz: "se estiver pecando constantemente". Vemos um paralelo em 1 Coríntios 11:30: "Eis a razão por que há entre vós muitos irados e doentes e não poucos que dormem [faleceram]". Tiago descreve um membro da igreja que se encontra enfermo por estar sendo disciplinado por Deus. Esse é o motivo de os presbíteros da igreja terem sido chamados: o homem não pode ir à igreja confessar os pecados, de modo que pede aos líderes espirituais que venham até ele. Os líderes eram encarregados da disciplina da congregação.

 

1.3. A mentira da confissão positiva

A expressão há poder em suas palavras, ganhou espaço nos ambientes cristãos como doutrina bíblica bem usada por determinados mestres e pregadores do evangelho. Com seus argumentos mentirosos dizem que não se deve submeter nossos pedidos a vontade de Deus, mas sim decretar o que queremos e será feito. Usam João 14.14, ensinando que a palavra “pedir” também significa “exigir”; ou seja, o versículo passaria a ser assim: “E tudo quanto exigirdes em meu nome, isso eu farei” LEIA A PARTE 4. Para eles usar a frase bíblica “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6.10 LEIA A PARTE 5), no momento da oração pode até ter aparência de espiritualidade, e demonstrar piedade de um crente temente e submisso a Deus, mas, além de não adiantar nada, ensinam que destrói a oração.

 

PARTE 4

Jo 14.14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.

Deus não nos está dan­do carta branca; o elemento controlador é "em meu nome". Saber o nome de Deus significa conhecer sua natureza, aquilo que ele é e o que deseja que façamos. Deus res­ponde às orações a fim de honrar seu nome; portanto, a oração deve estar dentro de sua vontade (1 Jo 5:14, 15). O primeiro pedido da oração do Pai Nosso é "Santificado seja o teu nome" (Mt 6:9). Qualquer pedido que não glorifica o nome de Deus não deve ser feito em nome de Jesus.

 

PARTE 5

Mt 6.10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

Seis são as petições: As primeiras três petições do Pai Nosso tratam daquilo que Deus quer. Todas as intenções pessoais dos discípulos são inicialmente deixadas de lado. Não se fala da vontade deles nem da bem-aventurança deles, mas da vontade de Deus unicamente!

Depois das coisas da glória, do reino e da vontade de Deus, oramos pelo sustento e o consolo necessário na vida presente. Aqui cada palavra contém uma lição. Pedimospão: isso nos ensina sobriedade e temperança; e somente pedimos pão, não o que não necessitamos. Pedimos por nosso pão: isso nos ensina honestidade e trabalho; não devemos pedir o pão de outrem nem o pão do engano (Provérbios 20.17). Nem o pão do ócio (Provérbios 31.27), senão o pão honestamente obtido. Pedimos por nosso pão diário, o que nos ensina a depender constantemente da providência divina.Rogamos a Deus que no-lo : não que o venda ou o empreste, senão que o dê. Omaior dos homens deve dirigir-se à misericórdia de Deus para seu pão diário.Oramos: dá-nos. Isto nos ensina compaixão pelos pobres. Também que devemos orar com nossa família. Oramos para que Deus no-lo dê neste dia, o que nos ensina a renovar os desejos de nossas almas Enquanto a Deus, como são renovadas as necessidades de nossos corpos. Ao chegar o dia, devemos orar a nosso Pai celestial e reconhecer que poderíamos passar muito bem o dia sem comida, mas não sem oração.

 

Embora os adeptos da teologia da prosperidade considerem Kenneth Hagin o pai desse movimento, pesquisas cuidadosas feitas por vários estudiosos, como D. R. Mc Connell demonstraram conclusivamente que o verdadeiro originador da confissão positiva foi Essek William Kenyon (1867-1948). Em 1892, mudou-se para Boston, onde estudou no Emerson College, conhecido por ser um centro do chamado movimento “transcendental” ou “metafísico”, que deu origem a várias seitas de orientação duvidosa. Pregou diversas vezes no célebre Templo Angelus, em Los Angeles, da evangelista Aimee Semple Mc Pherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Foi um pioneiro do evangelismo pelo rádio, com sua “Igreja do Ar". Cunhou muitas expressões populares do

movimento da fé, como “O que eu confesso, eu possuo”.

 

  1. Ignorância, dinheiro e consumismo

Os três males desse tempo que têm levado as pessoas cristãs a fazerem o que Deus não quer; de conhecer o que Ele não conhece; e de amar o que Ele não ama. É a ignorância, o dinheiro e o maldito consumismo, que são combustíveis da teologia da prosperidade.

 

2.1. O perigo da ignorância

Não há ignorância maior como aquela do homem ignorar a Deus. A história nos mostra que todas as vezes que o conhecimento de Deus foi deixado de lado, a esperteza dos adversários sobrepujava ao povo de Deus.William Shakespeare deu tom sábio a essa sentença ao dizer: “não há trevas senão na ignorância”. A igreja de Cristo precisa de todo conhecimento possível, e principalmente das Escrituras, para não viver nas trevas e sim na luz do conhecimento (Os 4.6 LEIA A PARTE 6). Para não ser enganada e destruída pela ignorância, é necessário estar informado e atento aos perigos dos novos tempos. Pois, sempre haverá inescrupulosos que tentarão manipular, defraudar e persuadir os menos esclarecidos. Os divulgadores da teologia da prosperidade, com seus apelos financeiros, procuram arrancar o último centavo dos incautos (Não cauteloso; imprudente.), apelando à fé com seus discursos religiosos. Homens que, com seus pedidos abusivos, praticam verdadeiras extorsões em nome de Deus.

 

PARTE 6

Os 4.6 O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.

A população geral de Israel estava sendo destruída e seria totalmente aniquilada, finalmente, por causa da falta de conhecimento acerca de Deus e de seus caminhos, conhecimento que vem aos homens através da lei de Moisés. Ver os vss. 1 e 2. Os próprios sacerdotes, que eram intérpretes da lei, tinham-se recusado a aprender a legislação mosaica. Por isso, Deus os rejeitara. Eles não eram mais dignos do sacerdócio. Eles tinham esquecido os ensinos da lei, pelo que também foram esquecidos por Deus. Além disso, aqueles que deveriam estar sendo ensinados por eles, e se mantinham em estado constante de rebelião, foram rejeitados. Haveria uma queda generalizada quando os assírios varressem de Israel todas as coisas. O termo hebraico aqui usado é torah lei, com o sentido de ensino, orientação, bem como o corpo geral de leis e ordenanças que tornavam Israel um povo distintivo, ver Deu. 4.4-8). Note a repetição das palavras horrendas: destruído... rejeitaste... te rejeitarei... te esqueces­te... me esquecerei:  a punição de Israel apagaria os crimes desse povo. “Os sacerdotes que Jeroboão levantou eram os homens mais vis entre o povo, homens ignorantes e iletrados (I Reis 12.31; 13.33). Eles rejeitaram, com desprezo, o conhecimento de Deus e de todas as realidades divinas” (John Gill, in loc.). “A ignorância deles era propositada” (Fausset, in loc.).

 

2.2. O perigo do dinheiro

O sistema doutrinário baseado no egoísmo e potencializado no amor ao dinheiro (lTm 6.10 LEIA A PARTE 7), em vez de amor ao próximo, diz que o povo de Deus não foi feito para ser cauda do mundo, mas sim, a sua cabeça. Até aí nada de errado. Mas como foi dito antes, tudo é uma questão de ênfase. Usam erroneamente Deuteronômio 28.13 LEIA A PARTE 8, dizendo que o povo de Deus deve ambicionar postos de mando no mundo, porque para eles, os pecadores não arrependidos, cabe apenas a obediência para evitar que façam males maiores. A participação deles na política, por exemplo, não visa uma transformação social, mas apenas travar uma luta do bem contra o mal, sem lugar para a implantação da justiça divina. Não há políticas para os pobres e necessitados. Enquanto isso, a teologia da prosperidade só melhora a vida dos seus pregadores.

 

PARTE 7

lTm 6.10 Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

O desejo de riqueza conduz ao pecado, conduzem à escravidão, não à liberdade. Em vez de saciar, as riquezas criam outras concupiscências (desejos) a se­rem satisfeitas. Paulo dá uma descrição vívi­da dos resultados: "muitas concupiscências insensatas e perniciosas [...] afogam os ho­mens na ruína e perdição" (1 Tm 6:9). Vemos aqui a imagem de um homem se afogando! Ele confiava em suas riquezas e navegava tranquilamente pela vida, quando veio a tem­pestade e o afundou.

É perigoso usar a religião como fachada para obter riquezas. Por certo, o obreiro de Deus é digno de seu salário (1 Tm 5:17, 18), mas sua motivação para trabalhar não é o dinheiro. Se fosse, ele seria apenas um "mer­cenário", não um verdadeiro pastor (Jo 10:11-14). Não devemos perguntar: "Quan­to vou ganhar com isso?", mas sim: "Quanto posso dar?".

 

PARTE 8

Dt 28.13 E o SENHOR te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, quando obedeceres aos mandamentos do SENHOR, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e fazer.

O Senhor te porá por cabeça. Este versículo repete a mensagem de Deut. 4.5 ss.; 26.19 e 28.1. Mas agora é empregada a metáfora que envolve um animal. Um animal tem cabeça, corpo e cauda, partes essas que servem para indicar importância e prioridade relativa. Israel estava destinado a tornar-se a cabeça das nações. Mas visto que, por sua desobediência, Israel foi expulso da Terra Prometida. Entrementes, a partir dos cativeiros, Israel passou a ser a cauda das nações, o que explica a dispersão e as perseguições a que o antigo povo de Deus tem sido sujeitado. "... a cabeça significa hegemonia; a cauda representa povos que ficam em sujeição; ou, então, a cabeça são aqueles que são honrados e em alta estima, e a cauda são aqueles que vivem humildes e aviltados. Ver Isa. 14.14,15" (John Gill, in loc.).

