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o livro do profeta Jeremias estudo
o livro do profeta Jeremias estudo

                                                     Jeremias, o profeta da esperança

 

 

Jeremias 1.1-10.

 

1 - Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim.

2 - A ele veio a palavra do SENHOR, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá, no décimo-terceiro ano do seu reinado.

3 - E lhe veio também nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até ao fim do ano undécimo de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até que Jerusalém foi levada em cativeiro no quinto mês.

4 - Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

5 - Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta.

6 - Então, disse eu: Ah! Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar; porque sou uma criança,

7 - Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás.

8 - Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR.

9 - E estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca.

10 - Olha, ponho-te neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares, e para derribares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares.

 

Vocação: Do lat. vocatione. Talento, aptidão. Jeremias foi vocacionado pelo Senhor quando ainda estava no ventre de sua mãe.

 

“Vigoroso na batalha, desafiou e contestou a injustiça, a falsidade e a vilania”. Assim Eugene H. Peterson busca descrever o caráter do mais sofrido dos mensageiros de Jeová. O profeta das lágrimas, como Jeremias é conhecido, tudo fez por reconduzir seus contemporâneos aos caminhos do Senhor. Suas advertências, infelizmente, não encontraram guarida no coração dos judeus. Diante da apostasia destes, o profeta é obrigado a suportar o insuportável: “Atendei e vede se há dor como a minha dor” (Lm 1.12).

 

I. A ORIGEM SACERDOTAL DO PROFETA JEREMIAS

 

Nascido na cidade sacerdotal de Anatote, que distava uns seis quilômetros a nordeste de Jerusalém, o profeta Jeremias exerceu o seu ministério entre 626 a 586 a.C. Pela sua linhagem, poderia ter exercido o ofício levítico, que lhe teria proporcionado prestígio e segurança. Em Israel, diz Flávio Josefo, os sacerdotes eram honrados como se pertencessem à nobreza.

Contemporâneo dos reis Josias, Jeoaquim e Zedequias (Jr 1.3), Jeremias profetizou no período mais crítico da história de Israel.

Querido irmão, não se deixe abater nem esfriar-se na fé ante a decadência moral e espiritual deste século. Cumpra a missão que lhe confiou o Senhor em Cristo Jesus; porte-se como homem de Deus - resoluto e vencedor. Aja com denodo e coragem, buscando sempre agradar, em tudo, aquEle que o salvou e o convocou para a peleja. Jamais se furte à verdade do evangelho; aja como fiel testemunha de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Jeremias exerceu seu ministério profético durante um dos períodos mais críticos da história do povo de Deus.

 

II. A VOCAÇÃO DE JEREMIAS

 

1. O jovem Jeremias. Não sabemos a idade de Jeremias, quando Deus o chamou para o ministério profético. Vinte e um anos? Ou era ele um típico adolescente levítico que sonhava exercer o ministério do altar?

A Bíblia limita-se a informar que não passava ele de uma criança (Jr 1.6). O vocábulo hebraico na'ar tem ampla conotação; tanto pode significar menino, adolescente ou jovem. De qualquer forma, foi o profeta vocacionado por Deus ainda na flor de seus dias, para que viesse a florescer serviços e frutificar devoções ao Santo de Israel.

Obreiro de Cristo, disponha-se. Apresente-se ao Senhor da Seara, e continue em sua presença. Ele precisa de seu trabalho. É o tempo de segar!

2. O chamamento de Jeremias. Eis como o Senhor vocacionou o jovem de Anatote: “Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta” (Jr 1.5).

Três coisas fez o Senhor em relação a Jeremias: conheceu-o, santificou-o e o deu às nações. O profeta ainda não existia, mas já era conhecido por Deus; ainda não estava ciente de sua missão, porém já se achava santificado para o ministério; ainda não sabia falar, todavia, o Senhor já o tinha dado aos povos como arauto.

Jeremias assusta-se; quer recuar. Sobre a reação do profeta, escreve F. B. Meyer: “Jeremias era muito jovem e tentou esquivar-se da grande missão a ele confiada. Os mais nobres sempre agem assim” (cf. Êx 4.10). Mais adiante, conclui o erudito: “Sempre que Ele nos dá uma comissão, assume a responsabilidade da sua execução em nós, conosco, ou através de nós”.

Você se sente assustado diante da missão que lhe confiou o Senhor? Não se acha capaz? Ânimo! Nossa capacidade vem do Senhor. Entregue-se inteiramente a Deus; Ele é responsável por você e por mim.

3. A incapacidade de Jeremias. Se não sei falar, como ser mensageiro de Jeová? Como ser o seu porta-voz se não tenho voz? Foi a escusa que Jeremias apresentou ao Senhor: “Ah! Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar; porque sou uma criança” (Jr 1.6).

Talvez esteja você apresentando as mesmas alegações ao Senhor. Ele o chamou para o ministério; você se acha incapaz. Aliás, diante dos desafios de Deus, quem se sente apto? Conforte-se nestas palavras do apóstolo Paulo: “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Co 3.4,5).

Ao jovem profeta, responde Jeová: “Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR” (Jr 1.7,8). Em seguida, o Senhor toca-lhe os lábios: “Eis que ponho as minhas palavras na tua boca” (Jr 1.9).

A partir desse momento, estava Jeremias não somente comissionado, mas plenamente capacitado por Deus a exercer o ministério. Do Senhor, recebe ele o mandato: “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares, e para derribares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares” (Jr 1.10).

Como um jovem tão gentil e tenro poderia desempenhar semelhante missão? Não importa; nossa capacidade vem de Deus! (Leia com atenção Atos 1.8). Lembro-me de um corinho que ouvia lá pelas décadas de 60 e 70 na Assembleia de Deus em São Bernardo do Campo: “Uma mensagem revestida de poder / Uma mensagem com poder pentecostal / Uma mensagem pode converter o mundo / Uma mensagem com poder celestial”.

Você já foi batizado no Espírito Santo? Já foi revestido do poder do alto? Vive na plenitude do Espírito? É hora de buscara prometida unção. O evangelista Stanley Jones afirmou mui acertadamente: “A vida do cristão começa no Calvário, mas o trabalho eficiente, no Pentecostes”.

Jeremias recebeu da parte do Senhor uma grande missão: profetizar às nações.

 

 

III. O ESTADO CIVIL DE JEREMIAS

 

Devido às urgências daquele tempo e das tormentas que se avizinhavam, ordenou-lhe o Senhor: “Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar. Porque assim diz o SENHOR acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, acerca de suas mães que os tiverem e de seus pais que os gerarem nesta terra” (Jr 16.2,3).

Jovem, você tem realmente uma chamada divina para o santo ministério? Não se case fora da direção de Deus. Tenha uma vida pura e santa. Que o seu namoro, noivado e casamento glorifiquem o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não são poucos os ministérios arruinados em consequência de casamentos movidos única e exclusivamente pela paixão carnal.

 

 

Próximo à idade de se casar, Deus proibiu Jeremias de fazê-lo (16.1-4).

 

IV. A POSTURA PROFÉTICA DE JEREMIAS

 

Jeremias não fora chamado para ser homem do povo. Não era populista nem popular; não era obcecado por índices de aceitação nem estava preocupado com o marketing pessoal. Também não achava que a voz do povo era a voz de Deus. A voz de Deus era e continua a ser a Palavra de Deus — a Bíblia Sagrada.

Consciente de sua chamada, Jeremias adotou uma posição que viria a desagradar à nobreza e ao povo. Mas que poderia ele fazer? Naquele momento, não havia alternativas: se agradasse aos poderosos de Judá viria a desagradar ao Todo-Poderoso de Israel.

A quem estamos agradando? Se nos fizermos amigos do mundo, teremos a Deus como opositor. É chegado o momento de os arautos de Cristo proclamarmos, com mais intrepidez e perseverança, “todo o conselho de Deus” (At 20.27). Quer nos ouçam, quer nos deixem de ouvir, saberão todos que neste mundo há um povo sacerdotal e profético — a Igreja de Deus, cujo único compromisso é pregar o evangelho completo a toda criatura, em toda a parte (1 Pe 2.9; Mc 16.15). 

Jeremias não era populista nem popular; não era obcecado por índices de aceitação. Seu objetivo era agradar ao Senhor.

 

Mesmo sob as mais duras e inumanas condições, Jeremias cumpriu fielmente o seu ministério; falou a Palavra de Deus; combateu as iniquidades e conclamou a nação ao arrependimento. Em nenhum momento, recuou. Mostrou-se, em tudo, um autêntico homem de Deus.

Que o exemplo de Jeremias inspire a presente geração a ter um compromisso mais firme com a Palavra de Deus. Oremos para que o Senhor levante homens como Jeremias, que não se amedrontem diante dos adversários. Homens que não estejam preocupados com a popularidade, e sim em agradar a Cristo, nosso Salvador e Senhor, que se entregou por todos nós.

 

 

Para servir como Porta-voz. “Jeremias foi nomeado profeta para Judá, mas também para as nações. A palavra hebraica nab é traduzida por ‘profeta’ cerca de 300 vezes no Antigo Testamento. Pode ser que a palavra originariamente significava ‘anunciar’ ou ‘falar’.

Qual é a mensagem recebida por Jeremias para o seu povo? [...] Todos os homens são culpados e responsáveis diante de Deus (1.5,10). Judá é responsável porque abandonou o Senhor para servir a falsos deuses (1.10,15,16). As nações estão debaixo do juízo divino porque sua conduta está abaixo da justiça humana comum. Os culpados sofrerão destruição e dificuldade, porque Deus certamente virá para julgar. Quando Ele vier, os reinos e povos serão arrancados e derribados. Deus não está dormindo como supõem os homens, mas está alerta para cumprir sua palavra (1.11,12). [...] Essa advertência oportuna é seguida por uma palavra de esperança: O castigo e o julgamento de Deus são redentores; isto é, Ele aflige para curar. Além do julgamento, há esperança de uma restauração — um povo redimido e um dia novo”.(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 4: Isaías a Daniel. RJ: CPAD, 2005, pp.261-62)

 

 

 

   •    Anatote – GEOGRAFIA  “Uma pequena aldeia, a cinco quilômetros a nordeste de Jerusalém. Terra de Abiatar, o sacerdote, e de Jeremias, seu descendente (1 Rs 2.26; Jr 1.1). Situada na terra de Benjamim (Js 21.18), foi dada aos filhos de Arão. Por revelação, Jeremias comprou um campo que tinha pertencido aos seus antepassados (Jr 32.7). Após seu retorno do exílio, os benjamitas novamente ocuparam a região (Ne 11.32). Ao norte de Anatote, estava Micmás, e a sudeste estavajerusalém”(Is 10.28-32) (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. RJ: CPAD, 2006, p.l00).  

 

    A Escatologia de Jeremias - “Ao profetizar nos últimos dias antes da queda de Jerusalém em 587 a.C., Jeremias predisse que Deus enviaria Judá e Jerusalém para o exílio na Babilônia, em razão de terem violado a aliança mosaica. Entretanto, ele predisse também o dia em que Deus destruiria o poder da Babilônia e de outras nações hostis, restaurando a terra ao seu povo. Naquele tempo, Deus estabeleceria uma nova aliança com Israel e Judá, reunificando, capacitando o povo a obedecer-lhe perpetuamente. Deus ainda restabeleceria a dinastia davídica e restauraria um sacerdócio levítico purificado. Tudo isso teria início ao fim dos setenta anos de exílio, caso toda a nação se arrependesse. O reino de Israel/Judá seria completamente restaurado se eles continuassem a obedecer a Deus após voltarem a Terra Prometida. As profecias de Jeremias cumpriram-se parcialmente com o retorno dos exilados sob a liderança de Zorobabel em 536 a.C. e com a reconstrução da nação no período pós-exílico. Os eventos, porém, dificilmente alcançaram a grandeza das expectativas de Jeremias. O pleno cumprimento das profecias ainda aguarda um cumprimento escatológico” (LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, p.189). 

 

 


Os perigos do desvio espiritual

 

Jeremias 2.1-7,12,13.

 

1 - E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

2 - Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade e do amor dos teus desposórios, quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava.

3 - Então, Israel era santidade para o SENHOR e era as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR.

4 - Ouvi a palavra do SENHOR, ó casa de Jacó e todas as famílias da casa de Israel.

5 - Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos?

6 - E não disseram: Onde está o SENHOR, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava, e na qual não morava homem algum.

7 - E eu vos introduzi numa terra fértil, para comerdes o seu fruto e o seu bem; mas, quando nela entrastes, contaminastes a minha terra e da minha herança fizestes uma abominação.

12 - Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o SENHOR.

13 - Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.

 

A MENSAGEM DE JEREMIAS

 

Ambiente da época

 

   •   A sociedade estava se deteriorando econômica, política e espiritualmente.

   •   As guerras dominavam o cenário mundial.

   •   A Palavra de Deus era considerada ofensiva.

 

 

Mensagem principal

 

   •   O arrependimento adiaria o iminente juízo de Judá executado pelas “mãos” da Babilônia.

 

 

Importância da mensagem

 

   •   O arrependimento é uma das maiores necessidades em nosso mundo imoral.

   •   As promessas de Deus para aqueles que são fiéis brilham vigorosamente, trazendo esperança para o amanhã e forças para hoje.

 

 

Apostasia: Do gr. apostásis, afastamento, abandono premeditado e consciente da fé cristã.

 

Não obstante as reprimendas e protestos de Jeremias, os judeus continuavam a viver como se Deus não existisse. Escarneciam eles do Senhor, alegando que Ele não faz bem, nem mal. Do rei ao mais humilde dos súditos, achavam-se todos indiferentes ao Eterno e à sua Palavra. Em consequência de sua apostasia, seriam eles exilados de sua terra e passariam a viver insuportáveis provações. A advertência do profeta era não somente clara, mas explícita. Os judeus, porém, teimavam em seus pecados.

Será que não estamos incorrendo no mesmo erro?

Estamos nós vivendo como se Deus não existisse? Não terá chegado o momento de buscarmos um avivamento real e abrangente? Um avivamento que nos constranja a voltar à manjedoura, ao Calvário e ao cenáculo?

Neste domingo, veremos como o profeta repreendeu a apostasia que, irradiando-se de Jerusalém, contaminou a todos os filhos de Israel que viviam em Judá.

 

I. O QUE É A APOSTASIA

 

1. Definição. O termo apostasia é proveniente do vocábulo grego apostásis, que significa afastamento. É o abandono consciente e premeditado da fé que nos foi revelada por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo (1 Tm 4.1). É o desvio que conduz à morte espiritual.

2. A apostasia de Israel. Constituiu-se esta, de um lado, no abandono do Único e Verdadeiro Deus, conforme revelado na Lei e nos Escritos Sagrados; e, do outro, no apego aos ídolos e aos costumes dos povos vizinhos. 

Israel abandonou o Único e Verdadeiro Deus, para seguir os ídolos e os costumes dos povos ímpios vizinhos.

 

UM BRADO CONTRA A APOSTASIA

 

Deus convocou Jeremias a fim de que bradasse contra a rebeldia da casa de Judá. Era a sua missão exortar o rei à obediência; conclamar os sacerdotes à santificação; desestimular os falsos profetas e alertar o povo quanto à desgraça que se avizinhava de suas fronteiras. A ordem do Senhor era mais do que explícita: “Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor” (Jr 2.1,2). O profeta Jeremias haveria de:

1. Falar em nome do Senhor. Falaria ele em nome do Único e Verdadeiro Deus. Todo o Israel deveria reconhecer que Jeremias era, de fato, um autêntico profeta de Deus e não um mero crítico social. Como temos pregado a Palavra de Deus? Em nosso nome? Ou no nome de Cristo Jesus? À semelhança de Paulo, estejamos preparados a fim de expor com ousadia e integridade todo o conselho de Deus (At 20.7). Somente assim, teremos condições de erradicar a apostasia que ameaça a pureza da Igreja.

2. Ser autêntico e não politicamente correto. Este é o mal que atinge muitos pregadores: a síndrome do politicamente correto. Sacrificam a genuinidade do Evangelho no altar de interesses efêmeros e abomináveis. Jeremias, porém, fora chamado para ser autêntico. Tendo como único compromisso a proclamação da Palavra de Deus, ousou exortar o rei, os nobres e o povo.

Assumamos nossa posição como homens de Deus. Preguemos corajosamente a sua Palavra, ainda que isto venha a custar-nos a própria vida.

3. Anunciar ao povo a tragédia que os rondava. Do rei ao mais insignificante dos súditos, achavam todos que, apesar de seus muitos e grosseiros pecados, jamais seriam castigados pelo Senhor. Não eram israelitas? Não lhes pertenciam os pactos? Não estava o Santo Templo em sua terra? Por que seriam eles castigados por Deus? Jeremias, contudo, adverte-os: tal impunidade era ilusória. Se não se arrependessem, muito sofreriam sob o látego babilônico.

Temos falado a verdade à nossa geração? Ou a vimos iludindo com falácias e ilusões? Se não lhe falarmos de conformidade com a Palavra de Deus jamais veremos a alva (Is 8.20). 

Jeremias tinha como missão exortar o povo à obediência e alertá-los quanto à desgraça que se avizinhava de suas fronteiras: os exércitos babilônios.

 

 

III. EM QUE CONSISTIA A APOSTASIA DE ISRAEL

 

Os filhos de Judá rebelaram-se contra o Senhor, esqueceram-se de todas as suas benignidades e voltaram-se para os ídolos. Na linguagem profética, equivalia isso a um divórcio entre a virgem filha de Sião e Jeová. Vejamos, pois, em que consistia a apostasia dos israelitas.

