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sendo cheios do Espirito Santo
sendo cheios do Espirito Santo

           A Pregação por meio de Testemunho AT 2.1-47

 

 O poder para a proclamação — foi isto o que o Espírito trouxe. No mesmo dia em que o Espírito Santo desceu sobre eles, os apóstolos começaram a sua pregação, com resulta­dos surpreendentes. Era o método de Deus de transmitir o Evangelho — as Boas Novas daquilo que Cristo realizara pelos homens pecadores na sua morte e ressurreição.

 

1. As Testemunhas Recebem o Poder (2.1-13) 

Antes de poder pregar, as testemunhas precisavam ser preparadas. Assim, encon­tramos neste parágrafo das Escrituras a história de como os discípulos foram cheios do Espírito Santo.

 a. Pentecostes (2.1-4). Este é o acontecimento mais importante do livro de Atos. Sem ele, o livro nunca teria sido escrito. Foi este grandioso ato de Deus de derramar o Espírito Santo sobre os primeiros crentes que precipitou todos os atos dos homens autorizados pelo Espírito, sobre os quais podemos ler na história do início da igreja cristã. Winn sugere que o livro de Atos poderia ser chamado de "o livro mais emocio­nante que já foi escrito".

 Cumprindo-se o dia de Pentecostes literalmente significa "quando o dia de Pen­tecostes estava sendo completado". Isto pode se referir ao final das sete semanas que pre­cederam o Pentecostes. Mas como a palavra dia está no singular, e uma vez que o dia dos judeus começava no pôr-do-sol, pode-se assumir melhor que a frase indica que, naquela manhã, "o dia de Pentecostes estava se cumprindo". Robertson diz: "Lucas pode querer dizer que o dia de Pentecostes ainda não estava terminado; ainda estava em curso".

 Mas o verdadeiro significado da frase é provavelmente mais teológico do que crono­lógico. Lenski escreve: "Lucas está pensando na promessa do Senhor e de como agora se aproxima o seu cumprimento. A chegada deste dia conclui a medida do tempo que o Senhor contemplava quando Ele fez a promessa". O retrocesso é anterior a isto — até às profecias do Antigo Testamento sobre o derramamento do Espírito Santo, como a refe­rência de Joel 2.28. Todas estas promessas se cumpririam em Jerusalém, em 30 d.C.

 Pentecostes é a palavra grega que significa "cinquenta". Este nome para a festa é encontrado pela primeira vez nos escritos apócrifos do período intertestamentário, em Tobias 2.1 e em 2 Macabeus 12.32. A designação do Antigo Testamento é Festa das Sema­nas (Êx 34.22; Dt 16.10), assim chamada porque a festa era celebrada sete semanas depois da Festa das Primícias, que marcava o começo da colheita de cevada (Lv 23.9-16).

 Todo homem judeu adulto deveria comparecer a três festas anuais — a Festa dos Pães Asmos (relacionada com a Páscoa), a das Semanas e a dos Tabernáculos (Dt 16.16). Os judeus da Palestina vinham em grande número a Jerusalém para a Páscoa, que comemorava o início da sua vida nacional e também assinalava o início do seu ano religi­oso. Mas os judeus da dispersão tinham a sua maior celebração no Pentecostes. Isto se devia ao fato de que a viagem pelo Mediterrâneo era muito mais segura em maio ou junho (Pentecostes) do que em março ou abril (Páscoa). Encontramos um exemplo disto no caso de Paulo. Na sua última viagem a Jerusalém, ele não teve tempo para visitar Éfeso, porque "apressava-se... para estar, se lhe fosse possível, em Jerusalém no dia de Pentecostes" (At 20.16). Em uma ocasião anterior, ele tinha escrito aos coríntios: "Fica­rei, porém, em Éfeso até ao Pentecostes" (1 Co 16.8). Estas são as três únicas passagens do Novo Testamento onde aparece a palavra Pentecostes.

 Existe uma tradição entre os judeus de que a Festa das Semanas comemorava a entrega da Lei no Sinai. Não se sabe ao certo se esta era a opinião na época de Jesus. Purves observa que não há menção disto no Antigo Testamento, nem em Filo nem em Josefo, e conclui: "Provavelmente foi depois da queda de Jerusalém que se iniciou esta tradição". Dosker é ainda mais específico quando escreve: "Ela originou-se com o grande rabino judeu Maimonides [século XII] e foi copiada pelos escritores cristãos". Mas Foakes-Jackson declara: "Não podemos deixar de recordar a cena da entrega da Lei no monte Sinai, quando Israel se tornou uma comunidade estritamente religiosa, e há razão para supor que o Pentecostes já era a festa comemorativa da entrega da lei". O Pentecostes era o cumprimento de Jeremias 31.33 — "porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração". Aqui há uma completa submissão à vontade de Deus. E simultaneamen­te a base e o fruto da completa santificação do crente.

