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Lições biblica CPAD jovens 2 trim-2016
Lições biblica CPAD jovens 2 trim-2016

  

                                                     

                                                     LISTA DE ASSUNTOS 

Lição 1 -A Instituição da família 

Lição 2 - O primeiro problema enfrentado em família 

Lição 3 - As diferentes mudanças sociais da família 

Lição 4 - Preparando-se para construir uma família 

Lição 5 - Deixando pai e mãe 

Lição 6 - O papel do marido na família 

Lição 7 - O papel da esposa na família 

Lição 8 - A comunicação na família 

Lição 9 - Conflitos familiares 

Lição 10 - Quando a divisão se instala na família 

Lição 11 - A família segundo o coração de Deus 

Lição 12 - A família de Jesus 

Lição 13 - A Família no Século XXI

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens  2º Trimestre de 2016

Título: Eu e minha casa — Orientações da Palavra de Deus para a família do Século XXI

Comentarista: Reynaldo Odilo

Lição 2: O primeiro problema enfrentado em família

Data: 10 de Abril de 2016

 

TEXTO DO DIA

“Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa” (Tg 3.16).

 

SÍNTESE 

A inveja transtorna qualquer ambiente, mas Deus, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, transforma maldição em bênção.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Gn 4.6

Deus questiona a ira entre irmãos 

TERÇA — Gn 38.8-10

Deus não aprova a falta de solidariedade entre irmãos

QUARTA — Gn 37.28; At 7.9

Deus abençoa o injustiçado entre os irmãos 

QUINTA — 1Sm 16.11,13

Deus exalta aquele que serve aos irmãos 

SEXTA — Mc 13.12

Jesus adverte sobre o aumento da hostilidade entre a família 

SÁBADO — Jo 7.8-10

Jesus evitou conflito com seus irmãos

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

APRENDER a respeito da responsabilidade de cuidar de nossos irmãos, tanto na família como na igreja;

CONTRIBUIR para que os inevitáveis conflitos familiares não transformem a família, campo de treinamento de Deus, em campo de batalha da carne;

MOSTRAR que a inveja é pecado e o antídoto para combatê-la é o ensino das Escrituras.

 

INTERAÇÃO 

Professor, sabemos, não são raras, as classes de Escola Dominical funcionarem em quartinhos apertados, cozinhas de igreja, gabinetes de pastores, e outros lugares inusitados. Mais comum ainda são várias classes funcionando, ao mesmo tempo, em um mesmo ambiente (dentro dos templos), o que gera ruídos, interferências, dispersão, etc. Contudo, querido docente, é possível fazer um excelente trabalho na Escola Dominical, mesmo que nem todas as condições sejam favoráveis. Não é demais lembrar que a primeira reunião da Escola Dominical no Brasil aconteceu na cozinha do casal Kalley. Portanto, esteja certo de que Deus o ajudará a vencer quaisquer dificuldades.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Estimado professor, é de extrema importância o interesse do aluno pelo assunto a ser estudado, por isso, desperte a atenção dele já no início da aula. Sendo assim, na classe de jovens as discussões devem ser uma constante, não sendo aconselhável apenas o professor falar e expor suas ideias.

Hoje, trataremos de um assunto muito conhecido de todos: a inveja, o único pecado envergonhado, como dizia o médico espanhol Ramón Cajal, ganhador do Prêmio Nobel de medicina em 1906: “A inveja é tão vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la”. Indague seus alunos sobre o tema, se conhecem alguém invejoso, se já tiveram tal sentimento em relação ao próximo, quais são as suas consequências, etc. Não se esqueça de ressaltar que essa obra da carne é um grave pecado, o qual deve ser combatido fortemente.

 

TEXTO BÍBLICO 

Gênesis 4.1-10. 

1 — E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão.

2 — E teve mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

3 — E aconteceu, ao cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.

4 — E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta.

5 — Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante.

6 — E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante?

7 — Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás.

8 — E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou.

9 — E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?

10 — E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Desejar os bens alheios é cobiça, mas ficar enfurecido pelo sucesso do próximo é inveja, um ato claramente indigno, desprezível, que traz perturbação (Tg 3.16). Alguém pode mentir por uma causa nobre (como salvar uma vítima de sequestro), ou orgulhar-se alegando amor próprio, mas isso nunca acontece em relação a essa obra da carne, porquanto a inveja sempre traz consigo desonra, como dizia o médico espanhol Ramón Cajal, ganhador do Prêmio Nobel de medicina em 1906: “A inveja é tão vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la”. É uma queda, uma fraqueza, um desvario, presente apenas na espécie humana. Aconteceu com Caim, representação do velho homem, da natureza humana decaída que pode comprometer severamente uma família. É preciso, pois, mortificar este sentimento abominável, com o objetivo de manter a harmonia nos lares!

 

