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REFORMA prot. Ulrico Zwinglio e João Calvino n.2
REFORMA prot. Ulrico Zwinglio e João Calvino n.2

 ULRICO ZUÍNGLIO: O FUNDADOR DA TRADIÇÃO REFORMADA

   A grande importância atribuída a João Calvino, o mais destacado teólogo e organizador do movimento reformado, muitas vezes obscurece a figura do reformador Ulrico Zuínglio, o líder inicial desse movimento. Zuínglio nasceu no dia 1º de janeiro de 1484 (apenas dois meses após o nascimento de Lutero) na vila de Wildhaus, no Cantão de St. Gall, nordeste da Suíça. Após freqüentar uma escola latina em Berna, ingressou na Universidade de Viena, onde entrou em contato com o humanismo. Em seguida, estudou na Universidade de Basiléia, na qual foi influenciado pelo interesse bíblico de alguns mestres e formou um círculo de amigos que mais tarde o puseram em contato com o grande humanista holandês Erasmo de Roterdã. 

 Após obter o grau de mestre em 1506, foi ordenado ao sacerdócio e tornou-se pároco na cidade de Glarus. As influências humanistas e as suas próprias experiências como capelão de mercenários suíços na Itália o levaram a opor-se a esse sistema. Tal fato contribuiu para a sua transferência para Einsiedeln em 1516 e dois anos mais tarde para Zurique, onde se tornou sacerdote da principal igreja da cidade. Tendo lido recentemente a tradução do Novo Testamento feita por Erasmo, começou em 1519 a pregar uma série de sermões bíblicos que causaram forte impacto. A partir dessa época, defendeu um grande programa de reformas em cooperação com os magistrados civis. Suas idéias sobre o culto público e os sacramentos representaram uma ruptura mais radical com as antigas tradições do que fez o movimento luterano.

  O ano de 1522 foi decisivo. Zuínglio protestou contra o jejum da quaresma e o celibato clerical, casou-se secretamente com Ana Reinhart, escreveu Apologeticus Archeteles (seu testemunho de fé) e renunciou ao sacerdócio, sendo contratado pelo concílio municipal como pastor evangélico. Nos dois anos seguintes, uma série de debates públicos levou à progressiva implantação da reforma em Zurique, culminando com a substituição da missa pela Ceia do Senhor em 1525. Infelizmente, alguns de seus primeiros colaboradores, tais como Conrado Grebel e Félix Mantz, adotaram posturas radicais quanto ao batismo, dando início ao movimento anabatista, que gerou fortes reações das autoridades.

 Os últimos anos da vida de Zuínglio foram marcados por crescente atividade política. No interesse da causa reformada, ele defendeu a luta contra o império alemão e também contra os cantões católicos da Suíça. Buscando fazer uma aliança com os protestantes alemães, encontrou-se com Lutero no célebre Colóquio de Marburg, convocado pelo príncipe Filipe de Hesse em 1529. Embora concordassem em quase todos os pontos discutidos, os dois reformadores não puderam chegar a um acordo com relação à Ceia do Senhor. No dia 11 de outubro de 1531, quando acompanhava as tropas protestantes na segunda batalha de Kappel, Zuínglio foi morto em combate. Segundo se afirma, suas últimas palavras foram: “Eles podem matar o corpo, mas não a alma”.(Notas Portal Makenzie São Paulo) 

 O ano de 1536 marca uma viragem na cidade de Genebra. Neste ano, a reforma é adotada oficialmente pela cidade. Os cléricos da igreja católica são intimados a deixar de celebrar a missa como o faziam, com o cerimonial papista e seus abusos (idolatria, aos olhos dos protestantes) e a juntarem-se aos protestantes. Num novo fôlego de zelo religioso, as raparigas são obrigadas a usar o véu, cobrindo os seus cabelos. Já desde 1532 que se registravam ataques e destruições de imagens religiosas, estátuas, figuras, etc. A adoração destas figuras era vista pelos protestantes como idolatria. Há um episódio carismático deste fenômeno: num destes ataques à "idolatria papista", uma multidão apodera-se de cerca de 50 hóstias de um padre, dando-as a comer a cão. "Se as hóstias pertencem mesmo ao corpo de Deus, não se irão deixar comer por um cão!" - é argumentado. Em Junho de 1536, são abolidos em Genebra, por decisão de um conselho, todos os feriados, exceto os domingos. Todas estas transformações deram-se sem a influência de Calvino. Aliás, ainda nem sequer aí tinha chegado.

 

Chegada de Calvino a Genebra

1536 é também o ano da chegada de Calvino a Genebra. Calvino tem nessa altura 26 anos.

Após a estadia em Ferrara, na Primavera de 1536, Calvino tinha estado em Paris, aproveitando-se de um período de relativa calma na perseguição aos protestantes. Tratou de assuntos pessoais e da família. Em junho faz em Paris uma procuração em nome do seu irmão. Em Julho de 1536, João Calvino, pretendendo dirigir-se a Estrasburgo, inicia a viagem, juntamente com o irmão Antoine e a irmã Marie. Em vez de tomar o caminho mais curto, Calvino faz um desvio pelo sul, evitando a área onde a guerra entre as forças de Francisco I e Carlos V são uma ameaça. Por coincidência, Calvino chega a Genebra, onde permaneceu, apesar de ter inicialmente pretendido continuar viagem, o que foi vivamente desaconselhado pelo reformador Guillaume Farel (na altura de 47 anos de idade). O caminho para Estrasburgo encontrava-se inseguro por causa da guerra. A Genebra que Calvino encontra vive ainda a agitação dos conflitos entre Mamelucos e Confederados.

João Calvino já tinha viajado até Estrasburgo durante as guerras otomanas, e passado através dos cantões da Suíça. Adequando da sua estadia em Genebra, Guillaume Farel pediu ajuda a Calvino na sua causa pela igreja. Calvino escreveu sobre este pedido: "senti como se Deus no céu tivesse colocado a sua poderosa mão sobre mim para barrar-me o caminho". 18 meses depois, as mudanças de Calvino e Farel levariam à expulsão de ambos.