 Na nova edição revisada da obra de Hasting, em um volume, o Dictionary ofthe Bible, afirma-se que tanto os fariseus quanto os saduceus consideravam o Pentecostes como "a festa que concluía a Páscoa". Este fato tem nuanças teológicas. A crucificação de Cristo, quando Ele se ofereceu como um sacrifício pelo pecado do homem, e a ressur­reição, que validou o seu sacrifício como aceito divinamente, seriam incompletas sem o derramamento do Espírito. De certa maneira, a sexta-feira santa e o domingo de Pás­coa não seriam senão um prelúdio para o dia de Pentecostes. A crucificação, a ressur­reição e a ascensão, juntas, formam o êxodo de Jesus da terra de volta para o céu, que era a preparação necessária para o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. Jesus disse:"... vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei" (Jo 16.7). Quando Maria encontrou pela primeira vez o Cristo ressuscitado, ela abraçou os seus tornozelos, em um abraço que não queria deixá-lo ir (cf. Mt28.9). Mas Jesus gentilmente a advertiu: "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai" (Jo 20.17), i.e., "não se agarre a mim" na carne, que é limitada em tempo e espaço, mas deixe-me ir, para que você possa receber-me no Espí­rito. Sem dúvida, Maria Madalena era uma das "mulheres" (1.14) que estavam espe­rando no cenáculo. Quando o Espírito Santo encheu o seu coração no dia de Pentecos­tes, ela teve a presença do seu Senhor ressuscitado consigo durante todo o tempo e em todos os lugares.

 No dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. O melhor texto grego diz: "juntos em um lugar" —homou ao invés de homothymadon. Daí, a força total da última expressão, reunidos, não deve ser ressaltada aqui. No entanto, tanto a palavra homou (juntos) quanto o contexto sugerem um espírito de unidade. Uma das traduções recentes afirma: "Eles estavam todos harmoniosamente em um lugar" (Berk).

 A primeira parte do versículo 2 diz literalmente: "e, de repente, veio do céu um som (grego echos), como de um vento veemente e impetuoso", i.e., como o rugido reverberante de um tornado. Ele encheu toda a casa. Alguns estudiosos sugeriram que o derramamen­to do Espírito sobre os discípulos pode ter ocorrido no Templo. Mas Lenski provavel­mente está correto quando diz: "Se Lucas tivesse em mente uma sala no Templo, ele certamente teria escrito hieroron".

 Este som, como o rugido do vento, serviu como um alerta para todos os que estavam reunidos. Se alguém tinha estado sonolento, agora estaria completamente desperto. As­sim, todos eles viram as línguas repartidas, como que de fogo (3). O texto grego diz: "línguas como que de fogo distribuindo-se" (ou "sendo distribuídas"). Hackett descreve a cena corretamente quando diz: "A aparição semelhante ao fogo apresentou-se primei­ramente em um corpo único, e então repentinamente repartiu-se em todas as direções, para que uma porção pousasse sobre cada um dos presentes". 

A importância desses dois símbolos — o vento e o fogo — é demasiado óbvia para ser perdida. Knowling diz: "O fogo, como o vento, era símbolo da presença divina (Ex 3.2) e do Espírito que purifica e santifica (Ez 1.13, Ml 3.2,3)". Blaiklock escreve: "O vento (2) e o fogo (3) eram uma simbologia aceita da operação poderosa e purificadora do Espírito de Deus". Isto é, quando o Espírito Santo enche o coração do crente, Ele confere tanto o poder quanto a pureza. Ninguém pode ter uma coisa sem ter a outra. Receber o Espírito Santo na sua totalidade é sentir ambas as coisas, simultaneamente.

 Qual era o propósito da combinação sobrenatural do som e da visão, do vento e do fogo? É muito instrutiva a comparação com o que teve lugar no monte Sinai, em relação à entrega da Lei. Lemos que "Houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte... E todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subia como fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente" (Ex 19.16-18). Uma nova época passava a existir; nascia uma nova era. Era importante que os israelitas percebessem a suprema importância do momento. Eles deveriam estar fortemente conscientes da autoridade divina da Lei que lhes estava sendo entregue.

 Assim foi com o Pentecostes. A revelação do Espírito Santo iniciava-se. Os discípulos deveriam estar alertas e ativos para o que estava acontecendo. Os símbolos do vento e do fogo ajudá-los-iam a entender o significado daquilo que acontecia.

 Mas estas coisas, juntamente com o falar em outras línguas, não eram senão acom­panhamentos do Pentecostes; eram acessórios temporários. O tema central era que to­dos foram cheios do Espírito Santo (4). Este foi o grande milagre, que de longe supe­rou os demais.

 O fato de que o derramamento do Espírito Santo purificou os corações dos discípulos é indicado claramente pelas palavras de Paulo no Concílio de Jerusalém. Falando das pessoas na casa de Cornélio (cap. 10), ele declarou: "E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando o seu coração pela fé" (At 15.8-9). Essas duas coisas — encher com o Espírito Santo e purificar o coração — estão assim equipara­das (ou, pelo menos, foi afirmado que são simultâneas).

 Qual é o significado da afirmação de que os discípulos cheios do Espírito Santo co­meçaram a falar em outras línguas? (4). Os versículos seguintes parecem indicar claramente que os discípulos falavam em linguagens articuladas e compreensíveis. O propósito disso parece ter sido a evangelização mais eficaz da multidão de judeus e prosélitos, muitos dos quais compreenderiam melhor a mensagem do evangelho na sua pró­pria língua (8) do que no grego ou no aramaico normalmente falado.