  1. CAIM E ABEL 
  1. O começo de tudo. Conflito entre irmãos é uma constante na Bíblia. Começou com Caim e Abel. Vamos ao caso deles. Naquela sociedade primitiva, Adão e Eva tiveram dois filhos. Cada um deles buscou o sucesso do seu próprio modo. Caim seguiu a profissão do pai (Gn 2.15). Era lavrador (Gn 4.2). Sabe-se que trabalhar na agricultura exige muito esforço. É necessário preparar a terra, lançar a semente, regar, proteger das pragas, manter limpo o terreno em redor da plantinha, saber o momento da colheita e fazê-lo tempestivamente, armazenando a colheita em local adequado. Era, portanto, muito trabalhador. Abel, porém, desenvolveu-se como pastor de ovelhas (Gn 4.2). O esforço dele consistia basicamente em levar os bichos para pastar e mantê-los protegidos. Assim, ambos trabalhavam muito, porém não é possível avaliar qual dos dois tinha mais sucesso na vida. Afinal, não se podem comparar resultados de trabalhos com objetivos distintos; os dois desenvolveram bem suas atribuições. A Bíblia não relata nenhum conflito nessa época. Pode-se arriscar até dizer que eles eram unidos. Ao que tudo indica, o sucesso de um não incomodava o outro. Não havia, em tese, competição entre eles. Nem inveja, que só ocorre entre iguais. Esse é o retrato de muitas famílias. Enquanto não há concorrência, não há conflito. A vida desenvolvia-se aparentemente de modo normal quando, de repente, tudo mudou. Em um momento, Abel foi honrado por Deus e Caim não. Um se destacou em relação ao outro. Eis aí o ponto importante da presente história.
  2. Irmãos em conflito. Um dia, a primeira criança nascida e amada neste mundo, sobre a qual os pais certamente depositavam grande expectativa (talvez acreditando ser ele aquele que feriria a cabeça da serpente — Gn 3.15; 4.1), trouxe, do fruto do seu suor, uma oferta para Deus. É possível que, em seu coração maligno (1Jo 3.12), Caim tivesse arrazoado que aquele seria o momento de sua coroação, de sua exaltação, de sua confirmação como o herdeiro da promessa de Gênesis 3.15. Entretanto, para surpresa geral, Deus somente aceitou o sacrifício de seu irmão. As palavras bíblicas são contundentes sobre a sua reação: “Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante” (Gn 4.5). Isso demonstra que o primogênito, antes da resposta do Altíssimo, estava bem, com feições simpáticas, quem sabe até alegre; afinal, o resultado de muito tempo de trabalho árduo era oferecido gratuitamente ao Senhor. O que a oferta do caçula (que se esforçara, em tese, menos que ele) tinha de melhor? Foi uma grande decepção. A ira contra o Criador transformou-se rapidamente em inveja contra seu irmão. Agora, Abel era um competidor, um concorrente. Um obstáculo ao seu sucesso. Sem demora, aquele que se sentia injustiçado armou um plano para destruir o oponente.
  3. A chama da misericórdia divina. No momento em que a ira (hb. hārād) de Caim se acendeu (o termo hebraico usado denota estar irado com muito ardor), Deus apiedou-se dele. Está escrito: “E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.6,7). Deus estava dizendo que a porta da reconciliação estava aberta. O Senhor não o estava tratando com a rigidez de um juiz, mas com o carinho de um Pai. — Não erre. Pare. Volte para mim. O mesmo conselho do Espírito Santo foi repetido no Novo Testamento. Está escrito: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo” (Ef 4.26,27). Porém foi exatamente o que Caim fez: irou-se contra Deus, deu lugar ao Diabo, mentiu ao chamar Abel ao campo e ali matou seu irmão. Quantos cristãos desprezam a voz de Deus e seguem os sentimentos do seu coração (Mc 7.21-23)? A chama da misericórdia divina estava acesa, mas o ardor da inveja do primogênito de Adão foi mais forte.
  4. O primeiro fratricídio. Caim convidou seu irmão para ir ao campo e ali o matou (Gn 4.8). Aquele campo, quantas vezes, fora palco de brincadeiras entre os irmãos? Certamente algumas vezes Abel ajudou seu irmão a trazer para casa alguma verdura ou fruta daquele lugar, bem como é possível que Caim tenha ajudado Abel com as ovelhas que por ali pastavam. O campo, naquele dia, foi uma emboscada. Não era mais a campina da amizade, do companheirismo, mas, agora, da morte. Interessante que Deus, depois do fratricídio, perguntou ao fraticida sobre o paradeiro da vítima, tendo ele oferecido uma das respostas mais descabidas e ímpias de todos os tempos: — “Não sei; sou eu guardador de meu irmão?” (Gn 4.9). Impressionante! O lavrador primitivo não percebeu que sua missão era ser guardador de seu irmão! Deus colocou o dedo na ferida. Caberia a um irmão cuidar do outro. Essa era a regra para eles e também para você e seus irmãos, em sua família e na Igreja! 

Pense! 

Por qual motivo Deus perguntou a Caim por Abel, se o Senhor sabia de tudo que estava acontecendo? 

Ponto Importante 

Deus espera que cada pessoa seja guardadora de seus irmãos. Essa era a maior obrigação de Caim, mas ele não a cumpriu e foi severamente punido. E nós? 

  1. RIVALIDADES ENTRE IRMÃOS 
  1. Um problema histórico. A rivalidade entre irmãos é um problema familiar histórico. Os casos são abundantes na Bíblia. Ismael perseguia a Isaque (Gl 4.29), Esaú e Jacó eram rivais desde o ventre (Gn 25.22,23), os irmãos de José tinham inveja dele (Gn 37.11), Miriã e Arão cobiçaram a posição de Moisés (Nm 12.1,2), os irmãos de Davi o desprezavam (1Sm 16.11; 17.28), dentre muitos outros casos. Assim, todas as famílias, independentemente da época em que viveram, são capazes de criar grandes zonas de conflitos entre irmãos. Cabe, porém, aos membros das famílias buscarem ao Senhor, para que haja controle sobre os impulsos da carne. Paulo roga que guardemos a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.1,3). Essa regra serve tanto para a igreja como para a família.
  2. Um problema importante. Todo problema vivido dentro da família é relevante, pois quebra a unidade no lugar em que as pessoas têm a obrigação de se amarem. “Amem-se ou pereçam”, dizia certo poeta americano. Ademais, está escrito: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1Tm 5.8).
  3. Um problema inevitável. Por outro lado, os problemas familiares são inevitáveis. Sempre existirão conflitos. Cedo ou tarde. Pequenos ou grandes. Com todos ou só com alguns. Isso faz parte da natureza humana decaída. Até na família terrena do Filho de Deus houve conflitos. Assim, não existem famílias sem problemas, mas há como os membros permanecerem sempre unidos (Pv 24.3,4). Não se pode permitir que o campo de treinamento de Deus (a família) se transforme no campo de batalha da carne. O Senhor pode estabelecer uma paz inefável e duradoura (Jo 14.27).

 

Pense! 

Como vencer os maus pensamentos que insuflam inveja em nossos corações, como os que sobrevieram ao primogênito de Adão? 

Ponto Importante 

Somente dando ouvidos à voz de Deus, é possível resistir à tentação. Caim preferiu destruir seu irmão a mudar sua conduta. Ele servia ao maligno. 