 A Disputa Teológica de Lausanne

Entre 1 e 8 de Outubro de 1536, tem lugar na Catedral de Notre-Dame em Lausanne uma disputa teológica entre protestantes e católicos, na qual Calvino e Farel vão participar. Este tipo de conferências de disputa tem por modelo os debates que Ulrico Zuínglio tinha organizado em Zurique (1523) e Berna (1528). Do lado católico encontra-se Pierre Caroli, que iria acusar, em Berna, Calvino e Farel de heresia. Calvino é também acusado por Caroli de arianismo.

 A Saída Atribulada de Genebra

A 16 de Janeiro de 1537, as autoridades da cidade de Genebra aprovam o documento escrito pelo líder protestante Farell, que se destina a servir de confissão de fé e orientação para todos os habitantes de Genebra. Calvino faz também algumas sugestões, parte das quais são rejeitadas. Cerca de vinte artigos dispõem, entre outras coisas, que os idolatras, querulantes, assassinos, ladrões, bêbados (entre outros) sejam futuramente excomungados. As lojas devem fechar ao domingo, assim que soem os sinos da missa.

Estas disposições, apesar de aceitas pelas autoridades vão criar atritos com Farell e Calvino. O estigma da excomunhão é extremamente discriminador e destruidor de relações sociais no século XVI.

Em Março, os líderes anabatistas de origem holandesa Hermann de Gerbihan e Benoît d'Anglen são expulsos de Genebra, juntamente com os seus seguidores.

Em Abril de 1537, por sugestão de Calvino, é constituído um "syndic" (síndico) que tem por objetivo ir de casa em casa e inquirir sobre a confissão dos moradores. A ação é contestada. Alguns moradores recusam-se a pronunciar-se sobre a sua fé.

 Em junho de 1537 as autoridades de Genebra decidem que o Domingo é o único dia feriado. Futuramente nenhum outro feriado será considerado. 30 de Outubro é definido como o prazo para todos os moradores de Genebra se pronunciarem quanto à sua religião. Aqueles que não reconhecem os decretos de Farell são obrigados a deixar a cidade em 12 de Novembro. Após esta data, a situação complica-se para Farell e Calvino. Particularmente provocante é o fato de um estrangeiro (francês), como Calvino, decidir sobre a excomunhão e expulsão de habitantes naturais de Genebra. As autoridades, perante estes protestos, passam a ser mais críticas para com os líderes protestantes.

 A 3 de Fevereiro de 1538 são eleitos para as autoridades da cidade de Genebra 4 pessoas que são inimigos de Calvino e dos protestantes. Em Março, estas novas autoridades proíbem Calvino e Farell de se pronunciarem sobre assuntos não religiosos.

Calvino e Farell negam-se a celebrar a comunhão de acordo com a tradição de Berna. São proibidos de celebrar os serviços religiosos. No entanto, no Domingo seguinte, 21 de Abril de 1538, Farell e Calvino celebram o culto de Ceia como habitualmente, Farell na Igreja de Saint-Gervais e Calvino na de Saint-Pierre. As autoridades dar-lhes-ão três dias para saírem da cidade.

 Estrasburgo

Em 1538, Farell irá refugiar-se em Neuchâtel. Calvino dirige-se a Estrasburgo, após ter inicialmente pretendido ir para Basileia. Estrasburgo era na altura parte da zona de língua alemã, mas a proximidade da fronteira com a França significava que ali se tinha desenvolvido uma comunidade de exilados franceses. Tal como em Genebra Farell reconhecera o potencial de Calvino, em Estrasburgo Martin Bucer será o protetor de Calvino. Durante três anos Calvino dirigiu em Estrasburgo uma igreja de protestantes franceses, a convite de Bucer. Segundo o biógrafo Courvoisier, Estrasburgo é a cidade onde Calvino se torna verdadeiramente Calvino.

O seu sistema de pensamento é aqui consubstanciado em algo de mais marcadamente original. A sua obra Institutio é aqui reeditada (1539). É agora três vezes maior do que a primeira edição.

Em Outubro de 1539, Pierre Caroli chega a Estrasburgo, onde permanece pouco tempo. Caroli e Calvino, inimigos desde há anos, têm uma disputa. Caroli está agora algures entre o catolicismo e o protestantismo. Ele acusa Calvino de o ter confundido na sua fé. Calvino sofre uma crise nervosa.

Neste Outono de 1539, Calvino escreve também um comentário à carta de Paulo aos Romanos. Este tema é particularmente querido do protestantismo, porque ali se encontra a justificação através da fé como a base de sustentação do movimento protestante, pois somente a fé salva e justifica. A igreja é por este prisma mais uma comunidade de crentes do que um enquadramento jurídico. Os sacramentos só recebem o seu sentido através da fé. Sem fé não têm qualquer efeito. Já Lutero tinha destacado a carta de Paulo aos romanos como o cerne do Novo Testamento e o mais alto do evangelho.

 Matrimônio

Em Estrasburgo, Calvino casa-se em Agosto de 1540 com a viúva Idelette de Bure, que tinha sido previamente adepta do anabatismo. Traz duas crianças do seu prévio casamento. Calvino tem 31 anos de idade. A cerimônia do casamento foi dirigida por Guillaume Farel. Em 1541 a peste negra (ou peste bubônica) recrudesce em Estrasburgo. Idelette e as duas crianças procuram abrigo em casa de um irmão dela, nas redondezas.

 Regresso a Genebra

Após a expulsão de Calvino, Genebra tinha adotado os ritos de Berna. O natal, ascensão de Cristo e outras festividades cristãs voltaram a ser praticadas. Mas os católicos e os anabatistas continuavam a ser perseguidos e "convidados" a deixar a cidade. A 18 de Março de 1539 o jogo tinha sido proibido em Genebra. Pedintes e vagabundos eram expulsos da cidade. A ausência de Calvino não tinha significado qualquer laxismo na moral estrita imposta na cidade.

As relações de Genebra com Berna permanecem tensas. Entretanto, os líderes que se opunham a Calvino (os chamados "artichoques") começam a perder influência. São acusados de simpatia por Berna. Jean Philip (João Filipe), um de seus líderes, é torturado e decapitado em 1540. Os oponentes, favoráveis a Calvino, chamados de "guillermins" ganham o poder.