 Os primeiros quatro versículos poderiam se esquematizados assim: Pentecostes — (1) O lugar; (2) O som; (3) A visão; (4) A importância.

 b. Perplexidade (2.5-13). O versículo 5 afirma que em Jerusalém estavam habi­tando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. A palavra grega para habitando, katoikountes, sugere a acomodação em um lugar para ficar. Moulton eMilligan escrevem: "Usado mais tecnicamente, o verbo se refere aos 'residentes' permanentes de uma cidade ou aldeia, assim distinguida daqueles 're­sidentes como estrangeiros' ou 'peregrinos' (paroikountesf. Com base nisto, Lenski diz: "Lucas se preocupa somente com esta classe de judeus que tinham nascido ou sido criados em regiões estrangeiras, mas agora eles estavam definitivamente estabeleci­dos na Cidade Santa para ali terminar os seus dias". Lumby escreve: "Provavelmen­te, além dos visitantes que tinham vindo para a festa, muitos judeus religiosos de regiões estrangeiras eram moradores permanentes de Jerusalém, porque era muito desejado pelos judeus poder morrer e ser sepultado perto da Cidade Santa". Apoiando este último ponto, ele cita esta frase rabínica: "Todo aquele que for sepultado na terra de Israel estará tão bem como se fosse sepultado sob o altar". Assim, a multidão se compunha tanto de residentes em Jerusalém quanto de visitantes para a festa.

 Muitos comentaristas afirmam que os varões religiosos eram os judeus, e não os gentios. Somente Lucas utiliza esta palavra(eulabeis), e nas outras três ocasiões em que o faz (Lc 2.25; At 8.2; 22.12) inquestionavelmente se refere aos judeus.

 Correndo aquela voz (6) significa, literalmente, "quando esse som [phone] acon­teceu". Existe uma diferença de opinião quanto ao que isso significa. Cadbury e Lake comentam: "O som mencionado aqui é phone, a voz de oradores inspirados, e não o echos do versículo 2". Mas Lechler declara: "Ao contrário, nada, a não ser echos no versículo 2 pode significar phone aute". Alford pensa que o som era tão alto a ponto de ser ouvido "provavelmente por toda Jerusalém". Mas Bruce dá o que provavelmente parece ser a melhor conclusão: "O último (v. 4) parece mais provável, mas não devemos excluir o anterior (v. 2)". Isto é, a primeira referência é às pessoas ouvindo a pregação inspirada dos apóstolos.

 Qualquer que tenha sido o som, ele causou um ajuntamento da multidão. Lucas utiliza plethos, "um grande número". Esta é uma palavra favorita nos seus textos, que aparece vinte e cinco vezes no seu Evangelho e em Atos, e somente sete vezes em outras partes do Novo Testamento.

 Cada um ouviu os discípulos falando na sua própria língua. A palavra é a mesma usada em 1.19 — dialektos. Ela aparece somente no livro de Atos. Em geral, significa linguagem, embora algumas vezes transmita o sentido mais restrito de "dialeto".

 Algumas vezes perguntou-se se o milagre foi o fato de eles falarem ou de a mul­tidão os ouvir. Lechler parece plenamente justificado quando comenta a respeito des­te último: "Mas sem mencionar que isto é muito mais difícil de imaginar, transfere-se o milagre daqueles que tinham o Espírito Santo para aqueles que não o tinham; isto é contra a linguagem simples do texto, que nos conta que 'começaram a falar em outras línguas'".

 Os ouvintes reconheciam os que falavam como sendo galileus (7). Como os galileus eram desprezados por terem pouca cultura, era especialmente surpreendente que eles falassem em várias línguas. E os ouvintes os ouviam falando, cada um na sua própria língua(dialektos; o mesmo que "língua", v. 6).

 Partos e medos, elamitas (9) viviam a leste do rio Tigre. Esses, juntamente com os que habitam na Mesopotâmia constituiriam um grupo geográfico, os da região Tigre-Eufrates. Como um resultado do cativeiro de Israel e de Judá (2 Rs 17.6; 25.11), "havia milhões de judeus nessas regiões".

 O nome mais problemático da lista inteira é Judéia. Aqui ela aparece entre a Mesopotâmia e uma lista de cinco nomes que se referem a partes da Ásia Menor. Mas não é aí que se situa a Judéia. Knowling chama a atenção para o fato de que Jerônimo a substituiu por "Síria", e Tertuliano sugeriu "Armênia". Lenski acompanha Zahn, mu­dando Judéia por "judeus", deixando somente catorze países listados, ao invés de quin­ze. Mas a melhor explicação é oferecida por Lake e Cadbury. Falando sobre a lista de nove nações, que se inicia com a Mesopotâmia e termina com a Líbia (junto a Cirene), eles dizem: "Se a Judéia for interpretada, no sentido profético, como o país 'do Eufrates até o rio do Egito', isto abrange, em uma ordem razoavelmente metódica, todos os distri­tos a leste do Mediterrâneo".