 

III. VENCENDO O INIMIGO 

  1. O pecado envergonhado. Caim teve inveja de Abel e, por isso, o matou, pois essa obra da carne é um pecado que incute o desejo de não querer a felicidade do outro. Ela danifica profundamente as estruturas relacionais, pois é a podridão dos ossos (Pv 14.30). Isso, porém, frequentemente acontece nas famílias, o que torna a convivência muito difícil (Pv 27.4). Quando Caim cedeu à inveja, “descaiu-lhe o seu semblante” (Gn 4.5), e por fim cometeu o fratricídio. O primogênito de Adão sabia que não conseguiria a aprovação de Deus com o seu ato. Isso não era importante para ele, pois queria apenas que Abel fosse aniquilado!
  2. Triunfo familiar. Deus sabia dos abundantes problemas familiares. Então o Senhor estabeleceu uma ordem muito clara aos judeus (Dt 11.19-21). O Manual do Fabricante, a Bíblia Sagrada, deixou prescrito um antídoto para que os problemas familiares não se tornem uma doença fatal na família, como aconteceu no caso de Caim e Abel: o ensino da Palavra a tempo e fora de tempo (2Tm 4.1,2).

 

Pense! 

Somente o ensino da Palavra de Deus na família é suficiente para debelar toda a maquinação invejosa ou faz-se preciso um acompanhamento psicológico também? 

Ponto Importante 

Através do ensino da Bíblia Sagrada, conhecemos quem é Deus e quem somos nós, o que é um excelente antídoto para a inveja, uma doença da alma. 

 

CONCLUSÃO 

Na vida em família é preciso ter cuidado. Repentinamente, como se deu no episódio estudado, o velho homem pode surgir poderosamente contra a vontade de Deus. Até o cristão mais espiritual pode ser tentado e cair, cometendo um pecado horrível. Não há inatingíveis. Todos os humanos são fracos, por isso carecem da graça do Senhor, que falou: “E as coisas que vos digo digo-as a todos: Vigiai” (Mc 13.37). 

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Segundo a lição, qual a diferença entre cobiça e inveja?

Cobiça: querer o que o outro tem. Inveja: ficar enfurecido pelo sucesso alheio. 

  1. Qual era a missão dada por Deus a Caim em relação a Abel?

Ser guardador de seu irmão (Gn 4.9). 

  1. Segundo a lição, qual o único pecado “envergonhado”?

A inveja. 

  1. Segundo a lição, cite um antídoto deixado por Deus para que os problemas não se tornem uma doença fatal para a família.

O ensino da Palavra de Deus. 

  1. Em qual passagem da Bíblia Jesus manda que todos vigiemos?

Marcos 13.37. 

 

SUBSÍDIO I 

“Vamos enfrentar os fatos — a ideia de ser o número um, de ter poder, sucesso, dinheiro e prestígio, é muito sedutora.

Essa ideia tem sido o ‘coração’ do mal desde que Lúcifer comparou o que possuía com o que Deus tinha. Ele sentiu-se roubado na parte que recebeu.

A inveja também obscureceu a mente de Caim, afastando-o da verdade. Como resultado, o sangue de seu irmão Abel correu sobre a terra amaldiçoada e a história se alterou tragicamente. Os temas ciúme, inveja e cobiça percorrem os séculos.

Os irmãos de José tiveram inveja do favor de seu pai Jacó, e cobiçavam o papel de filho favorito. Certo ou errado, Jacó escolheu José para um lugar especial na família. Deus, por sua presciência, deu sonhos a José, que estava sendo preparado, sem saber, para sofrimentos e triunfos futuros.

A inveja é geralmente baseada no temor — medo de perder algo. A inveja é sempre uma emoção egoísta.

Deus deu sonhos a José, e então seus irmãos perderam o prestigio. Quando Jacó presenteou José com uma túnica multicolorida, o orgulho e a auto-estima dos irmãos foram feridos, produzindo a necessidade de retaliação.

Muitos dos nossos problemas são resultado direto de um coração invejoso. Devemos nos observar cuidadosamente” (DORTH, Richard W. Orgulho Fatal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, pp.68,69,75).

 

SUBSÍDIO II 

“O Assassinato de um Irmão Crédulo (Gn 4.1-16)

Na estrutura geral, esta história é muito semelhante à anterior. Tem um cenário (Gn 4.1-5), um ato de violação (4.8), uma cena de julgamento (4.9-15) e a execução da sentença (4.16).

A história dos primeiros dois rapazes nascidos a Adão e Eva (1) realça as repercussões do pecado dentro da unidade familiar. Os rapazes, Caim e Abel (2), tinham temperamentos notavelmente opostos. Caim gostava de trabalhar com plantas cultiváveis. Abel gostava de estar com animais vivos. Ambos tinham uma disposição de espírito religioso.

Os filhos de Adão levaram sacrifícios ao SENHOR (3) [...]

Caim não suportava que algum outro ficasse em primeiro lugar. A preferência do Senhor por Abel encheu Caim de raiva. Só Caim podia ser o ‘número um’.

O Senhor [...] abordou Caim e lhe deu um aviso. Deus não o condenou diretamente, mas [...] informou Caim que ele estava em real perigo. Em hebraico, a palavra aceitação (7) é, literalmente, ‘levantamento‘, e está em contraste com descaiu (6). Um olhar abatido não é companhia adequada de uma consciência pura ou de uma ação correta. O ímpeto das perguntas de Deus era levar Caim à introspecção e ao arrependimento” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 1. RJ: CPAD, 2015, p.43).

 

 

 Lições Bíblicas CPAD

Jovens  2º Trimestre de 2016

Título: Eu e minha casa — Orientações da Palavra de Deus para a família do Século XXI

Comentarista: Reynaldo Odilo

Lição 4: Preparando-se para construir uma família

Data: 24 de Abril de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA 

“E pelo conhecimento se encherão as câmaras de todas as substâncias preciosas e deleitáveis” (Pv 24.4).

 

SÍNTESE 

Deus tem interesse em abençoar os jovens na construção de um novo lar, mas, para isso, todos devem se submeter ao plano divino.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Gn 24.2-4

Escolhendo o cônjuge no lugar certo 

TERÇA — Gn 26.34,35

Escolhendo o cônjuge no lugar errado 

QUARTA — Gn 29.9-11

Passeando no lugar certo

QUINTA — Gn 34.1

Passeando no lugar errado

SEXTA — Pv 18.22

Alcançando o favor de Deus 

SÁBADO — 2Co 6.14-18

Prendendo-se a um jugo desigual

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

CONSCIENTIZAR-SE de que a construção de uma nova família, dentro do propósito de Deus, exige preparação;

ASSUMIR o compromisso de observar o padrão divino nas fases de namoro e noivado;

DEFINIR o casamento como uma bênção que deve ser almejada por todo e qualquer jovem.