1. O afastamento de Jeová. De posse da Terra das Promissões, foram os filhos de Israel afastando-se de Deus e apegando-se aos ídolos das nações vizinhas. Diante da apostasia de seu povo, pergunta-lhes o Senhor: “Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos?” (Jr 2.5).

Que indagação pesarosa! Se Israel lhe era a possessão peculiar, e se do Senhor recebera tantas bênçãos, por que se desviou de seu Redentor? E, você, querido irmão? Por que deixou os caminhos do Senhor indo atrás de coisas vãs? Que mal fez-lhe Ele? Volte agora mesmo ao primeiro amor.

2. O esquecimento de Jeová. Os filhos de Israel não mais perguntavam por Jeová. Era como se o Todo-Poderoso, que os tirara com mão forte do Egito, não mais lhes representasse coisa alguma. Eles imaginavam que poderiam viver sem o seu Redentor (Jr 2.8). Será que o mesmo não acontece conosco? É hora de nos lembrarmos do primeiro amor! Se o crente não mais se importa com Deus, como poderá subsistir neste mundo de lutas e provações?

3. O desprezo pelas coisas divinas. Estas palavras não parecem ter sido escritas para a cristandade de nossos dias: “Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto não serem deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua glória pelo que é de nenhum proveito?” (Jr 2.11).

Se os filhos de Israel trocaram a glória de Deus pelos ídolos vãos, quantos de nós não estamos a trocar a simplicidade do Evangelho por teologias e modismos abomináveis que só trazem confusão e miséria espiritual. Urge voltarmos às origens do avivamento autenticamente pentecostal.

 

Os filhos de Israel desprezavam ao Senhor e as suas leis.

 

 

Os filhos de Judá caíram na apostasia. Desviaram-se do Senhor, correndo atrás de coisas efêmeras. A Palavra de Deus alerta-nos: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1).Zelemos pela sã doutrina. E que nada nos desvie de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em breve virá Ele buscar a sua Igreja. Se não estivermos preparados, como subsistiremos nesse grande dia?

 

 

A Impudência de Judá. “A transgressão irrestrita acaba levando a um estado de impudência (falta de vergonha), onde o indivíduo é incapaz de se importar. Isso agora pode ser visto em relação ao destino de Judá. Embora apanhado em seu pecado como um ladrão e envergonhado por causa de sua conduta, seus reis [...], príncipes ... “e os seus profetas continuaram praticando a prostituição espiritual. Eles dizem ao pedaço de madeira (uma árvore ou ídolo de madeira): Tu és meu pai; e à pedra (ídolo): Tu me geraste. Eles desdenhosamente viraram as costas para o Senhor, a fim de fazerem o que bem lhes apraz; no entanto, quando aparece a dificuldade, sem o menor constrangimento voltam-se novamente para o Senhor e clamam por sua ajuda. Isso revela a completa irracionalidade do pecado, e Deus os repreende: Onde, pois, estão os teus deuses, que fizeste para ti? Que se levantem, se te podem livrar. Não havia falta desses deuses, porque cada cidade tinha pelo menos um deus. Quando o castigo continuava, eles se voltavam na sua miséria e reclamavam contra Deus, como se não tivessem cometido nenhum pecado e tivessem todo o direito de esperar sua ajuda.

Apesar do fato de Deus permitir o sofrimento para afastá-los do seu pecado, eles não aprenderam da sua experiência. Eles não aceitaram a correção, mas mataram os verdadeiros profetas com a espada, na sua loucura em servir outros deuses”.(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 4: Isaías a Daniel. RJ: CPAD, 2005, pp. 268-69)

 

    A Escatologia de Jeremias - “Nos capítulos 2—29, Jeremias previu a chegada de Nabucodonosor, a conquista de Judá, a destruição de Jerusalém e a deportação do povo para a Babilônia. Nos capítulos 30—33, ele previu uma era futura, quando Deus reverteria a sorte de Israel / Judá. Ao fim dos setenta anos, Deus destruiria a Babilônia (25.11-14) e reconduziria os exilados à Terra Prometida” (29.10-14) (LAHAYE, Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, p.189).  

   Apostasia - “A apostasia deve ser diferenciada da ignorância ou da falta de conhecimento, bem como da heresia, que é um conhecimento errado (2 Tm 2.25,26). Os homens podem ser salvos da ignorância, mas não da apostasia. Ela é caracterizada por uma rejeição deliberada da divindade de Cristo (1 Jo 2.22,23; Judas 4) e sua morte expiatória” (Fp 3.18) (Dicionário Bíblico Wycliff. 1.ed. RJ: CPAD, 2006, p.161).  

      Cisternas quebradas (2.13) - “A invenção de cisternas rebocadas, no subsolo, permitia ao povo do Antigo Testamento viver em áreas montanhosas, onde o índice pluviométrico era pequeno. Jeremias usa desse exemplo familiar para mostrar a tolice da idolatria de Judá. Era o mesmo que manter constante fluxo de água para o interior do deserto, na tentativa de armazená-la em cisternas com fissuras, incapazes, portanto, de reter a água e, por conseguinte, de sustentar a vida” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.450). 

 

 

 

Anunciando ousadamente a Palavra de Deus

 

Jeremias 7.1-11.

 

1 - A palavra que foi dita a Jeremias pelo SENHOR, dizendo:

2 - Põe-te à porta da Casa do SENHOR, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do SENHOR, todos de Judá, vós os que entrais por estas portas, para adorardes ao SENHOR.

3 - Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar.

4 - Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, Templo do SENHOR, Templo do SENHOR é este.

5 - Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo entre um homem e entre o seu companheiro,

6 - se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal,

7 - eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, de século em século.

8 - Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas.

9 - Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes,

10 - e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos fazer todas estas abominações?

11 - É, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz o SENHOR.

 

 

Templo: Do lat. templum. Santuário erigido em Jerusalém e consagrado ao culto do Único e Verdadeiro Deus.

 

Como a situação moral e espiritual de Judá era crítica, Deus ordenou ao seu profeta que se postasse na porta do Santuário; e, aqui, entre os adoradores e os ministros do altar, proferisse um duríssimo sermão. Era o derradeiro alerta à casa de Israel.

Se os filhos de Israel não viessem a se arrepender de suas apostasias, haveriam eles de ser entregues aos caldeus que lhes destruiriam as cidades, profanariam Jerusalém e deitariam por terra o mais caro de seus símbolos: o Templo Sagrado.

Infelizmente, as palavras de Jeremias caíram em ouvidos moucos e enfermos. Achavam os judeus que, pelo fato de estar a Casa de Deus entre eles, nenhum mal os alcançaria apesar de seus pecados.

 

I. JEREMIAS É CHAMADO A PREGAR NA PORTA DO TEMPLO

 

Por que a porta do Templo? Não seria mais cômodo o altar? Ou a praça central de Jerusalém? Por que teria o profeta de proclamar a Palavra de Deus num lugar nada convencional?

1. O ambiente da pregação. Era grave a situação de Judá. Jeremias, por conseguinte, não dispunha de tempo para expor um sermão diferençado aos sacerdotes, nem uma mensagem mais apropriada ao povo. Ele deveria proclamar a Palavra de Deus a todos os filhos de Judá (Jr 7.1,2). Por isso, ordenou-lhe o Senhor que se pusesse ele na porta do átrio exterior, pois assim teria acesso também ao átrio interno. E todos haveriam de lhe ouvir perfeitamente a voz.

Quão espinhosa era a missão do profeta!

2. Nossa responsabilidade. Nestes últimos dias, insta-nos o Senhor a expor a sua Palavra tanto ao mundo quanto à Igreja. Esta é nossa responsabilidade.

Proclamemos toda a Palavra de Deus enquanto é tempo. Confirmemos o restante que está por morrer (Ap 3.2). Se compactuarmos com o mundo, como nos haveremos diante do Cordeiro?

Sua igreja, obreiro, sabe que Cristo, em breve, virá buscar os santos? Suas ovelhas primam por uma vida de santidade como está escrito em 1 Pedro 1.15, “sede vos também santos em toda a vossa maneira de viver”? Ou se acham sem o azeite do Espírito para recepcionar o Noivo? Proclame a Palavra de Deus com amor, ousadia e integridade (At 20.27).

 

Jeremias deveria proclamar a Palavra de Deus a todos os filhos de Judá, por isso, foi para a porta do Templo, onde todos haveriam de lhe ouvir.

 

 

II. A MENSAGEM DE JEREMIAS

 

1. O alcance da mensagem de Jeremias. O profeta é energicamente inclusivo: do sumo sacerdote ao menor dos adoradores, todos são conclamados ao arrependimento: “Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar” (Jr 7.3).

2. O chamado ao primeiro amor. Não está o Espírito Santo a conclamar-nos a voltar ao primeiro amor? (Ap 2.4,5). Obedecerá você a voz de Deus? Chorará aos seus pés até que lhe seja restabelecida a plena comunhão com o Cristo? Não há alternativas! Como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande salvação? (Hb 2.3; 1 Pe 4.17).

 

 

A mensagem de Jeremias era uma só: Do sumo sacerdote ao menor dos adoradores, todos deveriam abandonar os seus maus caminhos.

 

III. JEREMIAS COMBATE A TEOLOGIA DO TEMPLO

 

Apesar das provações que, em breve, abater-se-iam sobre Judá, os judeus recusavam-se a ouvir a Palavra do Senhor. Rebatendo as advertências do profeta, alegavam: “Templo do Senhor; Templo do Senhor; Templo do Senhor é este” (Jr 7.4).

1. A teologia do Templo. Acreditavam eles que o Senhor jamais permitiria que Jerusalém fosse destruída, porque nela encontrava-se o Santo Templo. Como, pois, consentiria Ele na profanação da Cidade Santa? Afinal, o Templo custodiava-lhe a arca e perenizava-lhe o nome. Por isso, pressupunham-se, arrogantemente, seguros.

2. A desmistificação da teologia do Templo. Jeremias rebate energicamente a ilusória teologia. O compromisso de Deus não é com os símbolos ou com os ícones que o homem sedento de glória teima em criar; seu compromisso é com os que lhe guardam a Palavra e observam-lhe as alianças. Se lhe ouvirmos a voz e lhe observarmos os mandamentos, certamente Ele cumprirá a sua parte no concerto que firmou com o seu povo (Dt 4.40). Todavia, se lhe desconsiderarmos as ordenanças, arcaremos com todas as consequências de nossa rebeldia (2 Tm 2.12).

3. O comportamento reprovável dos judeus. Iludidos pelas falsas premissas de sua teologia, os judeus puseram-se a andar de apostasia em apostasia. Desprezavam a Deus. Adoravam as abominações dos gentios. E já maltratando os pobres e espezinhando os estrangeiros, em nada diferiam dos pagãos. Viviam como se lei não existisse. Adulteravam, roubavam e sangue inocente derramavam. Depois, escarneciam dos mensageiros de Jeová. Em maldades, excediam as nações vizinhas. Como se nada tivesse acontecido, punham-se a exclamar: “Templo do Senhor; Templo do Senhor; Templo do Senhor é este”.

O compromisso de Deus não é com símbolos ou com ícones, mas com todos os que guardam a sua Palavra e observam suas alianças.

 

IV. A LIÇÃO DE SILÓ

 

Buscando demovê-los daquela falsa segurança, declara-lhes Jeremias que ao Santo Templo estava reservado um destino semelhante à tenda de Siló, onde o nome do Senhor fora celebrado por longo tempo (Jr 7.14,15). Assim como aquele tabernáculo fora arruinado, arruinado também seria o Santo Templo em Jerusalém.

1. As teologias modernas. Muitas são as teologias que estão sendo erguidas para afrontar o Cordeiro. Tais aleijões vêm induzindo os fiéis a blasfemarem contra Deus e a se portarem irreverentemente diante do Cristo. Como se tudo isso não bastasse, somos assaltados ainda por arremedos homiléticos e litúrgicos, cujo único objetivo é corromper a sã doutrina, profanar o culto, espoliar os santos e deixar os pastores fiéis e verdadeiros em dificuldades. O sangue de Jesus tem poder!

2. O perigo de nossos triunfos. Que Deus nos guarde de nossos triunfos e monumentos! À semelhança dos contemporâneos de Jeremias, podemos ser tentados a presumir sejamos poderosos em nós mesmos. Não! A nossa força vem daquEle que se fez fraco por amor de nós. Se andamos de vitória em vitória é porque Cristo está à nossa frente.

O Senhor não trabalha com monumentos; trabalha com homens, mulheres, jovens e crianças que se dispõem a servi-Lo e a viver somente para Ele.

Precisamos estar atentos, pois atualmente muitos arremedos homiléticos e litúrgicos têm surgido com o objetivo de corromper a sã doutrina.

 

 

Se os filhos de Judá se arrependessem de suas apostasias, o Senhor não os expulsaria da formosa terra nem permitiria fossem eles destruídos. Infelizmente, não perceberam o tempo de sua visitação.Dias de trevas se aproximam! Como poderemos subsistir se não atentarmos com diligência à Palavra de Deus?Igreja, preparemo-nos para a volta de Nosso Senhor!

 

 

Proibido Interceder. “Era necessário uma coragem incomum para uma pessoa sensível como Jeremias proclamar uma mensagem tão devastadora. Ele involuntariamente começa a clamar em oração em favor da sua amada nação, mas Deus o proíbe de interceder (7.16). Deus ainda não tinha acabado com a sua acusação contra o seu povo, e a revelação também não tinha terminado (Jr 7.17). ‘Os filhos [...] os pais ... “as mulheres amassam a farinha, para fazerem bolos à deusa chamada Rainha dos Céus’ (Jr 7.18). O povo tinha se tornado completamente descarado em seu pecado, a ponto de estar oferecendo sacrifícios a outros deuses abertamente nas ruas. A Rainha dos Céus evidentemente refere-se a Ishtar, a deusa de um ritual de fertilidade babilônico, que havia sido importada por Judá. Ela é mencionada aqui para indicar a profundidade do pecado em que o povo havia caído. O ponto a que o povo havia chegado marca o início do fim dessa nação. Deus declarou: ‘Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar’; uma perversidade como essa não pode passar impune. Em seguida, Jeremias ataca o uso errado do ritual religioso. Ele deixa claro que a cerimônia religiosa sem o conteúdo ético é vazia. Se os sacrifícios não reforçavam ou fortaleciam a moralidade da nação, não tinham valor algum. Isso vale para todo ritualismo na religião. A menos que a cerimônia religiosa formal (ou informal) reforce a moralidade e o viver santo, ela é um esforço despendido em vão”(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 4: Isaías a Daniel. RJ: CPAD, 2005, p. 285)

 

 

     Reforma moral - “A segurança nacional dependia da reforma moral, não do Templo. Vale notar a ênfase na justiça social constante do versículo 6. Judá deve deixar a idolatria, mas também precisa: 1) abandonar a opressão; 2) não mais levar vantagem sobre o pobre (‘o órfão e a viúva’), e 3) manter um sistema judiciário honesto. 0 louvor a Deus e a moralidade são os pilares duplos sobre os quais a sociedade deve repousar” (29.10-14) (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.453). 

     Um covil de salteadores (7.11) - “O ‘covil’ era o refúgio onde os salteadores escondiam o produto furtado enquanto buscavam a próxima vítima. A analogia é devastadora. Como poderia o povo de Deus roubar, matar, cometer adultério e perjúrio, adorar outros deuses (v. 9) e, ainda assim, declarar que ‘estamos seguros’, pela casa do Senhor?” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.453). 

   O Templo - “Quando os judeus se instalaram no território de Canaã, o tabernáculo tomou uma forma mais permanente em Siló (Js 18.1; Jz 18.31). Passou a ser permanente o bastante para que vivessem a chamá-lo de templo, para que Samuel e Eli morassem nele e para que portas de entrada fossem abertas e fechadas (1 Sm 3.2,15). Mesmo depois dos filisteus terem destruído Siló, se apossado da Arca da Aliança e a devolvido aos judeus via Bete-Semes (1 Sm 6.1-10) e Quiriate-Jearim, ele continuava sendo uma espécie de tenda-templo e ficou ali até que Salomão construísse um templo permanente.

O templo de Salomão seguiu o mesmo princípio geral que o tabernáculo.O propósito era que o templo servisse de santuário para todo o povo judeu (Dt 12.11), mas havia também outros centros de adoração”. (Adaptado de Usos e Costumes dos Templos Bíblicos de Ralph Gower. 1.ed. RJ: CPAD, 2002, p.341).

 

 

 

Chorando aos pés do Senhor

 

Jeremias 9.1-3,5-9.

 

1 - Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em uma fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.

2 - Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, são um bando de aleivosos;

3 - e estendem a língua, como se fosse o seu arco para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade, porque avançam de malícia em malícia e a mim me não conhecem, diz o SENHOR.

5 - E zombará cada um do seu próximo, e não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira; andam-se cansando em obrar perversamente.

6 - A tua habitação está no meio do engano; pelo engano recusam conhecer-me, diz o SENHOR.

7 - Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que eu os fundirei e os provarei; por que, de que outra maneira procederia com a filha do meu povo?

8 - Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu companheiro, mas no seu interior arma-lhe ciladas.

9 - Porventura, por estas coisas não os visitaria? - diz o SENHOR; ou não se vingaria a minha alma de gente tal como esta?