 A seguir vêm cinco distritos da Ásia Menor — Capadócia, Ponto, Ásia, Frigia e Panfília (9-10). Com exceção da Frigia, todos são nomes de províncias romanas. A Frigia era um território racial, na sua maioria na província da Ásia, mas parcialmente na Galileia. Como a Frigia é citada em separado, é possível que Ásia aqui seja "usada no seu sentido popular, como denotando as terras costeiras do Egeu, e excluindo a Frigia". No Novo Testamento, o termo "Ásia" refere-se à província romana do mesmo nome e nunca ao continente asiático, como o conhecemos hoje.

 O Egito tinha uma grande população judaica, a qual se diz que chegava a um milhão de pessoas. Cirene era uma cidade litorânea na parte norte da área geral da Líbia, no Norte da África. Josefo cita Estrabão, o famoso geógrafo e historiador grego da época de Cristo, como tendo dito: "Agora esses judeus já chegaram a todas as cidades; e é difícil encontrar um lugar na terra habitável que não tenha admitido esta tribo de homens e não seja possuída por eles; e aconteceu que o Egito e Cirene... imitaram o seu modo de viver, e mantêm grandes grupos desses judeus em uma maneira peculiar".

 Forasteiros romanos evidentemente significa "visitantes de Roma", como aparece na maioria das versões modernas (lit., "hóspedes de Roma"). Esta é a décima terceira região mencionada como uma que trazia pessoas à Festa do Pentecostes. Schuerer diz: "Roma era a sede de uma comunidade judaica que chegava a ter milhares de pessoas".

 Judeus e prosélitos é interpretado por Bruce e Lenski como referindo-se so­mente àqueles de Roma. Mas parece melhor aplicar esta dupla divisão ao povo de todas as quinze nações, como é feito talvez pela maioria dos comentaristas recentes.

 O termo prosélitos (extraído diretamente do grego) é encontrado no Novo Testa­mento somente em Mateus 23.15 e três vezes no livro de Atos (2.11; 6.5; 13.43). Um prosélito é literalmente "aquele que chegou", e portanto "um estrangeiro". Mas a palavra é geralmente usada em referência aos convertidos a alguma religião (aqui, ao judaísmo). Os judeus de Roma eram particularmente zelosos em buscar conversões. Os prosélitos do judaísmo tinham de satisfazer quatro exigênci­as: 1. instrução; 2. circuncisão; 3. batismo; 4.sacrifícios. Kirsopp Lake aparentemente estabeleceu o fato de que havia somente um tipo de prosélitos — aqueles que satisfaziam as exigências e podiam pertencer à sinagoga — e que o uso da expressão "prosélitos do portão" dos antigos autores deve agora ser abandonado. Naturalmente, depois da destruição do Templo em 70 d.C, já não houve sacrifícios nem pelos judeus nem pelos prosé­litos. Parcialmente por causa da inconveniência da circuncisão aos convertidos do sexo masculino, havia mais mulheres do que homens que se tornavam prosélitos.

 Cretenses e árabes (11) é interpretado, por muitos comentaristas, como uma ideia posterior. Knowling diz que "a introdução dos dois nomes sem nenhuma conexão aparente com o restante deve mostrar que não estamos lidando com uma lista artificial, mas sim com um registro genuíno das diferentes nações representadas na Festa". Lake e Cadbury ressaltam: "Os cretenses e os árabes representam os dois extremos do Oeste e do Sudeste que não foram abrangidos pelos nomes anteriores". A ilha de Creta está situada a sudeste da Grécia e a oeste da Palestina. Bruce escreve que "a Arábia, no uso greco-romano, geralmente significava o reino dos árabes nabateus, que na ocasião estava no ápice do seu poder sob Aretas IV (9 a.C.— 40 d.C.). Isto represen­tava o Sul e o Leste da Palestina.

 Plumptre sugere que esta lista de quinze nações fornece uma espécie de "visão-de-pássaro mental do império romano", e acrescenta, de acordo com o comentário de Knowling, que a "ausência de algumas nações que esperaríamos encontrar na lista" é uma indicação da autenticidade do registro.

 Línguas é a mesma palavra grega (glossa) do versículo 4, mas diferente daquela traduzida como "língua" (dialektos) no versículo 8. A frase final dos ouvintes maravilha­dos destaca um contraste com o que aconteceu com a confusão de línguas em Babel (Gn 11.7). As grandezas de Deus incluiriam principalmente a ressurreição de Jesus Cristo dos mortos.

 O deslumbramento foi seguido pela perplexidade: Que quer isto dizer? (12) A ex­plicação dada por alguns foi a de que os discípulos estavam cheios de mosto (vinho novo; 13). A primeira colheita da uva não acontecia antes de agosto, e agora era junho. Assim, alguns estudiosos afirmaram ter encontrado um erro aqui. Mas Lake e Cadbury escrevem que "o problema é solucionado por Columella... que dá uma receita para impe­dir que gleukos se azede". A expressão pode referir-se ao vinho misturado com mel. Uma tradução melhor é "vinho doce", que é o que significa gleukos (cf. "glucose"). O escritor romano, Cato, dá esta receita: "Se você deseja manter o vinho novo doce durante o ano inteiro, coloque-o numa jarra, cubra a tampa com breu, coloque a jarra em um lago de peixes, retire-a depois de trinta dias; você terá vinho doce durante o ano inteiro". Se surgir a pergunta de como os homens poderiam ficar embriagados com suco de uva não fermentado, a resposta pode ser que os que zombavam estavam falando sarcasticamente. Este "vinho doce", se armazenado apropriadamente, pode muito bem ter sido o que Jesus e os seus discípulos bebiam.