 

INTERAÇÃO 

Professor, é necessário que haja um bom relacionamento entre os docentes da classe dos jovens. Porém, queremos chamar a atenção para a relação professor-aluno. É muitíssimo importante que você construa um vínculo afetivo e de confiança com aqueles que Deus lhe confiou pra ensinar e orientar. Evite aquele contato apenas semanal e extremamente superficial. Se eles confiarem em você, receberão de bom grado o seu ensino, seguirão suas orientações, ouvirão seus conselhos, etc. Por outro lado, a proximidade com eles proporcionará a você um melhor conhecimento sobre suas vidas, e isso é algo que todo professor de Escola Dominical deve buscar com afinco. Na próxima lição, falaremos mais sobre essa busca.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Prezado docente, inicie a aula com a apresentação, pelos alunos, dos resultados da pesquisa solicitada na aula passada (sobre as estatísticas de casamento e divórcio no Brasil, bem como sobre curiosidades como o número de solteiros e o tempo médio de duração do casamento). Essa apresentação vai abrir a discussão sobre a aula de hoje, que vai tratar da preparação necessária à construção de uma nova família, debaixo da orientação divina. Reflita com os alunos, por alguns instantes, sobre as causas de tantos casamentos destruídos, muitas vezes em tão pouco tempo, e por que isso ocorre até mesmo entre cristãos. Conclua dizendo que, para existir um casamento abençoado e duradouro, é preciso observar o padrão divino desde a fase preparatória (namoro e noivado).

 

TEXTO BÍBLICO 

Gênesis 29.9-20. 

9 — Estando ele ainda falando com eles, veio Raquel com as ovelhas de seu pai; porque ela era pastora.

10 — E aconteceu que, vendo Jacó a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou Jacó, e revolveu a pedra de sobre a boca do poço, e deu de beber às ovelhas de Labão, irmão de sua mãe.

11 — E Jacó beijou a Raquel, e levantou a sua voz, e chorou.

12 — E Jacó anunciou a Raquel que era irmão de seu pai e que era filho de Rebeca. Então, ela correu e o anunciou a seu pai.

13 — E aconteceu que, ouvindo Labão as novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o à sua casa. E contou ele a Labão todas estas coisas.

14 — Então, Labão disse-lhe: Verdadeiramente és tu o meu osso e a minha carne. E ficou com ele um mês inteiro.

15 — Depois, disse Labão a Jacó: Porque tu és meu irmão, hás de servir-me de graça? Declara-me qual será o teu salário.

16 — E Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Leia, e o nome da menor, Raquel.

17 — Leia, porém, tinha olhos tenros, mas Raquel era de formoso semblante e formosa à vista.

18 — E Jacó amava a Raquel e disse: Sete anos te servirei por Raquel, tua filha menor.

19 — Então, disse Labão: Melhor é que eu ta dê do que a dê a outro varão; fica comigo.

20 — Assim, serviu Jacó sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

O propósito de Deus na vida do seu povo, em regra, é que ninguém esteja só, não obstante alguns, por escolha própria ou determinação de Deus, não constituirão uma nova família, como foi o caso do profeta Jeremias (Jr 16.2). Vale dizer que, mesmo solteiro, é possível ser feliz [aliás, tudo leva a crer que o profeta Daniel (Dn 1.9), e o apóstolo Paulo (1Co 7.7,8), homens de grande envergadura espiritual, eram solteiros]. A felicidade de uma pessoa não se resume ao casamento. Não obstante, o casamento feito no Senhor é uma grande fonte de alegria (Ec 9.9). Para a construção de um lar sólido e feliz é indispensável uma boa preparação, o que envolve muitas coisas, mas serão citados, aqui, para fins didáticos, somente sete passos: esperar no Senhor, escolha certa, preparação intelectual (profissional), trabalho, namoro, noivado e casamento. Esses passos não estão elencados cronologicamente, mas todos eles devem ser dados.

 

  1. O CAMINHO DO AMOR 
  1. Esperar com paciência. Adão foi criado por Deus e ficou sozinho no Éden, esperando nEle, não se sabe por quanto tempo. Isso não é tão ruim quanto parece, antes pelo contrário. O fato de se estar só traz benefícios circunstanciais para o jovem (Lm 3.26-28). Assim, foi excelente para Adão ter suportado o “jugo” da mocidade. Muitas vezes ele deve ter se sentado sozinho na relva verde, sem ninguém para conversar, quando tudo em volta era silêncio, e então pôde refletir sobre a vida e buscar a Deus. Sem Eva, por algum tempo, o primeiro homem colocou umas coisas importantes em ordem (por exemplo: deu nome aos animais e cuidou do jardim), bem como, certamente, compreendeu suas limitações emocionais, pois ficou frente a frente consigo mesmo e também com Deus, vindo a conhecer melhor o seu Criador.

Posteriormente o Todo-Poderoso disse não ser bom que o homem estivesse só e, em consequência, anestesiou a Adão (fê-lo dormir), e retirou uma costela do homem, preenchendo com carne o lugar e, em seguida, o presenteou com uma formosa mulher, celebrando na sequência o primeiro casamento.

  1. Fazendo a escolha certa. Quando, enfim, termina a espera, inicia-se a fase do deslumbramento. O primeiro olhar, aquele que chama a atenção e desestabiliza, é, em regra, inesquecível (o que não significa necessariamente amor à primeira vista). Foi o que aconteceu na vida do patriarca Jacó (Gn 29.10,11). Aquele que tinha esperado em Deus durante tanto tempo (diferentemente de seu irmão Esaú, que casara fora da vontade de Deus — Gn 26.34,35), teve enorme emoção ao se encontrar com sua amada. Mas por que ele chorou? Porque Jacó percebera que Raquel, mais que uma mulher bonita, era também a bênção há tanto tempo esperada. Ele percebeu que a ponte afetiva entre eles tinha sido construída por Deus. Não se tratava só de aparência física, mas, sobretudo, de providência divina. Jacó podia ver que Deus estava naquele negócio.
  2. A conquista. Depois do primeiro olhar, chegou o momento da conquista. A Bíblia não narra com detalhes todos os fatos. Entretanto deixa claro que Jacó esperou, ainda, um mês inteiro para agir (Gn 29.14-18). A estratégia, certamente, ele estava construindo em Deus. O Senhor criou uma circunstância, e Jacó a aproveitou, seguindo os costumes locais. Como deve acontecer ainda hoje, o relacionamento precisava ter a bênção do pai da moça. O esforço de Jacó em trabalhar sete anos por Raquel seria o preço para ter em seus braços aquela que ele tanto amava. Isso nos mostra que, mesmo Deus aprovando o relacionamento, não significa que será fácil o caminho até o casamento.