 

Lamentar: Nesta lição significa apelar, pleitear, interceder diante de Deus em favor do pecador. 

“Dá-me a Escócia, senão morrerei”. Eis o lamento de John Knox ao ver seu país despencando no inferno. Ele bem sabia que, se Deus não interviesse na história da Escócia, já não lhe restaria qualquer esperança. Mas, devido ao seu clamor, lembrou-se o Todo-Poderoso dos escoceses, enviando-lhes um grande avivamento, cujos frutos ainda são abundantes.

O que faremos nós diante da gravíssima situação em que vive nosso país? À semelhança de Jeremias e John Knox, pranteemos e choremos enquanto é tempo. É hora de chorar! Nenhuma lágrima poderá ser poupada. Intercedamos junto a Deus por nosso país e por nossa cidade. Deus quer avivar ainda mais a Igreja, para que avivemos a nossa nação.

 

I. O LAMENTO DE JEREMIAS

 

Durante todo o seu ministério, outra coisa não fez Jeremias senão lamentar a sorte do rebelde e rebelado povo de Judá. Esta gente, que vivia de insolências e deboches, nenhum crédito concedia às palavras do profeta. Assim, vemos que o sofrimento de Jeremias chega ao clímax. Ele anseia pela solidão; deseja a morte.

1. O profeta das lágrimas. Vejamos por que Jeremias faz jus ao epíteto que para sempre o marcaria. Ante o lastimável estado moral e espiritual de seu povo, desmancha-se em lamentos: “Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em uma fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo” (Jr 9.1). O teólogo espanhol Maximiliano Garcia Cordero sugere que este lamento é apenas um reflexo do que Deus estava sentindo por seu povo. Se o profeta assim sofria, quanto mais o amoroso, justo e santo Deus! Temos sofrido por nossa família, igreja e nação? Ou já não nos importamos com os que vão morrendo sem ter esperança de ver Deus?

2. O profeta da solidão. Almeja o profeta retirar-se a um lugar deserto e ermo. Nesse retiro, não mais haveria de contemplar o deplorável estado moral e espiritual de seus contemporâneos: “Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes!” (Jr 9.2). O Senhor, porém, queria estivesse o profeta Jeremias em meio à sua gente, a fim de que todos soubessem que Ele jamais se ausentara da vida de seu povo.

De quando em quando não nos sentimos assim? Desejamos isolar-nos do mundo. Mas o Espírito Santo constrange-nos a mantermo-nos em nossa posição de atalaia. Foi por isso que o Senhor Jesus rogou ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17.15).

A seguir, os lamentos de alguns homens de Deus diante da ruína iminente de sua geração.Jeremias chorou e muito lamentou ao ver a condição espiritual e moral em que se encontravam os moradores de Judá.

 

II. O LAMENTO DE SAMUEL

 

Arrolado entre os grandes intercessores do povo de Deus (Jr 15.1), o profeta Samuel viveu o seu momento mais difícil quando os hebreus, imitando os gentios, puseram-se a reivindicar um soberano secular (1 Sm 8.6). Como poderia Israel cometer tão grande ingratidão? Não era Deus o seu Rei? Por que não esperar pelo rei messiânico conforme prometera o Senhor ao moribundo patriarca Jacó? (Gn 49.10).

Se grande foi o lamento de Samuel, maior foi o de Deus: “Ouve a voz do povo em tudo quanto te disser, pois não te tem rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele” (1 Sm 8.7).

Não estará Deus lamentando também por nós? Como estamos diante do Senhor Jesus? Ele ainda é o nosso Rei? Ou já o trocamos por coisas de nenhum valor? Ainda lhe aceitamos a soberania? Ou já coroamos o mundo como nosso amo e senhor?O profeta Samuel lamentou ao saber que seu povo, como os gentios, estava exigindo um soberano.

 

III. O LAMENTO DE OSÉIAS

 

Oséias é considerado o Jeremias do Reino do Norte. À semelhança do profeta das lágrimas, muito sofreu por causa das apostasias das dez tribos. Foi através dele que o Senhor lançou um dos mais inexprimíveis lamentos das Sagradas Escrituras: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Os 4.6).

Infelizmente, repete-se a triste e lamentável história. Quantos homens, mulheres e jovens não estão a apostatar da fé justamente por faltar-lhes o ensino da Palavra de Deus?

Eventos outros multiplicam-se nos púlpitos. Tais recursos, porém, jamais nos saciarão a fome e a sede pela Palavra. Nada substitui a explanação das Sagradas Escrituras. O que dizer das músicas? Muitas destas, tidas como evangélicas, comprovadamente não são para adorar o Criador, mas para enaltecer a criatura. Sim, até mesmo nas músicas temos de ser biblicamente corretos. A Igreja carece de mensagens legitimamente bíblicas, de doutrinas fundamentadas nas Sagradas Escrituras e de sermões que tenham como tema central o Senhor Jesus Cristo. Voltemos à mensagem pentecostal apregoada pelos pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren: Jesus Cristo salva, batiza no Espírito Santo, cura os enfermos e, em breve, há de vir buscar os santos.

Se não houver conhecimento de Deus, pereceremos como o Israel do Antigo Testamento. Senhor, alimenta-nos com a tua Palavra! Se queremos, de fato, um avivamento singular, conscientizemo-nos de que este somente virá através da Palavra de Deus.

Oséias lamentou e intercedeu ao Senhor ao ver a apostasia alastrando-se pelas dez tribos de Judá.

 

 

IV. O LAMENTO DE PAULO

 

Dos lamentos enunciados por Paulo, este é um dos mais eloquentes: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” (Gl 3.1). Mais adiante, abre o apóstolo o seu coração: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4.19).

Como os gálatas, que haviam recebido o Evangelho de forma tão amorosa e sacrificial, deixaram-se seduzir por um evangelho que não era evangelho? O episódio, infelizmente, vem se reprisando. Igrejas são induzidas ao erro por modismos e doutrinas de demônios, como se tais asneiras fossem a última revelação de Deus. Muitos obreiros se deixam enganar por mercadorias que, apesar do brilho, não nos fazem mais ricos diante de Deus. Enquanto isso, vão os mercenários alargando as portas do inferno diante das ovelhas de Cristo.

O lamento de Paulo é ouvido nas orações dos pastores e obreiros que lutam por manter a sã doutrina e os bons costumes. Não haveremos de nos conformar com as novidades que, em essência, é a repetição da velha mentira do Éden. Atentemos a esta advertência de Paulo: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3).Os crentes precisam estar atentos, a fim de que não sejam seduzidos por um pseudoevangelho. 

É hora de clamar e chorar diante de Deus. É hora de derramar copiosas lágrimas aos pés de Cristo Jesus, rogando-lhe por um avivamento que nos remeta ao cenáculo. Se chorarmos por um avivamento, seremos consolados por uma poderosa visitação do Espírito Santo. Sim, é hora de chorar aos pés do Cordeiro de Deus. Nenhuma lágrima pode ser poupada.

 

A falta de entendimento (9.12-16).“O profeta lamenta a loucura espiritual do povo. Um homem sábio teria feito algumas perguntas: ‘Por que razão pereceu a terra e se queimou, de sorte que ninguém passa por ela?’ (v.12). Uma pessoa com discernimento teria prontamente percebido o motivo: ‘Porque deixaram a minha lei e andaram após o propósito (teimosia) do seu coração’ (vv.13,14). Uma pessoa sábia teria prestado atenção e percebido que esse tipo de conduta resultaria em tristeza e tragédia: ‘Eis que darei de comer alosna (absinto, ARA; comida amarga, NVI) a este povo e lhe darei a beber fel. E os espalharei entre as nações’ (vv.15,16). Desde o tempo de Jeremias, a expressão ‘alosna e fel’ tem sido usada para caracterizar extrema aflição e tristeza. A referência a espalhá-los entre as nações é uma predição do exílio. Judá deveria ter aprendido com a queda de Israel, mas claramente não aprendeu nada. Jeremias chora porque ninguém discerne o destino da nação. Ele insiste em que, se tivessem conhecido o caráter de Deus, teriam percebido ‘os sinais dos tempos’.

 Jeremias sente-se impelido a chamar as pranteadoras profissionais. [...] As mulheres são chamadas para que levantem o seu lamento, a fim de encorajar o povo de Jerusalém a chorar pela cidade: ‘que as nossas pálpebras destilem águas’” (vv.17,18).(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 4: Isaías a Daniel. RJ: CPAD, 2005, pp.289-90)  

     A morte subiu pelas janelas (9.17-22) - “Este breve poema chegou a ser considerado a mais brilhante elegia do Antigo Testamento. As carpideiras são profissionais do pranto, contratadas para gritar de dor nos funerais. O profeta as chama para rapidamente incorporarem suas filhas ao cortejo, pois somente as primeiras não bastariam, ‘porque a morte subiu pelas nossas janelas’. Quando a morte, à semelhança de um ladrão, subir pelas janelas, toda a casa será afetada. Podemos trancar as portas contra o desastre, mas há sempre alguma janela através da qual a calamidade não esperada consegue penetrar. Para segurança, devemos confiar no Senhor” (v.23). (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.454).  

   Durante os dias de Josias - “Jeremias de 2 a 6 nos dá um resumo de sua pregação durante os dias de Josias. Os ataques vigorosos de Josias na idolatria, levados até às cidades abandonadas de Manassés, Efraim, Naftali e Simeão (2 Cr 34.1-7), formam o contexto da época. Os primeiros cinco anos do ministério de Jeremias estão registrados aqui. Josias começou a consertar e limpar o Templo, quando uma cópia da lei foi achada, cuja leitura muito preocupou o bom rei (2 Cr 34.18-32). Jeremias 7 a 9 cobre esse período. Seguindo o achado da lei, mais reformas extremamente drásticas foram feitas, culminando com a comemoração da grande Páscoa (2 Cr 35.1-19).

As profecias de Jeremias foram muitas e variadas; dadas de diversos modos — por sinais, por sofrimento pessoais e por sermões. Nem todos descriam de Jeremias. Foi indubitavelmente a grande profecia de Jeremias sobre os setenta anos (25), por exemplo, que inspirou a grande intercessão de Daniel pelo fim do cativeiro babilônico (Dn 9)”. (PHILLPS, J. Explorando as Escrituras. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.149). 

 

 

O poder da intercessão

 

Jeremias 14.1-3,7,8,10; 15.1.

 

Jeremias 14

1 - A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, a respeito da grande seca.

2 - Anda chorando Judá, e as suas portas estão enfraquecidas; andam de luto até ao chão, e o clamor de Jerusalém vai subindo.

3 - E os seus mais ilustres mandam os seus pequenos buscar água; vêm às cavas e não acham água; voltam com os seus cântaros vazios, e envergonham-se, e confundem-se, e cobrem a cabeça.

7 - Posto que as nossas maldades testifiquem contra nós, ó SENHOR, opera tu por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti pecamos.

8 - Oh! Esperança de Israel, Redentor seu no tempo da angústia! Por que serias como um estrangeiro na terra e como o viandante que se retira a passar a noite?

10 - Assim diz o SENHOR acerca deste povo: Pois que tanto amaram o afastar-se e não detiveram os pés; por isso, o SENHOR se não agrada deles, mas agora se lembrará da maldade deles e visitará os seus pecados.

 

Jeremias 15

1 - Disse-me, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam.

 

   •   Intercessão - Suplicar em favor de alguém diante de Deus - Is 53.12; Rm 8.26,27

   •   Rogo - Pleitear, pedir com urgência, persuadir - Êx 33.13; Jz 6.39

   •   Petição - Pedido intenso, solicitação, requisição - 1 Sm 1.17

   •   Súplica - Pedido de misericórdia - Sl 30.8

 

 

Intercessão: Do lat. intercessionem. Súplica em favor de outrem. Sofrer com os que sofrem, chorar com os que choram.

 

Jeremias foi um dos maiores intercessores da História da Salvação. Apesar da contumácia de Jerusalém, jamais esquecia os judeus em suas orações. Não se limitava a repreendê-los; ilitamitava-se na intercessão. É chegado, pois, o momento de nos desfazermos em contínuos e amorosos rogos, para que o Senhor apiede-se de nossa nação e reavive a sua Igreja.A intercessão não é um ministério específico; é um dever de todos os crentes. Aliás, uma das mais graves iniquidades que um servo de Deus pode cometer é abandonar a oração intercessória.

Estamos intercedendo pelas almas perdidas? Suplicamos em favor da Igreja de Cristo? Oramos pelas autoridades? Ou já não damos importância à oração sacerdotal. Sem intercessão nenhum avivamento é possível.

 

I. O QUE É A INTERCESSÃO

 

Toda a intercessão é oração, mas nem toda a oração constitui-se em intercessão. Apesar da obviedade deste pensamento, encerra este um grande postulado teológico: o amor incondicional a Deus e ao próximo. Como seria maravilhoso se, em nossos devocionais, esquecêssemos de nós e de nossos problemas, e nos puséssemos a interceder pela Igreja, pelos que ainda não são Igreja e pelos que a Igreja hão de alcançar. Ajamos assim, e teremos mais resposta dos céus e menos orações frustradas.

1. Definição. A intercessão é a oração que fazemos a Deus em favor de outrem. Constitui-se numa das maiores demonstrações de amor, e faz parte das obrigações do verdadeiro cristão. A oração intercessória é conhecida também como oração sacerdotal, pois, neste ato, estamos representando, diante de Deus, as petições em prol de uma terceira pessoa. Assim agiu Abraão ao rogar pelas cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 18.23-33).

2. A eficácia da oração intercessória. Não há oração tão eficaz quanto a intercessória. Haja vista a prece que Nosso Senhor endereçou ao Pai no jardim da agonia (Jo 17). Através da oração intercessória, estamos a demonstrar amor e altruísmo; provamos que o bem-estar do semelhante está acima do nosso. Moisés, por exemplo, chegou a abdicar de sua bem-aventurança eterna ao interceder pelos filhos de Israel: “Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32.32). Esta sua intercessão foi tão forte, que levou Deus a poupar os rebelados israelitas. Paulo fez o mesmo concernente a Israel (Rm 9.3).

A seguir, veremos Jeremias, outro grande intercessor do Antigo Testamento, a lutar em oração pelos filhos de Judá.A Intercessão é uma das maiores demonstrações de amor. Ela deve fazer parte da vida do verdadeiro cristão.

 

II. JEREMIAS INTERCEDE POR JUDÁ

 

Não sabemos exatamente quando se deu a calamidade que o profeta descreve de forma tão bela e irretocável. O que sabemos é que, naquele instante tão grave, havia alguém disposto a interceder por sua nação.

Se a estiagem parecia devorar o Reino de Judá, as lágrimas de Jeremias, qual orvalho do Hermom, lá estavam para regar o coração do Deus, cujas misericórdias duram para sempre.

1. A intercessão. Mesmo sabendo que os filhos de Judá achavam-se afastados de Deus e mergulhados numa apostasia crônica, Jeremias intercede por eles: “Oh! Esperança de Israel, Redentor seu no tempo da angústia! Por que serias como um estrangeiro na terra e como o viandante que se retira a passar a noite?” (Jr 14.8).

Tem você intercedido pelos maus? Ou limita-se a orar somente pelos bons? Tem implorado por seus desafetos? Nossa obrigação é interceder por todos, porque Jesus incessantemente intercede por nós.

2. Deus rejeita a intercessão de Jeremias. Se Deus ouviu a intercessão de Moisés, rejeitará a de Jeremias. Declara o Senhor explicitamente ao profeta: “Não rogues por este povo para bem. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e quando oferecerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, e pela fome, e pela peste” (Jr 14.11,12; cf. 7.16; 11.14).

Estava o Senhor de tal forma irado, que haveria de ignorar até mesmo as petições de Samuel e de Moisés, caso os dois maiores intercessores da Antiga Aliança pudessem voltar à vida, para rogar em favor daqueles rebeldes (Jr 15.1,2).

3. A persistência da intercessão de Jeremias. Diante da recusa divina, o que faz Jeremias? Abandona seus compatriotas? Sente-se tranquilo por haver cumprido suas obrigações como atalaia de Deus? Seu ministério intercessório parecia destinado ao fracasso. Mas quando lemos os derradeiros capítulos de sua profecia, constatamos que, apesar daquele quadro tão desolador, achava-se o Senhor inclinado a socorrer o seu povo e a restaurar-lhe a sorte em tempo oportuno.

Continue a interceder por seus familiares, amigos e pelas almas que caminham para a perdição. No devido tempo, responderá o Senhor às suas petições.Jeremias não ficou indiferente à sorte de seu povo. Ele intercedeu dia e noite em favor da nação.

 

III. POR QUE DEVEMOS INTERCEDER

 

Vejamos por que temos de exercer o ministério da intercessão. Aliás, como já frisamos, a intercessão não é um ministério específico; é uma obrigação de todo aquele que professa o nome de Cristo Jesus, o intercessor por excelência.

1. É uma recomendação bíblica. Explícita ou implicitamente, somos instados, do primeiro ao último livro das Sagradas Escrituras, a interceder. Como esquecer o exemplo de Abraão? Ou o sacrifício de Samuel? Ou a emocionada oração de Salomão no Templo Sagrado? E a agonia de Cristo no Getsêmani? A recomendação não deixa qualquer dúvida: “[...] orai uns pelos outros” (Tg 5.16; Cl 1.3; 4.3).