 

O dinheiro que surgiu há apenas 2500 mil anos, em forma de moeda metálica, e que, depois virou papel-moeda, e mais recentemente, dinheiro eletrônico, a cada metamorfose, foi se submetendo mais e mais à natureza humana, à sua lógica dominante. Assim, o ser humano também mudou seu enfoque sobre o centro do universo. Antigamente, Deus era o centro de todas as coisas; depois, com o advento do humanismo, o ser humano passou a ser o foco de tudo; finalmente, na pós-modemidade, o dinheiro passou a ser a medida de todas as coisas. Ele está de tal forma imbricado na cobiça, inerente à natureza humana, que engendrou um sistema para dar-lhe guarida: o capitalismo. (Ednaldo Michellon).

 

2.3. O perigo do consumismo

A maneira de pensar no cristianismo anteriormente, impedia a existência das dívidas, com base no seguinte princípio: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8 LEIA A PARTE 9). Entretanto, no início século XX já não era dívida e, sim, “crédito para consumo”, ou seja, o sistema financeiro mundial trocou o peso do pecado da dívida e transformou em correto, pois qual o ser humano que não se orgulha de ter o nome com crédito no mercado? A partir daí a dívida se tornou a forma mais terrível de dominação mundial. Essa foi a forma inventada para manter a pressão consumista ao máximo. Como bem disse o doutor em Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Campinas, SP, Ednaldo Michellon “na outra ponta, a indústria da propaganda garante que o negócio é comprar, mesmo não tendo dinheiro, pois o sistema não pode parar”. Essa ciranda financeira afeta drasticamente a vida espiritual, pois o homem se torna refém do dinheiro possuído e do dinheiro desejado. Sua rotina diária é pensar como ganhá-lo, se submetendo a trabalhos extenuantes, sacrificando a família e os amigos (Pv 22.7 O rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta.).

 

PARTE 9

Rm 13.8 Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei.

Por causa do amor. Paulo am­plia o círculo de responsabilidade de modo a incluir outras pessoas além das autorida­des. "Amai-vos uns aos outros" é o princípio fundamental da vida cristã. É o "novo man­damento" que Cristo nos deu (Jo 13:34). Quando praticamos o amor, não precisamos de nenhuma outra lei, pois o amor abrange todas as coisas! Se amarmos os outros, não pecaremos contra eles. Isso explica por que o Novo Testamento não se refere com fre­quência aos Dez Mandamentos. Na verda­de, o mandamento acerca do sábado sequer é mencionado em qualquer das epístolas. Como cristãos, não vivemos sob a Lei, mas sim sob a graça. Nossa motivação para obe­decer a Deus e ajudar os outros é o amor de Cristo em nosso coração.

A frase: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma" também se refere às práticas financeiras do cristão? Alguns acreditam que sim e afirmam que é pecado ter dívidas. J. Hudson Taylor, o piedoso missionário na China, recusava-se a fazer qualquer dívida tomando por base esse versículo. Charles Spurgeon, conhecido pregador batista, tinha a mesma convicção. No entanto, a Bíblia não proíbe fazer empréstimos nem realizar transações legais que envolvam juros. O que a Bíblia proíbe é a cobrança de juros abusi­vos, a extorsão de irmãos [e a inadimplência no caso de dívidas honestas (ver Êx 22:25-27; Ne 5:1-11). Mateus 25:27 e Lucas 19:23 indicam que os negócios bancários e os in­vestimentos financeiros não são errados. Sem dúvida, não devemos fazer dívidas des­necessárias nem assinar contratos que não seremos capazes de cumprir. "Não furtarás." No entanto, aplicar Romanos 13:8 a todo tipo de obrigação legal envolvendo dinhei­ro me parece uma interpretação forçada.

 

  1. O cristianismo puro e simples

Segundo a tradição cristã, existem três virtudes teológicas que podem sintetizar o cristianismo: a , a esperança e a caridade (ICo 13.13). A fé foi doada por Deus ao ser humano para que ele possa ser salvo. A fé, portanto, é um dom de Deus (Ef 2.1-8). A esperança é fruto da fé que recebemos de Deus. Passamos a ter esperança, pois invocamos o nome do Senhor (Rm 10.13). A caridade é a maior das virtudes. Ela dá vida contagiante, é maior que os talentos. A caridade nunca falha.

 

3.1. A fé cristã

A fé implica concordância e em algumas vezes se deve crer mesmo que a verdade não seja muito clara. Pois ela é o “firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1 LEIA A PARTE 10). No entanto, para crer não precisamos renunciar a razão, ao contrário, a razão deve ser usada, porque sem ela, é impossível acreditar. Devemos entender que a capacidade de pensar é presenteada por Deus para que o possamos alcançar. Quem crê, pensa e pensando crê. “A fé se não é pensada é vazia” (Agostinho).

 

PARTE 10

Hb 11.1 Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

A fé sempre tem sido a marca dos servos de Deus desde o começo do mundo. Onde o Espírito regenerador de Deus implanta o princípio, fará que se receba a verdade acerca da justificação por meio dos sofrimentos e os méritos de Cristo. as mesmas coisas que são objeto de nossa esperança são o objeto de nossa fé. é uma firme persuasão e expectativa de que Deus cumprirá todo o que nos tem prometido em Cristo. este convencimento dá a alma o gozo dessas coisas agora; lhes dá uma subsistência ou realidade na alma pelas primícias e antecipação delas. A fé demonstra à mente a realidade das coisas que não se podem ver com os olhos do corpo. É a plena demonstração de tudo o revelado por Deus como santo, justo e bom. Este enfoque da fé se explica mediante o exemplo de muitas pessoas de tempos passados que obtiveram bom testemunho ou um caráter honorável na palavra de Deus. a fé foi o princípio de sua santa obediência, seus serviços notáveis e sofrimentos pacientes.

 

3.2. A Esperança cristã

Ao contrário do pensamento do homem pós-moderno o desejo frequente pela eternidade com Deus, não é uma forma de escapismo ou de auto ilusão, mas uma das características dos cristãos. Não significando que o crente deixe o mundo como está. Porque se averiguarmos na história, veremos que os crentes que mais labutaram neste mundo, foram exatamente os que mais pensaram no porvir. Todos marcaram suas épocas, porque decididamente suas mentes estavam ocupadas com o Paraíso de Deus(1 Co 9.23-27).

 

1 Co 9.23-27 E eu faço isso por causa do evangelho, para ser também participante dele. Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.

O apóstolo se compara com os corredores e os combatentes dos jogos ístmicos, bem conhecidos pelos coríntios. Mas na carreira cristã todos podem correr para ganhar. Portanto, este é o maior alento para perseverar nesta carreira com toda nossa força. Os que corriam nesses jogos se mantinham com uma dieta magra. Acostumavam-se às dificuldades. Exercitavam-se. Os que procuram os interesses de suas almas, devem pelejar com força contra as luxúrias carnais. Não se deve tolerar que mande o corpo. O apóstolo enfatiza este conselho aos coríntios. Expõe ante si mesmo e ante eles o perigo de render-se aos desejos carnais, cedendo ao corpo e a suas luxúrias e apetites. O santo temor de si mesmo era necessário para manter fiel a um apóstolo, quanto mais se necessita para nossa preservação! Aprendamos daqui a humildade e a cautela, e a vigiar contra os perigos que nos rodeiam enquanto estejamos no corpo.

 

3.3. A caridade cristã

Nas palavras de C.S. Lewis, um dos maiores pensadores que o cristianismo já produziu no século XX, a caridade significa amor no sentido cristão. Mas o amor no sentido cristão não é emoção. Não é um estado do sentimento, mas da vontade: aquele estado da vontade que temos naturalmente com a nossa pessoa, mas devemos aprender a ter com as outras pessoas. Ao contrário da teologia da prosperidade, que prega conquistas egoístas e desfiles de riqueza. O amor cristão reparte os bens da vida como máximo testemunho, porque quem não reparte não ama.

 

Conclusão

Ter bens materiais não significa necessariamente ser próspero na linguagem bíblica. Valorizar a pobreza também não é sinal de humildade cristã. O que precisamos entender acima de tudo é que os bens que possuímos são dádivas de Deus para suprir nossas necessidades e nos trazer satisfação pessoal Mas não podemos nos esquecer, que se temos bens materiais é porque temos a oportunidade de dividir com quem não tem.

 

 

 

A parábola do filho pródigo e as lições para a igreja atual - Lição 11 – 17 de Março de 2013

 

LIÇÃO 11 – 17 de Março de 2013

 

A parábola do filho pródigo e as lições para a igreja atual

 

TEXTO AUREO

 

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado”. Rm 11.22

 

VERDADE APLICADA

 

Quando compreendemos a misericórdia de Deus na restauração dos que se afastaram Dele, alegramo-nos com o seu retorno.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Destacar a misericórdia de Deus;

► Mostrar a insensatez do filho pródigo;

► Apelar para a vigilância quanto os nossos sentimentos, evitando um comportamento ciumento e excludente na casa do Senhor.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Lc 15.1 - E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

Lc 15.2 - E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

Lc 15.11 - E disse: Um certo homem tinha dois filhos.

Lc 15.12 - E o mais moço novo deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.

Lc 15.13 - E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.

 

A parábola da ovelha perdida é muito aplicável à grande obra da redenção do homem. A ovelha perdida representa o pecador afastado de Deus e exposto a uma ruína segura se não for conduzido de volta a Ele, embora não deseje regressar. Cristo é ardoroso para levar a casa os pecadores.

A parábola do filho pródigo mostra a natureza do arrependimento e a prontidão do Senhor para acolher bem e abençoar a todos os que voltam a Ele. Expõe plenamente as riquezas da graça do evangelho; e tem sido e será, enquanto durar o mundo, de utilidade indizível para os coitados pecadores, para guiá-los e alentá-los a arrepender-se e a voltar a Deus.