Pense!

 

Para encontrar o grande amor da vida é preciso que o jovem crie estratégias humanas de conquistas? 

Ponto Importante 

O Senhor é quem mais se interessa pela construção de um novo lar em sua presença. 

 

  1. NAMORO E NOIVADO 
  1. Contextualização bíblica. a) Namoro. Em toda a história bíblica não se visualiza o namoro como etapa de algum relacionamento, pelo menos não como conhecemos atualmente, pois, normalmente os casamentos eram arranjados pelos próprios pais dos nubentes, alguns logo que os filhos nasciam, envolvendo, inclusive, pagamento pecuniário (dote) pela mão da noiva (Gn 34.10,11; Jz 14.2). Assim, não havia, em regra, esse contato prévio, haja vista que os pais desempenhavam esse importante papel no estabelecimento do novo lar. b) Noivado. Se por um lado na Bíblia não existe a palavra namoro, por outro as ocorrências da palavra noivado são abundantes, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, sendo este um compromisso muito sério, que inibia, inclusive, o homem de ir à guerra (Dt 20.7). Caso houvesse fornicação nesse período, o castigo seria o apedrejamento (Dt 22.22-29). Essa era a situação da qual Maria poderia ser acusada, ao ter concebido do Espírito Santo, e foi por isso que José intentou deixá-la secretamente (Mt 1.18,19).
  2. Significados. O namoro corresponde a uma importante fase do relacionamento humano, que deve ser marcado, sobretudo, por intimidade intelectual e emocional. Nada mais. Tudo que passar disso, foge do propósito de Deus. É aqui onde os jovens observam se existe verdadeiro amor no relacionamento, que, óbvio, precisa ser recíproco e igualmente forte. Vê-se, por exemplo, que Jacó, somente depois de trinta dias que havia conhecido Raquel, fez uma proposta de compromisso. Nesse período de “pré-namoro” Jacó estava analisando a sua pretendente, certamente procurando descobrir seus gostos pelas coisas, seus projetos, seus ideais de vida etc. Depois disso foi que ele teve coragem de “pedir a mão dela”. Seu “namoro” estava programado para durar sete anos, porém as coisas se complicaram muito (Gn 29.21-30).

Por outro lado, o noivado, fase do relacionamento humano tão relevante quanto o namoro, caracteriza-se por intimidade intelectual, emocional, mas também econômica. Nesse momento da vida dos nubentes, os preparativos para o casamento já ficam mais concretos. Começam os planejamentos para as compras essenciais do novo lar. A intimidade, nesse momento, não deve avançar além daquilo que é a vontade de Deus, para que não se percam as bênçãos decorrentes de um relacionamento centrado nEle (1Ts 4.3). Nada de intimidades físicas.

  

Pense! 

O namoro e o noivado são fases da vida que são decididas pelos próprios jovens, ou é o Senhor quem prepara esses encontros? 

 

Ponto Importante 

Os encontros significativos na vida do crente fiel são promovidos pelo Senhor (Pv 19.14), como aqueles que aconteceram entre Isaque e Receba, e Jacó e Raquel.

 

III. CASAMENTO 

  1. Significado. Depois de aguardar um tempo bastante longo, Jacó casou-se com Raquel (Gn 29.30). Ele soube aguardar a chegada do tempo de Deus. Agora, enfim, a intimidade física seria o ponto alto, pois eles se tornariam uma só carne.
  2. Meios de subsistência. O casamento pressupõe a existência de um caminho marcado pelo amor, que perpassa pelo namoro e noivado. Porém, antes de casar, os nubentes precisam garantir os meios de subsistência (trabalho) e, para tanto, necessitam de preparação intelectual. O emprego deve, sempre, anteceder ao casamento, pois ninguém deve casar e ser sustentado pelos pais. Deus, antes de fazer o casamento de Adão e Eva, deu ao marido uma “casa” (Gn 2.8) e um emprego (Gn 2.15). Ademais, está escrito: “Com a sabedoria se edifica a casa, e com a inteligência ela se firma; e pelo conhecimento se encherão as câmaras de todas as substâncias preciosas e deleitáveis” (Pv 24.3,4). Assim, a preparação intelectual fornece conhecimento (ciência), que propicia os meios para a subsistência material da família.
  3. Solteiro, mas feliz. Há alguns, como Jacó, que esperaram muito tempo, e Deus lhes providenciou um casamento. Outros, porém, igualmente fiéis ao Senhor, ficaram sem se casar, como foi o caso de Jeremias (Jr 16.2). Por que isso acontece? A resposta: soberania divina. Não devemos questionar os porquês dos propósitos divinos, mas, como servos, cabe-nos agradecer ao Senhor pelo dom da vida e pela sua presença conosco. Afinal, está escrito: “Canta alegremente, ó estéril que não deste à luz! Exulta de prazer com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto! Porque mais são os filhos da solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor” (Is 54.1).

  

Pense! 

O que o jovem cristão deve fazer para conseguir um emprego, com o objetivo de realizar o sonho do casamento e manter com dignidade seu lar?

 

Ponto Importante 

A preparação intelectual é indispensável para, quando chegar o tempo certo, o Senhor usar o conhecimento adquirido a fim de que, pelo trabalho, a casa se encha de bens (Pv 24.4). 

CONCLUSÃO

 

O jovem cristão deve entender o tempo de Deus para sua vida. Às vezes, tudo parece que não vai dar certo. Decepções amorosas, condições materiais desfavoráveis, incertezas etc., tudo fustiga o jovem que espera em Deus pelo seu novo lar. O ideal é seguir o conselho bíblico: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7). Um dia, ainda que demore, a promessa de Deus cumprir-se-á.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Segundo a lição, como os namorados devem se relacionar?

Devem relacionar-se somente no campo intelectual e emocional.

 

  1. Segundo a lição, como os noivos devem se relacionar?

Intensa intimidade intelectual, emocional e social. 