Calvino foi convidado em Outubro de 1540 a regressar a Genebra, para reaver o seu posto na igreja, tal como o tivera antes da expulsão. A 13 de Setembro de 1541 Calvino chegou, pela segunda vez, a Genebra, mas, desta vez, definitivamente. Começou, então, a organizar e estruturar, de acordo com as linhas bíblicas, os ministérios e a ação dos professores e diáconos.(NOTAS Protestantismo.ieadcg.com)

 

                        CRONOLOGIA DA VIDA DE-Calvino 

                      (FONTE NOTAS Portal fac.Makenzie-SP)

      · 1509: João Calvino nasceu em Noyon, nordeste da França, no dia 10 de julho. Seu pai, Gérard Cauvin, era advogado dos religiosos e secretário do bispo local. Sua mãe, Jeanne Lefranc, faleceu quando ele tinha cinco ou seis anos de idade. Por alguns anos, o menino conviveu e estudou com os filhos das famílias aristocráticas locais. Aos 12 anos, recebeu um benefício eclesiástico, cuja renda serviu-lhe como bolsa de estudos.

 

     · 1523: Calvino foi residir em Paris, onde estudou latim e humanidades no Collège de la Marche e teologia no Collège de Montaigu. Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos, primeiro em Orléans e depois em Bourges, onde também estudou grego com o erudito luterano Melchior Wolmar. Com a morte do pai em 1531, retornou a Paris e dedicou-se ao seu interesse predileto – a literatura clássica. No ano seguinte, publicou um comentário sobre o tratado de Lúcio Enéias Sêneca De Clementia.

       · 1533: converteu-se à fé evangélica, provavelmente sob a influência do seu primo Robert Olivétan. No final desse ano, teve de fugir de Paris sob acusação de ser o co-autor de um discurso simpático aos protestantes, proferido por Nicholas Cop, o novo reitor da universidade. Refugiou-se na casa de um amigo em Angoulême, onde começou a escrever a sua principal obra teológica. Em 1534, voltou a Noyon e renunciou ao benefício eclesiástico. Escreveu o prefácio do Novo Testamento traduzido para o francês por Olivétan (1535).

       · 1536: no mês de março foi publicada em Basiléia a primeira edição da Instituição da Religião Cristã (ou Institutas), introduzida por uma carta ao rei Francisco I da França contendo um apelo em favor dos evangélicos perseguidos. Alguns meses mais tarde, Calvino dirigia-se para Estrasburgo quando teve de fazer um desvio em virtude de manobras militares. Ao pernoitar em Genebra, o reformador suíço Guilherme Farel o convenceu a ajudá-lo naquela cidade, que apenas dois meses antes abraçara a Reforma Protestante (21-05). Logo, os dois líderes entraram em conflito com as autoridades civis de Genebra acerca de questões eclesiásticas (disciplina, adesão à confissão de fé e práticas litúrgicas), sendo expulsos da cidade.

       · 1538: Calvino foi para Estrasburgo, onde residia o reformador Martin Bucer, e ali passou os três aos mais felizes da sua vida (1538-41). Pastoreou uma pequena igreja de refugiados franceses; lecionou em uma escola que serviria de modelo para a futura Academia de Genebra; participou de conferências que visavam aproximar protestantes e católicos. Escreveu amplamente: uma edição inteiramente revista das Institutas (1539), sua primeira tradução francesa (1541), um comentário da Epístola aos Romanos, aResposta a Sadoleto (uma apologia da fé reformada) e outras obras. Em 1540, Calvino casou-se com uma de sua paroquianas, a viúva Idelette de Bure. Seu colega Farel oficiou a cerimônia.

       · 1541: por volta da ocasião em que Calvino escreveu a sua Resposta a Sadoleto, o governo municipal de Genebra passou a ser controlado por amigos seus, que o convidaram a voltar. Após alguns meses de relutância, Calvino retornou à cidade no dia 13 de setembro de 1541 e foi nomeado pastor da antiga catedral de Saint Pierre. Logo em seguida, escreveu uma constituição para a igreja reformada de Genebra (as célebresOrdenanças Eclesiásticas), uma nova liturgia e um novo catecismo, que foram logo aprovados pelas autoridades civis. Nas Ordenanças, Calvino prescreveu quatro ofícios para a igreja: pastores, mestres, presbíteros e diáconos. Os dois primeiros constituíam a Venerável Companhia e os pastores e presbíteros formavam o controvertido Consistório.

       · Por causa de seu esforço em fazer da dissoluta Genebra uma cidade cristã, durante catorze anos (1541-55) Calvino travou grandes lutas com as autoridades e algumas famílias influentes (os “libertinos”). Nesse período, ele também enfrentou alguns adversários teológicos, o mais famoso de todos sendo o médico espanhol Miguel Serveto, que negava a doutrina da Trindade. Depois da fugir da Inquisição, Serveto foi parar em Genebra, onde acabou julgado e executado na fogueira em 1553. A participação de Calvino nesse episódio, ainda que compreensível à luz das circunstâncias da época, é triste mancha na biografia do grande reformador, mais tarde lamentada por seus seguidores.

       · 1548: nesse ano ocorreu o falecimento de Idelette e Calvino nunca mais tornou a casar-se. O único filho que tiveram morreu ainda na infância. Não obstante, Calvino não ficou inteiramente só. Tinha muitos amigos, inclusive em outras regiões de Europa, com os quais trocava volumosa correspondência. Graças à sua liderança, Genebra tornou-se famosa e atraiu refugiados religiosos de todo o continente. Ao regressarem a seus países de origem, essas pessoas ampliaram ainda mais a influência de Calvino.

       · 1555: os partidários de Calvino finalmente derrotaram os “libertinos.” Os conselhos municipais passaram a ser constituídos de homens que o apoiavam. Embora não tenha ocupado nenhum cargo governamental, Calvino exerceu enorme influência sobre a comunidade, não somente no aspecto moral e eclesiástico, mas em outras áreas. Ele ajudou a tornar mais humanas as leis da cidade, contribuiu para a criação de um sistema educacional acessível a todos e incentivou a formação de importantes entidades assistenciais como um hospital para carentes e um fundo de assistência aos estrangeiros pobres.

       · 1559: nesse ano marcante, ocorreram vários eventos significativos. Calvino finalmente tornou-se um cidadão da sua cidade adotiva. Foi inaugurada a Academia de Genebra, embrião da futura universidade, destinada primordialmente à preparação de pastores reformados. No mesmo ano, Calvino publicou a última edição das Institutas. Ao longo desses anos, embora estivesse constantemente enfermo, desenvolveu intensa atividade como pastor, pregador, administrador, professor e escritor.