Ruim é, e é o pior começo, quando os homens consideram os dons de Deus como dívida. Agrande tolice dos pecadores, e o que os estraga, é ficarem felizes com receber suas coisas boas durante sua vida. Nossos primeiros pais se destruíram, a si mesmos e a toda a raça, pela néscia ambição de serem independentes, e isto está no fundo da persistência dos pecadores em seu pecado.

Todos podemos discernir alguns rasgos de nosso próprio caráter nos do filho pródigo. Um estado pecaminoso é um estado de separação e afastamento de Deus. Um estado pecaminoso é um estado de desperdiço: os pecadores voluntários empregam mal seus pensamentos e os poderes de sua alma, gastam mal seu tempo e todas as oportunidades. Um estado pecaminoso é um estado de necessidade. Os pecadores carecem das coisas necessárias para suas almas; não têm comida nem roupa para eles, nem nenhuma perversão para o além. Um estado pecaminoso é um vil estado de escravidão. O negócio dos servos do domínio é fazer provisão para a carne, cumprir suas luxúrias e isso não é melhor que alimentar os porcos. Um estado pecaminoso é um estado de descontentamento constante. A riqueza do mundo e os prazeres dos sentidos nem sequer satisfazem nossos corpos, mas que são em comparação com o valor das almas! Um estado pecaminoso é um estado que não pode buscar alívio de nenhuma criatura. Em vão choramos o mundo e a carne; têm o que envenena a alma, mas que nada têm que a alimente e nutra. Um estado pecaminoso é um estado de morte. O pecador está morto em delitos e pecados, desprovido de vida espiritual. Um estado pecaminoso é um estado perdido. As almas que estão separadas de Deus, se sua misericórdia não o evitar, logo estarão perdidas para sempre. O desgraçado estado do filho pródigo somente é uma pálida sombra da horrorosa ruína do homem pelo pecado, mas quão poucos são sensíveis a seu próprio estado e caráter!

 

Introdução

Nem todos os judeus aceitaram Jesus como Messias, todavia isso não fez com que Ele parasse a sua missão. O seu caráter não foi afetado, apesar de toda oposição da religiosidade de homens maus. Apesar de toda a pressão, continuou em direção ao triunfo da ressurreição, sem intimidar-se com a turba que o oprimia, tentando desviar de sua gloriosa missão. E, na rejeição de seu povo (Jo 1.11,12), foi buscado pelos que não perguntavam por ele, foi achado por aqueles que nunca o buscaram, pessoas que não conheciam o seu nome, receberam a oportunidade de serem recebido por Ele (Is 65.1).

 

  1. Características de Deus Pai

Para tornar a sua denúncia efetiva contra os judeus, Jesus conta três parábolas, aqui nos ateremos a do filho pródigo. A discriminação contra os seguidores de Jesus tinha, como raiz, a inveja da liderança religiosa que o via como alguém que estava tomando para si, uma grande fatia do bolo social judaico da religiosidade dominante, inclusive penetrando nas camadas da alta sociedade desprezadas e taxadas maldosamente como “publicanos e pecadores”. A fim de combater aquele mal, Jesus evoca a figura de um pai magnânimo, ilustrando a pessoa do Pai celestial, como veremos a seguir.

 

De acordo com a lei judai­ca, a parte da herança do filho mais velhocorrespondia ao dobro da parte dos outros filhos (Dt 21:17), e, se o pai assim o desejas­se, poderia distribuir a riqueza ainda em vida. O filho mais novo agil dentro da lei quando pediu sua parte dos bens e mesmo quando os vendeu, mas certamente não foi um ges­to amoroso de sua parte. Foi como dizer ao pai: "Gostaria que estivesse morto!". Thomas Huxley disse: "As piores dificuldades de um indivíduo começam quando ele tem a pos­sibilidade de fazer o que bem entende". Que grande verdade!

 

1.1. A liberalidade de Deus

Aquele pai é rico fazendeiro, tem muitos trabalhadores a seu dispor, paga bem aos seus funcionários e tem dois filhos. Quando o filho mais moço pede sua herança, fere-lhe a alma, mas liberalmente ele concede. Não era ético um pedido daquele, além do mais, o pai estava vivo. E depois disso, o filho sai pelo mundo extraviando a sua herança. Mas o pai espera que ele volte, ao retornar, o recebe e faz festa. O mais velho, austero, responsável, legalista e intolerante reclama, mas o pai esclarece sua posição e tenta convencê-lo a participar de sua alegria agora. A generosidade de Deus se desabrocha em liberalidade, Ele quer que estejamos em sua casa por amor. De tudo, ele nos dá e não gostaria jamais que esbanjássemos nada, todavia se quisermos partir, teremos a nossa própria “grande experiência”, para nos provar que junto a ele é sempre melhor (Lc 15.16,17) LEIA PARTE 1.

 

PARTE 1

A vida na terra distante não era o que o jovem esperava. Seus recursos esgotaram-se, seus amigos o deixaram, veio a fome, e o rapaz foi obrigado a fazer por um desconhecido o que havia se recusado a fazer pelo pai: trabalhar! Essa cena dramáti­ca é a maneira de Jesus enfatizar o que o pecado faz na vida dos que rejeitam a von­tade do Pai. O pecado promete liberdade, mas traz apenas escravidão (Jo 8:34); pro­mete sucesso, mas traz fracasso; promete vida, mas "o salário do pecado é a morte" Rm 6:23}. O rapaz pensou que "se encontraria", mas, na verdade, se perdeu! Quan­do Deus é deixado de fora da vida, o prazer transforma-se em escravidão.

Arrependimento - ele caiu em si. "Arrepender-se" significa "mudar de ideia", e foi exatamente isso o que o rapaz fez enquanto cuidava dos porcos (que tra­balho para um rapaz judeu!). Ele "caiu em si", o que indica que, até então, estava "fora de si". O pecado traz consigo uma "insani­dade" que parece paralisar a imagem de Deus dentro do indivíduo e liberar o instin­to "animal". Os estudiosos dos textos de Shakespeare gostam de contrastar duas ci­tações que descrevem essa contradição na natureza humana:

"Que obra-prima, o homem! Quão nobre pela razão! Quão infinito pelas faculdades! Como é significativo e ad­mirável nas formas e nos movimentos! Nos atos quão semelhantes aos anjos! Na apreensão, como se aproxima dos deuses..."

(Hamlet, II, ii)

"No seu melhor estado, é pouco pior que homem; no pior, pouco melhor do que animal".

(O Mercador de Veneza, I, ii)

 

 

1.2. O perdão de Deus

Deus nos é revelado no perdão de pai, ilustrada na parábola em que o filho mais moço não conhecia bem, mas o pai lhe estava a esperar para esse fim (Lc 15.2 LEIA A PARTE 2). Quando o filho chega, ele o recebe calorosamente, trata dele e decreta feriado na fazenda e faz um grande festejo com música, danças e muita carne por conta da casa. Todo mundo fica feliz, menos um, o filho mais velho quando sabe o que está acontecendo na fazenda (Lc 15.25-28 LEIA PARTE 3). Os publicanos e pecadores arrependidos de todos os tempos que recebem Jesus, experimentam o perdão do Pai celestial, a alegria salvação e a restauração da humanidade verdadeira (Gn 1.26).

 

PARTE 2

É significativo que conste que “publicanos e pecadores” buscavam sua companhia em grande número. Os pecadores (pessoas que levavam uma vida cheia de vícios), assim como os coletores de impostos, estavam fora da sociedade do povo israelita. Eram considerados sem lei. A todos esses, cuja própria culpa havia obstruído o acesso ao reino messiânico, a vinda de Jesus abre os pórticos da graça, de maneira totalmente nova.

 

PARTE 3

Devemos reconhecer que o irmão mais velho possuía algumas virtudes louváveis. Trabalhava arduamente e obedecia ao pai. Não envergonhou sua casa nem sua vila e, ao que parece, tinha amigos suficientes para poder planejar uma boa festa (Lc 15:29). A primeira vista, é um cidadão exemplar e, comparado com o irmão, é quase um santo.

No entanto, por mais importantes que sejam a obediência e a diligência, não são as únicas provas de caráter. Jesus ensinou que os dois maiores mandamentos são amar a Deus e amar ao próximo (Lc 10:25-28), mas o irmão mais velho quebrou esses dois mandamentos divinos. Não amou a Deus (representado na história pelo pai) nem amou ao irmão. O irmão mais velho não quis perdoar o irmão que havia desperdiçado a herança e envergonhado o nome da famí­lia. Ao mesmo tempo, também se encheu de rancor contra o pai que, em sua graça, perdoou o rapaz desses mesmos pecados!

Quando consideramos os pecados do irmão mais velho, não é difícil entender por que retrata os escribas e os fariseus. Em pri­meiro lugar, considerava-se virtuoso. Anunciou abertamente os pecados do irmão, mas não foi capaz de ver os próprios pecados (ver Lc 18:9-14). Os fariseus definiam pecado espe­cialmente em termos de ações exteriores, não de atitudes interiores. Não entenderam coisa alguma da mensagem do Sermão do Monte e sua ênfase sobre as atitudes interio­res e a santidade do coração (Mt 5 - 7).

Outra de suas faltas era o orgulho. E pen­sar que havia servido ao pai todos aqueles anos sem jamais desobedecer à vontade dele! Mas em vez de estar fazendo seu tra­balho de coração, sempre sonhava em dar uma grande festa, na qual ele e os amigos pudessem se divertir. Fazia seu trabalho por obrigação e sem interesse. Era um trabalhador diligente e fiel, qualidades lou­váveis, mas seu trabalho não era feito com amor, de modo a agradar o pai.