2. É uma demonstração do amor cristão. Não há maneira tão eficaz de se demonstrar o amor cristão quanto orar intercessoriamente. Experimente interceder! Mesmo esteja você enfrentando dores ou provações, interceda. No exato momento em que estiver orando pelos outros, alguém estará suplicando e chorando por você. O patriarca Jó livrou-se de seu cativeiro quando intercedia por seus amigos (Jó 42.7-12).

3. É um exercício de piedade. Muitos crentes esforçam-se por manter uma vida de intensa oração, mas não conseguem orar além de cinco ou dez minutos. Frustrados, põem-se a perguntar: “Como perseverar na oração?”. A resposta é simples: quando estiver orando, esqueça-se de si e ponha-se a suplicar por todos aqueles que se acham em provações. Eis o segredo de uma poderosa e constante vida de oração. A Palavra de Deus, do Gênesis ao Apocalipse, nos exorta a intercedermos.

 

Chegou o momento de cultivar o ministério da intercessão. Oremos como Jeremias. Aos pés de Cristo, choremos lágrimas compassivas e misericordiosas. Assim não intercedeu o Senhor Jesus por todos nós? Choremos pelos que sofrem. Supliquemos pelos que perecem. Que as nossas orações tenham como fundamento o amor altruísta e desinteressado.

 

 

Lamentação e Confissão (14.11-22). “Jeremias aqui deu vazão à sua tristeza a respeito do estado da nação. Mas, de alguma maneira, a angústia do profeta também é uma expressão da profunda tristeza de Deus. ‘Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia ,  a virgem, filha do meu povo, está ferida [...] de chaga mui dolorosa’ (v.17). Ele então descreve os resultados da seca: guerra civil, saques e morte. Se alguém se arrisca ir ao campo, acaba vendo os mortos pela espada; no interior da cidade as pessoas estão debilitadas pela fome e doença. A todo instante os falsos profetas e sacerdotes trafegam em ‘pseudosantidade’ pela terra (veja v.18, NVI). Há maldade, frustração e morte por toda parte.

Talvez encorajado pela própria tristeza de Deus a intervir em favor da nação, o profeta irrompe em novas lamentações. Ele pergunta se a misericórdia e a cura ainda podem ser obtidas: ‘De todo rejeitaste tu a Judá?– (v.19). Com um clamor amargo, ele confessa a maldade dos pais (v.20), e então lembra a Deus do risco do seu próprio nome e lhe roga lembrar-se do seu concerto com a nação. Jeremias alegremente reconhece que o Senhor é o único Deus: ‘Haverá, porventura, entre as vaidades dos gentios, alguma que faça chover?’ (v.22). O profeta está convencido de que há esperança somente no Deus vivo. Ele declara sua intenção de esperar no Senhor até que sua petição seja atendida”.(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 4: Isaías a Daniel. RJ: CPAD, 2005, p. 299)

 

   A devastação da seca (14.1-6) -  “Uma seca amedrontadora deu ao profeta a oportunidade de ensinar algumas lições morais ao povo. A data da seca não pode ser fixada, mas os horrores dela são descritos em termos gráficos. Toda a terra chorava e o clamor de Jerusalém vai subindo (2). Andam de luto até ao chão também podem ser entendido como: ‘Seus habitantes se lamentam, prostrados no chão!’ (NVI). O rico e o pobre, homens e animais, sofrem porque não encontram água; os pequenos (servos) retornam com seus cântaros vazios (3). A terra se fendeu (‘rachou’, ASV), pois que não há chuva (4). As servas (corças) abandonaram suas crias recém-nascidas, porquanto não há erva (5). Os olhos vitrificados e o respirar ofegante dos animais selvagens revelam a terrível situação da terra. Jeremias evidentemente acredita que essa calamidade natural veio sobre o povo como resultado direto do seu pecado” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 4: Isaías a Daniel. RJ: CPAD, 2005, p. 298). 

     Apelos vazios (14.21) - “O povo de Judá fundamentava sua esperança de alívio em um apelo a Deus para que agisse. 1) por amor ao seu nome, 2) pelo seu templo, isto é, seu ‘trono glorioso’, e 3) por sua aliança. Por que a alegação era vazia? Porque a idolatria desenfreada de Israel levara o nome de Deus à lama. Seu templo fora maculado por aqueles que supunham poder pecar e continuar louvando ao Senhor, como se nada de errado estivesse ocorrendo. Ademais, sua aliança fora quebrada justamente por aqueles que agora fazem reivindicação. Vai chegar a hora em que somente o julgamento é capaz de preservar a honra de Deus” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.457). 

 

 

 

 

A soberania e a autoridade de Deus

 

Jeremias 18.1-10.

 

1 - A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo:

2 - Levanta-te e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.

3 - E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas.

4 - Como o vaso que ele fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer.

5 - Então, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

6 - Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.

7 - No momento em que eu falar contra uma nação e contra um reino, para arrancar, e para derribar, e para destruir,

8 - se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe.

9 - E, no momento em que eu falar de uma gente e de um reino, para o edificar e para plantar,

10 - se ele fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que tinha dito lhe faria.

 

 

Soberania de Deus: Do lat. super. Autoridade inquestionável que Deus exerce sobre todas as coisas criadas no céu e na terra.

 

O capítulo 18 de Jeremias é conhecido como a Parábola da Soberania de Deus. A passagem talvez não seja muito apreciada pelos calvinistas extremados por mostrar que Deus, conquanto absoluto e inquestionável, não é arbitrário. Suas ações acham-se baseadas em suas bondades e perfeições.

Que riquíssima lição sobre a eleição e a predestinação. Embora sejam estes temas tidos como incompreensíveis e complexos por algumas escolas teológicas, o Senhor, através da arte do oleiro, mostra serem ambos os temas perfeitamente compreensíveis e harmônicos.Desçamos à casa do Oleiro. E, aqui, em meio às ferramentas de seu ofício, conheçamos a soberana vontade de Deus consoante a Israel, aos gentios e à nossa própria vida.

 

I. A VISITA À CASA DO OLEIRO

 

1. A casa do oleiro. Achava-se localizada, provavelmente, no extremo sul de Jerusalém, nas cercanias da Porta do Oleiro e do Vale dos Filhos de Hinon. Nesse logradouro, os oleiros desempenhavam suas atividades e, coletivamente, defendiam seus interesses.

2. Seus instrumentos de trabalho. Posto que eficazes, eram bem simples os instrumentos dos oleiros: constituíam-se de duas rodas superpostas. A inferior, acionada com os pés, movimentava a superior, onde o oleiro colocava a argila, a fim de moldá-la de acordo com a sua concepção. E, assim, em movimentos simples, mas seguros, era o barro transformado em vasos e outras vasilhas tão úteis no dia-a-dia das senhoras hebréias.

Às vezes, não temos a impressão de estarmos numa roda viva? Vêm as provações e as dificuldades; chegam as lutas e aparecem as batalhas. De repente, eis que a nossa vida entra num ritmo acelerado. Isto acontece por estarmos na roda do Oleiro, que nos vai moldando de acordo com a sua vontade. Tenha paciência! O Oleiro sabe o que está fazendo.

3. A visita à casa do oleiro. Buscava Deus, com esta parábola, deixar uma importante lição para os filhos de Israel. Pensavam estes que, pelo simples fato de serem descendência de Abraão, achavam-se a salvo dos juízos e dos castigos divinos. O Senhor, porém, mostra-lhes que todos, judeus e gentios, nos encontramos sob a sua jurisdição. Assim como o oleiro tem poder sobre a argila, de igual modo trata-nos Deus consoante à sua soberania, levando sempre em conta, naturalmente, o livre-arbítrio com que Ele nos dotou.

Para se compreender melhor a parábola do Oleiro, é necessário que se estude os capítulos nove, dez e onze da Epístola de Paulo aos Romanos. No capítulo nove, discorre o apóstolo acerca da eleição de Israel; no dez, fala sobre a rejeição de Israel como povo eleito; e no onze, trata da futura reconciliação de Israel com o Messias. Aos que não aceitam a forma como Deus trata com o seu povo, aduz Paulo: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9.21).Assim como o oleiro tem poder sobre a argila, de igual modo, Deus tem poder sobre nossa vida.

 

II. A SOBERANIA DE DEUS

 

A soberania de Deus é uma das mais difíceis doutrinas das Sagradas Escrituras. E só viremos a entendê-la corretamente, se nos mantivermos centrados nas Sagradas Escrituras, sem nos desviarmos nem para o predestinacionismo absoluto e cego nem para o chamado deísmo.

1. Definição. A soberania de Deus é a autoridade inquestionável que Ele exerce sobre todas as coisas criadas, quer na terra, quer nos céus, de tudo dispondo conforme os seus conselhos e desígnios. Sua soberania está baseada em sua onipotência, onipresença e onisciência. Deus é absoluto e necessário – todos precisamos dEle para existir; sem Ele, não há vida nem movimento.

2. Soberania não é arbitrariedade. A soberania é um instrumento legítimo de Deus, através da qual executa Ele toda a sua vontade, visando a plena consecução de seus decretos.

Sendo infinitamente santo e justo, e Criador de quanto existe, tem o Senhor Deus autoridade sobre todas as criaturas morais, e tudo fará a fim de que o seu plano redentivo seja integral e perfeitamente cumprido. Deus jamais criaria uns para a salvação e outros para a danação eterna. Isto contrariaria os dois principais atributos de sua bondade: santidade e justiça.

3. Eleição e predestinação. Como entender ambas as doutrinas? A predestinação é universal. Ou seja: Deus, em seu profundo e inigualável amor, predestinou todos os seres humanos à vida eterna (Jo 3.16). Por conseguinte, ninguém é chamado à vida para ser lançado no lago de fogo que, conforme bem o acentuou Jesus, fora preparado para o Diabo e aos seus anjos (Mt 25.41). Cumpre ressaltar, porém, que o fato de o homem ser predestinado à vida eterna não lhe garante a posse compulsória desta. É necessário creia ele no Evangelho e aceite e persevere em seguir a Jesus, a fim de que seja havido por eleito de Deus.

Nossa eleição, portanto, tem como base a soberania e a presciência divinas: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.2).

4. O profeta Jeremias e a soberania de Deus. No capítulo dezoito de Jeremias, o Senhor está a ensinar-nos uma grande lição: embora hajamos sido escolhidos para ser a sua particular herança, devemos cumprir as cláusulas da aliança que Ele conosco estabeleceu por intermédio de Cristo Jesus (Hb 12.23,24). Caso contrário: haveremos de ser reprovados como o foram os israelitas. Não basta ser filho de Abraão; é necessário fazer as obras de Abraão (Mt 3.9; Jo 8.39).Deus é soberano, no entanto, suas criaturas são livres para render-se, ou não, a Ele.

 

III. O CRENTE E A VONTADE DE DEUS

 

É chegado o momento de encararmos com mais seriedade a soberania de Deus. O mesmo Oleiro que de uma argila disforme formou Israel, também chamou-nos de entre as nações, constituindo-nos um povo santo, especial e de boas obras (Tt 2.14).

Como estamos encarando a soberania de Deus? Temos considerado a sua vontade? Ou achamos que, frágeis vasos, temos autoridade sobre o Oleiro? Humildemente, oremos: “Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”.O crente precisa submeter-se à vontade de Deus, a fim de que Ele opere em sua vida segundo o seu querer. 

É chegado o momento de nos submetermos à vontade de Deus. Ele é o Oleiro; nós, apenas a argila. De acordo com a sua soberania, estará trabalhando em nossas vidas. Uns, vasos de honra; outros, de desonra (2 Tm 2.20). Submetamo-nos, pois, à sua vontade, a fim de que Ele, de conformidade com o seu querer, opere abundantemente em nossa vida. 

 

Soberania de Deus. “Esta expressão representa o ensino bíblico que se refere ao absoluto, irresistível, infinito e incondicional exercício da vontade própria de Deus sobre qualquer área da sua criação. Deus é aquEle que ordena todos os eventos ao longo do tempo e da eternidade. Ele também é o Criador e Mantenedor de tudo o que existe. Deus ‘faz todas as coisas, segundo o conselho de sua vontade’ (Ef 1.11).

Não há nada que esteja excluído do campo da soberania de Deus, incluindo até mesmo os atos ímpios dos homens. Embora Deus não aprove esses atos de impiedade, Ele os permite, governa e usa para os seus próprios objetivos e glória. A crucificação, o crime mais hediondo de todos os tempos, estava comprometida dentro dos limites ‘do determinado conselho e presciência de Deus’ (At 3.23). O Senhor Jesus disse a Pilatos que crucificar o Filho de Deus não era uma atitude que estava dentro dos limites do poder humano, mas aquele poder só poderia vir de Deus (Jo 19.11).

Outro aspecto importante desta doutrina é o exercício, por parte de Deus, da sua soberania sobre o destino eterno dos homens. O dom da vida eterna é a posse, por parte daqueles a quem Deus, antes da fundação do mundo, ‘predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade’ (Ef 1.5)”.(Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006, pp.1844-45)

 

 A condicionalidade - “A questão da condicionalidade é o tema central das profecias de Jeremias. Isto vale tanto para as que falam de juízos ameaçadores como para as que discorrem sobre as bênçãos prometidas (18.1-11). Um juízo anunciado poderia ser evitado pelo arrependimento. Da mesma forma, as promessas de bênçãos seriam cumpridas mediante a obediência, mas revogadas diante do pecado. Como até seus contemporâneos reconheceram, o juízo anunciado contra Jerusalém nos dias de Ezequias (Mq 3.9-12) foi revogado quando a cidade se arrependeu (Jr 26.17-19). De acordo com Jeremias, a destruição de Jerusalém e o exílio babilônico poderiam ser evitados se a nação se arrependesse, do contrário, a destruição seria certa” (LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, pp.189-90). 

Os líderes de Judá - “Eles ficaram enfurecidos com a pregação de Jeremias que planejaram feri-lo ‘com a língua’ (calúnia) e, ao mesmo tempo, ignorá-lo (v.18). Sua hostilidade é ainda mais ativa: tentaram enredá-lo, acusando-o de provável traidor, devendo, assim, ser condenado à morte. Frustrado e temeroso, o profeta clama a Deus que não lhes perdoe quando iniciar o julgamento” (vv.19-23) (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.459).

 

 

 

O cuidado com as ovelhas

 

 

Jeremias 23.1-4; João 10.1-5.

 

Jeremias 23

1 - Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR.

2 - Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o SENHOR.

3 - E eu mesmo recolherei o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão e se multiplicarão.

4 - E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o SENHOR.

 

João 10

1 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

2 - Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

3 - A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas e as traz para fora.

4 - E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

5 - Mas, de modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

 

Pastor: Em termos eclesiásticos, é o supervisor do rebanho. Sua principal função é administrar a Igreja de Cristo.

O pastor no contexto bíblico. “Devemos voltar à Bíblia para redescobrirmos o que significa ser pastor. Escrevendo aos pastores do primeiro século, o apóstolo Pedro disse: ‘Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas antes, tornando-vos modelo do rebanho’ (1 Pe 5.2,3).

Vejamos de uma forma analítica o uso de algumas destas expressões que julgo como principais:

  •  Pastorear (Poimaino) — segundo o Dicionário de Teologia do Novo Testamentopoimaino significa: apascentar, cuidar do rebanho, tomar conta das ovelhas. Prover pastos para alimentação; nutrir; cuidar do corpo de alguém, servir o corpo; suprir o necessário para as necessidades da alma.

  •  Não por constrangimento (Anankastos) — que não deve ser pela força ou constrangimento, de forma obrigatória.

  •  Espontaneamente (Hekousios) — significa: voluntariamente, de boa vontade, de acordo consigo mesmo. Pecar de propósito como oposto a pecados cometidos involuntariamente, e por ignorância ou fraqueza.

  •  Não como dominadores (Katakurieuo) —tem a ideia de: colocar sob o seu domínio, sujeitar-se, subjugar, dominar. Manter em sujeição, domínio sobre, exercer senhorio sobre.

  •  Modelo (Typos) — modelo aqui é um tipo a ser imitado. Marca de uma pancada ou golpe, impressão”.

(GONÇALVES, J. As ovelhas também gemem. 1.ed. RJ: CPAD, 2006, pp.42-3.) 

Pastor de ovelhas! Assim Davi comparou Deus no trato com o seu povo. De tal maneira ficou a imagem cristalizada na alma hebréia, que todos os seus guias passaram a ser vistos como pastores. O rei não era somente rei; era um pastor; sua obrigação: conduzir os israelitas ao regaço divino. Diz-se o mesmo do sacerdote e do profeta. Interceder é pastorear; e profetizar tem muito a ver com os ofícios de pastor conforme mostra-nos Jeremias e Ezequiel.

Infelizmente, foram os líderes de Israel esquecendo-se de suas responsabilidades. Estando já a nação fortalecida e desfrutando já de riquezas e abastanças, começaram os membros da família real e da casa sacerdotal a se portarem como meros soberanos e pontífices, menosprezando as necessidades do povo. Por isso, levanta o Senhor o profeta Jeremias, a fim de protestar contra o descaso com que os pastores de Israel e Judá tratavam suas ovelhas. Por haverem desprezado o redil que Deus lhes confiara, os hebreus estavam para ser desalojados de sua herança.

Que o Cristo de Deus nos ajude a cuidar de suas ovelhas. E que nenhuma se perca; cada pedacinho delas é precioso aos olhos do Senhor (Am 3.12).

 

I. O QUE É UM PASTOR

 

Nas Escrituras do Novo Testamento, o pastor é visto como o administrador do rebanho de Cristo (1 Pe 5.1-8). Sua função é conduzir os santos ao Senhor Jesus, dispensando a estes os meios da graça.