       ·   1564: João Calvino faleceu com quase 55 anos em 27 de maio de 1564. A seu pedido, foi sepultado discretamente em um local desconhecido, pois não queria que nada, inclusive possíveis homenagens póstumas à sua pessoa, obscurecesse a glória de Deus. Um dos emblemas que aparecem nas obras do reformador mostra uma mão segurando um coração e as palavras latinas “Cor meum tibi offero Domine, prompte et sincere” (O meu coração te ofereço, ó Senhor, de modo pronto e sincero).  ( Notas Portal Makezie São Paulo)

  Desde que retornou a Genebra em 1541, Calvino se dedicou a uma intensa atividade em várias frentes, pastoreando, escrevendo e cuidando dos interesses da causa reformada. Esse trabalho se desenvolveu em meio a muitas dificuldades e obstáculos, principalmente os constantes conflitos com as autoridades civis. Algumas das famílias mais ricas e influentes da cidade (os chamados “libertinos”) opunham-se ao seu programa de reformas e elevação dos padrões morais da comunidade.

Essa situação mudou em 1555. Os conselhos municipais passaram a ser constituídos de homens simpáticos a Calvino e os últimos anos da vida do reformador foram mais gratificantes. O ano de 1559 foi especialmente importante, com a ocorrência de três eventos significativos: Calvino finalmente tornou-se cidadão de Genebra (até então era apenas um imigrante), publicou a edição definitiva das Institutas e inaugurou a sua sonhada Academia, voltada para a preparação de pastores, embrião da atual Universidade de Genebra.

Na vida pessoal, o reformador enfrentou diversas provações ao longo desses anos. Em 1549 perdeu Idelette, a esposa dedicada e leal que o havia acompanhado por dez anos. Durante toda a estadia em Genebra, Calvino também lutou com constantes problemas de saúde dos mais diversos tipos. Uma coisa que impressiona os estudiosos é que um homem de saúde tão precária, assoberbado com tantas responsabilidades e desafios, tenha encontrado tempo e disposição para escrever uma quantidade tão impressionante de obras, todas marcadas por grande erudição e profundidade.

Um episódio lastimável da vida do reformador genebrino foi o seu envolvimento na execução de Miguel Serveto, em 1553. Serveto era um médico espanhol que havia escrito várias obras contra a doutrina da trindade. Condenado à morte pela Inquisição em Lyons, na França, conseguiu fugir e foi parar em Genebra, onde foi preso, julgado e condenado à morte na fogueira pelas autoridades civis, sob a acusação de heresia. Calvino atuou como a principal testemunha de acusação. Esse evento lançou uma triste mancha sobre a sua reputação, mais tarde reconhecida e lamentada pelos seus seguidores. Infelizmente, esse fato tem levado muitos críticos a ignorarem as importantes contribuições positivas do reformador.

João Calvino faleceu com quase 55 anos no dia 27 de maio de 1564. Segundo suas instruções prévias, foi sepultado em um local não identificado. Seu lema de vida, que aparece em muitas de suas obras, mostra uma mão que segura um coração, tendo em volta as seguintes palavras: “Cor meum tibi offero, Domine, prompte et sincere” (O meu coração te ofereço, ó Senhor, de modo pronto e sincero). Um dos maiores legados desse líder é representado pelas suas obras, que serão brevemente descritas no próximo artigo.(Notas Portal Makenzie São Paulo)

                              A OBRA LITERÁRIA DE CALVINO 

Um dos maiores legados de João Calvino ao movimento reformado e ao mundo foi a sua extraordinária produção literária. As obras do reformador de Genebra impressionam não somente pelo seu volume, mas por sua qualidade e erudição, notadamente nos campos da teologia e da interpretação bíblica. A totalidade dos escritos de Calvino preenche nada menos que 59 grossos volumes da coleção conhecida como Corpus Reformatorum. Os frutos dessa reflexão encontram-se em seis categorias de escritos.

       (a) As Institutas

 Calvino produziu ao todo oito edições de sua obra magna em latim e cinco traduções para o francês. A 1ª edição (1536) tinha apenas seis capítulos e a última (1559) totalizou oitenta. Essa edição equivale em tamanho ao Antigo Testamento somado aos evangelhos sinóticos e segue o padrão geral do Credo dos Apóstolos, tendo como objetivo ser um guia para o estudo das Escrituras. É composta de quatro livros: I – O conhecimento de Deus, o Criador; II – O Conhecimento de Deus, o Redentor; III – A maneira como recebemos a graça de Cristo; IV – Os meios externos pelos quais Deus nos convida para a sociedade de Cristo.

       (b) Comentários bíblicos

Os comentários de Calvino são um importante complemento das Institutas. Ele escreveu comentários sobre todos os livros do Novo Testamento (exceto 2 e 3 João e Apocalipse), bem como sobre o Pentateuco, Josué, Salmos e Isaías. Além disso, foram preservadas as suas preleções sobre todos os profetas.

       (c) Sermões

Eem suas pregações, Calvino fazia a exposição sistemática dos livros da Bíblia. Ele costumava pregar sobre o Novo Testamento aos domingos e sobre o Antigo Testamento durante a semana. Seus sermões eram anotados taquigraficamente por um grupo de leais refugiados franceses. A série Corpus Reformatorum contém 872 sermões do reformador.

       (d) Opúsculos e tratados

 Calvino escreveu muitas obras de natureza apologética ao polemizar com católicos, anabatistas, libertinos e outros grupos. Alguns exemplos são a Resposta ao Cardeal  Sadoleto, reações ao Concílio de Trento e a questão das relíquias. Outros escritos seus tratam de temas como a Ceia do Senhor, a doutrina da trindade, a predestinação e o livre arbítrio.

       (e) Escritos eclesiásticos

O reformador também produziu muitos textos voltados para diferentes aspectos e necessidades da vida da igreja (escritos catequéticos, confessionais, litúrgicos e outros). Dentre eles se destacam: Instrução e Confissão de Fé,Ordenanças Eclesiásticas, Catecismo da Igreja de Genebra, Saltério de Genebra, Forma das Orações e Cânticos Eclesiásticos e Confissão Galicana.