 

1.3. A Compreensão de Deus

O pai foi compreensivo com ambos os filhos: com o que saiu perdoando, pois entendeu que aquilo fez parte do aprendizado para toda a vida. E foi compreensivo com o que ficou, apesar de austero e intolerante. Porém, não deixou de fazer nada por causa da queixa do mais velho. Deus jamais porá seus planos de lado por causa da insatisfação de alguém, os festejos não serão abortados por causa da incompreensão de alguns (Is 43.13 “Desde os dias mais antigos eu o sou. Não há quem possa livrar alguém de minha mão. Agindo eu, quem o pode desfazer?”). Devemos meditar nas obras de Deus e nos alegrar com o que Ele se alegra, e não morrer de ciúmes como crianças mimadas com medo de perder o espaço na sua casa. Se a metade dos pródigos desse mundo retornarem, teremos muitos problemas com aqueles que acham que estão perdendo espaço.

O interessante é que esses grandes” pecadores negligenciados pela religiosidadeforam os que acolheram, Jesus. Dentre eles, Mateus (chamado Levi) que se tornou apóstolo e escritor; Maria Madalena, de conduta duvidosa (testemunhou a ressurreição), etc. A magnanimidade de Deus é revelada até com a compreensão do queixoso Filho mais velho, porém é certo que Ele não deixará de fazer nada por causa dos seus planos.

 

  1. A insensatez do filho pródigo

O Senhor Jesus denunciou dois comportamentos que demonstraram falta de temperança. O filho mais novo que pediu a herança e a consumiu inutilmente, e do filho mais velho que permaneceu em casa, mas agiu intolerantemente, não demonstrou afeto, pois tinha uma imagem do Pai - até ali equivocada - de intolerância também. Jesus quer nos fazer perceber que ambos os filhos estavam sob aprendizado: Deus estava corrigindo o mundanismo do que saiu e o legalismo do que ficou.

 

2.1. A loucura do filho pródigo

Ninguém sai de casa sem antes pensar longamente no que está fazendo. O governo brasileiro, através de pesquisas; descobriu que grande parte de crianças e de adultos desaparecidos são de pessoas que deliberadamente deixam as suas famílias. Muitos desenvolvem mentalmente a possibilidade dessa realização por mágoas, brigas e também aventuras. O filho mais jovem do fazendeiro, influenciado pelas histórias das belezas “de uma terra distante”, lançou-se numa aventura quase sem retorno. Quando dissipou seus bens, perdeu seus amigos, passou necessidade e humilhação de tornar-se um porqueiro (algo abominável ao judeu e que nunca imaginara fazer) percebeu o quanto caiu. Há muitos na casa do Pai cheios de fantasia com um mundo distante, outros hoje querem ficar na fazenda (igreja), mas gozar dos seus bens e trazer todas as abominações para dentro dela.

 

2.2. A humilhação do filho pródigo

Ele só pensava em desfrutar sua vida de forma licenciosa, dissipando seus bens e longe de casa (Lc 15.13 LEIA PARTE 4). A princípio, em sua loucura, pensava ele... Isso que é vida! Comida e bebida farta, mulheres e vários amigos, do que preciso mais? Todavia, a falta de dinheiro, a humilhação e a dor foram os agentes que fizeram aquele pródigo refletir a condição miserável daquele momento (Pv 27.8 Como a ave que vagueia longe do ninho, assim é o homem que vagueia longe do lar.). Em sua mente era difícil o retorno, mas o seu interior lhe dizia que seu terno pai o receberia, nem ao menos como um trabalhador. E assim se dispôs e foi. É necessário reconhecer a própria condição e se humilhar para poder ser restaurado (Lc 18.14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.; Pv 11.2; 29.23).

 

PARTE 4

Deus permite ao ser humano que siga a estrada que ele mesmo escolhe, deixando-o decidir e proceder de acordo com seus próprios desejos. Curioso é apenas que as pessoas, enquanto estão bem, não pensam em Deus. Quando, porém, passam a sentir problemas, culpam a Deus. O filho mais novo na parábola, porém, não age dessa maneira. É essa a sua salvação.

 

2.3. A recepção calorosa do pai

De volta para casa, o pai estava a sua espera e corre ao seu encontro. Arrependido, ele reconhece seus erros e quer ser admitido como um funcionário, mas o seu pai lhe surpreende com um tratamento “vip”. Declara feriado na fazenda e promove uma festança. Ilustrando assim a boa vontade divina com os pecadores (Mt 9.10-13 LEIA A PARTE 5). Mostrava o Senhor que os excluídos da religiosidade, marcados socialmente e taxados de pecadores, que se voltam para Deus, entram no Reino precedendo assim os líderes religiosos, (Mt 21.31-32). O homem não conciliado com Deus sente uma guerra interior, ele sente a falta de paz interior, até o momento da sua reconciliação com Ele através de Cristo Jesus. O Espírito Santo testemunha o perdão, a filiação divina e também dá garantia de vida eterna (Tt 3.5 não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,; Ef 1.13; 4.30).

 

PARTE 5

Como médico, Jesus, veio para dar saúde espiritual a pecadores enfermos. Como noivo, veio para dar alegria espiri­tual. A vida cristã é uma festa, não um fune­ral.

 

  1. Paradigmas do filho m ais velho

Quando Jesus fala do filho mais velho, está tratando diretamente com os judeus críticos em geral, e mais especificamente com os seus críticos escribas e fariseus (Lc 15.1). Eles ilustravam o filho mais velho que não entrou na festa de comemoração do retorno de seu irmão. Na verdade, essa liderança não aceitava esse comportamento inclusivo de Jesus, porque gostava do conservar costumes antigos, como por exemplo a exclusão dos que não eram judeus, e ainda procurava impedir que os outros entrassem . Com muita sabedoria Jesus estava chamando-os de estúpidos e grosseiros.

 

3.1. A visão da vida do filho mais velho

Há muitos que têm conceitos errados sobre Deus e sua graça e procuram se opor ao trabalho do Reino. Na verdade, Deus está querendo dar uma nova configuração através da manifestação da sua graça e poder, mas “o filho mais velho” não desfruta do que tem, porque quer permanecer no vinho velho de paradigmas antigos que perderam o efeito. Outros imaginam por que “há tantos anos” servem a Deus sem transgredir, estão sendo injustiçados, porque os mais novos em algum momento foram pródigos e agora tem um banquete preparado. Sem contar os que usam a prodigalidade de antigos pecados de alguns para mostrar que eles, na verdade são mais dignos, porque dizem, “nunca transgredi o teu mandamento” (Lc 15.29; Mt 23.23-27).

 

3.2. Recusou participar dos festejos

Festejos para uns e indignação para outros, o texto diz que “ele se indignou e não queria entrar” e o pai foi tão humilde que tentou conciliar a situação conversando com o filho mais velho. Mas não adiantou, o mais velho permaneceu irredutível. Devemos entender que Deus tem as suas maneiras de agir, e Ele sabe como fazer (Is 55.8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR.). Coberto de ciúmes em sua atitude, estava demonstrando que o Pai não sabia o que estava fazendo. Note aqui um precioso princípio: As pessoas são mais importantes do que coisas, elas tem valor por mais que tenham descido no pecado, são preciosas almas.

 

3.3. A dureza de coração do filho mais velho

Apesar do apelo do pai, entendem os que ele não entrou nos festejos do irmão, porque os judeus continuaram endurecidos e fazendo oposição ao evangelho, basta observar o trabalho missionário de Paulo que constataremos isso. Para alguns, mais valem os seus pontos de vista, sua fidelidade e política interesseira do que a alma desse “teu irmão”. É uma lástima isso! Mas para o Pai, ele tem valor, porque estava morto “nos delitos e pecados”, mas reviveu em Cristo, estava perdido, mas foi achado. Mesmo que alguém, coisifique, despreze e não queira festejar. O crescimento do Reino vai continuar.

A situação de desprezo e oposição levou o Senhor Jesus a se pronunciar com sábia defesa de seus seguidores. Ele sabia como era difícil aqueles homens se posicionarem ao seu lado abandonando a velha vida. O lamentável é que há aqueles que acham que estão na casa fielmentecomo o filho mais velho, não desfrutam devidamente do que o Pai tem. Isso acontece porque são ignorantes quanto a sua generosidade, tendo uma visão mesquinha e excludente.

 

Conclusão

O que percebemos, através de Lucas 15, é que o Senhor Jesus, apesar de respeitar a sua cultura, não estava de acordo com ela, pois os judeus tinham uma repulsa pelo que era novo, evitavam os estrangeiros, tachando-os de cães, quer dizer daquela maneira nunca trariam os gentios a fé no Deus verdadeiro. Devemos ter cuidado com a nossa maneira de pensar, Deus não é patrimônio de religião, templo ou nação alguma, ou mesmo denominação, pois a visão divina é de longo alcance, é inclusível e eterna. E se não tivermos cuidado com os nossos pensamentos, nós é que seremos cortados da relação com Ele.

 

 

 

Jesus Cristo é o maior e único de todos - Lição 12 – 24 de Março de 2013

 

LIÇÃO 12 – 24 de Março de 2013

 

Jesus Cristo é o maior e único de todos

 

TEXTO AUREO

 

“Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus”. Mt 12.28

 

VERDADE APLICADA

 

Os líderes religiosos tinham medo de que Jesus convencesse a nação com suas ideias, pois sem pegar em qualquer arma Ele causou a maior revolução.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

► Provar que Jesus veio ao mundo e cumpriu a lei;

► Mostrar que as leis orais, que consistiam na interpretação das Escrituras encobriram o seu espírito de amor e misericórdia;

► Revelar o perigo que é desprezar o Senhor Jesus.

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Mt 12.1 - Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer.

Mt 12.2 - E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado.

Mt 12.3 - Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam?

Mt 12.4 - Como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes?

 

Jesus violou as tradições do sábado delibera­damente em várias ocasiões. Havia ensina­do ao povo que a lei exterior, por si mesma, jamais poderia salvá-los ou purificá-los, pois a verdadeira justiça tem de vir do coração. A palavra hebraica shabbath significa "re­pouso ou descanso", o que explica por que Mateus apresenta os conflitos do sábado nesse ponto. Jesus oferece descanso a to­dos os que se achegam a ele, enquanto a observância religiosa não proporciona des­canso algum.