 2. A Exposição do Testemunho (2.14-36) 

O sermão de Pedro no Dia de Pentecostes é o primeiro de um considerável número de longos sermões no livro de Atos (cf. o sermão curto de Pedro em 1.16-22). Selwyn, no seu excelente comentário sobre a primeira carta de Pedro, destacou inúmeros paralelos entre este sermão e a primeira epístola de Pedro. Embora muitos estudiosos recentes tenham afirmado que os discursos no livro de Atos foram feitos pelo autor do livro e colocados na boca dos seus personagens — de acordo com o costume daquela época — é digno de nota que Macgregor aceite a força da apresentação de Selwyn. Ele também diz que a ausência de ideias teológicas avançadas "nos primeiros discursos de Pedro colabo­ra fortemente para o uso das fontes documentais primitivas". Selwyn faz referência ao "estilo semita áspero e à doutrina primitiva que marcam partes dos discursos de Pedro".

 a. A Profecia de Joel (2.14-21). Pedro levantou-se com os onze — seus companheiros apóstolos — levantou a voz e disse-lhes (14). Temos a impressão de que o falar em várias línguas tinha terminado e que toda a multidão ouviu quando Pedro fez o seu sermão. Dissenão é o verbo normal, lego, mas um composto forte, apophthengomai, que aparece somente aqui e em 26.25. Pode ser traduzido como "falou" (ASV) ou "advertiu-os". "A implicação é que o discurso de Pedro é uma manifestação inspirada e que estava em uma linguagem bem articulada". Os três verbos no começo deste versículo sugerem três coisas que todo pregador deveria fazer no púlpito: levantar-se ("endireitar-se"), er­guer a voz, e falar.

 Varões judeus (em algumas versões, "homens da Judeia") pode ser traduzido como "companheiros judeus". Pedro procurava ganhar a atenção da sua audiência por essa forma cortês e amigável de falar. Escutai é, mais exatamente, "deem ouvidos" (ASV). A palavra grega, encontrada somente aqui no Novo Testamento, é um composto das pala­vras que significam "dentro" e "orelha". Assim, sugere a ideia de "ligar-se". É isso o que um pregador deseja que a sua audiência faça.

 A primeira coisa que Pedro fez foi negar a acusação de embriaguez. Ele chamou a atenção para o fato de que era somente a terceira hora do dia (nove horas da manhã), muito cedo para que alguém estivesse embriagado. "O costume judeu era o de não comer antes dessa hora, que era a hora da oração matinal". Lumby escreve: "Os judeus bebi­am vinho somente com carne, e, segundo o costume estabelecido em Êxodo 16.8, eles comiam pão pela manhã e carne à tarde, e assim não bebiam vinho antes das horas finais do dia".

 Qual é, então, a explicação? Pedro declarou: isto é o que foi dito pelo profeta Joel (16). Estes homens não estavam embriagados; eles estavam cheios do Espírito (cf. Ef 5.18).

 Em 2.1-18, encontramos "o significado de Pentecostes". O assunto é a pergunta do versículo 12, que quer isto dizer? 1. O que quer dizer este vento impetuoso? O poder sobrenatural agora está disponível para transformar vidas e capacitar e igreja a obede­cer a Grande Comissão (2.1-2,1.18); 2. Que querem dizer as línguas repartidas como que de fogo que pousaram sobre cada um deles? Que os seus corações estavam purificados, que eles poderiam ser cheios do Espírito Santo (2.3; 15.8-9); 3. Que quer dizer o falar em outras línguas? Que o Evangelho deve ser transmitido universal e eficazmente (7-8,16-18). (G. B. Williamson)

 A citação encontrada nos versículos 17-21 é tomada de Joel 2.28-32. A primeira par­te (vv. 17-18) foi cumprida no dia de Pentecostes, quando o Espírito foi derramado sobre os discípulos que esperavam. Mas e os versículos 19-20? Estes sinais não foram cumpri­dos literalmente nesta ocasião.

 A chave para a resposta parece ser a frase últimos dias (17). Lumby diz: "Na lin­guagem dos profetas do Antigo Testamento, estas palavras significam a vinda do Messi­as (cf. Is 2.2; Mq 4.1)". Isto é, os últimos dias são os dias do Messias. Eles se iniciaram com a sua primeira vinda e continuarão durante a sua segunda vinda. Os versículos 19-20 referem-se basicamente ao retorno de Cristo no final dessa era. Mas isto já está no quadro negro divino. Winn adequadamente afirma: "O sentido da vida nos últimos dias marca todo o Novo Testamento". Na mesma linha, Bengel escreve: "Todos os dias do Novo Testamento são os últimos dias". Com respeito à frase do meu Espírito (genitivo partitivo), ele diz: "No texto de Joel, a expressão é meu Espírito a expressão de Pedro é 'do meu Espírito', tendo especial respeito ao Pentecostes, em particular". O cumpri­mento da profecia de Joel não acabou naquele dia, mas prossegue durante toda esta era.