  1. Mencione dois personagens bíblicos que esperaram em Deus pelo casamento.

Adão e Jacó. 

  1. Segundo a lição, para obter os meios de subsistência, antes do casamento, qual “passo” deve ser dado pelo jovem?

Preparação intelectual. 

  1. Qual profeta do Antigo Testamento que Deus determinou que não se casasse?

Jeremias.

 

SUBSÍDIO 

“Por causa da forte influência tribal e da unidade do clã na sociedade patriarcal, os pais consideravam seu dever e prerrogativa assegurar esposas para seus filhos (Gn 24.3; 38.6). Normalmente, a noiva em perspectiva, assim como o noivo, simplesmente concordava com os arranjos feitos de acordo com os interesses da família e da lealdade à tribo. [...] O casamento com mulheres estrangeiras era desaconselhado (Gn 24.3; 26.34,35; 27.46; 28.8) e mais tarde foi totalmente proibido (Êx 34.16; Dt 7.3; Ed 10.2,3,10,11) [...]. Casamentos mistos eram tolerados apenas no caso dos exilados (por exemplo, José, Gn 41.45; Moisés, Êx 2.21) e dos reis apenas por razões políticas.

Por outro lado, havia em Israel a oportunidade para casamentos baseados no namoro. O jovem podia declarar a sua preferência (Gn 34.4; Jz 14.2). [...] Na época do Antigo Testamento as mulheres não eram mantidas como reclusas, como nos países muçulmanos, e podiam sair às ruas com o rosto descoberto (cf. 1Sm 1.13). Elas cuidavam das ovelhas (Gn 29.6; Êx 2.16), carregavam água (Gn 24.13; 1Sm 9.11), colhiam nos campos (Rt 2.3) e visitavam outros lares (Gn 34.1). Dessa maneira, os jovens tinham a liberdade de procurar a futura noiva sozinhos” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.388).

fonte www.avivamentonosul.com

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens

2º Trimestre de 2016

Título: Eu e minha casa — Orientações da Palavra de Deus para a família do Século XXI

Comentarista: Reynaldo Odilo

Lição 5: Deixando pai e mãe

Data: 1º de Maio de 2016

 

TEXTO DO DIA 

“Seus filhos erijam, crescem com o trigo, saem, e nunca mais tornam para elas” (Jó 39.4). 

SÍNTESE 

A ordem de deixar pai e mãe não significa desprezá-los, abandoná-los, pois o dever de honrá-los permanece para sempre.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Gn 2.24

A origem do mandamento 

TERÇA — Gn 12.1

Deus reitera o mandamento

QUARTA — Gn 24.58

Rebeca obedece ao mandamento 

QUINTA — Gn 24.67

Isaque cumpre o mandamento 

SEXTA — Mt 19.5; Mc 10.7

Jesus ratifica o mandamento 

SÁBADO — Ef 5.31

Paulo confirma o mandamento

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR que para a construção de uma nova família, é imprescindível deixar pai e mãe;

SABER que o afastamento em relação aos pais deve acontecer nas dimensões geográfica, psicológica e financeira;

EXPLICAR o aparente conflito entre o mandamento de honrar pai e mãe e o de deixá-los para iniciar outro núcleo familiar.

 

INTERAÇÃO 

Professor, você sabe dizer quantos e quem são seus alunos? Infelizmente, muitos de nós não sabemos. É imprescindível que você conheça o perfil de sua turma: a estrutura familiar (mora sozinho ou com os pais? Pais crentes? Separados?). O nível de escolaridade (estuda?), vida profissional (onde e em que trabalha?), tempo de evangelho (“nasceu no evangelho?”), etc... Se sua turma é pequena, essa tarefa não lhe trará maiores dificuldades, porém, se a classe for numerosa, sugiro que elabore um questionário e peça que todos respondam, explicando qual a finalidade. Assim, você terá uma série de informações, em um só momento, e perceberá que conhecer sua turma fará diferença na hora de planejar suas aulas e elaborar suas estratégias de ensino.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Estimado docente, o assunto de hoje é de extrema relevância para a vida de seus alunos, portanto cuide para que ninguém saia com dúvida. Para começar, lance a seguinte pergunta: “O que pode acontecer no casamento do rapaz e da moça os quais não deixaram pai e mãe geográfica, psicológica e financeiramente, desobedecendo a ordem divina?”. Espere que seus alunos respondam e registre todas as colocações no quadro ou em outro recurso disponível. Deixe que todos, sem exceção, participem da tarefa, independentemente de você concordar ou não com a resposta. Após, comece a analisar, junto com eles, cada uma das afirmações. Aproveite para elogiar os participantes e desfazer eventuais equívocos, tendo o cuidado de não causar constrangimentos, pois isso pode desestimular novas participações.

 

TEXTO BÍBLICO 

Efésios 5.31-33; Efésios 6.1-3. 

Efésios 5

31 — Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.

32 — Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.

33 — Assim também vós, cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido. 

Efésios 6

1 — Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.

2 — Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,

3 — para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

O primeiro mandamento de Deus para o homem (não o maior mandamento) é que, antes de casar, deve deixar seus pais (Gn 2.24). Esse paradigma para o casamento foi estabelecido de maneira tão veemente por Deus porque, talvez, essa fosse a única forma de quebrar o forte elo que liga pais e filhos, para poder surgir um novo ente social, a nova família. Como Deus é sábio! Tal acontecimento, identificado como individuação, tem alcance geográfico, psicológico e financeiro, não significando o distanciamento entre pais e filhos, mas colocando limites. Adão e Eva foram os únicos humanos que se casaram, e não tiveram de deixar pai e mãe, mas todos os demais devem cumprir a determinação divina. É certo que isso, às vezes, pode ser difícil. Entretanto não se trata de uma faculdade, mas de uma obrigação do novo casal. Afinal o verbo está no imperativo: deixará! Ao longo da história bíblica, os casais que serviram a Deus cumpriram integralmente essa norma divina.