       (f) Cartas

 finalmente, Calvino produziu uma volumosa correspondência dirigida a outros reformadores, governantes de diferentes países, igrejas perseguidas, crentes encarcerados, pastores e colportores.   Um autor observa que o reformador de Genebra escreveu mais num espaço de trinta anos do que uma pessoa pode estudar e digerir adequadamente durante toda uma vida. Seus escritos nos mostram o teólogo, o exegeta, o polemista, o pastor e, acima de tudo, o cristão preocupado em glorificar a Deus e honrar a sua Palavra. Esse esforço contribuiu para a difusão do movimento reformado por quase toda a Europa.

  

 Você sabia que Calvino teria falado em línguas?

A propósito da conferência cessacionista de John MacArthur

Semana passada, o pastor reformado John MacArthur realizou uma conferência em sua igreja Comunidade da Graça, de Sun Valley, nos Estados Unidos, intitulada “Fogo Estranho” (“Strange Fire”). O foco do evento foi atacar, como um todo, colocando juntos no mesmo saco, os movimentos carismático e pentecostal como um mal para a igreja no mundo, e pregar o cessacionismo, isto é, a crença de que os dons espirituais cessaram, tendo se restringido apenas aos dias apostólicos. O detalhe é que MacArthur convidou pentecostais a virem assistir ao evento para saírem de lá cessacionistas. Mais de 3 mil pessoas participaram, mas parece que o número de pentecostais que aceitou ao tal convite foi muito pequeno. E, pelo menos até agora, não há notícias de algum que tenha eventualmente saído de lá cessacionista.

 Um dos pastores reformados dos EUA que defendem a contemporaneidade dos dons espirituais, o pastor Mark Driscoll, tentou distribuir do lado de fora da igreja de MacArthur, aos interessados, exemplares de um de seus livros que trata sobre o assunto. Segundo Driscoll, ele o fez “para enriquecer o debate sobre o tema”, mas seu livro foi impedido de ser distribuído nas proximidades da igreja de MacArthur.

 Bem, se MacArthur queria provocar barulho para chamar a atenção das pessoas para o seu novo livro, lançado durante a conferência, e que fala sobre o mesmo assunto e tem o mesmo título (“Strange Fire”), ele parece que conseguiu. A imprensa evangélica nos EUA noticiou bastante o desafio de MacArthur e a reação evangélica nacional a ele. Ele sofreu várias críticas, as quais tentou rebater ontem, em entrevista ao jornal norte-americano The Christian Post. Pretendo postar nesta semana ainda um artigo em cima de suas respostas.

 Hoje, porém, gostaria de, na esteira desse assunto, contar uma história bastante interessante. Soube dela há uns três anos, através de um blog norte-americano reformado pentecostal, mas, talvez por falta de oportunidade propícia, nunca contei ela em artigos por aqui. O senhor MacArthur acabou me lembrando dessa história.

 Há 38 anos, mais precisamente na sua edição de 24 de março de 1975, o jornal The Paper, uma publicação do Seminário Teológico Gordon-Conwell, nos EUA, trouxe um artigo, na sua página 6, intitulado “Calvin Speaks Unknown Tongue” (“Calvino Fala Língua Desconhecida”), de autoria de Quent Warford.

 No referido artigo, Warford começa falando sobre as muitas perguntas que estavam sendo feitas naqueles dias depois da revelação, vinda do Episcopal Divinity School, de que ninguém menos que Teodoro Beza, em um trecho do original em latim de sua conhecida biografia de Calvino, afirma que este teria falado em línguas enquanto orava. Para quem não sabe, Beza foi contemporâneo e amigo dos mais próximos de Calvino – na verdade, um confidente deste. A biografia escrita por seu amigo e confidente Teodoro Beza é intitulada ‘De Vitam Iohannes Cauvin’ (“A Vida de João Calvino”).

 Diante da revelação, Warford confessava que “pessoalmente” achava “ridícula” qualquer ideia de que Calvino havia “experimentado a glossolalia” e que, “portanto, a única coisa lógica a fazer era seguir o conselho do meu querido professor de História da Igreja e ir à fonte primária”.

 Warford conta que, no começo, teve certa dificuldade de chegar até à obra, porque o volume que supostamente continha as informações de expressões de êxtase de Calvino estava “no Cofre da Sala de Livros Raros da Biblioteca da Episcopal Divinity School” e “entrar no Cofre envolve uma grande dose de burocracia”. Mas, depois de uma ajuda, conseguiu chegar à obra.

 Diz Warford que Beza contava que Calvino, em suas orações, falou uma língua desconhecida. E por ser um “linguista habilidoso”, Calvino procurou definir que língua era aquela que falara. “Incapaz de rastreá-la, ele confidenciou a Beza que, embora a linguagem tivesse uma característica hebraica, ele ainda temia que tivesse falado uma 'lingua barbaroum' ["língua bárbara"], ou seja, ele temia ter falado em uma língua maldita, como a que era falada pelos cananeus”.

 Warford termina informando que seu colega Ken Macari o ajudou na tradução do latim e que o fato foi narrado por Beza sem muito destaque, “apenas algumas frases em ‘De Vitam Iohannes Cauvin’”. E acrescenta, tentando suavizar a importância do registro: “A preocupação de Calvino era apenas uma questão de linguística. Portanto, não há fonte primária com material suficiente para construir um caso de uma maneira ou de outra”.

 Bem, vejamos: Calvino, em suas orações devocionais, falou, estranha e espontaneamente, em uma língua desconhecida por ele, o que o deixou impressionado. Como temia que tivesse falado em uma língua parecida com a de um povo pagão do passado, temeu não ser uma experiência sadia. Em seguida, comentou com seu amigo e confidente Beza, e depois deixou para lá o caso.

 Bem, o que vocês acham, queridos leitores? Parece que o grande reformador João Calvino teve uma experiência pentecostal e se afastou dela por medo. Infelizmente. Que pena, Calvino!