A lei permitia saciar a fome pegando ali­mentos do campo do vizinho (Dt 23:24, 25), mas fazer isso no sábado era uma transgres­são da lei, segundo as tradições dos escribas e fariseus, pois significava realizar trabalho.

O pão consagrado devia ser consumido somente pelos sacerdotes, mas Davi e seus soldados o comeram. Por certo, o Filho de Deus ti­nha o direito de comer os cereais de seu Pai no campo! E se Davi transgrediu a lei e não foi condenado, é evidente que Jesus poderia quebrar as tradições dos homens sem culpa algumas (I Sm 21.1)

 

Introdução

Após um circuito de pregação itinerante junto dos discípulos e a realização de muitos milagres, Jesus sofreu grande oposição por parte dos escribas e fariseus. E ai se vê obrigado a reagir em defesa de seu trabalho. Os líderes religiosos censuram a inobservância do sábado dos discípulos, pois Jesus os ensinou mais sobre o valor das pessoas do que a observância de dias. Por isso também eles o acusaram de operar exorcismo e curar pelo poder de belzebu. O Mestre então reagiu revelando a sua grandeza, repreendeu-os severamente em sua incredulidade e malícias.

 

  1. Maior que o templo de Israel

A tradição oral eram extratos de mandamentos sobrepostos às leis de Moisés, passados de pais para filhos por meio do falar e ouvir, que se tornavam um fardo muito pesado. Era contra essa tradição o grande combate de Jesus, porque muitas dessas leis iam além do necessário, visto que serviam como uma espécie de complemento a Lei de Moisés. Tais leis e costumes tinham mais prestígio que à Lei que se resumia no amor.

 

1.1. Como surgiu a tradição oral?

Como toda lei, a Lei mosaica carecia de interpretação para os mais diferentes assuntos, foi daí que surgiu a lei oral, assim como tem os vários tratados que visam explicar, aclarar as leis no mundo moderno. Entretanto, foi daí que surgiram as variadas interpretações e aplicações, eclodindo em muitas distorções, e foi a tal ponto que o “espírito da Lei”, isto é, a essência, que é o amor, foi sufocada. Por outro lado é bom lembrar que Jesus não veio descumprir ou ab-rogar a lei, isso seria contrário a Deus.

 

 

1.2. O lado opressivo dos religiosos

O Senhor Jesus teve como propósito aperfeiçoar certos aspectos legais e trazer um novo ensino: “ouvistes o que foi dito... eu, porém vos digo”, isso Ele repete cinco vezes em Mateus dando uma nova visão moral. Por outro lado, Ele subtraiu certos aspectos que sobrepunham ao “espírito da lei”. Por exemplo, na observância rigorosa do sábado. Certa vez, seus discípulos estavam colhendo espigas e comendo-as, logo Jesus foi censurado, “os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado” (Mt 12.2). Ele mostra que aquela não é a verdadeira aplicação da lei sabática quando se está faminto, e ilustra com o caso de Davi que comeu dos pães da proposição com seus companheiros; em seguida, mostra que, no templo, a mesma lei é quebrada, pois os trabalhos ali não cessam dia nenhum.

 

Com base nesses textos do AT os fariseus pareciam estar com a razão. Porque, segundo sua opinião, arrancar espigas é “trabalho”. Quem trabalha viola o sábado e merece a morte por apedrejamento. Será que, com essa interpretação, os fariseus tinham razão? Não! Pois em Êx 12.16 consta expressamente: “Nenhuma obra se fará nesse dia, exceto o que diz respeito ao comer. Somente isso podereis fazer!” Aqui se afirma expressamente que a preparação de alimentos  no sábado não constitui trabalho. Em que lugar da terra “matar a fome” poderia ser igual a “trabalhar”? A razão singela e sóbria já rejeita isso de antemão! O exemplo de Davi evidencia que a fome dos discípulos precisa ser levada a sério.

 

1.3. O resgate do valor do homem

Toda boa lei não tem um fim em si mesma, mas é voltada para o bem estar do homem e jamais para oprimi-lo. O Senhor mostra que o mais importante que sacrifícios diários no templo é a importância que se deve dar ao homem, Ele aspira a misericórdia e não holocaustos no templo. Ali Jesus demostrou sua identidade messiânica publicamente, quando disse ser maior que o templo e o Senhor do sábado. Apesar das acusações, aqueles líderes não estavam preocupados com assuntos legislativos, eram hipócritas e o Senhor provou isso quando curou o homem das mãos mirradas, depois na sinagoga deles (Mt 12.9-14).

 

Novamente é sábado. O Salvador encontra-se na sinagoga, onde vê um homem com uma mão aleijada. Também os escribas e fariseus o veem. O ser humano comum certamente sentirá pena desse pobre deficiente, e pensará: “Meu bom homem, graças a Deus está aqui o Salvador que já restaurou a tantos. Por meio dele Deus ajudará também a você.” Não é assim que pensam os fariseus. Seu coração foi sufocado sob a crosta dos preceitos e opiniões, dos “muros e cercas”, e morreu. “Será que ele vai curar no sábado?” Era essa a única questão que os preocupava. Sempre o veem realizando curas. Mas curar é para eles realizar um trabalho igual a assar pão, beneficiar madeira e construir casas. Havia prescrições exatas para a cura de doentes no sábado. A escola mais rigorosa, a do rabino Shammai, proibia até consolar doentes no sábado! Nesse dia apenas se podia curar e ajudar quando a vida estivesse em perigo. Mas quando não havia risco de vida, ajudar um doente no sábado significava profanar o sábado, o que era punido com morte por apedrejamento. O doente na presente história não estava em perigo de vida! No dia seguinte ainda haveria ocasião para ajudá-lo. Como os fariseus já tinham se mostrado como fiscais rigorosos no episódio anterior da colheita de espigas no sábado, seria prudência humana, neste momento, ter cautela, para não provocar desnecessariamente a ira dos adversários. O que faz Jesus? Intencionalmente, ele deixa o conflito evoluir para os extremos, provoca a reação, ele quer a decisão; ele desafia os adversários, dizendo: Quem de vocês, tendo uma ovelha que, num sábado, caísse numa cova, não a pegaria e arrastaria para fora? Quanto mais precioso, porém, é um ser humano que uma ovelha! Os antagonistas se calam. Esse silêncio significa ou falta de saída ou ódio do inimigo traiçoeiro. Talvez seja mais do que ódio, talvez já seja uma obstinação que não aceita mais nenhum argumento e que conscientemente persiste no ódio, na ira e na mentira. “Jesus olhou-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração”, lemos em Mc 3.5. Uma vez que para Jesus o alfa e ômega de seu agir é fazer o bem sempre, a qualquer tempo, também no sábado, não importa que consequências isso possa ter, ele diz ao homem: Estende a tua mão! Para Jesus existe somente uma única questão: O bem tem de ser feito, imediatamente! É isso que queremos aprender aqui com Jesus, com sua coragem sem transigências. Jesus nos ensina a não capitular diante do mal em nenhuma circunstância, mas, sim, partir para o ataque com a força do alto, com a ajuda da divina. Cristo nos mostra como se deve introduzir no império de Satanás o reino de Deus, como a mão ressequida, atrofiada e morta precisa ser transformada em uma mão viva, que restaura, traz ofertas, ora e luta. Quando se assume essa atitude, acontece transformação, Deus e mostra-se o que é verdadeiramente a comunidade de Jesus Cristo.

A consequência destas transformações, o efeito desse ataque do alto, porém, sempre é o ódio do mundo. A última palavra dessa história é: E conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida.

Deliberar como poderiam tirar-lhe a vida, no entanto, não constituía para os fariseus uma profanação do sábado. Como eram obcecados os inimigos de Jesus! Consideram Jesus, por ter realizado um benefício no sábado, um violador do sábado. Eles próprios, porém, não ponderam que justamente eles profanam o sábado com seus pensamentos homicidas.  Pensamentos de morte e ódio são equivalentes ao próprio assassinato (segundo Mt 5.21s). Ou seja, “matar” alguém no sábado não é violação do sábado, enquanto curar uma pobre pessoa doente é. Que cegueira terrível! O fato de que encontramos Jesus regularmente nos sábados na sinagoga, no lugar em que se pode ouvir a palavra de Deus e onde ele próprio pode explicar a Escritura, revela-nos o quanto Jesus preza o sábado. Como se deve usar o sábado ele mostrou curando a mão atrofiada da pessoa infeliz, batendo de frente, sem se abalar, com a crescente conspiração contra ele.

 

Aqueles líderes religiosos contemplavam Jesus como “o meu concorrente”, e não como aquele que estava interessado resgatar o homem como o valor mais precioso. Eles fingiam estar preocupados com o cumprimento da Leipara estar no encalço do Pregador de Nazaré cuja popularidade os assombrava. Ainda hoje é assim, quando uma voz profética se levanta, os outros com o espírito capitalista e de Mamom, pensam, “esse cara é meu concorrente".Estão tão viciados com antigas tradições, costumes que não têm misericórdia alguma, querem sacrifícios e ofertas gordas incessantes.

 

  1. Maior que o profeta Jonas

Após o episódio da seara e da cura do homem das mãos mirradas, o Senhor Jesus prosseguiu com seus sinais, isto é, expulsando demônios e curando enfermos apenas com a autoridade de sua Palavra. A liderança procurava trazer descrédito as operações de Jesus junto a seu público. Os milagres eram tão extraordinários que não o acusavam de charlatanismo, e sim de operar através do poder de Belzebu, não satisfeitos ainda lhe pedem um sinal (Mt 12.38,39).