 

  1. O PRIMEIRO MANDAMENTO 
  1. Requisito para a perfeita união. Toda nova família deve ter características próprias, para ter uma união perfeita. Isso é impreterível para que haja crescimento e uma identidade familiar própria. O novo casal, assim, precisa ter suas experiências pessoais e resolver seus problemas, sem haver intromissão de nenhuma outra pessoa. Esse mandamento mencionado no Éden foi reiterado para Abraão (Gn 12.1-3). Ele o obedeceu e também o ensinou a seus descendentes. Tanto Abraão, como Isaque e Jacó, conquanto fossem nômades parte do tempo de suas vidas, habitando em tendas (Hb 11.9), tinham, cada um, a sua própria habitação (Gn 24.67; 31.34)! Eles sabiam conservar a cultura familiar, sem deixar de atender a esse importante mandamento.
  2. Individuação. A filosofia chama de individuação o fenômeno através do qual um organismo se singulariza dentro da espécie, sem abandonar as características comuns dos seus pares. Era isso que o Senhor queria que acontecesse com o novo casal. Estar junto dos familiares é um compromisso perene da nova família (não deve se excluir das celebrações familiares — aniversários, Natal, dia dos pais, das mães etc.). Entretanto a singularização do ente familiar que se formou é imperiosa. Foi Deus quem pensou assim. O Senhor chancelou esse fenômeno na biologia dando a cada ser vivo um código genético distinto. Não existem, como se sabe, zebras com as mesmas listras, nem leopardos com pintas iguais, nem seres humanos que apresentem impressões digitais idênticas (ainda que sejam gêmeos univitelinos). Até os cristais de gelo, microscopicamente analisados, demonstram formações moleculares díspares. Essa construção idiossincrática faz parte da natureza. Assim, quando uma nova família surge, ela precisa de um “DNA social” próprio.
  3. Menção na Bíblia. Na Bíblia, Deus fala de individuação em Jó 39, mencionando como esse fenômeno acontece na família das cabras monteses (vv.1-4), cujos filhos, quando crescem e ficam fortes, partem e “nunca mais tornam para elas”. Os filhos das cabras monteses precisam viver sua própria história, identificando-se como indivíduos, sem abrir mãos dos ensinamentos recebidos dos pais (indispensáveis à sobrevivência). O certo é que, “à sombra” dos seus pais, elas jamais poderiam cumprir integralmente o projeto do Criador. Por isso, os descendentes caprinos procurarão suas próprias montanhas para estabelecerem suas famílias. 

Pense! 

Por que Deus estabeleceu como requisito para a formação de uma unidade nEle (marido e mulher) a quebra de outra unidade perfeita (pais e filhos)? 

Ponto Importante 

Na família, os filhos devem aprender com os pais, mas, em tempo oportuno, devem sair de casa para ensinar também aos seus próprios filhos. Esse é o ciclo da vida. 

 

  1. ALCANCE DO MANDAMENTO 
  1. Afastamento geográfico. Toda família precisa de “espaço” para crescer. Para isso Deus mandou que o novo casal, antes de se unir, saísse da casa dos pais. Observe-se uma planta. Ela precisa de um espaço que seja só dela (veja o que acontece quando o trigo divide um pequeno espaço geográfico com o joio — Mt 13.28-30 — é um problema). A grande dificuldade é que as raízes do joio e do trigo podem se entrelaçar, diante da proximidade territorial. Isso significa que o trigo precisa de um espaço individual, próprio. A mesma coisa acontece com a nova família.
  2. Afastamento psicológico. A planta precisa da luz solar para fazer a fotossíntese e crescer. Entretanto, essa radiação trará certo incômodo a ela nos horários mais quentes do dia. Isso porém é necessário. Utilizando o mesmo raciocínio, pode-se dizer que os pais não devem privar seus filhos dos eventuais desafios psicológicos. É preciso que cada nova família adquira individualidade, tomando suas próprias decisões. Por mais que “doa” ver os filhos passarem por certos “percalços” no novo contexto familiar, o bloqueio emocional ao novo casal, pelos pais, (impedir que deixe psicologicamente os genitores) ensejará prejuízo. Um escritor antigo dizia que “em mar calmo todo barco navega bem”. As lutas, dificuldades, surgirão para que possa despontar a nova liderança do lar: o marido. É bem verdade que o Código Civil e a Constituição Federal não distinguem liderança entre homem e mulher, no seio da família, mas a Bíblia estabelece. E, por isso, essa nova liderança precisa surgir, mas não aparecerá se não houver autonomia psicológica. Esse afastamento proporciona, à nova família e aos pais, a chance de um relacionamento mais íntimo com o Criador, na confiança que Ele é o socorro na hora da angústia (Sl 46.1) e, contra os incômodos do sol causticante, Ele é a sombra (Sl 121.5-6).
  3. Afastamento financeiro. A ordem de “deixar pai e mãe” também atinge a parte financeira, porém o dever dos pais ajudarem financeiramente os filhos (2Co 12.14) e vice-versa (Mc 7.10-13) nunca terminará diante de Deus, bem como perante a lei civil, a qual usa como parâmetro para definir o valor da “pensão alimentícia” o trinômio “necessidade-possibilidade-proporcionalidade”. Isto é, o dever de pagar reciprocamente alcança pais e filhos, na medida da necessidade e possibilidade de cada um, aplicando o critério da proporcionalidade para achar o valor justo. Há, porém, pais que possuem renda suficiente, mas exigem, para comprar supérfluos, aportes financeiros mensais do filho casado. Por outro lado, existem filhos casados que, irresponsavelmente, querem viver à custa dos pais. Os dois extremos estão errados e causam sérios conflitos no lar. Frise-se, por fim, que nenhuma ajuda que inviabilize a administração do lar de quem contribui vem de Deus, porque isso não tem origem no amor, mas em um sentimento indevido de posse dos pais sobre o(a) filho(a) recém-casado(a), ou vice-versa. 

Pense!

Por que tantos pais querem manter o controle sobre o filho após ele se casar? Seria isso amor ou egoísmo? 

Ponto Importante

 

Deixar o filho seguir seu próprio caminho, para construir um novo lar, como acontece com as cabras monteses (Jó 39.4), é sinal de amor. Reter o que Deus liberou é egoísmo!

 

III. CONFLITO ENTRE MANDAMENTOS 

Há, na Bíblia, dois mandamentos que aparentemente se contradizem: deixar e também honrar pai e mãe.