(P.S.: Gostaria muito de conhecer o texto original em latim da biografia de Calvino escrita por Beza que se encontra na Biblioteca da EDS. Você também não gostaria? E para quem quiser ler mais sobre essa história, clique

 Notas Portal Makenzie-SP

 

               Cronologia do Presbiterianismo Mundial  

  (Fonte  Alderi S. de Matos /  faculdade makenze  São Paulo)

  

1509 – o reformador João Calvino nasce em Noyon, na França

 1522 – Ulrico Zuínglio inicia o movimento reformado em Zurique, na Suíça

 1529 – Colóquio de Marburg, na Alemanha (reformados e luteranos)

 1531 – Morte de Ulrico Zuínglio na 2ª batalha de Kappel

 1536 – Calvino publica as Institutas e inicia o seu trabalho em Genebra

 1549 – A fé reformada é introduzida na Hungria

 1557 – Grupo de calvinistas chega à França Antártica, na baía de Guanabara

 1558 – É escrita a Confissão de Fé da Guanabara – autores são martirizados

 1559 – Calvino funda a Academia, atual Universidade de Genebra

 1559 – Primeiro sínodo nacional da Igreja Reformada da França

 1560 – John Knox lidera a criação da Igreja da Escócia (calvinista)

 1560 – Morte do reformador polonês Jan Laski

 1561 – Guido de Brès escreve a Confissão Belga

 1563 – Catecismo de Heidelberg é publicado na Alemanha

 1566 – J. H. Bullinger escreve a Segunda Confissão Helvética

 1571 – Primeiro sínodo da Igreja Reformada da Holanda

 1572 – Massacre dos huguenotes no dia de São Bartolomeu, na França

 1574 – Fundação da Universidade de Leyden, na Holanda

 1589 – O calvinista Henrique IV torna-se rei da França

 1598 – Edito de Nantes concede liberdade religiosa aos huguenotes

 1618 – Sínodo de Dort, na Holanda, aprova os Cinco Pontos do Calvinismo

 1636 – Igreja Reformada da Holanda organiza um presbitério em Pernambuco

 1642 – Organização do primeiro presbitério da Irlanda (Ulster)

 1643 – Reúne-se em Londres a Assembléia de Westminster

 1648 – São aprovados a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster

 1685 – Rei Luís XIV revoga o Edito de Nantes

 1688 – François Turretin publica a Institutio Theologiae Elencticae

 1689 – Introdução definitiva do presbiterianismo na Igreja da Escócia

 1691 – Morre João Ferreira de Almeida, primeiro tradutor da Bíblia para o português

 1705 – Escoceses-irlandeses começam a emigrar para a América do Norte

 1706 – Primeiro presbitério norte-americano (Filadélfia)

 1717 – Primeiro sínodo norte-americano (Filadélfia)

 1776 – John Witherspoon assina a declaração de independência dos EUA

 1789 – Primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA)

 1812 – Fundação do Seminário Teológico de Princeton, em Nova Jersey

 1817 – União de calvinistas e luteranos na Prússia e outros estados alemães

 1837 – Criação da Junta de Missões Estrangeiras (Junta de Nova York)

 1843 – Thomas Chalmers lidera a criação da Igreja Livre da Escócia

 1861 – Criação da Igreja Presbiteriana do Sul dos EUA (PCUS)

 1865 – James L. Maxwell inicia o trabalho presbiteriano em Taiwan (Formosa)

 1875 – Criação da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas e Presbiterianas

 1875 – Criação da Igreja Presbiteriana do Canadá

 1884 – Primeiro missionário protestante a residir na Coréia (Horace Allen)

 1899 – Primeiro missionário protestante a residir nas Filipinas (James B. Rodgers)

 1901 – Criação da Igreja Presbiteriana da Austrália

 1901 – Criação da Igreja Presbiteriana da Nova Zelândia

 1901 – Abraham Kuyper torna-se primeiro ministro da Holanda

 1907 – Organização da Igreja Presbiteriana da Coréia

 1913 – Woodrow Wilson torna-se presidente dos Estados Unidos

 1929 – Fundação do Seminário Teológico Westminster (Filadélfia)

 1946 – Criação do Sínodo Ecumênico Reformado

 1970 – Aliança Mundial de Igrejas Reformadas (presbiterianas e congregacionais)

 1973 – É organizada nos EUA a Igreja Presbiteriana da América (PCA)

 1981 – É organizada nos EUA a Igreja Presbiteriana Evangélica (EPC)

 1983 – União da Igreja do Norte e Igreja do Sul dos EUA – P.C.(U.S.A.)

 1989 – Reformados lideram levante anticomunista em Timisoara, na Romê

 

        CRONOLOGIA DO PRESBITERIANISMO NO BRASIL

 

       notas       ( Alderi S. de Matos/  faculdade Makenze) 

1859 – primeiro missionário presbiteriano chega ao Brasil (Ashbel G. Simonton)

 1862 – fundação da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro

 186z – criação do jornal Imprensa Evangélica

 1865 – organização do Presbitério do Rio de Janeiro

 1865 – organização das Igrejas de São Paulo e Brotas

 1865 – ordenação do primeiro pastor evangélico brasileiro (José Manoel da Conceição)

 1867 – Simonton cria no Rio de Janeiro o “Seminário Primitivo”

 1869 – chegam os primeiros missionários da PCUS (George Morton e Edward Lane)

 1870 – fundação da Escola Americana de São Paulo

 1873 – fundação do Colégio Internacional em Campinas

 1873 – início da obra presbiteriana no nordeste (Recife)

 1888 – organização do Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil

 1891 – criação do Colégio Protestante de São Paulo (Mackenzie College)

 1892 – Seminário Presbiteriano inicia atividades em Nova Friburgo

 1893 – lançamento do jornal O Estandarte, em São Paulo

 1893 – início do Colégio Evangélico em Lavras (MG), mais tarde Instituto Gammon

 1895 – Seminário Presbiteriano é transferido para São Paulo

 1898 – assassinato do crente Manoel Correia Vilela em Pernambuco

 1899 – lançamento do jornal O Puritano, no Rio de Janeiro

 1899 – primórdios do Seminário Presbiteriano do Norte em Garanhuns (PE)

 1900 – organização da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

 1903 – criação da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

 1904 – fundação do Colégio Americano de Pernambuco (Agnes Erskine)

 1907 – Seminário Presbiteriano é transferido para Campinas

 1908 – início das atividades do Colégio 15 de Novembro, em Garanhuns

 1908 – surgimento do jornal Norte Evangélico, em Garanhuns

 1909 – templo de São José do Calçado (ES) é queimado por fanáticos

 1910 – organização da Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil

 1911 – primeiro missionário da IPB em Portugal (Rev. Mota Sobrinho)