 

Pede-se de Jesus um sinal do céu. Parece que, depois das terríveis e sérias palavras precedentes do Senhor, os fariseus e escribas de fato estavam assustados. Parece que queriam dizer com essa exigência: Dá-nos um sinal do céu, para que finalmente possamos ter absoluta certeza de que verdadeiramente vens de Deus! Jesus replica: “Um sinal assim de fato acontecerá. Mas não será um mero milagre para ser admirado, como esse que eu deveria realizar neste momento segundo o desejo de vocês.” Será um ato divino, que constituirá um elemento fundamental da obra redentora que Jesus tem de realizar na terra (Rm 4.25). Jesus tem em mente a sua ressurreição. Ele explica esse sentido da sua ressurreição a partir de Jo 2.19. O sentido, portanto é este: “Assim como Jonas, arrancado da morte, pregou aos ninivitas, assim também o Filho do Homem anunciará ao mundo inteiro a salvação, como Ressuscitado.” A morte e ressurreição de Jesus tornar-se-ão um sinal, que uma parte negará e outra parte aceitará com fé.

 

2.1. O porquê do pedido de um sinal?

Os fariseus conheciam exorcistas judeus que, através de encantamentos, expulsavam demônios e curavam enfermos. Não demorou muito para que pedissem um sinal diferente. Não faziam isso porque queriam crer, mas, porque, astutamente, desconfiavam que Jesus não lhes daria tal coisa. Esses líderes achavam que poderiam se apoiar na própria Lei e assim tentar colocar Jesus em descrédito, mostrando que poderia ser a provação de Deus que Moisés falou e assim não seguir a tal profeta milagroso (Dt 13.1-3). Porém o Senhor Jesus lhes disse que não daria nenhum sinal e para a surpresa deles prometeu que o único sinal que daria era o do profeta Jonas.

 

Dt 13. 1-3 Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar ano meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma.

 

2.2. A malícia dos adversários

Diante de tantas maravilhas que eles estavam vendo, ainda assim pediam um sinal maravilhoso: quem sabe o sol parar, ou o tempo retornar como nos dias de Acabe, ou um anjo descer do céu: ou ainda, a própria voz de Deus bradar do céu, pudesse satisfazê-los. Mas Jesus sabia que, de verdade, tal sinal não mudaria quem de fato eram, e os denunciou como “uma geração má e adúltera” (Mt 12.39). Quando Ele se referiu ao profeta Jonas no ventre do grande peixe (Mt 12.40) estabelecendo um paralelo entre ele e Sua morte, é que ao ressuscitar estaria vencendo a morte, e eles jamais o veriam.

E nenhum rebelde incrédulo pôde ver Jesus depois da ressurreição, este é o maior de lodos os milagres. Os filhos de Ismel quando do êxodo haviam contemplado maravilhas extraordinárias, mas mesmo assim o endurecimento de coração deles impediu que entrassem na terra prometida, ao contrário pereceram todos no deserto. De vemos ter cuidado com os nossos corações para que não sejam endurecidos e rebeldes impedindo assim as bênçãos de Deus e trazendo-nos juízo. Porquanto. Deus não se deixa escarnecer, o que semearmos é o que ceifaremos (Gl 6.7).

 

2.3. O valor do arrependimento

Os ninivitas tinham na antiguidade uma fama de cruéis e perversos, além do que eram totalmente pagãos. Mas mediante a pregação de Jonas, arrependeram-se profundamente dos seus pecados e receberam o perdão de Deus (Mt 12.41). Jonas era um sinal vivo entre eles e não operou nenhum sinal, e Jesus operando tantos sinais estava acentuando o estado de condenação da geração de seus dias. Seria no dia do juízo uma situação embaraçosa, pois aqueles para quem eram primeiramente as promessas de Deus, estariam numa situação de completa desvantagem por causa das maldades e adultérios resultante de sua incredulidade.

Reconhecemos que há supostos milagres para enganar o povo e dele tirar vantagens para aquele que o faz, assim como também é verdade que Satanás opera seus sinais para confundir os fiéis e escravizar os não crentes, mas nada disso se aplicava a Jesus que trabalhava de modo transparente em seus dias. Todavia, no afã de estabelecer o controle da situação religiosa, aqueles homens se demonstraram capazes de tudo. Eles perseguiam, procuravam atrapalhar semeando palavras maliciosas entre o povo, desfaziam dos sinais de Jesusatribuíam as sua obras ao poder de Satanás operando nele e ainda pediam um sinal maravilhoso. Vemos claramente demonstrada até que ponto homens ímpios, por trás de discursos religiosos, são capazes de chegar em suas hipocrisias e maldades.

 

  1. Maior que o rei Salomão

Os sacerdotes dos dias de Jesus tinham muito medo de perder a sua influência e posição, mas não tinham medo de excluírem-se do reino de Deus, se é que algum dia chegaram a pertencer.

 

3.1. O porquê da rainha do sul procurar a Salomão? (Mt 12.42)

O Senhor Jesus prossegue em sua reprimenda, depois de falar de Jonas, como um pregador bem sucedido, a um povo que se arrependeu; e ilustra, em seguida, com o exemplo da rainha do sul (de Sabá), chamada Maqueda. Ela veio de terras longínquas para ouvir a sabedoria de Salomão, e, segundo a tradição judaica, também se converteu à fé. Os judeus acreditavam que o Messias, quando chegasse, teria sabedoria maior que a de Salomão, e ali estava diante deles quem era maior que Salomão. O Mestre era a sabedoria personificada, mas eles desrespeitavam essa sabedoria e a própria pessoa dele. Cuidemos de nós mesmos para que não incorramos na política contra o Reino de Jesus, a sua sabedoria e pessoa, que tenhamos temor, pois a natureza humana é traiçoeira e Satanás tem o poder de nos mostrar mais santos do que realmente somos.

 

Jesus também é maior do que Salomão em sua sabedoria, riqueza e realizações. A rainha de Sabá maravilhou-se com o que viu no reino de Salomão, mas aquilo que te­mos no reino de Deus por meio de Cristo sobrepuja em muito as glórias de Salomão. Sentar-se à mesa com Cristo, ouvir suas pa­lavras e compartilhar suas bênçãos é muito mais gratificante do que visitar e admirar os reinos mais espetaculares da Terra, até mes­mo o reino de Salomão.

O objetivo principal dessa história é mos­trar que o povo de Nínive dará testemunho contra os líderes de Israel, pois os ninivitas se arrependeram ao ouvir a pregação de Jonas. A rainha de Sabá também dará tes­temunho contra eles, pois veio de muito longe para ouvir a sabedoria de Salomão, enquanto os líderes judeus rejeitaram a sa­bedoria de Cristo que estava vivendo entre eles! Quanto maior a oportunidade, maior o julgamento. É triste ver como, ao longo de sua história, a nação de Israel rejeitou ini­cialmente seus libertadores e posteriormen­te os aceitou. Foi o que aconteceu com José, Moisés, Davi, os profetas (Mt 23:29) e com Jesus Cristo.

 

3.2. O perigo da blasfêmia contra o Espírito Santo

A prática de exorcismo do Senhor Jesus era simples, basicamente o poder da sua palavra bastava para expulsar os demônios e as pessoas serem curadas (Mt 8.31; Mc 1.34,39). Enquanto que os exorcistas judeus se utilizavam de raízes mágicas e certas coisas muito parecidas com as práticas espíritas, coisas que o historiador Flávio Josefo escreveu a respeito, em Antiguidades Judaicas, Livro 8, cap. 2o: parág. 324. Após Jesus falar sobre os sinais terminando o assunto com a rainha do sul, toca novamente na questão da operação de Satanás, por meio de quem eles acusaram Jesus de operar, mas Ele com autoridade os advertiu anteriormente, que quem blasfemasse contra o Espírito Santo - pois Jesus agia no poder do Espírito - tal pecado é tão grave que jamais será perdoado ao que o cometer (Mt 12.31-32).

 

Jesus os ad­vertiu de que suas palavras mostravam a maldade de seu coração. O pecado contra o Espírito Santo não é uma questão de pala­vras, pois as palavras são apenas "frutos" de um coração pecaminoso. Se o coração está cheio de bondade, transbordará pelos lábios e beneficiará a outros. Mas se está cheio de maldade, também transbordará pelos lábios e prejudicará tanto aquele que fala quanto os que estão a seu redor.

Mas o que vem a ser essa terrível "blas­fémia contra o Espírito Santo"? Pode ser cometida nos dias de hoje e, em caso afir­mativo, de que maneira? Jesus afirmou que Deus perdoará o que blasfemar contra o Fi­lho, mas não contra o Espírito. Isso significa que o Espírito Santo é mais importante do que Jesus Cristo, o Filho de Deus? Claro que não. E comum ouvir as pessoas blasfema­rem do nome de Deus e de Jesus Cristo, mas raramente se referem ao nome do Espírito Santo. Como é possível Deus perdoar pa­lavras proferidas contra seu Filho, mas não perdoar as ofensas contra o Espírito?

Ao que parece, trata-se de uma situação específica, correspondente apenas ao perío­do em que Cristo ministrou aqui na Terra. Jesus não parecia diferente de qualquer ou­tro homem judeu (Is 53:2). Maldizer Cristo era uma ofensa perdoável enquanto ele es­tava na aqui na Terra. Mas quando o Espírito de Deus veio no Pentecostes, comprovan­do que Jesus era o Cristo e estava vivo, a rejeição do testemunho do Espírito passou a ser terminante. Logo, a única consequên­cia possível era o julgamento.

Ao rejeitarem João Batista, os líderes estavam rejeitando o Pai que o enviou. Ao rejeitarem Jesus, estavam rejeitando o Filho. Mas ao rejeitarem o ministério dos apósto­los, estavam rejeitando o Espírito Santo - e essa era a rejeição final. O Espírito é a últi­ma testemunha, e tal rejeição não pode ser perdoada.

A expressão "palavra frívola", em Mateus 12:36, significa "palavra sem valor". Se Deus julgará nossas "conversas fiadas", quanto mais, então, julgará palavras ditas delibera­damente? E nas palavras impensadas que re­velamos nosso verdadeiro caráter.