1. Obrigações do pastor. A principal obrigação do pastor é apascentar e guardar cada uma das ovelhas que lhe confiou o Sumo Pastor. O ofício pastoral inclui duas coisas básicas: a oração intercessória e a ministração da Palavra de Deus (At 6.4).

Deve o pastor, por conseguinte, agir em relação às ovelhas tanto como sacerdote quanto como profeta. É sacerdote quando as apresenta a Deus em oração; e quando lhes fala a Palavra de Deus é profeta. Que os pastores jamais nos esqueçamos deste conselho de Bernard Ramm: “A tarefa fundamental de um pastor, na pregação, não é ser brilhante ou profundo, mas é ministrar a verdade de Deus”.

O pastor deve apascentar e guardar cada uma das ovelhas que lhe confiou o Sumo Pastor.

 

II. OS PASTORES DE ISRAEL

 

No Antigo Testamento, pastores eram considerados os reis, os profetas e os sacerdotes. Assim também podemos considerar os patriarcas que, à semelhança de Abraão, tinham como missão guiar seus filhos na disciplina, a fim de que andassem como povo de Deus (Gn 18.19).

1. Os reis. O primeiro rei messiânico de Israel foi tirado de entre as ovelhas a fim de pastorear o seu povo (1 Sm 16.11). Segue-se, pois, que o monarca israelita, para ser bem-sucedido, haveria de ter uma alma de pastor. Na literatura profética, eram os reis vistos por Deus como os pastores de seu povo (Ez 34.5). Até um rei gentio foi designado por Deus para atuar como pastor dos filhos de Israel (Is 44.28).

2. Os sacerdotes. Também estes eram considerados pastores de Israel, principalmente os da casa de Arão, o sumo sacerdote de Deus (Is 61.6). A eles também os profetas dirigiram pesados reptos, pois, naquela crise, ao invés de pastorearem o rebanho de Deus, puseram-se a apascentar a si próprios (Jr 2.8). (Leia Ezequiel 34).

3. Os profetas. Não resta dúvida de que os verdadeiros profetas de Deus sempre atuaram como legítimos pastores de Israel. Aliás, o profeta Amós foi vocacionado estando entre os pastores (Am 1.1).

Infelizmente, os ímpios reis hebreus, sabendo da grande influência dos profetas sobre o povo, resolveram criar uma classe do funcionalismo estatal, cuja função era justamente mentir. E, mentindo, combatiam eles os legítimos mensageiros de Deus. Haja vista o que acontecia em Jerusalém no tempo de Jeremias (Jr. 2.8; 5.13; 26.8). E foram estes falsos profetas que, juntamente com seus patrões, levaram Judá à ruína.

Que isto jamais aconteça conosco! Fomos chamados para pastorear o rebanho, e a este devemos anunciar todo o conselho de Deus (At 20.27). Ai de nós se fugirmos à nossa responsabilidade! Como haveremos de comparecer ante o tribunal de Cristo?Os reis, sacerdotes e profetas eram negligentes e não apascentavam o povo de Deus.

 

 

III. ISRAEL FOI DESTRUÍDO POR LHE FALTAR VERDADEIROS PASTORES

 

Os pastores de Israel, ao invés de lhe anunciarem a Palavra de Deus, e conduzi-lo de conformidade com os preceitos divinos, desviaram-no com suas mentiras e falsidades.

Vinha o profeta de Deus e exortava o povo a emendar seus caminhos; caso contrário, haveria o Senhor de destruir Jerusalém, e levar o povo em cativeiro. Os reis, porém, acionavam os falsos profetas que lhes anunciava uma paz que não existia:“E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 8.11).

Lamentavelmente muitos púlpitos estão assim nos dias de hoje. Ao invés de se pregar a urgência de um avivamento e a necessidade de se ter uma vida santa diante de Deus, os falsos mestres e profetas apregoam uma paz que não é paz, uma prosperidade que nunca foi prosperidade. E o resultado não poderia ser mais desastroso para o povo de Deus.

À semelhança daqueles pastores de Israel, os mercenários estão a afugentar as ovelhas de Cristo e a dispersar o rebanho que nos confiou o Senhor Jesus. Como será triste ouvir do Sumo Pastor este repto: “Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o SENHOR!” (Jr 23.2).

Como pastores de Cristo, temos de conduzir o rebanho de acordo com as Sagradas Escrituras. É chegado o momento de conscientizarmos o povo de Deus a buscar um poderoso avivamento para que não fiquemos envergonhados quando do arrebatamento da Igreja. Levemos também a Igreja a uma vida de santificação e de pureza, e que não saiamos por aí a apregoar uma paz que não é paz, e uma prosperidade que não passa de miséria.Os pastores de Cristo devem conduzir o rebanho de acordo com as Sagradas Escrituras, levando a Igreja a uma vida de santificação e de pureza.

 

IV. OS DEVERES DAS OVELHAS

 

Se os pastores têm deveres para com as ovelhas, as ovelhas de igual modo têm deveres e compromissos para com os seus pastores. Doutra forma, como os pastores poderiam conduzir o rebanho de Cristo? Vejamos o que devem fazer as ovelhas em relação aos seus pastores.

1. Honrar os pastores. “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (Hb 13.7).

2. Obediência. “Obedecei aos vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (13.17).

3. Contribuição à Obra de Deus. “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” (Ml 3.10).As ovelhas têm deveres e compromissos para com os seus pastores. 

 

É chegado o momento de imitarmos o Sumo Pastor. No capítulo dez do Evangelho de João, fala o Senhor Jesus de seu ofício como o pastor enviado por Deus para tanger as ovelhas perdidas da Casa de Israel e as que se achavam em outros apriscos, para que haja um só rebanho — a Igreja.Busquemos as almas perdidas. Reconduzamos ao aprisco as ovelhas desgarradas. Cuidemos das fracas e débeis. Afinal, um dia compareceremos diante do Sumo Pastor para prestar contas do rebanho que nos confiou Ele. Quanto às ovelhas, que honrem os seus pastores, devotando-lhes perfeito amor.

 

 

O pastor no contexto bíblico. “Devemos voltar à Bíblia para redescobrirmos o que significa ser pastor. Escrevendo aos pastores do primeiro século, o apóstolo Pedro disse: ‘Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas antes, tornando-vos modelo do rebanho’ (1 Pe 5.2,3).

 

 

 O poder da verdadeira profecia

Jeremias 28.5-12,16,17.

 

5 - Então, falou Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta, aos olhos dos sacerdotes e aos olhos de todo o povo que estava na Casa do SENHOR.

6 - Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Que assim faça o SENHOR! Que o SENHOR confirme as tuas palavras que profetizaste e torne ele a trazer os utensílios da Casa do SENHOR e todos os do cativeiro da Babilônia a este lugar.

7 - Mas ouve, agora, esta palavra que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo:

8 - Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras e contra grandes reinos guerra, e mal, e peste.

9 - O profeta que profetizar paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o SENHOR, na verdade, enviou.

10 - Então, Hananias, o profeta, tomou o jugo do pescoço do profeta Jeremias e o quebrou.

11 - E falou Hananias aos olhos de todo o povo, dizendo: Assim diz o SENHOR: Assim quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, depois de passados dois anos completos, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, se foi, tomando o seu caminho.

12 - Mas veio a palavra do SENHOR a Jeremias, depois que Hananias, o profeta, quebrou o jugo de sobre o pescoço do profeta Jeremias, dizendo:

16 - Pelo que assim diz o SENHOR: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o SENHOR.

17 - E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês.

 

 

Profeta: Pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Ele e em lugar de dEle.

 

Quem já não se defrontou com um falso profeta? Inescrupulosos, arrogantes e com ares de santo, esses indivíduos jogam a igreja contra o seu pastor, induzem os obreiros à desinteligência e lançam os fiéis à apostasia. Eles não vacilam em usurpar a glória que só é devida ao Senhor da glória.Jeremias enfrentou grandes dificuldades por causa desses operários de Satanás. Patrocinados pelo estado e contando com a simpatia de boa parte da população, tinham eles como objetivo perverter os caminhos do Senhor, e desviar os filhos de Israel da verdade. O mesmo não ocorre em nossos dias? (2 Co 11.13; At 20.30,31). Hoje, conheceremos um desses falsos profetas: o arrogante, atrevido e insolente Hananias.

 

I. O QUE É O PROFETA

 

1. Definição. Profeta, segundo a Bíblia, é o homem que fala por Deus; é o porta-voz do Eterno. O vocábulo original do Novo Testamento, do qual veio a palavra portuguesa profeta, significa literalmente “aquele que fala em lugar de outrem”.

2. A função do profeta. Era a função precípua do profeta proclamar os oráculos de Deus, a fim de reconduzir o povo à obediência da lei divina (Ez 33.7).

3. A prova de autenticidade do profeta. Não basta a profecia se cumprir para o profeta ser considerado autêntico (Dt 13.1-5). Isto porque, os enganadores, através de ardis e estratagemas, são capazes de desviar o rebanho de Cristo da verdade absoluta e inegociável do Calvário.

Como reconhecer o legítimo mensageiro de Deus? Se o profeta predisser alguma coisa, em nome do Senhor, e cumprir-se a sua profecia, não contrariando de forma alguma a Bíblia Sagrada, ele será de fato reconhecido como autêntico homem de Deus (Dt 21.22). É por isso que temos de julgar as profecias e discernir os espíritos (1 Co 12.20; 14.29; 1 Jo 4.1).É função do profeta proclamar os oráculos de Deus, a fim de conduzir o povo à obediência das leis de Deus.

 

II. O FALSO PROFETA HANANIAS ENTRA EM CENA

 

1. Quem era Hananias. A única coisa que se sabe deste tal Hananias é que era ele filho de Azur. Ele era do tipo que impressionava. Falava como profeta, tinha discurso de profeta e como profeta, vestia-se. Aliás, era mais dramático que os profetas de Deus. Além disso, só falava o que o povo queria ouvir. Vinha ele pregando a paz e determinando a prosperidade. Positivamente, tudo confirmava.

2. As palavras de Hananias. Foi no auge da crise de Judá que Hananias aparece para perturbar o povo e afrontar o profeta Jeremias. Este exortava Judá a arrepender-se de seus pecados, a curvar-se ante a vontade de Deus e a aceitar o jugo babilônico.“Politicamente correto”, aquele induzia o povo à rebelião, dizendo-lhe que, dentro de dois anos, seriam os cativos repatriados e os tesouros do Santo Templo, devolvidos. Sua profecia jamais se cumpriu; no teste do verdadeiro profeta, estava reprovado (Dt 18.22).Hananias falou o que o rei queria ouvir, profetizou o que o povo ansiava escutar e vaticinou o que todos almejavam acontecesse naquele momento.

Você, homem de Deus, não foi chamado para brincar de pregador; convocou-o o Senhor para atuar como pregoeiro da verdade, que é a Palavra de Deus. O seu único compromisso é com a verdade. Se não quiserem ouvi-lo, que o não ouçam. No entanto, todos haverão de saber que, em seu meio, esteve um autêntico pastor de almas e um legítimo proclamador da verdade divina (Ez 2.4,5).

3. O castigo de Hananias. Hananias em tudo parecia um profeta; a Palavra de Deus, porém, não estava com ele. E, por haver se insubordinado contra o Senhor, foi severamente punido: naquele mesmo ano, de conformidade com o que vaticinara Jeremias, morreu ingloriamente (Jr 28.15-17). Esse é o destino daquele que, sem temor nem tremor, brinca com o nome de Deus, zombando-lhe da santidade. Lembra-se daquela Jezabel que, em Tiatira, induzia os servos de Cristo ao pecado (Ap 2.20)? Ou de Balaão que ensinou Balaque a colocar tropeços diante dos filhos de Israel (Ap 2.14)?

Querido irmão, se você tem o dom profético, coloque-se à disposição de Deus. Deixe que Ele o use de acordo com a Sua vontade e direção. Jamais queira abusar do que lhe não pertence. Seja humilde, reconhecendo sempre, em seu pastor, a autoridade máxima da igreja. O juízo de Deus virá sobre os profetas que, sem temor nem tremor, brincam com o nome de Deus, zombando-lhe da santidade.

 

III. CUIDADO COM OS FALSOS PROFETAS

 

Alerta-nos o Senhor Jesus que, nos últimos dias, aparecerão muitos falsos profetas que, se possível, enganarão até mesmos os escolhidos (Mt 24.11). Por isso, os obreiros, mediante o Espírito Santo, devem manter-se alertas e vigilantes, a fim de que os lobos não lhes arrebatem as ovelhas. Eis alguns cuidados que haveremos de tomar.

1. A procedência do profeta. De onde vem o pregador, o avivalista, o conferencista e o pressuposto profeta? Busque saber se tem ele carta de recomendação; averigue a validade dos documentos. Cuidados com os chamados clínicos pastorais que, sob o aparato da psicologia, se intrometem nas intimidades das ovelhas, induzindo muitos servos de Deus, homens e mulheres, à impureza. Precautele-se contra os que, de cidade em cidade, levantam vultosas somas. Não permita que o lobo espolie sua igreja. Mas não deixe de honrar os que, em espírito e verdade, pregam e ensinam a Palavra de Deus (1 Tm 5.17).

2. A qualidade da mensagem. O mensageiro fala a Palavra de Deus? Ou se acha em nosso meio para instilar o engano e a apostasia? Se vier com outra mensagem, ou evangelho, que seja considerado anátema mesmo que tenha cara de anjo (Gl 1.8).

3. A pretensão do profeta. À semelhança de Hananias, que não temeu enfrentar o homem de Deus, muitos são os profetas e profetisas que buscam dominar o pastor, o ministério e a igreja. Não aceite tais manobras! O cajado foi entregue a você, amado pastor, e não aos aventureiros que das ovelhas visam apenas à lã e à gordura.

Precisamos julgar as profecias e discernir os espíritos, a fim de não sermos enganados pelos falsos profetas.

 

Cuidado com os falsos profetas! Estejamos alerta a fim de que não nos devorem o rebanho. Outrossim, não podemos desprezar as verdadeiras profecias (1 Ts 5.20). Pois o Espírito Santo continua a falar através dos dons que distribui à Igreja. Equilíbrio e discernimento! Cada profecia deve ser considerada de acordo com as demandas e reivindicações da Bíblia. Nada, absolutamente nada, pode estar acima da Bíblia Sagrada — nossa única regra de fé e conduta.

 

 

Os profetas.  Em Deuterônomio dezoito fica claro que o profeta é sempre chamado por Deus (v.18), tem a autoridade de Deus (v.19) e o que ele diz será provado verdadeiro (v.22). O profeta era então conhecido como servo de Deus (2 Rs 17.13,23; Jr 7.25). O profeta sempre defendia os padrões de Deus e chamava o povo para Ele (Dt 13), era isso que distinguia o profeta verdadeiro do falso (por exemplo, 1 Rs 13.18-22; Jr 28).Os profetas não eram simplesmente indivíduos perceptivos no sentido político ou social.Eram pessoas que, pela revelação de Deus, tinham conhecimento da importância dos eventos e das necessidades do povo comum. Em seu trabalho eles falavam de acontecimentos futuros, de modo a advertir sobre as consequências dos atos presentes (ver Am 1.2), e no geral falavam contra a sociedade em que viviam. Havia muito mais profetas do que aqueles que conhecemos pelas profecias registradas ou eventos históricos”.(GOWER, R. Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. RJ: CPAD, 2002, pp.367-369.)

 

 

 

 Esperança em tempos de crise

 

Jeremias 30.7-11.

 

7 — Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela.

8 — Porque será naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei as tuas ataduras; e nunca mais se servirão dele os estranhos,

9 — mas servirão ao SENHOR, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei.

10 — Não temas, pois, tu, meu servo Jacó, diz o SENHOR, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei das terras de longe, e a tua descendência, da terra do seu cativeiro; e Jacó tornará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize.

11 — Porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te salvar, porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida e, de todo, não te terei por inocente.

 

Esperança: Uma das virtudes fundamentais da fé cristã, através da qual, o crente é motivado a crer no impossível e a vislumbrar a intenção divina nos momentos mais críticos. 

A terra de Judá achava-se prestes a ser subvertida. Desta vez, não se limitariam os caldeus a levar os judaítas em cativeiro. Haveriam de destruir tudo; da mais singela cidade à imponente Jerusalém, tudo deitariam por terra. Até o Santo Templo, onde se achava a arca sagrada, pereceria. As tribulações dos filhos de Abraão não terminariam aí; seu futuro seria de apertos e estreitezas. No final dos tempos, seriam os judeus de tal forma provados, que o profeta chama este período de a “Angústia de Jacó”.Não obstante, Jeremias encontra forças para ter esperanças. Deus lhe mostra que, no porvir, olharia favoravelmente para Israel, transladando-o à sua terra, e restabelecendo-o como nação soberana.

Com o profeta Jeremias, aprenderemos hoje a crer contra a própria esperança (Rm 4.18). Àquele que confia em Deus, mesmo que a esperança venha a lhe morrer e seja ela sepultada, há de ressurgir em glória.

 

I. O QUE É A ESPERANÇA

 

1. Definição. A palavra esperança significa, entre outras coisas, a expectativa de se auferir algum bem ou benefício futuro. No âmbito das Sagradas Escrituras, é a certeza do cumprimento das promessas que nos foram feitas por Deus (2 Co 1.20).