 1916 – Rev. Erasmo Braga e outros líderes participam do Congresso do Panamá

 1917 – IPB e missões americanas fazem acordo de cooperação (Modus Operandi)

 1919 – Seminário Unido inicia atividades no Rio de Janeiro

 1921 – Seminário do Norte é transferido para Recife

 1925 – segundo missionário da IPB em Portugal (Rev. Pascoal Luiz Pitta)

 1928 – fundação do Instituto José Manoel da Conceição em Jandira (SP)

 1928 – fundação da Missão Evangélica Caiuá em Dourados (MS)

 1933 – fundação do Instituto Bíblico Eduardo Lane – IBEL (Patrocínio, MG)

 1934 – criação da Confederação Evangélica do Brasil (CEB)

 1937 – primeira Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil

 1937 – Assembléia Geral passa a denominar-se Supremo Concílio

 1940 – criação da Junta Mista de Missões Nacionais

 1940 – criação da Igreja Presbiteriana Conservadora, em São Paulo

 1941 – primeiro Congresso Nacional do Trabalho Feminino (Rio de Janeiro)

 1946 – primeiro Congresso Nacional da Mocidade Presbiteriana (Rio de Janeiro)

 1948 – fundação da Casa Editora Presbiteriana, em São Paulo

 1950 – é promulgada uma nova Constituição para a IPB

 1950 – criação da Missão Presbiteriana da Amazônia

 1955 – instalação do Conselho Interpresbiteriano (CIP)

 1956 – Rev. Israel Gueiros funda a Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil

 1957 – organização do Supremo Concílio da IPI

 1958 – fundação do jornal Brasil Presbiteriano

 1958– IPB envia missionários à Argentina e ao Chile

 1959 – presidente Juscelino Kubitschek comparece à comemoração do centenário da IPB

 1959 – Seminário do Centenário inicia atividades em Alto Jequitibá

 1959 – realiza-se em São Paulo a 18ª Assembléia da Aliança Presbiteriana Mundial

 1962 – IPB envia missionário à Venezuela (Rev. Joás Dias de Araújo)

 1966 – Rev. Boanerges Ribeiro é eleito presidente do Supremo Concílio

 1966 – Geremias Matos Fontes é eleito governador do Rio de Janeiro

 1970 – primeiro missionário da IPB no Paraguai (Rev. Evandro Luiz da Silva)

 1975 – criação da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil

 1978 – Paulo Breda Filho, primeiro presbítero regente a presidir o Supremo Concílio

 1978 – criação da Federação Nacional de Igrejas Presbiterianas (FENIP)

 1983 – criação da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPUB)

 1985 – lançamento das Institutas em português (tradução do Rev. Waldyr C. Luz)

 1986 – IPB assina acordo de cooperação com a Igreja Presbiteriana Evangélica (EPC)

 1988 – IPB inicia trabalho missionário na Bolívia

 1992 – criação do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ)

 1996 – IPB inaugura portal na Internet

 1999 – Universidade Presbiteriana Mackenzie cria a Escola Superior de Teologia

 2000 – criação da Associação Nacional de Escolas Presbiterianas.

 Com dedicação e determinação alcança um nível elevado no conhecimento da língua hebraica, que juntamente com outros companheiros acadêmicos tornaram possível empreender uma tradução dos textos bíblicos com o objetivo de oferecer pela primeira vez uma Bíblia que poderia ser compreendido pelo povo suíço. Sua maior contribuição neste empreendimento inédito esta na sua tradução dos Salmos, que apesar de estarem pronto em maio de 1529, somente puderam ser publicados após a morte de Zwinglio, em 1532. Uma importante e avaliada opinião pode ser encontrada nas palavras do Professor V. Ryssel a partir do Salmo 23:

“A tradução de Zuinglio do ano 1529 é uma tradução sem erros, a tradução mais literal possível das expressões hebraicas, que nem sempre leva em grande consideração as expressões alemãs. O verbo hebraico dá também, segundo suas condições etimológicas, o mais preciso wieder (de volta) na frase “er bringt meine Seele wieder” (ele traz de volta minha alma), ao contrário de “erfrischt” (refrigera) na tradução de 1531 que traz o sentido segundo a forma alemã. Não é segundo a forma alemã também “in meinem Angesicht” (em minha face) no versículo 5, que na tradução posterior foi melhorado. Por outro lado a frase “auf den Pfad der Gerechtigkeit” (na trilha da justiça) no versículo 3, que se manteve na tradução posterior, não se origina de uma falta de consideração com as expressões alemãs, já que no versículo 2 não se traduz “Wasser der Ruhe” (águas da tranquilidade), mas “ruhige bzw. stille Wasser” (águas tranquilas). Zuínglio no entanto o traduz assim porque ele assume que a expressão (= em caminhos retos) não pertence mais à imagem, mas – como isto acontece frequentemente na poesia hebraica – abandona esta imagem e então deve ser entendida em sentido ético. Deve-se assumir isto também porque em Zuínglio, mais do que em Lutero, encontra-se o esforço de expressar mais claramente possível a imagem do pastor. Por isto ele traduz no versículo 2a: “er ernert (alpet) mich” – na Bíblia de 1531 “er macht mich lüyen” = ele me deixa em paz – e no versículo 2b: “er treibt mich”, cuja expressão também é usada no versículo 3 (e aqui também pela Bíblia de 1531), onde no entanto se encontra na última assim como em Lutero, no versículo 2b, o mais neutro “er führt mich”. Uma tentativa muito bela de interpretar a imagem mais vividamente é apresentada no versículo 4, onde Zuínglio traduz o verbo do antecedente condicional não pelo simples “gehen” (ir) ou “wandern” (caminhar), mas é expressa muito incisivamente pela expressão “sich vergehen” (= sich verlaufen, sich verirren, morrer, se perder). A tradução de 1531 escolheu a melhor palavra para a imagem no versículo 4, “Todesschatten” (sombras da morte), no lugar da menos precisa “Tod” (morte), isto talvez porque também era a primeira vez neste ínterim que esta expressão mais precisa (que hoje também é livremente indicada) se tornou conhecida. O relato literal no versículo 5 “mein Trinkgeschirr ist voll” (meu copo está cheio) seria adaptado para o estilo alemão, na verdade de forma completamente oportuna, substituído por “und füllest mir meinen Becher” (e enche meu cálice). (EGLI, 1900, p. 156-157).