 No pensamento do próprio Joel, provavelmente toda a carne significava toda a na­ção de Israel, ou seja, todas as classes de israelitas —velhos e jovens, servos e senhores. Mas na mente do Espírito, e como é usada no Novo Testamento, a expressão tem um significado universal.

 A frase e profetizarão (18) não está no texto de Joel. Ela se repete aqui e no versículo 17 para enfatizar que os servos e as servas, assim como os filhos e as filhas, profetizarão.

 Em lugar da palavra glorioso (20), citada da Septuaginta, o texto em hebraico de Joel tem uma outra palavra que significa "terrível". Este adjetivo é usado para descrever o dia do Senhor em Joel 2.11,31.

 Nos versículos 16-18, vemos as "possibilidades do Pentecostes". Toda a carne — o Pentecostes desconsidera qualquer limite. Últimos dias — o Pentecostes ultrapassa a própria história. 1. O Pentecostes preserva a glória do passado (16); 2. O Pentecostes provê a realidade no presente (16); 3. O Pentecostes promete a vitória para o futuro (17-18). (G. B. Williamson)

 O versículo 21 resume o Evangelho em poucas palavras: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Em Joel, Senhor se referia a Deus Pai, mas aqui é transferido a Cristo. Knowling escreve: "Na sua relação com a divindade do nosso Se­nhor, este fato é de importância básica, porque não é simplesmente que os primeiros cristãos se dirigiam ao seu Senhor ascendido tantas vezes pelo mesmo nome que é usado para 'Jeová' na LXX—embora certamente seja notável que em 1 Tessalonicenses o nome se aplique a Cristo mais de vinte vezes — mas que eles não hesitavam em referir a Ele os atributos e as profecias que os grandes profetas da nação judaica tinham associado com o nome de Jeová".

 Para os israelitas, salvo significava "libertado" (cf. Jl 2.32). Mas a aplicação que Pedro faz mostra que ele a interpretava como a salvação espiritual por meio da fé no nome de Jesus (cf. 38).

 b. Jesus de Nazaré (2.22-28). Varões judeus significa, literalmente, "homens, israelitas" (cf. 14). Como no versículo 14, Pedro pede para a audiência: escutai estas palavras (22). Os versículos 14-21 constituem a introdução para o sermão. Negativamen­te, o falar em várias línguas não se devia à embriaguez. Positivamente, simbolizava o fato de que o Espírito Santo tinha sido derramado sobre os discípulos que estavam espe­rando e que, cheios do Espírito, eles iriam pregar o Evangelho por todo o mundo (cf. 1.8).

 O sermão propriamente dito se inicia no versículo 22 e se estende até o 36. Pedro falou a respeito de Jesus: 1. O seu ministério de realização de milagres (22); 2. A sua crucificação (23); 3. A sua ressurreição (24-32); 4. A sua ascensão e exaltação (33-36). Ele o apresenta como Jesus, o Homem, e como Jesus, o Senhor. Este primeiro sermão de Pedro pode ser interpretado como um bom exemplo do conteúdo da pregação apostólica (kerygma). O seu tema principal era Jesus — crucificado, ressuscitado, glorificado. Ele é ao mesmo tempo Salvador e Senhor.

 Aprovado (22) significa "confirmado, certificado" (RSV) ou "divinamente certifica­do" (Berk.). O verbo grego era usado nos papiros daquele período no sentido de "procla­mar" uma indicação a uma função pública. Pedro afirma que os milagres que Jesus realizou eram as suas credenciais divinas, proclamando a indicação de Deus de Cristo como o Messias.

 O versículo 22 contém as três palavras usadas para significar milagres nos Evange­lhos. Prodígios significa literalmente "poderes"(dynameis), i.e., "obras poderosas" (ASV). Maravilhas (terata) é uma palavra menos comum (16 vezes no Novo Testamento, em comparação com 120 vezes de dynamis). Ela aparece somente uma vez em Mateus, Mar­cos e João, mas 9 vezes no livro de Atos. Sempre é traduzida como "maravilha". Sinais (semeia) é traduzido como "milagre" 23 vezes no Novo Testamento (KJV), em um total de 77 vezes. Mas o seu significado correto é "sinal". A primeira destas três palavras para os milagres de Jesus enfatiza a sua natureza (obras poderosas), a segunda chama a atenção para o efeito produzido, "maravilha", e a terceira ressalta o seu objetivo e importância: aqueles eram "sinais" da divindade de Jesus. A segunda palavra nunca ocorre no Novo Testamento sem a terceira. O significado destes milagres era mais importante do que o aspecto de "maravilhar".

 Um dos grandes paradoxos da vida é o fato duplo da soberania divina e da liberdade humana. No versículo 23, estas se unem. Jesus foi "entregue" (ASV) pelo determinado conselho e presciência de Deus. Ao mesmo tempo, foram os homens que o tomaram e crucificaram. Embora a morte de Cristo estivesse no plano divino da redenção, isto de nenhuma maneira diminui a culpa daqueles que o mataram, porque eles agiram de livre e espontânea vontade.