2. A esperança no livro de Jeremias. Embora conhecido como o profeta das lágrimas, devido aos seus muitos lamentos, pode Jeremias ser considerado também o profeta da esperança (Jr 14.8). Um dos momentos mais dramáticos de suas profecias dá-se quando ele, vislumbrando o mais longínquo porvir, mescla a esperança da restauração futura de Israel com a angústia presente de Jacó.O profeta Jeremias confiava inteiramente na bondade de Deus, por isso, sua esperança não se desvanecia.

 

II. A ANGÚSTIA DE JACÓ

 

No texto que hoje estudamos, Jeremias antecipa-nos uma grande e singular tribulação que se abaterá sobre Israel: “Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela” (Jr 30.7). Mas, o que vem a ser esta angústia?

1. A angústia de Jacó. É a tribulação que haverá de recair sobre Israel e também sobre os gentios, logo após o arrebatamento da Igreja. Será o momento mais difícil para a descendência de Abraão. Os profetas Ezequiel, Daniel, Zacarias e o próprio Cristo discorrem acerca desse acontecimento, que culminará com a conversão nacional do povo israelita.

2. Profecia de Ezequiel. Nos capítulos 38 e 39 de seu livro, o profeta fala sobre a invasão de Israel pelas tropas de Gogue e Magogue. Mas o Senhor dos Exércitos, conforme mostra claramente Ezequiel, intervirá em favor de seu povo, destruindo os exércitos que se houverem levantado contra a descendência de Abraão.

3. Profecia de Daniel. Em suas 70 semanas, prevê o profeta que o príncipe do povo que há de vir, firmará uma aliança com Israel por uma semana (Dn 9.27). Mas, na metade da semana, romperá a aliança, passando, a partir daí, a perseguir o povo judeu. Israel, porém, não será abandonado; o arcanjo Miguel levantar-se-á para lutar em favor do povo eleito (Dn 12.1).

4. Profecia de Zacarias. O profeta descreve que, no final dos tempos, exércitos de todas as partes ajuntar-se-ão para lutar contra Jerusalém. Mas no auge da luta, revelar-se-á o Senhor: “E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele, para o sul” (Zc 14.4). Será por essa época que todo o Israel reconhecerá o Senhor Jesus como o Messias prometido nas Escrituras (Zc 12.10).

Que ninguém se engane! As alianças que o Senhor Deus firmou com os patriarcas acham-se mais do que firmes. Israel não será esquecido nem abandonado por Deus. Ele jamais permitirá que o seu povo seja destruído (Rm 11.26).Israel e os gentios, logo depois do arrebatamento da Igreja, vão experimentar um período de angústia.

 

             O RESTABELECIMENTO DE ISRAEL

 

Embora estivesse a testemunhar o pior momento da história de Israel no Antigo Testamento, Jeremias sabia perfeitamente que o Senhor resgataria o seu povo: “Não temas, pois, tu, meu servo Jacó, diz o SENHOR, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei das terras de longe, e a tua descendência, da terra do seu cativeiro; e Jacó tornará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize” (Jr 30.10).

Vejamos como esta profecia começou a ser cumprida:

1. A volta de Israel à sua terra. A nação de Israel começou a ser dispersa em 722 a.C., quando os assírios destruíram o Reino do Norte, levando cativas as dez tribos de Israel. Segundo se especula, as dez tribos perderam a sua identidade, misturando-se aos povos de sua dispersão. A profecia de Ezequiel, porém, diz o contrário: todas as tribos, inclusive a de Dã, voltarão à Terra de Promissões onde recuperarão sua formosa herança (Ez 48.1,2,32).

2. O restabelecimento do Estado de Israel. Quem diria que, três anos após o término da Segunda Guerra Mundial, estaria sendo proclamado o Estado de Israel? Deus fez o impossível acontecer. Mesmo com os seis milhões de judeus assassinados pela Alemanha de Hitler, Israel tornou-se realidade: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos” (Is 66.8).

No dia 14 de maio de 1948, era proclamado o Estado de Israel que, apesar de todas as oposições gentias, vem representando um eloquentíssimo e cabal testemunho do cuidado de Deus em relação ao seu povo.

3. A retomada de Jerusalém. Afirmou o Senhor Jesus em seu Sermão Profético: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24).

Podemos datar a inauguração do tempo dos gentios a partir de 586 a.C., ocasião em que os babilônios conquistaram e destruíram Jerusalém. No entanto, Deus começou a reverter tal situação em junho de 1967, quando os exércitos israelenses retomaram o lado oriental da Cidade Santa. Em 1980, o então primeiro-ministro Menachen Begin proclamou Jerusalém como a capital una e indivisível de Israel.Dias atribulados estão reservados a Jerusalém, mas o Senhor tem um firme compromisso com Sião, e jamais a desamparará.Embora Israel viesse a experimentar um período de grande tribulação, o Senhor iria restaurar seu povo. 

Em todas aquelas dificuldades e tribulações, pôde Jeremias vislumbrar a esperança, mesmo crendo contra a esperança. De igual modo, acontece com cada um de nós individualmente: apesar das vicissitudes presentes, há um grande refrigério para todo aquele que ama e teme a Deus.Deus é o que nos inspira a esperança mesmo onde não mais há esperança.

 

 

As descrições de Jeremias acerca da restauração futura

 

 Jeremias anunciou que o exílio duraria setenta anos, mas a restauração da nação não seria automática. Dependia de um genuíno arrependimento nacional (29.10).Em 536 a.C., um remanescente retornou para a terra, cumprindo a profecia de Jeremias acerca dos setenta anos de exílio (2 Cr 36.22; Ed 1.1). Daniel, no entanto, informa que a descrição apresentada por Jeremias de uma gloriosa restauração do reino (Dn 9.1,2) não se cumpriu completamente no século VI a.C., mas foi postergada e deverá se cumprir no futuro (Dn 9.24-27). Um remanescente arrependeu-se, mas a nação não voltou para Deus nem permaneceu fiel durante o período pós-exílico (Ag 1.2-11; Ml 1.6-14).

Jeremias predisse o exílio babilônico, mas também previu um dia em que Deus restauraria os exilados. Deus traria de volta os exilados de Judá e Israel, reunificando a nação. Aparentemente, eles viriam de todas as partes e de todas as nações. Formariam uma grande multidão, incluindo até aqueles que normalmente seriam incapazes de viajar, como os cegos, os coxos e as mulheres grávidas prestes a dar à luz (31.7,8). Esta grandiosa libertação seria como um ‘segundo êxodo’, que empalideceria a primeira libertação do Egito”.(LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, p.190)

     A nova aliança — “A segurança nacional dependia da reforma moral, não do Templo. Vale notar a ênfase na justiça As alianças bíblicas explicam com detalhe o que Deus irá fazer. A aliança é o pronunciamento de Deus. ‘Eu farei’. Todavia, o cumprimento das promessas geralmente se posiciona muito à frente do tempo. Uma aliança é diferente, porque define como Deus se envolvia com os crentes do Antigo Testamento enquanto aguardava pelo final da história. Essa aliança era a aliança da lei, já a nova, que torna a lei mosaica irrelevante, orienta Israel em como se comportar. Especifica as bênçãos aos israelitas que obedecem à lei de Deus e as punições aos que a desobedecerem. Por outro lado, sob a nova aliança (31.33), Deus promete aos crentes a transformação interior; os crentes saberão que Deus, de maneira pessoal, perdoará seus pecados que, por sua vez, responderão aos anseios interiores do coração de Deus” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.466).

 

      Futuras bênçãos e salvação — “Jeremias previu um dia — posterior aos juízos de Deus sobre as nações gentílicas e o resgate de Israel do exílio — em que os gentios se arrependeriam da idolatria e abraçariam somente a Jeová (16.19-20). Esta salvação dos gentios acompanharia a divina restauração da Judá arrependida (4.2). As nações dariam louvores e glórias a Deus ao verem Jerusalém ser livre e coberta de bênçãos (33.9)” (LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, p.193). 

   •   Israel — “Desde a proclamação de sua independência, Israel tem enfrentado diversos conflitos bélicos: em 1948, a Guerra da Independência; em 1956, a Guerra de Suez; em 1967, a Guerra dos Seis Dias; em 1973, a Guerra do Yom Kippur; e, em 1982, a Guerra do Líbano. Em todos esses embates, as forças judaicas têm saído vencedoras, porque o Senhor dos Exércitos está ao seu lado” (ANDRADE, C. Geografia Bíblica. 22.ed. RJ: CPAD, 2009, p.193).

 

 

 

 

 O valor da temperança

 

 

Jeremias 35.1-5,8,18,19.

 

1 - Palavra que do SENHOR veio a Jeremias, nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo:

2 - Vai à casa dos recabitas, e fala com eles, e leva-os à Casa do SENHOR, a uma das câmaras, e dá-lhes vinho a beber.

3 - Então, tomei a Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, e a seus irmãos, e a todos os seus filhos, e a toda a casa dos recabitas;

4 - e os levei à Casa do SENHOR, à câmara dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus, que está junto à câmara dos príncipes, que está sobre a câmara de Maaséias, filho de Salum, guarda do vestíbulo;

5 - e pus diante dos filhos da casa dos recabitas taças cheias de vinho e copos e disse-lhes: Bebei vinho.

8 - Obedecemos, pois, à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, em tudo quanto nos ordenou; de maneira que não bebemos vinho em todos os nossos dias, nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas;

18 - E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Visto que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou,

19 - assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista perante a minha face todos os dias.

 

Fidelidade: Constância e firmeza em observar os princípios bíblicos.

 

Legaram-nos os recabitas um exemplo tão marcante que, passados vinte e seis séculos, ainda nos inspiramos em seu equilíbrio e temperança. E Deus levou-lhes em conta a piedade. Quando da destruição de Jerusalém, o Senhor deu-lhes suas almas como despojo; foram preservados do mal enquanto os intemperantes e viciosos eram entregues à ruína.O mundo está sendo destruído. Como estamos a nos comportar? Agimos como os recabitas? Ou nos chafurdamos nos vícios e prazeres mundanos? Neste domingo, ordena-nos o Senhor que visitemos a casa dos recabitas.

 

I. A ORIGEM DOS RECABITAS

 

1. Sua origem. Quando o Senhor ordenou a Jeremias que visitasse os recabitas, tinham estes já uma história de aproximadamente 250 anos. De uma tribo nômade e dedicada ao pastoreio, foram pouco a pouco aparentando-se com os queneus e com os descendentes de Jetro, sogro de Moisés (1 Cr 2.55), até se constituírem num expressivo e piedoso clã.

2. Seu relacionamento com Israel. Os recabitas entram na história do povo de Deus de maneira heróica. Jonadabe, um de seus patriarcas, é convidado pelo rei Jeú a extirpar os profetas de Baal do Reino do Norte. Nesta ocasião, o recabita identifica-se como tendo um coração reto diante de Deus (2 Rs 10.15-27). Apesar dos desvios de Jeú e de outros líderes em Israel, mantiveram-se os recabitas fiéis à Lei de Deus, embora não passassem de forasteiros entre os hebreus.

3. O encontro dos recabitas com Jeremias. Os recabitas achavam-se em Jerusalém para escapar às forças babilônicas que, dentro em breve, haveriam de destruir a Cidade Santa. Na periferia desta, armaram eles suas tendas. E, agora, recebem o inesperado convite do profeta para se dirigirem à Casa de Deus. Aqui, seria encenado mais um duro sermão aos descendentes de Jacó, visando demovê-los de sua rebelião contra o Senhor.Deus utiliza o exemplo dos recabitas para ensinar seu povo a respeito da fidelidade aos seus mandamentos.

 

 

II. O ESTILO DE VIDA DOS RECABITAS

 

Foi exatamente entre as trevas e as apostasias de Israel, que Jonadabe sentiu-se impulsionado a fundar uma sociedade que tinha por base a temperança, a modéstia, a frugalidade e, principalmente, o temor a Deus. Vejamos, pois, qual o seu estilo de vida.

1. Abstinência de bebidas fortes. Resolveram eles absterem-se totalmente das bebidas fortes, pois sabiam muito bem serem estas nocivas à moral e aos bons costumes (Gn 9.20-23; 19.32-38). Além disso, estava o vinho intimamente associado às festas dos ímpios cananeus. Ora, se queriam os recabitas viver como povo de Deus, deveriam primar por uma conduta sóbria e recatada.

Tem você vivido de maneira sóbria? Ou tem-se entregado aos vícios? Lembre-se: Deus há de julgar também nossa intemperança.

2. Peregrinações. Vistos de nosso contexto cultural, os recabitas pareciam os mais estranhos dos homens. Além de se absterem das bebidas alcoólicas, faziam questão de viver como peregrinos (Hb 11.13), a fim de protestar contra a intemperança, a injustiça e a idolatria que já dominavam Israel e Judá.

Ainda nos consideramos peregrinos do Senhor? Não podemos assimilar a cultura pecaminosa do presente século (Rm 12.1,2; Hb 11.13).

3. Honravam a tradição de seus antepassados. Ao contrário dos judeus que já se haviam esquecido da Lei de Moisés e do exemplo dos patriarcas, levavam os recabitas em consideração o que lhes havia recomendado Jonadabe filho de Recabe: “Assim, ouvimos e fizemos conforme tudo quanto nos mandou Jonadabe, nosso pai” (Jr 35.10). Como haviam eles honrado seus pais, tinha-lhes o Senhor, agora, uma gloriosa promessa (Jr 35.18,19).

Eles se houveram com denodo e zelo em relação às tradições dos ancestrais. E, quantas vezes, nós, ignorante e tolamente, não buscamos destruir tudo o que nos legaram os antigos? As tradições que têm como alvo a pureza do corpo de Cristo e a integridade moral dos filhos de Deus têm de ser mantidas: “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Ts 2.15). Sobre o assunto, pronuncia-se o conceituadíssimo comentarista Warren W. Wiersbe: “A tradição humana não é necessariamente má, a não ser que contradiga ou se arvore para substituir a Palavra de Deus”.

Tem você guardado as recomendações de seus pais? Ou acha que o conselho dos antigos é algo que pode ser descartado em nome de uma modernidade duvidosa e perversa? Os recabitas honravam a tradição de seus antepassados, ao contrário dos judeus, que já haviam se esquecido da Lei de Moisés.

 

III. O EXEMPLO DOS RECABITAS

 

A fim de realçar a fidelidade dos recabitas, o profeta os conduz ao Santo Templo. E, aqui, na câmara de Hanã, oferece-lhes taças cheias de vinho, e ordena-lhes que o bebam. Mas o chefe do clã de Recabe, recusa-se a fazê-lo. Com esta demonstração de indômita coragem, Jazanias, o maioral dos recabitas, deixa bem patente a todos, principalmente aos ministros do altar, porque eles não se davam ao vinho.

O interessante é que o vinho fora posto diante dos recabitas exatamente no interior da Casa de Deus. E os sacerdotes, pelo que inferimos do texto, achavam-se tão presos aos vícios quanto o povo. Os levitas não mais primavam pela temperança! Sem o perceber, estavam comprometendo todo o seu ministério.Você é conhecido pela temperança? Pelo autocontrole? Ou já não liga mais para a sobriedade? Não são poucos os que se acham destruídos pelas bebidas alcoólicas e por outros vícios, hábitos e costumes igualmente nocivos. Não abra nenhum precedente. Não se deixe contaminar seja pelo ambiente social seja pela herança cultural. Lembre-se: Noé e Ló eram muito mais piedosos e firmes do que nós. Todavia, induzidos pelo vinho, portaram-se inconvenientemente.Em um momento de apostasia, os recabitas tornaram-se um singular exemplo de moderação, prudência e fidelidade a todo o povo de Deus.

 

 

Estamos nos últimos dias. O momento requer sobriedade e vigilância. À semelhança dos recabitas, primemos pela excelência das virtudes cristãs. Caso contrário: seremos tidos como profanos quando da volta do Senhor Jesus.E que jamais nos esqueçamos: a Igreja de Cristo tem um forte compromisso com a temperança, com a sobriedade, com a prudência, com os bons costumes e com a excelência moral tanto de seus membros quanto dos que a cercam. Afinal, somos a luz do mundo e o sal da terra (Mt 5.13-16; Ef 5.8-13).

 

 

“O pai de Jonadabe e fundador da família dos recabitas

 

Recabe pode ter sido de uma das famílias de queneus que entraram na Palestina com os israelitas (1 Cr 2.55). Nos dias do reino dividido, Recabe determinou que a causa da apostasia e da imoralidade do povo era a cultura palestina, e comandou seus filhos a voltarem ao seu antigo modo nômade de vida com toda sua simplicidade. Nos dias de Jeú, Jonadabe, o líder dos recabitas, auxiliou aquele rei em sua destruição ao culto a Baal (2 Rs 10.15,23). Nos dias de Jeremias, o profeta usou os recabitas como uma lição objetiva. Ele os levou até a Casa do Senhor, e lhes ofereceu vinho. Eles recusaram por causa de sua lealdade para com o seu ancestral. Jeremias usou a fidelidade deles como uma censura à infidelidade de Israel para com o Senhor. Por causa de sua fidelidade, o Senhor lhes prometeu: ‘Nunca faltará varão... que assista perante a minha face todos os dias’ (Jr 35.19). Diz-se que Rab Judah registrou que as filhas recabitas se casaram com os levitas, e assim esta linda promessa foi cumprida. Hegessippus disse que ‘sacerdotes recabitas’ intercederam por Tiago, o irmão do Senhor Jesus Cristo, mas não conseguiram salvar sua vida.Malquias, o ‘filho de Recabe’, reparou a Porta do Monturo de Jerusalém sob o governo de Neemias (Ne 3.14). Ele pode ter sido o líder dos recabitas depois do exílio”.(Wycliffe Dicionário Bíblico. 1.ed. RJ: CPAD, 2006, p.1653)

 

   Um triste espetáculo — “A embriaguez é um pecado que jamais caminha sozinho, porque leva os homens a outros males; é um pecado que provoca muito a Deus. O ébrio dá à sua própria família e a todo o mundo o triste espetáculo de um pecador endurecido, além do que seria comum, e que se precipita à perdição. Procuremos então, pela oração, evitarmos tudo aquilo que possa entristecer ao nosso benigno Consolador” (HENRY, M. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 1.ed. RJ: CPAD, 2002, p.997). 