É possível cometer o "pecado imperdoá­vel" nos dias de hoje? Sim. Nos dias de hoje, esse pecado consiste na rejeição categóri­ca e definitiva de Jesus Cristo. Ele deixou bem claro que todos os pecados podem ser perdoados (Mt 12:31). Adultério, assassina­to, blasfémia e outros pecados do género, todos podem ser perdoados. Mas Deus não pode perdoar aquele que rejeita seu Filho, pois é o Espírito quem dá testemunho de Cristo (Jo 15:26) e quem convence o peca­dor perdido (Jo 16:7-11).

 

3.3. O perigo da casa vazia (Mt 12.43-45).

Jesus fala do espírito imundo que foi expulso da casa. Tal acertiva sobre a possessão demoníaca duma casa era familiar aos judeus, pois eles haviam aprendido na Lei que uma casa pode ficar enferma e até possessa, tal residência deveria ter acompanhamento sacerdotal até a sua cura ou eliminação (Lv 14 RA). Quando um espírito é expulso da casa anda por lugares áridos e promete voltar, e traz reforço consigo, quer dizer, mais sete espíritos imundos para tomá-la de volta, se a acharem vazia os demônios passam a habitar ali, depois o estado do dono da casa se torna pior que antes, porque são espíritos opressores (Mt 12.45). Mas por que a casa ficaria vazia? Jesus havia derrotado Satanás no deserto (Mt 4.1-11), Ele era a visitação de Deus para a casa de Israel, porém não o aceitaram, antes o mataram. Por esse motivo, aquele principado retornaria e tornaria o estado daquela geração pior que a anterior, por causa de sua rejeição.

O mesmo princípio que Mateus aplica a Israel como nação, Lucas o faz a indivíduos (Lc 11.24). Não basta limpar a nossa casa espiritual, tem de estar habitada pelo Espirito Santo que nos ajudará a combater o mal contra a nossa vida. Daí o compromisso não apenas do temor que se deve ter mas da atitude combativa, contra o mal que planejará voltar, para dominar a situação, trazendo tormento tétrico em vida. Sobretudo devemos ter vigilância para manter a casa limpa e habitada.

 

Conclusão

Aqui está quem é maior, a sabedoria e o poder de Deus, Cristo Jesus. Escândalo para uns e loucura para outros. Nem a perseguição ou a morte o derrotaram, tudo isso passou, mas venceu por ser maior. Cabe a nós analisar o nosso coração para que jamais seja infiel e do Diabo se afastar, pois o verdugo espiritual aí está pronto para trazer seu reforço e tomar a nossa vida um tormento e, no final, a perdição. Sejamos corajosos e combatentes até, por fim, virmos a descansar em Cristo.

 

 

 

A urgência de um avivamento genuíno - Lição 13 – 31 de Março de 2013

 

LIÇÃO 13 – 31 de Março de 2013

 

A urgência de um avivamento genuíno

 

TEXTO AUREO

 

“Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia”. Hc 3.2

 

VERDADE APLICADA

 

Avivamento não é desprezo pelo conhecimento e nem alienação social, por isso precisamos crescer em graça e conhecimento das Escrituras.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 

Definir e apresentar características gerais de um verdadeiro avivamento;

Mostrar como podemos alcançar o genuíno avivamento;

Manter os cuidados que se deve ter em meio ao avivamento.

 

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA

 

Jr 29.11 - Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais.

Jr 29.12 - Então, me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.

Jr 29.13 - E buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.

Jr 29.14 - E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos, e congregar-vos-ei de todas as nações e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei.

 

Aqueles com esperanças verdadeiras (w. 10-14). A verdadeira esperança baseia-se na revelação da Palavra de Deus, não nas "men­sagens de sonhos" daqueles que se dizem profetas (v. 8). Deus deu a seu povo uma "boa palavra" (v. 10) de livramento e cum­priria sua promessa. Deus fez planos para seu povo, bons planos que, no final, trazem paz e esperança. Sendo assim, não há moti­vo para temer nem para desanimar.

Em toda situação, porém, o povo de Deus tem a responsabilidade de buscar ao Senhor, de orar e de pedir a ele que cumpra suas promessas, pois a Palavra e a oração caminham juntas (At 6:4). O propósito da disciplina é fazer com que busquemos ao Senhor, confessemos nossos pecados e nos acheguemos a Deus (Hb 12:3-13). De acor­do com Jeremias 29:14, essas promessas vão além dos judeus cativos na Babilónia e in­cluem todo o Israel ao redor do mundo. Je­remias estava olhando mais adiante, para o final dos tempos, quando Israel seria reunido para encontrar-se com o Messias e entrar no reino (Is 10:20 - 12:6).

 

Introdução

O nosso tema em apreço não visa atacar ninguém. É nosso propósito definir, demonstrar como se expressa o avivamento e alguns cuidados principais que se devem ter com ele. Esse cuidado é para todos aqueles que estão envolvidos nesse fenômeno religioso quanto aos excessos que se deve evitar. Aproveitemos esse momento, pois o assunto é muito interessante em si.

 

  1. Bases de um avivamento genuíno

Antes de falar das características gerais de um avivamento, vejamos o que ele é. Avivamento é o ato ou efeito de avivar, trazer vida, produzir ânimo. Quer dizer, buscar e receber vida espiritual em Deus; ter o ânimo renovado por meio da ação do Espírito Santo e da busca pessoal. Seja buscando ou recebendo o avivamento consiste numa concentração especial da presença de Deus (At 2.1-4).

 

O Espírito San­to já estava operando antes de Pentecostes e havia se mostrado ativo na criação (Gn 1:1, 2), na história do Antigo Testamento (Jz 6:34; 1 Sm 16:13) e na vida e ministério de Jesus (Lc 1:30-37; 4:1, 14; At 10:38). Duas coisas, porém, não seriam mais as mesmas: (1) o Espírito passaria a habitar nas pessoas, não apenas a vir sobre elas; e (2) sua presen­ça seria permanente, não apenas temporá­ria (Jo 14:16, 17). O Espírito não poderia ter vindo antes, pois era essencial que Jesus morresse, ressuscitasse e voltasse ao céu, a fim de que o Espírito fosse concedido (Jo 7:37-39; 16:7ss). Convém lembrar a sequên­cia do calendário judaico em Levítico 23: Páscoa, Primícias e Pentecostes.

A vinda do Espírito foi acompanhada de três sinais maravilhosos: o som de um forte vento, línguas de fogo e os cristãos louvan­do a Deus em várias línguas. Tanto no he­braico quanto no grego, a palavra usada para Espírito também significa "vento" (Jo 3:8). O povo não sentiu o vento, mas sim ouviu seu som. É provável que os cristãos estivessem no templo quando isso aconteceu (Lc 24:53). O termo casa em Atos 2:2 pode se referir ao templo (ver At 7:47). As línguas de fogo sim­bolizavam o testemunho poderoso da Igre­ja ao povo. Campbell Morgan lembra que nossas línguas podem ser "abrasadas" pelo céu ou pelo inferno! (Tg 3:5, 6). A combina­ção de vento e fogo gera grandes labaredas!

 

1.1. As Escrituras Sagradas

O avivamento espiritual genuíno deve ter plena harmonia com as Escrituras, jamais ser contrário a elas. Em verdade, o avivamento deve proceder sempre das promessas de Deus e da meditação continuada da sua Palavra. Quando ele chega, há um apego maior à leitura bíblica, à meditação, à prática e à sua divulgação. O Espírito Santo sempre agirá em consonância com a sua Palavra, aliás, nesse momento em que há uma concentração especial de sua presença, determinados aspectos da Escritura ganham uma vida especial. Avivamento sem Bíblia é como um povo sem história, sem lei e sem poesia, apenas um fenômeno religioso.

 

 

1.2. O agir do Espírito Santo

Num ambiente de avivamento, o Espírito Santo conduz as pessoas ao arrependimento de seus pecados. Certas coisas consideradas socialmente banais são abandonadas, visando manter uma comunhão profunda com Ele, mantendo uma vida de santificação constante. A devoção se torna algo vivo evidenciado pelo fervor, pela oração, pelos louvores, enfim tudo é cheio de vida naturalmente e não uma obrigação tradicional e religiosa, pois ganharam um novo valor. Sua presença é tão real que é quase tangível com as mãos, assim quebrantamentos são comuns. A libertação de pessoas oprimidas, às vezes, acontecem muitas curas e milagres, muitas reconciliações, mudanças sociais e a pregação ganha um novo valor (At 8.1-40).

 

1.3. Busca e organização humanas

Um avivamento espiritual não acontece por acaso, sempre será resultado de uma busca. Essa busca faz parte da necessidade que se tem de ter vida espiritual renovada, dessa maneira alguém começa uma busca intensa por Deus, como o salmista que disse, “como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus (Sl 42.1 PARTE 1). “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). Trata-se de uma busca com intensidade de coração e de atitudes. Pois há coisas que imprescindivelmente precisam ser feitas pelo crente e que estão reveladas: humilhar-se, orar, buscar intensamente, converter-se dos maus caminhos. Aí, então, Deus se deixa achar (Dt 4.29; 2Cr 7.14; Jr 29.14). No aspecto coletivo, Paulo orienta que se tenha ordem no sentido de organização, e decência, a fim de evitar alguma coisa que traga vergonha. Para isso ele dedica todo o texto de I Coríntios 14.