  1. Honrando pai e mãe. Sejam bons ou maus, os pais devem ser honrados incondicionalmente. Entretanto se surgirem conflitos entre o cônjuge e um dos pais, a Bíblia é clara: “deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher”. O cônjuge deve ter sempre a prioridade! Os interesses dos parceiros são superiores aos desejos dos sogros e filhos. Deus disse a Abraão: “ouça a voz de sua mulher” (Gn 21.12). Os interesses de Sara eram mesquinhos, pois o problema foi criado por ela e Deus faria Isaque ser o herdeiro independentemente de qualquer coisa. Entretanto, mesmo sendo doloroso, o Senhor determinou que Abraão abrisse mão do filho Ismael e Agar, por atenção a Sara. A honra aos pais, porém, não pode ensejar em qualquer espécie de humilhação ao cônjuge.
  2. Deixando pai e mãe. Enquanto estiverem em casa, os filhos deverão ser totalmente obedientes aos pais, no Senhor. Quando se casarem, porém, “deixarão pai e mãe”, ou seja, os filhos devem sair da casa, construir seu próprio patrimônio e tomar suas próprias decisões na vida, para que a unidade do novo casal não seja comprometida. Por tal motivo, é comum observar pessoas com sérios conflitos familiares, quando acontece o caso de os pais continuarem intervindo nas decisões dos filhos casados. É bom lembrar, porém, que, mesmo com o casamento dos filhos, a honra àqueles que deram toda a atenção e carinho durante a infância, adolescência e juventude aos filhos, ainda persistirá. Interessante que, logo após falarem sobre o dever do novo casal de deixar pai e mãe, Jesus e o apóstolo Paulo acrescentam sempre o dever de honrá-los (Mt 19.5,19; Mc 10.7,19 e Ef 5.31; 6.2), ou seja, um mandamento não invalida o outro.
  3. Filhos que podem morrer cedo. O primeiro mandamento com promessa é honrar pai e mãe, porque na primeira infância os filhos ficam, diante de Deus, com grande dívida com seus pais e o momento propício para o pagamento é quando os genitores não puderem mais cuidar de si próprios. Então Deus garante ao filho atencioso que viverá muito, para poder cuidar de seus pais na velhice! Dessa maneira, o Senhor harmoniza as responsabilidades dentro da família. Não há ninguém sobrecarregado e outro sem nenhuma obrigação. Todos têm um papel específico. O Senhor é justo. 

Pense!

 

Quando o filho deixar os pais para construir um novo lar, pode esquecer o que seus genitores fizeram por ele durante a vida? 

Ponto Importante 

Sobre os filhos penderá, sempre, o dever de honrar os pais até o fim, entretanto o dever de estarem em submissão cessa com o casamento do filho. 

 

CONCLUSÃO 

Os pais e filhos que forem fiéis ao mandamento mais antigo de Deus para a família — ao casar, deixar pai e mãe — desfrutarão do ciclo da vida familiar em conformidade com a vontade do Criador. E isso é muito bom e proveitoso. Obedecer às ordens do Senhor não é um peso, mas um privilégio, pois a obediência garante um futuro de paz e a fruição de toda a sorte de bênçãos divinas (Lv 26.3-10).

 

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Qual o primeiro mandamento com promessa?

“Honrar pai e mãe” (Êx 20.12). 

  1. Segundo a lição, em que consiste o fenômeno da individuação?

É o fenômeno através do qual um organismo se singulariza dentro da espécie, sem abandonar as características comuns dos seus pares. 

  1. Como os pais devem tratar os seus filhos casados?

Podem aconselhar, mas não interferir. 

  1. Por que os filhos devem deixar o lar após o casamento?

Para dar início a um novo ciclo familiar. 

  1. Quais tipos de afastamentos, entre pais e filhos, devem ser feitos após o casamento?

Afastamentos geográfico, psicológico e financeiro.

 

SUBSÍDIO I 

“O casamento bíblico começa ‘deixando’ (a fundação), é sustentado ‘apegando-se’ (o processo) e resulta em uma carne (o resultado). Deixar implica em uma transformação radical do básico e forte relacionamento pré-conjugal, entre o homem e a mulher e seus respectivos pais, e, desta maneira, todos os demais relacionamentos. A Bíblia não defende o abandono dos pais e parentes para se casar (1Tm 5.8), mas espera uma transformação radical no relacionamento entre pais e filhos, de modo que uma nova unidade se forme, pelo casamento.

É importante que um casal recém-casado perceba que é de seu interesse modificar o seu relacionamento com seus pais. A raiz de muitos maus relacionamentos com os parentes do cônjuge frequentemente devem-se ao fato de que os pais ou os filhos não são capazes de transformar o seu relacionamento, [...], a fim de que se torne uma carne. [...] Um indivíduo não pode se casar e se comportar como uma pessoa solteira, no que diz respeito à administração do tempo, hábitos alimentares e associação com amigos e parentes. No entanto, a Bíblia se concentra no mais básico de todos os relacionamentos, que é o de pai e filho, para enfatizar a necessidade de mudanças fundamentais, que devem ocorrer no casamento” (ADEI, Stephen. Seja o Líder que Sua Família Precisa. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2010, p.110).

 

SUBSÍDIO II 

“Deixará ('āzabh) raiz primitiva; soltar, i. e., abandonar, permitir, etc.: — encomendar-se, entregar-se, deixar, abandonar, desamparar, ajudar, retirar, mudar, dar de mão.

Verbo derivado de duas raízes separadas. Na Bíblia hebraica, a mais comum é 'āzabhl, que significa partir, abandonar, desamparar, soltar. A palavra pode ser usada para designar a partida para um novo local (2Rs 8.6) ou para separar-se de outra pessoa (Gn 44.22 Rt 1.16). Quando o pai de Zípora a encontrou sem Moisés, perguntou: ‘Por que deixastes o homem?’ (Êx 2.20). Um homem deve deixar os seus pais para se casar (Gn 2.24). Deixar na mão é uma expressão idiomática que significa confiar (Gn 39.6). A palavra também pode ter uma conotação muito mais negativa. Os israelitas abandonaram suas cidades depois que o exército fugiu (1Sm 31.7) o sinal supremo de derrota (e frequentemente do juízo de Deus) eram cidades abandonadas (Is 17.9; Jr 4.29; Sf 2.4). Os profetas conclamavam o povo para que abandonassem, antes, os ídolos e o pecado (Is 55.7; Ez 20.8; 23.8)” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. 2ª Edição. RJ: CPAD, p.1834).

fonte www.avivamentonosul.com