          

Bíblia de Zurique 1531

Impressa por Christoffel Froschauer 

Deste modo, aproximadamente três anos antes da publicação da famosa Bíblia de Wittenberg (1534), a cidade de Zurique já possui uma Bíblia na linguagem vernácula, em um belíssimo trabalho tipográfico ilustrado em parte por Holbein.

  A partir de 1525 ele estabelece um curso de Bíblia livre para o clero e estudantes da escola de latim e o curso acontecia diariamente, exceto as sextas-feiras.[5] Auxiliado por estudante ou um colega desenvolvia seus comentários sobre os textos bíblicos, utilizando como ferramentas o texto hebraico e a septuaginta (versão grega do texto hebraico), o texto grego do Novo Testamento e a tradução latina da Vulgata (versão oficial da Igreja Romana). Desta maneira ele podia comparar os diversos textos e esclarecer os equívocos encontrados nas traduções, justificando sua exegese. Estas aulas públicas de Bíblia receberam oficialmente, em 1535 o nome de “Propheizei [Profecia]”, mas conforme informação de Pollet, “estava provavelmente em uso antes dessa data” (1988). Este termo grego, utilizado por Paulo (I Co. 14.1-3), era utilizado com o sentido de instruir, exortar e encorajar e desta forma, Zwinglio indica que suas exegeses dos textos bíblicos estavam debaixo da direção e influência do Espírito Santo. No período de 1525-1531 ele principia estudos que abrangeram 21 livros do Antigo Testamento, seguindo uma ordem cronológica; nas Sextas-Feiras estudava-se o Novo Testamento: os Evangelhos, as Epístolas Paulinas e a Primeira Epístola de João.

Ao optar por uma predominância dos livros do Antigo Testamento em seus estudos públicos, bem como em seus tratados teológicos, revelam o propósito que ele perseguia de submetê-los ao crivo dos ensinos neotestamentários. Para Zwinglio o estudo e a compreensão da mensagem veterotestamentário deve ser feita à luz de Cristo e não o inverso; sempre se poderia encontrar no Antigo Testamento o que foi claramente expresso em Cristo. Desta forma, ele sempre foi resistente a discutir o Novo Testamento no Antigo, mas não o impediu de utilizar amplamente os ensinos do Antigo para combater os conceitos formulados pelos anabatistas.

Os anabatistas entendiam que o batismo deveria ser a resposta consciente e explicita de uma experiência pessoal de conversão, portanto não aceitavam o batismo infantil.[6] A argumentação de Zwinglio tomava como princípio o preceito da circuncisão instituída por Deus em relação aos israelitas; assim como a circuncisão não era a causa da salvação do israelita, mas se constituía em um sinal da Aliança, o batismo infantil cristão também se constituía em um sinal de que o filho(a) do cristão estava inserido(a) na Nova Aliança em que seus pais foram inseridos mediante a profissão de fé em Cristo.  Todavia, para Zwinglio a circuncisão não se constituía em uma confirmação da fé de Abraão, mas um compromisso de conduzir seus filhos a Deus dentro dos termos da Aliança anteriormente estabelecida. Ele assim se expressa: “O nosso batismo tende a mesma coisa que a circuncisão anteriormente, é o sinal da aliança que Deus fez conosco através de seu Filho”. (STEPHENS, 1999, p. 263).[7]

Os anabatistas entendiam que todo o Antigo Testamento havia perdido seu valor mediante a Nova Aliança estabelecida por meio de Cristo, mas Zwinglio rejeita esta tese, pois segundo ele esta interpretação dos anabatistas acabava por rejeitar a Deus, que se revela em ambos os Testamentos.[8] Para fundamentar o valor do Antigo Testamento ele invoca quatro textos do Novo Testamento: Mt 22.29; João 5.39; Ro.15,4 e 1Cor. 10.11, os quais trazem em comum o apelo ao Antigo Testamento como fundamento da mensagem cristã. Em 1 Coríntios 10.11 esta escrito: “Essas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas como advertência para nós, sobre quem tem chegado o fim dos tempos” (NIV), referindo-se à experiência de Israel no deserto. Segundo ele, conforme seu “Prefácio aos Profetas”, incluindo também o verso 6 de 1 Coríntios 11, todos os acontecimentos registrados no Antigo Testamento se revestem de simbolismos e servem para nosso uso, pois, foram escritos para o nosso benefício. Esta é a convicção que esta subjacente da leitura que Zwinglio faz de todo o Antigo Testamento à luz da revelação de Cristo (STEPHENS, 1999, 107).[9]

Sua convicção de que a Antiga e a Nova Aliança eram basicamente uma, lhe permitiu usar os textos veterotestamentário em seus debates com os católicos e também com Lutero, a cerca da Última Ceia, onde ele a coloca em paralelo com a Páscoa judaica (Êxodo 12.11). Em seus trabalhos exegéticos, as analogias entre a circuncisão e o batismo, a Páscoa e a Última Ceia emergem com constância, como realça Stephens: “o método comparativo é um elemento constante nos escritos de Zwinglio, tanto nos comentários como em outros textos” (1999, p. 92).

 É importante destacar ainda que Zwinglio estava plenamente convencido de que toda a Bíblia foi escrita para o bem da humanidade. Em sua ênfase do sentido natural da Escritura ele acaba por destacar o sentido moral e espiritual dos textos bíblicos. Para ele o sentido moral do texto é a aplicação natural para o ouvinte, que vai trazer compreensão correta do texto e consolo para a vida dele. Outra vertente de sua exegese estava na sua preocupação filológica, pois entendia a necessidade de pregar o texto bíblico em sua expressão autêntica – por isso gastava tanto tempo em conhecer profundamente a língua hebraica e grega, em quais os textos bíblicos foram escritos.

  Por fim, se Zwinglio minimizava a utilização da interpretação alegórica, por outro lado ele utilizou extensivamente a interpretação tipológica. Para ele as figuras de Noé, Isaque, José, Moisés apontavam para a revelação de Cristo. Evidentemente que em alguns casos ele torna-se arbitrário em suas intepretações tipológicas, mas com certeza muitas histórias e personagens do Antigo Testamento encontram seu significado e relevância na revelação cristológica do Novo Testamento. 

fonte www.historiologiaprotestante.blogspot.com

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