 

PARTE 1

O ardente desejo do salmista em experimentar a presença de Deus e assim ter uma comunhão completa, que fomente a sua espiritualidade. Ele não se contentava em aprender, ler, instruir-se e orar. Ele jamais diria que "a leitura da Bíblia e a oração” são suficientes para o homem espiritual. Também precisamos do toque, do contato e comunhão com Deus. A meditação é uma das mais úteis disciplinas de uma vida pessoal. Como suspira a corça pelas correntes das águas. A figura nos apresenta um animal selvagem correndo para salvar a própria vida, tentando evitar os caçadores e seus cães, e que, em sua sede extrema, encontra alguma água muito necessária para beber. Buscamos a Deus como esse animalzinho busca sua água necessária? O poeta foi capaz de dizer que a sua alma buscava a Deus com esse afã, ou seja, com todo o seu ser. Ele não categorizou a si mesmo em secular e divino. O divino era tudo para ele.

Quando a corça (cervo) fica exausta e dolorida de tanto correr, seu último refúgio é uma poça de água. Esse animal descerá a colina e nadará no meio da água. Poderá mergulhar na água para evitar o olhar brutal dos caçadores e dos cães de caça. E sorverá do precioso liquido. Sua vida é assim restaurada.

 

Essas quatro bases são imprescindíveis para qualquer movimento avivalista. A Palavra como vimos, resumidamente, contém a planta de todo o verdadeiro movimento espiritual apostólico. Mas há movimentos, entretanto, que dizem que, o Espirito Santo é maior que a Palavra e dão as regras de uma reunião de acordo com esse pensamento, tudo deve partir da Palavra entendida de maneira sábia e equilibrada. Quanto a busca intensajá vimos. Mas se faz necessário ter ordem e muita sensibilidadea fim de não estancar o avivamento e entristecer o coração de alguns.

 

  1. Expressões de um verdadeiro avivamento

Não raro temos concepções erradas acerca de um avivamento verdadeiro, atribuímos nossos conceitos à luz daquilo que ouvimos ou de nossa experiência e esquecemo-nos de que avivamento é a vida plena de Jesus Cristo em nós demonstrada por meio de frutos e graça Deus, como veremos a seguir.

 

2.1. Expressão de renovo espiritual

Sabemos que tudo o que possui grande valor sofre o plágio da alma humana. Certos cultos movimentados, acompanhados de barulhos, certo emocionalismo e inteiração presente, etc., podem evidenciar um avivamento ou não. As evidências posteriores à reunião confirmarão isso, por exemplo, se tal movimento é sucedido por sentimento de vazio, falta de caráter transformado e ausência contínua de conversões, os indícios são de irmãos animosos, mas não avivados. Por outro lado é claro que o avivamento se expressa por meio de poder espiritual. Não podemos dizer que estamos em avivamento, se não há presente em nossas vidas e reuniões o poder do Espírito Santo conforme prometido (Lc 24.49). Esse poder é demonstrado através de uma nova dinâmica espiritual, conforme vemos na igreja primitiva, ousadia na pregação, unção e graça abundante, manifestação dos dons, curas e milagres, e conversão de almas. Eis aí as diferenças demonstradas, cujo ponto fundamental são os resultados, eles são prova de renovo espiritual verdadeiro.

 

Lc 24.49 - Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto.

Deus prometeu dar-lhes poder (Lc 24:49; At 1:8), e cumpriu sua promessa. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre a Igreja e lhes deu poder para pregar a Palavra (At 2). Depois de Pentecoste, o Es­pírito continuou a encher os cristãos com grande poder (ver At 4:33).

Testemunhar não é algo que fazemos para o Senhor; antes, é algo que ele faz por meio de nós, se estivermos cheios do Espírito Santo. Existe grande diferença en­tre "vender o peixe" e testemunhar com o poder do Espírito. Como disse Vance Havner: "Não é pela argumentação que levamos pessoas a Cristo. Simão Pedro foi a Jesus porque André o procurou e lhe deu seu testemunho". Testemunhamos com a autoridade do nome de Jesus e com o po­der de seu Espírito, anunciando seu evan­gelho e sua graça.

 

2.2. Demonstração do fruto do Espírito

No item acima, falamos de modo sucinto da expressão de um avivamento num ambiente coletivo, mas agora trataremos de forma mais pessoal, posto que a igreja é formada por indivíduos que se agregam. Um avivamento do Espírito Santo é demonstrado por uma transformação de caráter. Todos aqueles que experimentaram ter um encontro genuíno com Deus foram transformados, Jacó, quando lutou com o anjo, disse, “tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32.30); Isaías quando viu Deus assentado num alto e sublime trono, disse: “ai de mim, que vou perecendo!... Meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos” (Is 6.5); dali em diante Isaías deixou de falar o que não devia. Reuniões de avivamento onde se há muito barulho, línguas estranhas, mas quando acabam há discórdias, brigas, xingamentos e falta ânimo para evangelizar, é um contrassenso, depõe contra o verdadeiro avivamento e o próprio cristianismo.

 

2.3. Testemunho com graça renovada

A igreja que passa por um avivamento se torna muito ativa na pregação, no evangelismo, no discipulado e missões. Todos com um amor renovado querem contribuir não apenas financeiramente, mas querem participar da multiplicação dos fiéis. Lembremos que a igreja de Jerusalém tinha graça para com a sociedade (At 2.42-47), não antipatia, o mesmo exemplo deve ser seguido por nós.

Há, no avivamento, realidades das quais não podemos fugir, todos os genuínos avivamentos mais cedo ou mais tarde enfrentam oposição, posto que lidamos com dois elementos corruptos: a natureza humana e o próprio Satanás que procura abafar o movimento e age com represálias, a fim de ao invés avivamento, confusão, frieza e morte espiritual. As vezes, alguns de posse desse conhecimento ficam tão preocupados que preferem não alcançar níveis profundos de avivamento em sua vida e igreja. Andar em direção ao avivamento é ir em direção a Cristo Jesus que morreu e ressuscitou, derrotou o diabo a morte e o inferno, maior é o que está conosco!

 

  1. Cuidados principais quanto o avivamento

O avivamento deve ser preservado, mas o excesso de zelo pode acabar por extinguir o agir do Espírito, quer dizer, ter um efeito contrário. Por exemplo, alguns líderes tem tanto medo de que as manifestações não sejam do Espírito de Deus que acabam por extingui-lo. Outros ficam tão preocupados em perder as rédeas do culto, por causa das manifestações espirituais que desestimulam os irmãos e entristecem o Espírito Santo. Devemos ter cuidados sim é o que abordamos aqui, mas, sobretudo, este é um trabalho de fé, Aquele que começou o avivamento com o passar dos dias o aperfeiçoará.

 

3.1. Ênfase exagerada ao Espírito Santo

Devemos cuidar para que não seja por nossas atitudes ou conceitos doutrinários errôneos que venhamos dar ênfase exagerada a pessoa do Espírito Santo. E isso se manifesta de muitas maneiras, por exemplo, alguns dizem: “aqui o Espírito é superior a qualquer um, Ele é maior que a Palavra e é Ele quem manda”. Isso não é verdade, a Palavra foi inspirada por Ele, ela é o meio de julgarmos de onde procede uma manifestação tida como espiritual, se dele, do espírito humano ou do maligno infiltrado. Na verdade, todo avivamento traz consigo seus exageros que devem ser administrados com sabedoria e temor a Deus. Há lugares que dão ênfase exagerada à busca de visões, a revelações, nada fazem senão abrirem a Bíblia em algum lugar. Sejamos sábios irmãos, mesmo que Deus tenha começado um avivamento, quando se inicia essas coisas, elas são indícios da sua ausência ativa. Deus não opera contra si mesmo, pois não é de confusão.

 

3.2. A falta de exposição das Escrituras

Uma grande contradição em um suposto avivamento é não haver exposição das Escrituras, seja ensinando, pregando ou evangelizando numa reunião. Os hinos, corinhos, profecias, revelações e demais participações devem fazer parte da liturgia do culto, tal como era na igreja primitiva e tal como o movimento pentecostal procura resgatar. Todavia não se pode prescindir a Palavra como se fosse um tempero a menos naquela reunião. Devemos, com sabedoria, preparar com fervor e aproveitar esses momentos para ministrar a Palavra. Lembremos que Pedro agiu assim na primeira reunião “pentecostal” (At 2.14-36). Ele aproveitou o momento de modo que a sua atitude se tornou um modelo para todos os avivamentos subsequentes. Assim, cuidemos para que em cada reunião, tenhamos um verdadeiro aprendizado na pregação da Palavra de Deus.

 

3.3. O fanatismo

Foi num ambiente de “avivamento”, em Corinto, quando houve muitas meninices, arrogâncias, liberação dos instintos carnais que Paulo teve que corrigir. Pois, em alguns momentos, a situação era mais parecida com umpandemônio do que com um culto a Deus. Os exageros não foram diferentes dos de nossos dias, todos falando em línguas ao mesmo tempo, vários profetizando simultaneamente, disputas internas que já não mais evidenciavam o amor, uma dependência contínua das emoções, o que levou Paulo a escrever longamente sobre o assunto conforme podemos ver em 1 Coríntios 12 a .14.

 

Pandemônio

Substantivo masculino: Tumulto, balbúrdia, confusão, generalizados. (Dic. Aurélio)

 

Caros irmãos precisamos também ver o avivamento do Espírito de Deus como um cultivo. Muitos de nós temos uma capacidade ótima para administrarmos nossos lares, finanças, filhos com planejamento eficiente. Mas queremos fazer a obra de Deus relaxadamente sem planejamento. O Senhor nos revelou nas Escrituras que os procedimentos de uma lavoura são semelhantes no reino de Deusé um trabalho longo e árduo, se não nos prepararmos quando o avivamento chegar com  força não saberemos o que fazer.

 

Conclusão

Nós brasileiros temos a fama evangélica de vivermos num continuo avivamento, que causa admiração nas igrejas dos outros países. Há um número de igrejas que, a cada tempo, surge das mais variadas denominações, curas e milagres, mas infelizmente não temos profundidade escriturística. Somos acusados por alguns de termos a grandeza de um oceano, mas a profundidade de uma piscina, posto que a Palavra tenha sido muito prescindida.

fonte mauricioberwaldoficial.blogspot.com.br