 A palavra grega para presciência é prognosis. Ela é usada somente aqui e em 1 Pedro 1.2. Esta é uma das muitas correspondências entre a primeira epístola de Pedro e os seus sermões no livro de Atos. Uma distinção cuidadosa é feita entre os judeus que tomaram Jesus e os gentios que o crucificaram. Pelas mãos de injustos significa literalmente "pelas mãos de homens sem lei", ou seja, homens que não seguiam a Lei de Moisés. Esta expressão "sem lei" era "frequentemente usada na literatura judaica em relação aos romanos", e esse é o seu significado aqui.

 Mas a crucificação foi revertida pela ressurreição — ao qual Deus ressuscitou (24). O termo ânsias pode ser traduzido como "dores" (ASV), pois a palavra grega signi­fica literalmente "dores do parto". É usada no seu sentido literal em 1 Tessalonicenses 5.3. Aqui, como em Mateus 24.8 e Marcos 13.8, ela provavelmente sugere as dores do parto de uma nova era.

 Alonga citação dos versículos 25-28 é tomada de Salmos 16.8-11. O salmo aqui é atribuído a Davi, que se alegra de que o Senhor não deixará a sua alma no Hades (ou Seol), o lugar dos mortos.

 c. Jesus, o Senhor (2.29-36). Varões irmãos (29) significa literalmente "homens, irmãos". Pedro iniciou o seu sermão com "Varões judeus" (14). Depois da introdução, ele começou o corpo do sermão com "varões israelitas" (22). Agora, ele diz "varões irmãos" (cf. 1.16; 2.37). Com muito tato, o apóstolo procurava a atenção da sua audiência, que era basicamente judaica.

 Pedro toma as palavras de Davi e aplica-as a Cristo. Davi morreu e foi sepultado. Neste ponto, Pedro está certo de que não haverá contradição. Seja-me lícito dizer-vos livremente pode ser traduzido como "Eu posso confiantemente dizer a vocês" (NASB). Além disso, entre nós está até hoje a sua sepultura. Ali o corpo — ou pelo menos os ossos — ainda poderia ser encontrado. Não seria a mesma coisa com o corpo de Jesus, o que foi provado pelo sepulcro vazio.

 Pedro declarou que Davi escreveu como um profeta (30), que acreditou na promes­sa de Deus de que um dos seus descendentes sentar-se-ia no seu trono. Sendo um pro­feta, ele previu, pelo menos de certo modo (cf. 1 Pe 1.10-12), a ressurreição de Cristo (31) — literalmente, "o Cristo" (i.e., "o Messias").

 Então Pedro marcou um ponto: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas" (32). Assim, a profecia foi cumprida. A expressão do que pode igualmente significar "de quem" ou "da qual". A preferência provavelmente recai sobre "da qual", referindo-se à ressurreição.

 A relação íntima da ressurreição (32) e a ascensão (33) também é encontrada em 1 Pedro 3.21-22 — outra evidência da autenticidade dos sermões de Pedro no livro de Atos. Derramou é o mesmo verbo que é corretamente traduzido da mesma maneira nos versículos 17 e 18. A imagem não é a de espalhar algo como ao tirar a roupa de alguém, mas como despejar algo de um recipiente. Foi desse derramamento do Espírito que Je­sus tão claramente falara aos discípulos: "Se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for,enviar-vo-lo-ei" (Jo 16.7).

 A multidão podia ver e ouvir os resultados do derramamento do Espírito sobre os discípulos. Eles podiam ver a mudança nos apóstolos, e podiam ouvir a nova mensagem que estava sendo pregada. A referência também pode ter sido a visão das línguas de fogo e a audição do som como um vento veemente e impetuoso (2-4).

 No versículo 34, o apóstolo retorna ao contraste entre Davi e Cristo. Davi não subiu aos céus, i.e., corporalmente. Mas Jesus sim. No Salmo 110 — o capítulo do Antigo Testamento mais frequentemente citado no Novo Testamento, e que os judeus afirmam ser messiânico — Disse o Senhor [Jeová] ao meu Senhor [Adon]: Assenta-te à minha direita. Este sempre era o lugar especial de honra, da mesma maneira que o convidado de honra se senta hoje à direita do anfitrião. Ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés (35) é uma refe­rência ao antigo costume dos vencedores de colocar o pé no pescoço dos vencidos (cf. Js 10.24).

 Finalmente, Pedro chega ao clímax do seu sermão: a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo (36). O que chocava os judeus era que Pedro ousava igualar Jesus ao Deus Jeová do Antigo Testamento.

 

3. O Testemunho Eficaz (2.37-47) 

Provavelmente, nenhum sermão já pregado jamais teve um efeito maior. Isto se deveu ao recente derramamento do Espírito.

 a. O Arrependimento do Povo (2.37-42). Quando o povo ouviu a mensagem de Pedro, eles compungiram-se em seu coração (37). O verbo forte (somente aqui no Novo Tes­tamento) significa "perfurar, espetar agudamente, alfinetar, ferir". Esta é uma vívida descrição da obra do Espírito Santo para convencer o coração humano do pecado (cf. Jo 16.8). Em resposta a esta condenação, o povo dizia: Que faremos?