     Embriaguez — “As Escrituras Sagradas relatam muitos casos individuais de embriaguez, como o de Noé (Gn 9.20-24), Ló (Gn 19.30-35), Nabal (1 Sm 25.36), Urias (2 Sm 11.12,13). A embriaguez está implícita no relato do banquete de Belsazar (Dn 5.1-4,23). Deve ter sido comum na época dos juízes, visto que Eli rapidamente suspeitou que Ana estivesse embriagada (1 Sm 1.13,14).

O Senhor Jesus advertiu seus discípulos contra a embriaguez, a fim de que não fossem considerados despreparados para se encontrar com Ele na ocasião de sua volta (Lc 21.34). Paulo repreendeu severamente os cristãos coríntios por beberem em excesso na Ceia do Senhor (1 Co 11.20,21), e advertiu os crentes de Roma em relação à embriaguez (Rm 13.13). Ele ensinou sem rodeios que a continuidade no alcoolismo impede as pessoas de entrarem no reino de Deus (1 Co 6.9-11; Gl 5.21). Sua advertência é clara e direta. ‘Não vos embriagueis com vinho, em que há contenda [ou dissolução]’ (Ef 5.18)” (Wycliffe Dicionário Bíblico. 1.ed. RJ: CPAD, 2006, p.638). 

 

 

 

A excelência do Ministério

 

Jeremias 45.1-5.

 

1 - Palavra que falou Jeremias, o profeta, a Baruque, filho de Nerias, escrevendo ele aquelas palavras, num livro, da boca de Jeremias, no ano quarto de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo:

2 - Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, acerca de ti, ó Baruque:

3 - Disseste: Ai de mim agora, porque me acrescentou o SENHOR tristeza à minha dor! Estou cansado do meu gemido e não acho descanso.

4 - Isto lhe dirás: Assim diz o SENHOR: Eis que o que edifiquei eu derribo e o que plantei eu arranco, e isso em toda esta terra.

5 - E procuras tu grandezas? Não as busques, porque eis que trarei mal sobre toda a carne, diz o SENHOR; a ti, porém, darei a tua alma por despojo, em todos os lugares para onde fores.

 

Glória: Honra, magnificência, esplendor, prestígio.

 

Se Baruque esperava um sucesso imediato no ministério, vê-se agora decepcionado. Pois o monarca, tendo apostatado da fé, queima o rolo com as profecias de Jeremias, induzindo o povo a afastar-se ainda mais de Deus. Em seguida, recebe Baruque ordens de registrar novamente as palavras que se achavam no livro destruído pelo rei, agora com vários aditamentos.

Que perspectiva haveria para Baruque? Para quem sonhava com o sucesso, seria obrigado a conviver com um aparente fracasso.

 

I. QUEM ERA BARUQUE

 

Poucos são os dados de que dispomos acerca de Baruque, escriba e fiel amigo do profeta Jeremias.

1. Pertencia à nobreza de Judá. Era ele filho de Nerias, irmão de Seraías, camareiro-mor do rei Zedequias (Jr 51.59). Provinha certamente de uma família que o havia educado para ser, em todas as coisas, uma bênção nas mãos de Deus. Aliás, Baruque, em hebraico, significa “abençoado”.

Tem você preparado seu filho para ser uma bênção nas mãos de Deus? Invista em sua vida espiritual para que, mais tarde, não venha ele a dar-lhe aborrecimentos e tristeza sobre tristeza.

2. Era um jovem culto e bem educado. Baruque tanto sabia escrever com perfeição como ler perfeitamente em público. Era um arauto perfeito. Portanto, um jovem graduado que colocara toda a sua formação acadêmica a serviço de Deus.

Querido jovem, estão os seus talentos nas mãos de Deus? “Desperta, faz-te pronto; poucos dias são que restam para o segador”.

 

 

Baruque era um jovem culto, nobre, inteligente e hábil na arte de escrever, que trabalhava como secretário particular do profeta Jeremias.

 

II. A CORAGEM E O ZELO DE BARUQUE

 

O jovem Baruque era conhecido por seu zelo e coragem. Vejamos de que forma exerceu o seu ministério.

1. Cuidava dos negócios particulares de Jeremias. Como os pastores necessitam de secretários como Baruque! Em Jeremias 32.10, o profeta confia-lhe a escritura de uma propriedade que acabara de adquirir. Mero trabalho burocrático? Simples tarefa? É na execução das pequenas coisas que somos preparados para as grandes.

Talvez, neste momento, esteja você a realizar algo considerado humilde ou pequeno. O que você não sabe, porém, é que, no âmbito do Reino de Deus, jamais devemos desprezar as pequenas coisas (Zc 4.10; Lc 16.10).

2. Registrava fielmente as palavras de Jeremias. Cabia-lhe também o registro das palavras que o profeta, inspirado pelo Espírito Santo, recebia do Senhor (Jr 36.4).

Teria Baruque ciência da relevantíssima tarefa que realizava? Hoje, passados mais de 2.500 anos, ainda nos comovemos com a história de Jeremias, tudo porque um jovem escriba resolvera colocar todo o seu talento a serviço do Reino de Deus.

3. Lia as palavras de Jeremias. Assim como Moisés tinha Arão, e assim como Eliseu tinha a Geazi, tinha Jeremias também o seu escriba e porta-voz: Baruque. Vemo-lo, agora, a proclamar a todo o Judá as palavras que o profeta lhe mandara registrar (Jr 36.8). Primeiro, leu-as diante do povo; em seguida, perante os conselheiros do rei até que, finalmente, foi a mensagem lida diante do mesmo rei pela boca de um príncipe chamado Jeudi (Jr 36.21).Baruque cuidava dos negócios de Jeremias, registrava e lia as palavras dele com coragem e zelo.

 

III. A EXPECTATIVA DE BARUQUE É FRUSTRADA

 

À semelhança dos outros jovens, tinha Baruque suas expectativas. Conforme podemos depreender do texto bíblico, esperava ele um sucesso imediato na vida ministerial. Afinal, estava a secretariar um dos mais influentes profetas de Israel. Havia, porém, algumas lições que precisava aprender e com urgência.

1. A frustração de Baruque. Para quem esperava um sucesso imediato, eis que Baruque só vê dificuldades e frustrações. E se pensava que, com a leitura da profecia, o povo curvar-se-ia sem detença ao Senhor, tal não acontece. Haja vista como o rei trata a mensagem profética: corta o rolo com o canivete de escrivão, e joga o pergaminho no braseiro (Jr 36.23).

2. A destruição de Jerusalém. Baruque também esperava viver numa cidade na qual viesse a ter possessões e, onde, tranquilamente, pudesse constituir um lar. É claro que tais coisas não constituem pecado. No entanto, tal demanda, naqueles dias, fazia-se proibitiva, pois o Senhor estava para destruir tudo o que plantara (Jr 45.4). Dessa forma, ter a alma como espólio, ou herança, já era um grande negócio.

3. O tratamento recebido por Jeremias. Se esperava ele descansar sob a fama e o prestígio de Jeremias, achava-se enganado. Pois o seu senhor era tratado em Judá como traidor. Haja vista a prisão que o profeta viu-se constrangido a amargar (Jr 38.6).

4. As acusações contra Baruque. Além do mais, pesava sobre Baruque uma gravíssima acusação. Os nobres de Judá supunham que as palavras de Jeremias eram, na verdade, de Baruque. Sendo ele um jovem nobre e culto, pensavam, encontrava-se a induzir o profeta a pronunciar todas aquelas profecias contra Jerusalém e contra o Santo Templo (Jr 43.3).Baruque sofreu grande frustração em seu ministério e vida pessoal, porquanto esperava sucesso, reconhecimento e prestígio de Jeremias e do povo.

IV. SUCESSO OU EXCELÊNCIA?

 

Sabe por que há tantos obreiros frustrados? Porque estão atrás apenas do sucesso ministerial. Isso é uma tragédia para o homem de Deus!

1. A efemeridade do sucesso. O sucesso faz o nome do obreiro, todavia não o torna conhecido diante de Deus. Dá-lhe riquezas, porém, não lhe proporciona prosperidade espiritual. Enche-lhe o templo, mas, não raro, de crentes vazios. Confere-lhe prestígio, entretanto, não lhe aumenta a reputação diante daquEle que tudo vê e tudo conhece. Abre-lhe as portas aos poderosos, não obstante, fecha-lhe as do Todo-Poderoso. O sucesso faz a igreja de Laodicéia, mas somente a excelência pode conferir a beleza de Filadélfia e a perseverança de Esmirna.

O sucesso ministerial sem a excelência do Cristo de Deus nada é.

2. A glória da excelência. A excelência! É esta que devemos perseguir até que nos venha buscar o Senhor. Se com ela semeamos com lágrimas, com ela ceifaremos com alegria. Se com ela sofremos, com ela jubilaremos na presença do Rei. Além disso, quando fomos chamados ao ministério, o Senhor não nos disse que teríamos sucesso; através de seu apóstolo, assegurou-nos que excelente coisa estávamos nós almejando (1 Tm 3.1-3). Sabe por que Paulo jamais se sentiu frustrado? Ele perseguia a excelência ministerial no serviço do Senhor, e não o sucesso (Rm 11.13). O sucesso quem procurava era Demas que, no momento mais difícil de Paulo, abandona-o por sentir-se atraído pelo presente século (2 Tm 4.10).Aqueles que militam na obra de Deus devem buscar a excelência da obra e a glória de Deus, e não, o sucesso ministerial. 

Jeremias, agora, exorta ao seu secretário a deixar os sonhos de grandeza, a fim de se dedicar à excelência da obra de Deus. Já não tinha o jovem à alma como despojo ou patrimônio? O que mais buscava?

O que você tem almejado, homem de Deus? O sucesso ou a excelência ministerial no trabalho do Senhor? É hora de reavaliarmos nossas prioridades. A grandeza pertence única e exclusivamente a Deus. É dEle que nos vêm a excelência! 

 “Carregar a cruz tem o modo maravilhoso de tirar o nosso foco dos interesses temporais para fixá-lo nos assuntos eternos. Como já comentei, a nossa visão é míope e tomamos decisões baseadas nessa imprevidência. Deus quer que nos concentremos em ideais maiores do que os existentes nesta vida. Amamos muito este mundo, e não reconhecemos que somos peregrinos e estrangeiros aqui. A nossa casa verdadeira e eterna está em outro lugar. É por isso que Paulo disse: ‘Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens’ (1 Co 15.19).

Em muitos aspectos, é o que está englobado na soberba da vida. Ficamos tão arrogantemente presos ao que estamos fazendo, ao que nos empolga e nos interessa que perdemos de vista que é superior e muito maior. Não podemos amar o mundo e Deus ao mesmo tempo (Tg 4.4; 1 Jo 2.15). Os sistemas e poderes corruptos e pecaminosos deste globo giratório estão se acabando. Não obstante, como cristãos que possuem as verdades eternas, nós pateticamente corremos atrás do mundo e seus ideais. Anelamos e ansiamos ter mais riqueza, maior poder e crescentes privilégios, e assim menosprezamos a cruz”.

(KULIGIN, V. Dez coisas que eu gostaria que Jesus nunca tivesse dito. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, pp.99) 

     A glória dos homens — “Outro conceito associado à glória é a ideia de aprovação ou louvor. Paulo lembra aos tessalonicenses que, quando ele ministrou entre eles não buscava a ‘glória dos homens’ (1 Ts 2.6), ou seja, o louvor ou aprovação das pessoas. A única aprovação e louvor que importa para Paulo é o de Deus (1 Co 4.5). Por sua vez, dar glória a Deus diferencia a pessoa que tem comunhão com Ele das que não a têm. Paulo, ao descrever os que rejeitam a verdade a respeito de Deus, diz: ‘Não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças’ (Rm 1.21). Em contraste com isso, temos um indivíduo de fé como a de Abraão que dá ‘glória a Deus’ (4.20). Assim, as pessoas dão glória a Deus por meio do que falam e fazem, isto é, ao expressar louvor e dar graças a Ele e ao representá-lo, refletindo o caráter do Senhor e fazendo a vontade dEle” (ZUCK, R. B. (ed) Teologia do Novo Testamento. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, p.279). 

     Ambição — “Baruque fazia parte de uma família de gente bem-sucedida. Seu avô fora governador de Jerusalém, na época de Josias (2 Cr 34.8), e seu irmão, funcionário graduado do tribunal de Zedequias (Jr 51.59). Sua expectativa era de vir a ocupar algum cargo elevado, mas, para sua frustração, não passou de secretário do homem mais odiado em Judá! Deus disse a Baraque o que fala ainda hoje a cada um de nós. Seja o melhor que puder, mas não espere mais do que você é. A ambição egoísta foi inadequada quando a nação enfrentou o julgamento divino, e em outras ocasiões” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.475).

 

 

 

A opção pelo Povo de Deus

 

 

Jeremias 40.1-6.

 

1 - Palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, depois que Nebuzaradã, capitão da guarda, o deixou ir de Ramá, quando o tomou, estando ele atado com cadeias no meio de todos os do cativeiro de Jerusalém e de Judá, que foram levados cativos para a Babilônia;

2 - porque o capitão da guarda levou a Jeremias e lhe disse. O SENHOR, teu Deus, pronunciou este mal contra este lugar;

3 - e o SENHOR o trouxe e fez como tinha dito, porque pecastes contra o SENHOR e não obedecestes à sua voz; pelo que vos sucedeu tudo isto.

4 - Agora, pois, eis que te soltei, hoje, das cadeias que estavam sobre as tuas mãos. Se te apraz vir comigo para a Babilônia, vem, e eu velarei por ti; mas, se te não apraz vir comigo para Babilônia, deixa de vir. Olha: toda a terra está diante de ti; para onde parecer bom e reto aos teus olhos que vás, para ali vai.

5 - Mas, como ele ainda não tinha voltado, disse-lhe: Volta a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, a quem o rei da Babilônia pôs sobre as cidades de Judá, e habita com ele no meio do povo; ou, se para qualquer outra parte te aprouver ir, vai. Deu-lhe o capitão da guarda sustento para o caminho e um presente e o deixou ir.

6 - Assim, veio Jeremias a Gedalias, filho de Aicão, a Mispa e habitou com ele no meio do povo que havia ficado na terra.

 

 

 

      A invasão dos Babilônios e a destruição de Israel (Jr 4.5-7);

     A destruição dos inimigos (Jr 12.14);

      O estado de calamidade de Israel ao longo da execução do juízo divino (Jr 19.7-9);

      A destruição de Israel por Nabucodonosor (Jr 21.4-7);

      Juízo contra os reis de Judá (Jr 22.11,12,18,19,24-26,28-30);

      Duração do cativeiro de Israel na Babilônia (Jr 25.11);

      Retorno do cativeiro (Jr 30.3).

 

    Opção: Ato ou faculdade de optar; livre escolha.

 

O que Jeremias profetizara, cumpriu-se. Jerusalém foi destruída; o povo jaz cativo; os mortos acumulam-se nas ruas e nas praças!

Em meio à tragédia, o comandante babilônio oferece uma opção ao profeta. Se quisesse, poderia ficar em Judá com o remanescente. Ou, então, ser levado a Babilônia onde seria tratado com real deferência. Uma vez mais, demonstrando sua fidelidade a Deus e sacrificando-se pelo povo a quem tanto amava sem ser amado, opta Jeremias por permanecer em Judá.

O Senhor também nos chama a fazer uma opção. Pela fé, optou Moisés pelo povo de Deus: “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11.25,26).

 

I. AS PROFECIAS DE JEREMIAS SE CUMPREM

 

1. A destruição de Jerusalém. Aquele ano jamais seria esquecido: 586 a.C. No calendário hebreu, corria o décimo mês do nono ano do rei Zedequias (Jr 39.1). Nesta data, os exércitos de Babilônia derribam os muros de Jerusalém e profanam a mais formosa das cidades. Em seguida, deitam por terra o Santo Templo, matam ao rei Zedequias e levam cativos, à Babilônia, os judeus mais aquinhoados e ricos. Na terra, já tomada pela desolação e pavor, deixam apenas os pobres e desvalidos.

Para se ter uma imagem mais clara desta tragédia, leia as seguintes passagens: Jeremias 39; 2 Reis 25 e 2 Crônicas 36.

2. O fiel cumprimento das palavras de Jeremias. Cumprem-se as palavras de Jeremias; nenhuma delas cai por terra. Ali estava um homem de Deus que falou em nome de Deus, mas o povo de Deus não lhe deu ouvidos. Onde, agora, os profetas que, superficialmente, curavam as feridas do povo? Onde aqueles que prometiam paz e prosperidade? Que esta lição seja devidamente considerada por todos nós.Todas as profecias de Jeremias em relação à destruição de Israel se cumpriram.