 A resposta de Pedro foi simples e específica: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado (38). A palavra grega para "arrepender"(metanoeo) significa "modificar o seu pensamento", i.e., modificar a sua atitude em relação a Deus, ao pecado, ao mundo, a si mesmo. Aqui, ela significa que o povo deveria mudar a sua atitude com relação a Jesus. Ao invés de rejeitá-lo, deveriam aceitá-lo como "Senhor e Cristo" (36), ou seja, o seu Messias. Como testemunho público disso, eles deveriam ser batizados em nome de Jesus. Cada um de vós seja batizado significa, literalmente, "Que cada um de vós seja batizado". Esta deveria ser a etapa seguinte ao arrependimento, como no ministério de João Batista (Mc 1.4). Mas aqui o batismo deveria ser em nome de Jesus Cristo — um batismo cristão inconfundível. Isto deveria acontecer para perdão dos pecados. A. T. Robertson diz que o significado disso é "com base no perdão dos pecados que eles já tinham recebido". Assim, eles se tornavam aptos a receber o dom do Espírito Santo.

 A promessa não era apenas para os judeus de Jerusalém, e para os seus descen­dentes, mas também a todos os que estão longe (39), ou seja, os gentios, definidos também como tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar. Esta expressão deve ser interpretada à luz do versículo 21 — "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo", ou seja, a promessa é feita a todos aqueles que responderem ao chamado de Deus.

 E com muitas outras palavras (40) Pedro testificava ("declarava solenemente") e exortava o povo para que se salvasse daquela geração perversa — literalmente "distorcida" (cf. Dt 32.5; Sl 78.8; Fp 2.15).

 Os resultados foram espantosos. Quase três mil almas (pessoas) somaram-se ao re­lativamente pequeno grupo de crentes que tinham sido cheios com o Espírito naquele mesmo dia. Era uma tremenda demonstração do poder do Espírito Santo. Estes novos convertidosperseveravam na doutrina (melhor "ensino", didache) dos apóstolos, e na comunhão (koinonia). Isto é, havia uma unidade de fé e de espírito. O partir do pão provavelmente se refere a uma celebração frequente da Ceia do Senhor. As orações acon­teciam tanto nas casas particulares quanto no Templo (cf. v. 46).

 b. O Progresso se Repete (2.43-47). Este último parágrafo do capítulo parece, à pri­meira vista, descrever uma comunidade de bens na Igreja Primitiva em Jerusalém. Mas o texto grego dá uma impressão um pouco diferente daquela resultante da tradução em português. O tempo imperfeito, que significa uma ação contínua ou repetida, aparece nada menos que oito vezes nestes cinco versículos (43-47). Em 44 e 45, o uso do imperfei­to é excessivamente significativo para a exegese correta. Os crentes "tinham tudo em comum" (tradução literal de 44b); ou seja, eles deixavam todas as suas posses à disposi­ção da igreja, para que fossem usadas conforme a necessidade.

 O versículo 45 pode ser adequadamente parafraseado assim: "E de tempos em tem­pos eles vendiam as suas posses e os seus bens, e os repartiam entre todos, segundo as necessidades que cada um tinha de tempos em tempos". A implicação é a de que, quando surgiam as necessidades especiais, algum crente, ou alguns crentes, vendiam proprieda­des e tornavam os resultados da venda disponíveis para solucionar a emergência. A mes­ma coisa ainda acontece hoje entre os cristãos consagrados.

 Os primeiros discípulos — a maioria composta por judeus — continuavam a adorar diariamente no templo (46). Isto era natural. Posteriormente, a perseguição aos judeus expulsou-os do Templo, e também das sinagogas.

 Eles também partiam o pão em casa. O texto grego também poderia ser traduzido como "de casa em casa". Não havia edifícios para igrejas no início, e a maioria das reuni­ões de adoração era conduzida nas casas.

 Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo (47) é uma combinação desejada na igreja de todos os tempos e lugares. O Senhor estava acrescentando diaria­mente novas pessoas ao número de crentes. Esta era uma igreja em crescimento. A últi­ma frase,aqueles que se haviam de salvar, é uma tradução completamente injustificável. Não existe aqui nenhuma indicação depredeterminação ou predestinação. O texto grego diz claramente: "todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que estavam sendo salvos". Isto simplesmente afirma que aqueles "que estavam sendo sal­vos" uniam-se ao crescente grupo de discípulos em Jerusalém.

 Este capítulo sugere "o milagre do Pentecostes". 1. As condições do Pentecostes (1). Os discípulos estavam juntos em Jerusalém, emobediência ao mandamento de Cristo (1.4), e pela fé de que Ele cumpriria a sua promessa (1.5). 2. Os acompanhamentos do Pentecostes(2-3). Estes foram o som de um vento tempestuoso e a visão das línguas repartidas — ambos símbolos do Espírito Santo. 3. As consequências do Pentecostes (37-42): convicção (37), conversão (41), comunhão (42).

 

FONTE Bibliografia R. Earle,comentário bíblico do novo testamento 2003

FONTE www.avivamentonosul.blogspot.com.br