 

 

II. A OPÇÃO DE JEREMIAS

 

1. Jeremias sob custódia. Com a captura de Jerusalém, o profeta fica sob a custódia de Nebuzaradã (Jr 40.1,2), que o encontrara nas cercanias de Ramá, localizada a poucos quilômetros ao norte de Jerusalém. Esta cidade, pertencente a tribo de Benjamim, serviu provavelmente de centro de triagem para separar os judeus que seguiriam a Babilônia dos que permaneceriam na terra.

Algemado, o profeta é levado à presença do capitão babilônio que, seguindo a instrução de seus superiores, trata-o com respeito e consideração (Jr 40.1,4). Afinal, Jeremias sempre aconselhara os reis de Judá a não se arvorarem contra Babilônia nem a bandearem para o lado dos egípcios.

2. A teologia em boca de ímpio. Quando o capitão da guarda babilônica encontrou a Jeremias, pôs-se a teologizar: “O SENHOR, teu Deus, pronunciou este mal contra este lugar; e o SENHOR o trouxe e fez como tinha dito, porque pecastes contra o SENHOR e não obedecestes à sua voz; pelo que vos sucedeu tudo isto” (Jr 40.3,4).

Como um gentio idólatra e estranho à comunidade de Israel poderia ter uma ideia tão clara da justiça de Deus? De qualquer forma, havia ele entendido perfeitamente a justiça divina, enquanto que os judeus, iludidos pelos falsos profetas e pregadores, esperavam uma paz que não existia e uma prosperidade que já era miséria.

É hora de despertarmos dessa letargia, e passar a entender o que nos tem reservado o Senhor (Ef 5.14-18). Se perseverarmos na fé, herdaremos as eternas bem-aventuranças. Caso contrário: seremos destruídos (Is 30.21).

3. A opção de Jeremias. O mesmo Nebuzaradã oferece uma opção a Jeremias: “Agora, pois, eis que te soltei, hoje, das cadeias que estavam sobre as tuas mãos. Se te apraz vir comigo para a Babilônia, vem, e eu velarei por ti; mas, se te não apraz vir comigo para Babilônia, deixa de vir. Olha: toda a terra está diante de ti; para onde parecer bom e reto aos teus olhos que vás, para ali vai” (Jr 40.5).

O profeta poderia ter optado por Babilônia onde certamente haveria de ser bem tratado. Mas lá já estavam dois profetas: Daniel e Ezequiel. Ao passo que, em Judá, nenhum pastor havia para aquela gente abandonada. Por isso, opta Jeremias por ficar com os restantes do povo de Deus. Assim, põe-se sob a proteção de Gedalias - um nobre judeu encarregado de governar a terra em nome do governo babilônio.Você já fez a sua opção pelo povo de Deus? O povo de Deus necessita de quem lhe cuide da alma e lhe unte as feridas.Jeremias escolheu permanecer com o povo de Israel em Judá ao invés de ir para a Babilônia.

 

III. COMO OS HERÓIS DA FÉ FIZERAM SUAS OPÇÕES

 

À semelhança de Jeremias, muitos foram os homens e mulheres que optaram pelo povo de Deus. Vejamos alguns deles.

1. A opção de Abraão. Vivia o patriarca confortavelmente em Ur dos Caldeus, quando Deus o chamou a peregrinar até à terra de Canaã, onde dele faria o Senhor uma grande nação. E diz a Bíblia que Abraão saiu, em obediência à Palavra do Senhor, sem saber para onde ia (Gn 12.1-3). Ao fazer a sua opção, Abraão não era nem israelita nem judeu; não passava de um gentio que, pela fé, aceitara plenamente a vontade divina (Dt 26.5).

2. A opção de José. O jovem governante do Egito bem poderia ter ignorado a penúria de seus irmãos, e havê-los castigado como eles o mereciam. Mas o que fez José? Optou por socorrê-los na angústia, pois para isto fora guindado a um cargo tão elevado (Gn 45.3-8).

3. A opção de Moisés. Moisés abriu mão de toda a luxúria do Egito, pois não ignorava a missão que lhe confiara o Senhor (Hb 11.23-26).

4. A opção de Ester. Ester também poderia haver optado por ficar no palácio de Assuero, desfrutando de todas as benesses e cortesanias, enquanto seu povo era trucidado pelo malvado Hamã. Mesmo com o risco de perder a vida, enfrentou ela o perigo. E, assim, com oração e jejum salvou os judeus de morte certa (Et 4.14-16).

5. A opção de Jesus. Que incomparável exemplo nos oferece o Senhor Jesus! Embora igual a Deus, renunciou a glória que sempre desfrutara junto ao Pai, a fim de morrer por nós pecadores. Este é o exemplo que devemos seguir. Esvaziou-se de sua glória para que viéssemos a compartilhar de todos os bens que nos preparou o bondoso Deus (Fp 2.5-11).Muitos personagens bíblicos optaram por sacrificar suas próprias vontades, conforto e até mesmo a vida em prol do povo de Deus. 

Já fez sua opção pelo povo de Deus? Ou ainda está a divertir-se com os privilégios oferecidos por este mundo? Quantos obreiros que, ao invés de levar adiante o ministério que lhes confiou o Senhor Jesus, não estão a trocar a glória de Deus por aquilo que não é de nenhum valor! E quantos jovens que, desprezando o chamamento ministerial de Deus, não estão a optar pelo efêmero e passageiro mundo (1 Jo 2.17).

Jeremias optou por sofrer com o povo de Deus, levando alento àquela gente que já não tinha qualquer esperança. Qual a sua opção?

 

 “O período no qual os profetas bíblicos dizem ter ministrado à nação israelita está apoiado por numerosas evidências de inscrições e de importância histórica. Sem mostrar deferência a pessoas, os profetas chamaram igualmente reis e cidadãos a prestar contas, desviando-os da idolatria quando atendiam as advertências de Deus, mas sofrendo com eles no exílio quando resistiam ao gesto de Deus. A arqueologia pode apresentar as razões práticas que provocaram tais indiciações proféticas, revelar os lugares que eram o assunto das profecias e identificar as pessoas que fizeram ouvido de mercador para com as predições. Deste modo, a arqueologia oferece algumas evidências para a realidade da profecia em si.

No antigo Oriente Próximo, onde todas as culturas circunjacentes a Israel tinham múltiplas deidades, o contexto da fé de Israel era muitas vezes uma competição entre deuses nacionais. Nesta batalha pela crença, o deus cujas colheitas fossem abundantes, ou de cujo exército saísse vitorioso, era considerado o mais poderoso. No aspecto teológico, esta era uma das maiores ameaças ao povo de Deus e, lamentavelmente, era uma guerra espiritual que os israelitas perdiam com frequência (vide Jr 11.13). Os profetas de Israel tiveram de competir com nações que diziam aos israelitas que a inabilidade deles de resistir à imposição de pagamentos de tributo ou mesmo o exílio por potências mais fortes, era prova de que o Deus de Israel era inferior (vide 2 Rs 18.32-35; Ez 36.20)”.(PRICE, R. Arqueologia Bíblica. 5.ed. RJ: CPAD, 2006, pp.214-215)

 

 

Esperança na lamentação

 

 

Lamentações 1.1-5,12.

 

1 - Como se acha solitária aquela cidade dantes tão populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações; e princesa entre as províncias tornou-se tributária!

2 - Continuamente chora de noite, e as suas lágrimas correm pelas suas faces; não tem quem a console entre todos os seus amadores; todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ela, tornaram-se seus inimigos.

3 - Judá passou ao cativeiro por causa da aflição e por causa da grandeza da sua servidão; habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores a surpreenderam nas suas angústias.

4 - Os caminhos de Sião pranteiam, porque não há quem venha à reunião solene; todas as suas portas estão desoladas; os seus sacerdotes suspiram; as suas virgens estão tristes, e ela mesma tem amargura.

5 - Os seus adversários a dominaram, os seus inimigos prosperam; porque o SENHOR a entristeceu, por causa da multidão das suas prevaricações; os seus filhinhos vão em cativeiro na frente do adversário.

12 - Não vos comove isso, a todos vós que passais pelo caminho? Atendei e vede se há dor como a minha dor, que veio sobre mim, com que me entristeceu o SENHOR, no dia do furor da sua ira.

 

Lamentação: Queixa acompanhada de gemidos, gritos e choros.

 

Em suas Lamentações, Jeremias mostra toda a sua dor e agonia; mostra uma angústia que ia além das fronteiras da aflição e das ânsias mais incontidas; mostra porque é conhecido como o profeta das lágrimas. Numa insuperável poesia, identifica-se ele como o homem que viu a aflição de seu povo. E, vendo-a, como ficar indiferente? Viu o exército caldeu arrasar os muros de Jerusalém, deitar por terra o Santo Templo, derribar os mais sublimados edifícios da Cidade Santa, humilhar a realeza davídica e dizimar a flor mais fina e bela da sociedade judaica. Havia dor semelhante à sua? Não obstante, encontra ele esperança onde nenhuma esperança havia.

Que exemplo! Se estamos acrisolados por sofrimentos que parecem estar além de nossos limites, tenhamos, nas promessas de Deus, esperança contra toda a esperança! Apesar dos lamentos presentes, no porvir, Deus não nos deixará exilados de suas consolações.

 

I. O QUE SÃO AS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

 

1. As Lamentações na Bíblia Hebraica. No Antigo Testamento usado pelos judeus, as Lamentações de Jeremias encontram-se entre os chamados cinco rolos, juntamente com os livros de Rute, Ester, Eclesiastes e Cantares.

Com a tradução do Antigo Testamento para o grego, os Setenta resolveram colocar as Lamentações logo após o livro do profeta Jeremias. Em grego, este é o título das Lamentações: threnoi, que carrega este significado: chorar em alta voz. Ao traduzir a porção sagrada ao latim, Jerônimo deu-lhe este título: Liber Threnorum — Livro das Lamentações. É por isto que, em português, trenódia significa “canto plangente” ou “lamentação”.

2. Tema e Data. Cumprem-se as palavras de Jeremias; nenhuma delas cai por terra. Ali estava um homem de Deus Segundo Donald Stamps, assim haveremos de sumariar o tema das Lamentações de Jeremias: Tristeza Presente e Esperança Futura.

As evidências internas e externas indicam terem sido as Lamentações compostas um ano depois da destruição de Jerusalém. Sugere-se o ano de 585 a.C.

3. O propósito das Lamentações. Jeremias escreveu-as para chorar e lastimar: 1) A queda da monarquia da Casa de Davi; 2) A destruição de Jerusalém, de seus muros e do Santo Templo; 3) A deportação dos judeus mais abastados e nobres para a distante Babilônia.

O livro tem como propósito levar o crente a interceder pela Casa de Israel, junto a Deus, a fim de que o Senhor volte a olhar favoravelmente o seu povo.

4. A importância das Lamentações. As Lamentações de Jeremias são lidas no nono dia do mês hebreu de abe, por volta de meados de julho, ocasião em que os israelitas rememoram a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor.

5. As Lamentações no Novo Testamento. Embora as Lamentações não sejam citadas no Novo Testamento, vemos em Cristo Jesus um lamentador que, em vários aspectos, lembra a Jeremias. À semelhança deste, chorou a sorte de Jerusalém e dos filhos de Abraão. Já leu você as Lamentações de Jeremias? Medite principalmente no capítulo três, e veja o quanto sofreu o homem de Deus diante da ruína de seu povo.As lamentações de Jeremias refletem a tristeza do profeta em relação à situação espiritual, moral e física do povo de Israel.

 

 

II. O HOMEM QUE VIU TODAS AS DORES DE JERUSALÉM

 

Jeremias bem poderia haver escapado a todas aquelas angústias. Optou, porém, por sofrer com o povo de Deus, assisti-lo em seus sofrimentos e administrar-lhe as consolações de Jeová. Ele acompanhou a sua nação até as últimas consequências. Sabe o que isto representa?

1. Homem de dores. Assim identifica-se o profeta em suas Lamentações: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor” (Lm 3.1). Ao mesmo tempo, declina ele o tema de seu livro: aflição.

Ao contrário do que alguns podem supor, não foi Jeremias um fraco ou alguém emocionalmente perturbado. Ele postou-se diante de toda aquela tragédia com singular heroísmo. Tem você coragem e determinação para sofrer as aflições e angústias do povo de Deus? (1 Co 12.25-27).

2. A lamentação das lamentações. Nesse mesmo capítulo, vai o profeta descrevendo todo o seu sofrer. Leia com vagar toda essa passagem. Acredito que, em toda a Bíblia, não há sofrimento semelhante ao seu. A única exceção é a do Senhor Jesus que haveria de ser conhecido como o homem de dores e que sabe o que é padecer (Is 53.3-7).

Ao ver o seu povo de tal forma humilhado, o profeta sente-se castigado por Jeová: “Desviou os meus caminhos e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha” (Lm 3.11,12). Mas, apesar de tudo, sabia ele que as misericórdias do Senhor são infinitas. Se Deus nos fere, nos ungirá também as feridas.Tem você participado do sofrimento do povo de Deus? Ou tem-no abandonado nos momentos de dificuldades e provações? Jesus poderia ter permanecido nos céus, longe de todo o nosso sofrer. Mas o que fez Ele? Esvaziando-se de sua glória, veio a este mundo, onde se submeteu à morte, e morte de cruz (Fp 2.5-11).O profeta Jeremias é considerado um homem de dores, que se compadece do sofrimento de seu povo.

 

 

III. POR QUE É PRECISO LAMENTAR

 

Jeremias não se restringe aos lamentos. Veja de que forma intercede por sua cativa e despojada gente: “Converte-nos, SENHOR, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes. Por que nos rejeitarias totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?” (Lm 5.20,21).

Tem você intercedido pelo povo de Deus e por sua família? Ou agasta-se em comiserações e pesares? É hora de lamentar, sim, mas que nossos lamentos cheguem aos céus como a mais forte das intercessões. Que tal seguir este conselho de Jeremias: “Ponha a boca no pó; talvez assim haja esperança. Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. Porque o Senhor não rejeitará para sempre” (Lm 3.29-31).Muitos personagens bíblicos optaram por sacrificar suas próprias vontades, conforto e até mesmo a vida em prol do povo de Deus. 

No auge de sua dor, o profeta celebra a vontade de Deus (Lm 3.25-28).Talvez esteja você, querido irmão, passando por momentos difíceis e angustiosos. Não se deixe abater; mesmo no auge da provação, encontraremos, em Deus, motivos de regozijo e plenas consolações. No Senhor, nossos lamentos riem.

Nesta oportunidade, agradeço a todos os irmãos que oraram por mim, quando de meu transplante de fígado. O Senhor concedeu-me uma segunda chance de vida. Aleluia! “Irmãos, orai por nós” (1 Ts 5.25).

 “O livro de Lamentações conserva a angústia sentida pelos judeus do cativeiro babilônico, enquanto recordavam seu passado irrecuperável. Jerusalém fora destruída. Essa destruição foi tão intensa que nenhum traço do Templo original de Salomão, ou das poderosas muralhas da cidade real, têm sido encontrados por arqueólogos modernos. Apenas um amontoado improdutivo marcava o local que fora a última visão daqueles arrastados em cadeias para uma terra estranha. Os cinco acrósticos dos poemas fúnebres que compõem esse conciso livro do Antigo Testamento revelam profundo sentimento de remorso. O povo entende que perdera sua terra natal em decorrência do pecado de Judá. A angústia é acompanhada do fato de que até agora os cativos têm sido incapazes de recobrar a visão perdida de um futuro brilhante para sua raça.

O livro mantém um panorama teológico consistente: O prejuízo de Judá foi rastreado pela soberania de Deus, Sua justiça, e Seu compromisso com uma moralidade que seu povo abandonara. Lamentações, contudo, é basicamente um livro que desvenda as profundezas da desgraça humana, não sob o ponto de vista pessoal, mas, na perspectiva da nação como um todo. Lendo o livro, experimentamos uma sensação esmagadora de desespero que pode envolver comunidades, e até mesmo nações”.(RICHARDS, L. O. O guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.479) 

Pecado — “O sofrimento extenuante do povo de Jerusalém, durante o estado de sítio, levou algumas das ‘mulheres outrora compassivas’ a devorarem seus próprios filhos em práticas canibalescas! Como a capacidade medonha de cada ser humano para pecar foi revelada nos últimos momentos dessa cidade!” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p. 482). 

Lamentações de Jeremias — “O livro é composto de cinco poemas, cada qual escrito em forma de acróstico. Cada linha, ou grupo de linhas, segue a sequência das 22 letras do alfabeto hebraico. O estilo sofisticado, bem como a perspectiva emocional e teológica uniformes, indicam uma autoria única.

As orações, registradas em Lamentações, são de desespero; gritos de angústia mais que afirmativas de esperança. Ser humano é, ao mesmo tempo, terrível e maravilhoso. É de fato terrível se cedermos nossa natureza ao pecado. Pode acontecer de olharmos para trás, para as oportunidades perdidas, e compreendermos que a aflição que suportamos agora é consequência de nosso próprio anseio crônico pelo pecado. Como se não bastasse, a leitura do livro de Lamentações nos faz lembrar que os prazeres do pecado são o que há de mais vantajoso momentaneamente, porém, suas consequências dolorosas são permanentes e profundas” (RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.479).